ZTOP+ZUMO 10 anos!

Yamato Labs: Onde nascem os ThinkPads

[ThinkPad 25 anos] Parte do chamado triângulo da inovação da Lenovo, o Yamato Labs foi e ainda é o local onde idéias de notebooks bacanas se transformam em ThinkPads.

Durante as celebrações dos 25 anos do lançamento do ThinkPad no Japão, fui convidado para um tour pelo legendário Yamato Labs, local onde toda a tecnologia dos ThinkPads é desenvolvida e testada desde o primeiro modelo 700C até os dias de hoje.

Para quem não sabe, ele nasceu dentro dos Laboratórios da IBM localizada na cidade de Yamato (prefeitura de Kanagawa), sendo que em 2011 se mudou (já como parte da Lenovo) para a cidade de Yokohama, onde ocupou alguns andares de um edifício que faz parte de um impressionante projeto de revitalização da área conhecida como Minato Mirai 21

… ao lado de outros vizinhos ilustres, diga-se de passagem:

Segundo Arimasa Naitoh, em seu livro “How ThikPad Changed The World and is Shaping the Future“, o nome foi mantido porque Yamato Labs já era um nome bastante conhecido e respeitado pelo mercado e ninguém nunca vai dizer que “Yokohama fez isso ou Yokohama fez aquilo“.

Nagano comenta: Para quem não sabe, Yamato é um nome muito associado a própria definição de nação e povo japonês. Isso porque o chamado Povo Yamato (Yamato-minzoku) além de ser o maior grupo étnico do arquipélago nipônico, também foi o primeiro a unificar o País no século VI, de modo que Yamato é descrito como um nome arcaico (ou até sinônimo) de Japão — algo parecido com chamar a Inglaterra de Britannia.

No ocidente, esse nome passou a ser conhecido por causa do Couraçado Yamato que já foi maior e mais poderoso navido de guerra do seu tempo, construído para enfrentar a frota americana do Pacífico durante a segunda grande guerra. Depois disso esse navio também inspirou a série de mangá e anime Uchū Senkan Yamato (Patrulha Estrelar no Brasil).

Dai podemos entender o que Naitoh-san quis dizer em seu livro que o nome “Yokohama” não é tão impactante quanto “Yamato”. De um certo modo para eles “Feito em Yamato” é o mesmo que dizer “Feito no Japão“. 😉

Fisicamente falando, o Yamato Labs não lembra muito outros centros de P&D que já visitamos no passado (como o da Dell em Round Rock ou o da HP em Houston), já que este está localizado em um imóvel comercial, ocupando duas áreas distintas, sendo que os escritórios ficam no 20º e 21º andares do edifício (nota mental do Henrique: curiosamente, o lab similar da Motorola – hoje uma empresa da Lenovo – em Chicago também fica em um prédio comercial)

… enquanto que o laboratórios ocupam um anexo no segundo andar, o que tem a vantagem de não incomodar os escritórios vizinhos com vibrações, tempestades eletromagnéticas e ruídos estranhos.

E até por causa disso, as instalações não são imensas (como a dos americanos), porém muito boas e bem organizadas para os trabalhos que são conduzidos no local…

… que são, na sua essência, testar maneira precisa e meticulosamente todos os produtos da linha ThinkPad…

… garantindo assim que todo novo modelo atenda aos seus altos padrões de qualidade, resistência e confiabilidade:

A grande sacada desse modelo de trabalho é que caso algum novo recurso desenvolvido pela engenharia de Yamato para um ThinkPad atual ou futuro não passe nos testes…

… ela volta rapidamente para o pessoal de desenvolvimento para resolver o problema, refazer a implementação e voltar para o laboratório para uma nova bateria de testes.

Legal né?

Mas voltando ao que nos interessa, aqui temos um lote de ThinkPads que estão trabalhando dentro de uma câmara fria — algo em torno de 0°C — cujo objetivo é de verificar se eles são capazes de sobreviver sob temperaturas extremas. Do mesmo modo o laboratório tem meios de testar esses mesmos sistemas sob diversos níveis de umidade e calor.

Esse outro equipamento até lembra nossa TV de Cachorro, só que em vez de assar frango ela testa ventoinhas que são montadas numa base que fica oscilando para frente e para trás…

… ao mesmo tempo que são submetidas a uma temperatura de ~80°C. A idéia por trás desse teste é verificar se os ventiladores conseguem funcionar (ou até por quanto tempo) nessas condições:

Esse teste é particularmente curioso porque o que parece ser uma pistola de raios… é realmente uma pistola de raios!

Ela é usada para simular descargas de eletricidade estática no computador para verificar se ele resiste ao “choque” no sentido mais exato da palavra.

Já esse teste analisa como o ThinkPad se comporta quando exposto a ondas eletromagnéticas geradas por outros equipamentos. Se o equipamento não estiver devidamente protegido/isolado, isso pode até levar a uma falha no sistema.

Este outro teste também avalia interferências geradas por radiofrequências. Para isso o laboratório conta com uma sala isolada equipada com essa antena que emite ondas de rádio diretamente…

… para uma bancada com equipamentos de teste que gira 360° simulando assim o seu comportamento ao receber esse tipo de radiação de todos os lados:

Do mesmo modo, também é preciso analisar as irradiações eletromagnéticas geradas pelo próprio equipamento. Para isso o laboratório conta com um equipamento próprio para essa tarefa…

… além desse curioso instrumento que simula a absorvição de radiações eletromagnéticas pelo corpo humano:

E o que parece ser um disco hipnótico é na realidade um tipo de antena:

Já esta câmara analisa o desempenho das antenas Wi-Fi do ThinkPad também de todos os ângulos:

Essa é outra câmara isolada utilizada pelo laboratório para testar o nível de ruído gerado pelas ventoinhas do portátil:

Para isso ela conta com um curioso microfone na forma de um ser humano…

… que simula o nosso sistema de audição…

… e também conta com uma “boca eletrônica” usada talvez para testar o microfone do portátil:

Outros testes não são tão esotéricos e são facilmente compreensíveis, como esses sistemas mecanizados que testam a resistência/durabilidade das articulações das telas do ThinkPad, incluindo a versão “Yoga”:

Naitoh relata em seu livro que os primeiros testes desse tipo foram realizados manualmente por um bravo e corajoso engenheiro chamado Hiroyuki Noguchi, que foi incumbido da tarefa de abrir e fechar a tela de um ThinkPad 10 mil vezes e num ritmo bem acelerado.

Reza a lenda que muito da resistência do ThinkPad nasceu e evoluiu por causa da experiência adquirida nas escolas americanas, onde os alunos realmente maltratavam esses equipamentos de maneiras que os japoneses nunca imaginaram ser possível.

E como a IBM oferecia uma garantia integral de 3 anos em seus equipamentos, a empresa preferia que seus equipamentos aguentassem ainda mais pancada, evitando assim o custo da troca por um novo.

Daí muitos dos “equipamentos de tortura” desenvolvidos pelo Yamato Labs foram inspirados no comportamento de estudantes, como por exemplo esse teste de batida (embaixo), onde um pulso gerado por um pistão pneumático (à esquerda)…

… dá uma pancada lateral numa base móvel onde um ThinkPad está fixado. A idéia desse teste é de simular o impacto um notebook dentro de uma mala/mochila ao cair no chão:

Esse outro teste de vibração também simula um ThinkPad chacoalhando dentro de uma mochila cheia de livros:

Para simular os livros, esse equipamento utiliza pesos de metal que se movimentam livremente sobre o portátil:

Aqui dois testes clássicos de queda livre, sendo um de canto…

… e outro na horizontal:

Em ambos os casos, os possíveis danos podem ser analisados por meio desse equipamento…

… que gera um tipo de imagem de Raio-X:

Esse ultimo teste é uma câmara de poeira que, como o próprio nome sugere é capaz de impregnar o portátil com diversos tipos de partículas (poeira, areia etc…) para simular o funcionamento do ThinkPad em ambientes mais agressivos ou descobrir pontos de entrada de sujeira que os projetistas deixaram desprotegidos.

Aqui podemos ver que o teclado do portátil já está coberto com uma espessa capa de poeira:

E é claro que entre todos esses testes de durabilidade e resistência apresentados, não poderia faltar o mais famoso e menos científico deles: O de subir em cima de um ThinkPad e não arrebentá-lo!

Nagano comenta: Essa demonstração / façanha / bravata /show-off tem sido feita a décadas tanto pelos executivos tanto da IBM quanto da Lenovo para promover a robustez dos ThinkPads, mas segundo o que já ouvi de um ex-funcionário, essa demo tem uma pegadinha que é de sempre usar sapato mocassim ou sapato com sola larga, de modo que a superfície do pé tenha o máximo contato com o portátil espalhando assim o seu peso por uma área maior.

Outra técnica é de pisar nos cantos do portátil que seriam estruturalmente mais resistentes ao peso do que o meio da tela:

Digo isso porque ouvi uma história de que uma representante da Lenovo fez este teste usando sapatos com salto agulha, pisou no meio e conseguiu arrebentar a tela de um X300 na frente do cliente!

Agora deu pra entender porque um ThinkPad é um ThinkPad? >:-)

Disclaimer: Mario Nagano viajou para Yokohama a convite da Lenovo Brasil. As fotos bacanas, observações inteligentes e piadinhas infames são dele mesmo.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Todo mundo comigo!

    “Saraba chikyuu yo, tabidatsu fune wa. Uchuu senkan YA-MA-TO!!!”

  • E tem cara que fala q thinkpad não presta. não presta estas outras marcas tudo de plástico.

    não tenho o que reclamar dos meus.

  • Anderson Costa

    ThinkPads são tratores em forma de notebooks, valem cada centavo.

    • Mario Nagano

      Sim, mas o bacana foi descobrir que ele tiveram que ficar mais resistentes por causa de um bando de estudantes que não cuidavam de seus notes.