Gadget do dia: Xiaomi Redmi 2 (e afins)

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E a Xiaomi, ops, Mi, chegou oficialmente ao Brasil.

Depois de meses de especulações, boatos e até ofertas falsas, a companhia chinesa lançou seu primeiro smartphone, um modelo intermediário chamado Redmi 2, uma pulseira fitness (Mi Band) e uma bateria externa para gadgets (Mi Power Bank), além de capas e fones de ouvido pro telefone.

É bem curioso acompanhar o movimento do mercado em torno de um novo entrante. Você ouve rumores dos concorrentes, informações nem sempre publicáveis, mas que dão um norte do que esperar do que vem por aí.

A operação local é pequena (pela foto do “time” no material de imprensa, são apenas 14 pessoas + Hugo Barra, ex-homem do Android no Google e chefão da expansão internacional da Mi), devemos aguardar uma operação pequena nessa primeira fase da Mi Brasil. Só de marketing e comunicação pra smartphones a Samsung deve ter umas 30 😛

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Hugo Barra e o Redmi 2

Pequena? Sim.

A Mi tem fabricação local e, apesar de Hugo Barra não comentar os números oficiais, os dados que circulam pelo mercado de smartphones é de somente 8 mil a 10 mil peças produzidas por mês pela Foxconn no Brasil, em Jundiaí. É um número de rumor, sem confirmação por nenhum dos lados e que pode aumentar conforme o tempo (demora para adaptar a linha de montagem, mas dá). Some a isso um pequeno lote importado (2 mil? 4 mil peças/mês?) para dar o chute inicial.

Faz sentido? Sim: você (Mi) investe na linha de montagem terceirizada, enquanto tudo não fica pronto você vende uma parte de peças prontas importadas da matriz, não diz quanto tem para vender (e seduz com o preço) e, boom!, vende tudo em segundos.  Buzz imediato na mídia (aguarde manchetes “Mi vende 10 mil telefones em 45 segundos”, que é o que ocorre na China e Índia).

Lembrando que 2015 não é um ano fácil para a economia brasileira e, principalmente, para fabricantes (leia-se: todos) que usam componentes importados com preço baseado em dólar, é mais que justo manter uma operação restrita.

Perguntaram do dólar pro Hugo Barra no final da coletiva e ele foi muito sincero:

“Se acontecer algum problema de câmbio, a gente vai anunciar o ajuste de preço para os fãs. Nossa margem é pequena na maioria dos produtos e a gente não pode bancar mudança violenta de câmbio”

Em comparação de escala: o que são 10 mil smartphones vendidos? Até onde sei, uma tarde chuvosa de vendas pra uma Samsung ou Motorola no Brasil. Gera bons números de vendas, barulho com a imprensa, consumidores pensam “oh, preciso disso porque é barato”. Pensem nisso quando virem a enxurrada de notícias do pós-venda da Xiaomi no dia

Barra bateu forte na questão da missão da Mi: inovação para todos com um preço justo (a frase foi “alta tecnologia não tem que custar uma fortuna”). Vender o Redmi 2, um aparelho que lembra muito o Motorola Moto E, ao preço sugerido de R$ 499 (à vista) / R$ 549 (parcelado), é uma decisão bastante ousada.

O smartphone tem uma tela HD de 4,7″, processador Qualcomm Snapdragon 410 (1,2 GHz), 1 GB de RAM (BUUUU!), 8 GB internos (expansíveis), câmera de 8 megapixels f/2.2 e, o mais interessante disso tudo, entrada para dois SIM cards 4G (algo inédito). Android customizado com interface MIUI com updates semanais (!).

Não é um smartphone que vai mudar o mundo/mercado (como o Moto G, um aparelho que vende mais de 100 mil unidades por mês e tirou a Motorola do buraco, de acordo com minhas fontes quentes), mas é um primeiro passo. A Mi tem outros aparelhos e o Redmi 2 é o dispositivo que vai calibrar a operação. O resto – capas, fones, baterias, pulseira wireless – é adicional pra dar fôlego ao portfólio de produtos, com preços muito bons.  A conferir.

De qualquer modo, a chegada da Mi deflagra uma onda nova de smartphones intermediários decentes (a briga eterna do consumidor que quer o top, mas não tem dinheiro pra isso) no Brasil. Temos rumores de um novo Moto G a caminho, assim como o Asus Zenfone 2 deve chegar em breve ao mercado (já que tem uma movimentação de bastidor rolando e a gente não pode falar muito sobre).

Em tempo 1: um tanto polêmica a decisão de fazer um evento simultâneo para imprensa e fãs. A Mi preza muito seus fãs no mundo todo e faz eventos para eles, logo fazia todo sentido um evento só para fãs. Mas deu chabu: apareceu mais gente do que cabia no teatro, encaixaram pessoas numa salinha ao lado pra ver o vídeo (!) e até fizeram um segundo evento na parte da tarde. Tem fã revoltado reclamando nas páginas de social media da Mi Brasil (argh).

Em tempo 2: o modelo de vendas da Mi Brasil é apenas online, em um modo de vendas em lote em um dia específico (será em 07 de julho). Fiz o registro no site e achei o processo bem simples e rápido – e oferece acessórios junto, como as capinhas e os fones de ouvido. Só acho que o fato de poder pagar apenas em cartão de crédito (e não ~boletar~) pode afastar um pouco esse público-fã que quer seu smartphone barato-e-tecnológico.  Fiz o registro, por sinal, só pra ver como é o processo da Xiaomi. Quem sabe, quando a Mi Band (preço sugerido: R$ 95) estiver disponível, eu compre uma.

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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