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Hands-on: Lente macro Yasuhara Nanoha x5

Lente supermacro preenche um espaço existente entre um microscópio e uma macro 1:1 de linha.

Shin Yasuhara, um ex-engenheiro da Kyocera da divisão de câmeras Yashica/Contax, fundou em 1998 a Yasuhara Co.,Ltd. para desenvolver suas próprias câmeras de desenho clássico (ou retrô como se diz hoje).

De fato, a empresa chegou a lançar dois modelos — a T981 “Ichishiki” de 1999 (abaixo) e a T012 “Akisuzi” de 2003 — mas elas chegaram tarde demais para fazer sucesso, já que nesta época o mercado já caminhava definitivamente para o formato digital o que fez com que a companhia fosse para o vinagre em 2004.

Depois disso, Yasuhara reinventou seu negócio envolvendo-se em outros projetos (como a criação de uma calculadora RPN) e, mais recentemente,  voltou a desenvolver lentes especiais para atender a certos nichos de mercado. A  primeira delas é a Nahona x5, uma supermacro para câmeras Micro Four Thirds e Sony NEX.

A Nahona x5 é uma lente à moda antiga com corpo de metal, ajuste de foco/abertura manual e sistema óptico formado por dez elementos em sete grupos. E como na velha polêmica das lentes Carl Zeiss/Leica japonesas, a x5 é fabricada na China, mas sua inspeção final de qualidade é feita no Japão. Seu diâmetro é de 6,4 cm, 8,6 cm de comprimento e pesa aproximadamente 360 gramas.

Curiosamente, sua escala de distâncias foi substituída por uma de ampliação (que vai de 4x até 5x) e a abertura do seu diafragma vai de F11 e vai até F32. Seu padrão de construção é bom (porém nada excepcional) e seu sistema de foco é firme e preciso. A única coisa que não merece elogios é seu anel de aberturas, cujo movimento (e os cliques) não são tão suaves quanto uma lente de marca.

Segundo a fabricante, sua zona de foco é de apenas 11 a 19 milímetros ou seja, essa lente não serve para tirar retratos de pessoas muito menos de paisagens.

Obviamente, seu anel de engate também é feito de metal. Mas curiosamente, na versão para Micro Four Thirds o material utilizado é o alumínio, enquanto que a versão para NEX é feito de aço.

O produto é vendido na forma de um kit formado pela lente propriamente dita com um iluminador a LED integado, um pack de bateria com porta USB (PS-01), quatro mini-suportes para a lente e uma pequena chave de fenda usada para remover o iluminador. Fora isso, ainda fazem parte desse pacote um cabo USB e um folheto de instruções.

Infelizmente essa lente não vem com nenhum tipo de tampa de objetiva. Para resolver esse problema, peguei um pote de remédio vazio (que me parece ser essa à esquerda do modelo com tampa verde), cortei a parte de cima e colei alguns pedacinhos de velcro (lado peludo) para melhorar o encaixe, sem riscar o metal da lente…

… e o resultado final até que não ficou tão ruim. 🙂

Uma das grandes sacadas dessa lente é que ela já vem com um iluminador integrado na forma de um suporte na forma de copo, que possui três LEDs brancos de alto brilho montados ao redor da entrada da lente…

… que concentram seu feixe de luz no ponto de foco da lente:

A lente possui uma entrada de energia na forma de uma porta USB mini, o que permite que seja alimentado por qualquer tipo de porta USB, incluindo PCs ou adaptadores de rede elétrica.

Na falta deles, o usuário pode usar o USB Power Supply PS-01 que já acompanha o produto e que nada mais é do que um porta pilhas (2x AA) com uma saída USB:

Ele possui uma chave liga/desliga de duas posições, sendo que uma energiza a saída USB…

… e a segunda acende um LED branco cuja luz não é lá muito forte, mas que pode quebrar um galho se você estiver em algum local escuro e não tenha uma lanterna.

Finalmente, a lente também vem com quatro suportes que se encaixam diretamente sobre o iluminador.

Segundo a fabricante, ele serve para fixar os objetos a serem fotografados na distância exata do seu ponto de foco, facilitando assim a obtenção de melhores resultados.

Sob testes:

Como era de se esperar de uma lente totalmente mecânica, o foco e a abertura da Nahona x5 deve ser feita manualmente. Também é importante ressaltar que a Nahona não é uma lente Zoom, ou seja, o anel 4X~5X serve apenas para ajustar o foco e não para aproximar/afastar a imagem como fazemos em qualquer câmera de bolso convencional.

Com relação ao ajuste da câmera, no caso das Olympus a recomendação é que ela trabalhe no modo de prioridade de abertura (A) enquanto que nas Lumix G existe um ajuste específico no seu menu de configurações chamado Foto sem Lente que diz para o corpo ignorar a ausência de comunicação com a objteiva.

Feito isso, o seu uso é o mesmo de qualquer lente manual numa Micro Four Thirds ou seja, enquadrar o tema, focar cuidadosamente e bater a foto.

O primeiro teste foi com uma tira de velcro…

Onde podemos ver a forma e os detalhes na sua malha de ganchinhos…

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

Neste outro exemplo (uma flor de salsinha), podemos notar uma das maiores dificuldades de fotografar no modo macro que é a sua estreitíssima profundidade de campo, mesmo trabalhando com aberturas pequenas (neste caso f32):

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

Assim os melhores resultados são obtidos com objetos planos. Nos exemplos abaixo passeamos sobre a nova nota de 50 Reais:

Detalhe do olho da onça:

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

Aqui um detalhe da estampa acima da cabeça da onça que parecem folhas, mas possui fileiras de “50’s”:

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

Esses números também podem ser vistos no contorno do número “0” do 50 a direita da onça:

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

 Aqui um close da assinatura do presidente do Banco Central na nota:

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

Aqui um passeio pela faixa metalizada localizada no lado oposto da nota:

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

Aqui mais exemplos, nesse caso apliques para unhas:

Primeiro a laranja:

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

A cabeça de gato:

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

E a fatia de melancia:

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

Aqui uma simples impressão de tinta preta sobre papel jornal. Note a interação das fibras do papel e a tinta:

(Imagem capturada)

(Imagem capturada)

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

E como uma joaninha marcou bobeira aqui num vaso de casa, ela serviu de modelo….

(Imagem capturada)

(Detalhe em 100%)

E até gravei um vídeo:

Disclaimer: Nenhuma joaninha sofreu maus tratos durante a realização dessas filmagens (se é que prender seu traseiro com fita adesiva pode ser chamado de sofrimento).

Nossas conclusões:

Na nossa opinião os resultados obtidos pela da Nahona x5 são muito boas para uma lente na sua faixa de preço (US$ 499 nos EUA ou 367~42 Euros na Europa). Trata-se porém de um produto de nicho, e como tal, tem aplicação limitada e um público-alvo mais direcionado para aplicações técnicas e científicas. Pesquisadores de campo e peritos também poderão se beneficiar dessa solução graças a sua facilidade de transporte e uso  e compatibilidade com câmeras de mercado.

Fora isso, é recomendável que o usuário tenha alguns conhecimentos básicos de macrofotografia para que consiga tirar o máximo proveito dessa lente, em especial no que se refere a sua limitadíssima profundidade de campo. Sobre isso vale a pena citar a existência de programas de tratamento de imagem que utilizam uma técnica batizada de Focus Stacking que combina diversas fotos idênticas onde a zona de foco percorre o eixo Z da cena, produzindo resultados realmente impressionantes:

Mais informaçòes aqui.

Ainda em tempo:

Alem da Nahona, a Yasuhara lançou no mercado mais uma lente — a Yasuhara Madoka 180. Não confundir com a personagem Kaname Madoka do anime Mahou Shoujo Madoka Magika, já que “madoka” em japonês arcaico significa “círculo” ou “redondo”.

Trata-se de uma objetiva super grande-angular formada por 7 elementos em 6 grupos e tem distância focal de 7,3 mm/f4. E como a Nanoha seu sistema de foco é só manual, o que neste caso não importa muito já que qualquer assunto a partir de 0,5 metros até o infinito está em foco. Por enquanto essa lente só está disponível para baioneta padrão “Sony E” usada na linha NEX, mas já existe a previsão de que também haverá uma versão para câmeras Micro Four Thirds.

O grande atrativo dessa lente é que seu ângulo de visão é de 180 graus sem correção, gerando assim uma curiosa imagem circular. Daí o seu apelido “olho-de-peixe”.

Essa lente já pode ser encontrada na Amazon.com pelo preço sugerido de US$ 280. Mais informações no site do fabricante,  que inclui informações adicionais como o WALP — um programa ainda em desenvolvimento que remove o efeito de olho de peixe da imagem capturada pela Nahona e o seu uso em VR Panorama (aqui, aqui e aqui).

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.