ZTOP explica: o que é HSPA+? (bônus: a encrenca do LTE)

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As operadoras de telefonia, sem fazer muito barulho, começaram a oferecer um serviço 3G com maior velocidade, o HSPA+. Por enquanto, Claro (com o nome 3GMax) e Vivo (3GPlus) já estão no jogo – que, no nosso ponto de vista, pode vir a ser mais importante nos eventos internacionais a serem sediados no Brasil (= Copa do Mundo/Copa das Confederações) do que o vindouro LTE/4G.

O que significa?

HSPA+ (ou 3,75G – mas esqueça este termo confuso, já que muitos celulares 3G mais antigos, como o N82 do Nagano, mostram a mensagem de alegre com 3,5G) é uma atualização das redes atuais usadas pelas operadoras e que permite realizar downloads de até 21 Mbps de velocidade. A sigla quer dizer Evolved High-Speed Packet Access – ou HSPA evoluído (lembrando que existe o HSPA, ou o 3G que você usa hoje no celular).

O gráfico abaixo da 4G Americas mostra os limites teóricos de velocidade de evolução da tecnologia – em resumo, ainda estamos no primeiro quadradinho abaixo.

Na prática, o que as operadoras têm feito por aqui é prometer o mínimo de realidade para nossas redes sobrecarregadas: tanto Claro quanto Vivo dizem que o limite máximo é 6 Mbps.

Onde funciona?

Em smartphones e modems compatíveis com a tecnologia HSPA+, ou a maioria dos smartphones modernos atuais (como iPhone 4S, Lumia 800 e Galaxy S II). A Vivo até fez uma tabelinha com os modelos – a lista é bem completa:

Quanto custa?

A Vivo começou com modems apenas em São Paulo e depois expandiu a oferta para smartphones com planos especiais de dados para todo o Brasil, com maior franquia. Os valores sugeridos dos planos Smartphone Ilimitado 3GPlus vão de R$ 99/mês (60 minutos de voz + 500 MB de dados; valores para São Paulo) a R$ 499 (1200 minutos de voz + 2 GB de dados), com diversos valores intermediários. As operadoras Oi e TIM não oferecem serviços com HSPA+ ainda – embora a TIM tenha redes compatíveis, assim como a CTBC Telecom.

A Claro foi mais simpática e oferece o HSPA+ sob o nome 3GMax sem cobrar a mais para clientes de planos pós-pagos (para computador ou tablet) ou planos Controle em todo o Brasil. Entretanto, a operadora diz que “promocionalmente o cliente pode alcançar uma velocidade máxima de 6 Mbps” – por tempo limitado.

Por que o HSPA+ é importante?

Primeiro, porque a tecnologia já está presente em um monte de aparelhos atuais, sem que o consumidor (=você) precise trocar de smartphone – talvez apenas pagar mais, dependendo da operadora. “Com 3G de 1 Mbps você precisa de uma conexão com cabos (leia-se modem fixo em casa). Com HSPA+ já dá para viver sem eles”, resume Erasmo Rojas, diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas, em papo que tivemos na última sexta-feira.

Segundo, aparelhos com 3G (e por consequência HSPA+) tendem a ser mais usados até 2016 que futuros aparelhos LTE, como mostra o gráfico abaixo (também via da 4G Americas). Ou 3,5 bilhões versus 609 milhões de conexões em todo o mundo.

 

E o LTE?

LTE (Long Term Evolution) ou 4G é outra história: é um complemento bacana e bem mais veloz ao 3G/HSPA+ atuais – com teóricos 100 megabits por segundo. Mas tem algumas questões para nosso complicado mercado local:

– o leilão das licenças pela Anatel será feito em junho (a previsão inicial era maio). Mas as regras dizem que “Todas as capitais do país e os municípios com mais de 500 mil habitantes terão a tecnologia 4G até dezembro de 2014. As cidades com mais de 200 mil habitantes serão contempladas em dezembro de 2015 e as com mais de 100 mil habitantes, até dezembro de 2016. Os municípios que têm entre 30 e 100 mil habitantes serão atendidos até dezembro de 2017“. Quer dizer, vai demorar – mas tem gente otimista em relação ao tema.

– As frequências leiloadas pela Anatel vão deixar o 4G brasileiro um pouco diferente do resto do mundo – compatível com alguns locais na Europa e América Latina.

– O que a Anatel oferece são as frequências de 450 MHz para telefonia em áreas rurais atrelada à faixa de 2,5 GHz para o LTE. Ninguém comentou isso ainda (acho), mas com frequências LTE de 700 MHz na América do Norte e 1,7-2,1 GHz na Ásia ) 2,6 GHz na Europa vão tornar o roaming em LTE um problema para quem vier de fora ver a Copa do Mundo –  vai ter que ir de 3G/HSPA+ e Wi-Fi mesmo (lista completa de frequências mundial em PDF). Exemplo claro é o novo iPad, já com LTE de 700 MHz que só funciona nos EUA. A solução para os fabricantes de smartphones e tablets será adotar usar chips multibanda (como os Qualcomm Gobi) para unificar redes em um só dispositivo e reduzir custos.

– Por que a Anatel não leiloa a faixa de 700 MHz? Simples: ela é usada hoje no Brasil pela TV analógica e esse espectro só será liberado após 2016, quando a transição para o sistema digital for completa – e de qualquer modo essa decisão é política. De qualquer modo, a faixa de 700 MHz não é problema apenas no Brasil: no Reino Unido, ela será liberada somente após 2018.

– Rojas, da 4G Americas, resume bem a história: “LTE é nicho de mercado, HSPA+ será força para suprir a deficiência na cobertura”. Aguardemos, então, o leilão em junho e a correria das operadoras para deixar tudo funcionando até 2013/2014. Só quero ver – na Copa.

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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