Zumo-bebida do dia: Calpis

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Estava eu pensando em maldades aqui na Zumo-caverna-2 (a original é do Nagano) quando o nobre midiático Jeff Paiva perguntou: o que é Calpis? Ele viu pra vender no mercado e, sim é uma novidade,  já que o rótulo estava em bom português.  Mas, afinal, que diabos é Calpis?

Nagano me apresentou ao Calpis na época em que trabalhamos juntos na saudosa PC World feita-com-árvores-mortas (lá por 2004/2005), e eu adquiri o hábito de tomar uma garrafinha sempre que encontro pra vender.

Na definição mais básica, Calpis é um Yakult japonês (redundância, dãaaa). Uma bebida com sabor limão, pra tomar muito gelada e matar a sede num dia de calor.

Tem efeito colateral? Sim, ele é amigo do seu intestino, sem precisar fazer muita propaganda – pelo menos na versão japa original, à venda nos melhores mercadinhos da Liberdade. Eu adoro a versão Calpis Soda, que tem o sabor do Calpis original com gás de refrigerante – facilmente encontrável na Liberdade também.

A lata brasileira não faz menção aos efeitos laxativos-light do produto, mas indica que o Calpis é produzido e embalado no Japão e importado pro Brasil pela Ajinomoto (o produto, por sinal, ainda nem aparece no site deles) e, com isso, conta com uma rede maior de distribuição. Comprei hoje duas latinhas pra experimentar no Pão de Açúcar por R$ 2,49 cada.

A lata tem umas marcações em japonês:

E o líquido é igual ao original, esbranquiçado e com o mesmo sabor.

Quando estive no Japão, em 2007, tomei todos os tipos de Calpis que encontrei pela frente (nas vending machines ou no mercadinho ao lado do hotel). Classic, uva, laranja (esse aparece na Liberdade de vez em quando) e até um Calpis alcoólico (sério!). Vale a pena. E por R$ 2,49, mata a sede. E torço pra Ajinomoto trazer o Calpis Soda também, que é melhor ainda 😉 E o Classic! E a versão 1,5 litro!

Nagano comenta: O Calpis é uma espécie de bebida láctea à base de leite fermentado (daí seu leve sabor cítrico, mas que não tem nada a ver com limão) que foi introduzido no Japão no início do século passado por Kaiun Mishima que ele conheceu uma versão caseira consumida pelas tribos nômades quando viajava pelo interior da Mongólia em 1904. Reza a lenda que esse produto teve grande sucesso no entre os nipões antes e depois da segunda guerra porque ele podia ser conservado fora da geladeira.

O Calpis tradicional é vendido na forma de um concentrado que deve ser diluído na proporção de uma parte de Calpis para três partes de água. A versão que o Henrique cita acima me parece ser o Calpis Water — que é a versão já diluída em água e pronta para consumo. A versão com água gaseificada é chamado de Calpis Soda.

Dizem que o Calpis teve problemas para entrar nos EUA já que para os americanos esse nome tinha o mesmo som de “cow piss” (= urina de vaca). Assim ele foi rebatizado de Calpico. Eu me lembro que no Brasil já existiu uma bebida semelhante chamada “Alpis” (com montanha nevada e tudo no rótulo) produzido se não me engano pela Tozan lá pela década de 1980.

De qualquer modo acho interessante a volta dessa bebida para o Brasil, principalmente numa época em que as pessoas procuram alternativas mais saudáveis para a nossa boa e velha bebida de Cola que, quando chegou no Japão no pós guerra, impressionou muito os locais já que eles ficavam embasbacados ao ver os soldados americanos virarem uma garrafa do que eles achavam ser molho de soja e fazer cara de que estavam gostando.

Ah sim, o Henrique esqueceu de citar o Calpis Diet e o melhor de todos, um Calpis de frutas que consegue combinar — por incrível que pareça — o sabor de maçã, laranja, abacaxi e banana!

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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