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ZTOP explica: processador Qualcomm Snapdragon 800

A próxima geração de smartphones e tablets virá com processadores ainda mais rápidos, com maior eficiência energética e capazes de rodar até vídeos em ultra-definição (4K). Bati um papo com Michelle Lenden Li, diretora sênior da Qualcomm, sobre os novos processadores Snapdragon – e seus nomes – anunciados durante a CES 2013, em Las Vegas.

A nova denominação dos Snapdragon agora segue uma linha numérica – começando na série 200 e seguindo até o 800.

O que antes se conhecia como “série S” (S2, S4, S4) ficou no passado. “Temos um novo direcionamento para a marca, e o modo de identificação anterior – S1, S2, S3, S4 – era apenas referente à geração de cada família”, explicou Michelle. “Mas o mercado mudou nos últimos anos, nosso roadmap de processadores se ampliou e agora precisamos também atender ao mercado de computadores e de smart TVs”.

Então, agora “não teremos mais gerações S, apenas uma linha pura para os modelos. Pense no mercado de carros: a BMW tem as séries 1, 3, 5”, disse a executiva.

Na nova nomenclatura, os Snapdragon ficam organizados em quatro linhas principais:

  • Snapdragon 200, para modelos de entrada
  • Snapdragon 400, para modelos devolume
  • Snapdragon 600, para intermediários e alto desempenho
  • Snapdragon 800, para aparelhos topo de linha, tablets e computadores

Durante a CES, a Qualcomm tornou oficiais os Snapdragon 600 e 800, que devem chegar aos aparelhos até a metade do ano (espero ver diversos anúncios com Snapdragon 600 e 800 durante o Mobile World Congress de Barcelona, no final de fevereiro).

Mas o interessante é ver como a Qualcomm posiciona os novos produtos em relação aos Sx anteriores. O Snapdragon 600 é “uma evolução do S4 Pro quad-core, com mais desempenho”.

Segundo Michelle, o Snapdragon 600 tem um aumento de performance de 40% em relação ao que o Snapdragon S4 Pro atual oferece. As velocidades de clock do Snapdragon 600 quad-core com CPU Krait chegam a 1,9 GHz, e o processador vem com uma nova GPU Adreno 320. Produtos com esse chip já devem chegar ao mercado no segundo trimestre de 2013, de acordo com a fabricante.

Já o Snapdragon 800 é um novo produto, baseado em uma nova arquitetura de fabricação em 28 nanômetros, com uma CPU quad-core Krait de até 2,3 GHz por núcleo com desempenho até 75% superior ao Snapdragon S4 Pro atual. A GPU integrada é uma nova Adreno 330 (promessa de dobrar o desempenho da Adreno 320 atual).

Mas nem são os números que importam aqui: é o que o processador é capaz de fazer.  A Qualcomm fez questão de mostrar em demos no seu estande da CES 2013 o “poder” desse novo Snapdragon 800. Em um cineminha improvisado, tablets comandavam uma TV 4K da Sony com conteúdo enviado em tempo real (o processador permite codificar/decodificar 4K em tempo real) e com som em surround 7.1 simulado em fones convencionais – e é impressionante ver isso em ação (mais o surround 7.1 do que o 4K…).

Ainda no Snapdragon 800, ele vem com modem 4G LTE de até 150 Mbps de velocidade e suporte ao novo padrão (mais rápido) para Wi-Fi, o 802.11ac.  Some a isso USB 3.0, Bluetooth e rádio FM no mesmo chipset.

Na área de demos, algumas coisas que dá para fazer com o tablet de referência Snapdragon 800 usado pela Qualcomm. Na primeira parte do vídeo, o tablet responde a comandos sem toque na tela, com reconhecimento de movimento via câmera frontal. Na segunda parte, um smartphone de referência usa um software específico para ajudar seu dono a tirar uma foto dele mesmo com a câmera traseira, seguindo instruções de voz.

Outra brincadeira divertida são os recursos de OpenCL/OpenGL ES 3.0 compatíveis com o novo processador: você pode ter um pesquisador chinês da Qualcomm sentado na grama em uma imagem inicial…

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Apagar parte da sua cabeça com o dedo….

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… e ver a grama substituir naturalmente o que seria sua cabeça. Cool, não?

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Aproveitei para perguntar sobre o estado atual do mercado de processadores para o mundo móvel, já que na mesma CES a Intel mostrou muito entusiasmo em produzir chips para celulares voltados a mercados emergentes.

“A gente vem do mercado de mobilidade, e sabemos que se você passa de 1 Watt de consumo de energia, já era. Não é aceitável conseguir um baixo desempenho com grande consumo. A Qualcomm faz o chip do zero: licenciamos a tecnologia da ARM e desenhamos todo a CPU (modem, microarquitetura, processador de sinais digitais, vídeo etc). E você sabe que o maior gastador de bateria é um GPS. Então temos uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes”, explicou Michelle.

E os emergentes? “Estamos lá com mais de 100 aparelhos em um design mais básico, com 40 fabricantes no mundo todo. Não é só jogar um processador no produto e achar que está pronto. A gente otimiza o Android, partes do software, e isso é uma parte crítica do trabalho”. “Fato é que a indústria de semicondutores avançou e mudou o paradigma: o PC não é mais o foco principal agora”, afirmou.

“Veja que os designs são cada vez mais novos, e o consumidor troca de telefone cada vez mais rápido. Eu levava cinco anos para trocar de PC, se meu celular durar um ano inteiro é um ciclo longo demais.Então os consumidores também estão pedindo por mais aparelhos”, comentou.

Como será um smartphone em cinco anos? “Olha, cinco anos atrás eu não teria previsto um smartphone com vídeo 4K e som 7.1. Quisera eu ter uma bola de cristal. Mas dá para afirmar que a mobilidade vai tomar de vez a frente, e o que veremos é um aumento de telas ou o uso múltiplo delas. E claro, seria ótimo ter semanas de duração de bateria”.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin