Windows Server 2008 Workstation: a terceira via?

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Podem me chamar de medroso, mas uma coisa que nunca faço é comprar um novo modelo de carro ou instalar uma nova versão do Windows na época de seu lançamento já que, até onde eu sei,  nesse caso os chamados “early adopters” funcionam como uma espécie de cobaias que irão descobrir (na vida real e de graça) todos os bugs e defeitos que os projetistas, engenheiros e testadores nunca previram e/ou toparam em seus simuladores.

Assim, nunca me animei a instalar o Windows Vista de cara nas minhas máquinas (tenho um que ainda roda o bom e velho Windows 2000 SP4) e a enxurrada de relatos de experiências negativas com o novo SO não ajudaram a melhorar o clima. Tirar uma casquinha do Vista se tornou algo tão cliché que a própria Microsoft resolveu antecipar o lançamento do Windows 7 já para 2009.

Pessoalmente falando, eu adiei o quanto pude. Mas como testador de hardware que sou, um lindo dia fui obrigado a migrar para o Vista e afirmo que minhas impressões iniciais não foram lá muito boas, principalmente para alguém acostumado a mexer com algo que não mudou muito desde o Windows 95. O modo de trabalhar no Vista me pareceu confuso, mais pela impressão de não encontrar aquilo que queria onde espera que estivesse, como o a janela de conexões de rede.

Pior ainda foi a (má) impressão (inicial, diga-se de passagem) de que o Vista era um SO muuuito pesado, já que ele surgiu numa época em que os PCs ainda eram vendidos com 256 ou 512 MB de RAM e hoje se sabe que o ideal é trabalhar com pelo menos 2 GB. E sob esse ponto de “Vista”, acho que os fabricantes de PCs tem sua parcela de culpa nesse rolo.

Mas com o passar do tempo, a entrada de hardwares mais adequados e a liberação do Service Pack 1, comecei a me habituar com sua interface e preciso reconhecer que — para mim — o Vista não é mais o bicho papão que ouvia dizer por ai e até me sinto mais confortável trabalhando com ele. De qualquer modo, o estrago já estava feito e bola pra frente — que venha o Windows 7! — apesar das primeiras pedras já começarem a voar na direção de Redmond.

Mesmo assim, continuei com minhas reservas com o Vista para uso pessoal. Ao mesmo tempo — em meados do ano passado — fiquei intrigado com relatos na web de usuários que estavam reconfigurando o recém lançado Windows Server 2008 para trabalhar em desktops e que os resultados eram maravilhosos com um SO leve, estável e de ótimo desempenho. Esse “Mod” ganhou até um nome: Windows 2008 Workstation, uma referência a produtos como o Windows NT 4.0 Workstation ou o Windows 2000 Professional mais voltados para uso em negócios e power users.

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(Veja o nome do sistema operacional à esquerda)

Até onde eu entendo, uma das sacadas dessa solução é que o Server 2008 já saiu do forno com uma versão melhor e mais estável do kernel Longhorn (6.0.6001 ou 6.0 build 6001) do que o usado no Vista original e que mostrou ser melhor e bem mais estável. Fora isso, acredito que o 2008 seja realmente mais leve por incorporar menos penduricalhos como o System Restore, suporte para Tablet PCs ou aplicações como o Media Center. Observe porém que o Service Pack 1 do Vista também incorpora esse novo kernel, o que poderia explicar a diminuição das reclamações por parte dos usuários, desde que instalado em um hardware adequado.

Pesquisando mais sobre o assunto, descobri um site intitulado Convert your Windows Server 2008 to a Workstation! que descreve passo a passo o processo de transformação do Server 2008 em algo muito parecido com o Vista, incluindo alguns malabarismos visuais como a barra lateral e a interface Aero:

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De posse desse tutorial e de um CD de instalação do Server 2008, tomei coragem e instalei  a versão Enterprise de 32 bits no meu bom e estimado ThinkPad T61p (um Centrino “Santa Rosa”). Concluído o processo, confesso não ter ficado muito empolgado com o que vi na tela:

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A partir disso, basta seguir cuidadosamente os passos informados no site (se preferir, uma versão em PDF pode ser encontrada aqui). O curioso é que, no geral, praticamente todos os arquivos necessários para transformar o visual do Server 2008 para o Vista — incluindo a interface Aero — já estão disponíveis no sistema, basta entrar no registro e ativá-los. De fato, apenas um arquivo .dll voltado para jogos e o instalador do SideBar precisaram ser baixados da rede. Com relação aos drivers de dispositivos, o Server 2008 aceita os mesmos usados no Vista de 32 bits, mas não sei se o mesmo é válido para o server de 64 bits. O resultado final pode ser visto na imagem usada na abertura desse post.

Isso significa que o Sever 2008 é um presente dos céus para os usuários do Vista e substitui totalmente esse SO? A resposta é… Não exatamente. :^P

Uso o Server 2008 regularmente em meu note desde maio desse ano e até hoje nunca vi o Windows travar sob as mais bizarras condições. Ele é ligeiro, estável e atende 95% das minhas necessidades. Entretanto, o fato dele ser um “SO de servidor” faz com que certos programas “para desktops” — como o Avast Anti-Virus — não se instalem. Eles simplesmente apresentam uma mensagem do tipo “sistema operacional não reconhecido” ou “esse programa não pode ser instalado em um servidor” e finalizam o processo (caso também de alguns jogos). Outros programas até instalam, mas depois dão pau no meio da execução (caso do XnView ou o meu bom e velho Musicmatch Jukebox) ou simplesmente não rodam.

Fora isso, alguns recursos como ReadyBoost, Windows Messenger (uso o Pidgim), Migration Wizard e até mesmo o Experience Index também não estão presentes no Server 2008. Curiosamente, minha plaquinha TurboMemory foi reconhecida pelo sistema.  Como nunca testei esse Mod numa placa mãe com suporte para duas placas de vídeo, não sei se ele funcionaria no modo SLI/CrossFire. Obviamente, não conte com a Microsoft para resolver os seus problemas.

Minha conclusão é que o uso do 2008 como SO para desktop oferece muitas vantagens e algumas desvantagens, de modo que cada usuário deveria avaliar as suas necessidades e ver se tal aventura realmente vale a pena. De minha parte estou muito satisfeito com o Server 2008 para atender as minhas necessidades do dia a dia e mantenho um desktop com XP Pro de plantão para rodar os programas incompatíveis.

Para aqueles que procuram algo a mais que o Vista, desconhecem o Linux ou não podem (e nem querem) esperar pelo Windows 7, essa pode ser uma alternativa “bem alternativa”, diga-se de passagem.

Ainda em tempo:

Para aqueles que não gostam de escovar bits ou tem medo de se perder no registro do Windows, um usuário de nome Sawo criou uma aplicação que automatiza todos os passos descritos no tutorial, o Windows Server 2008 Workstation Converter:

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Informações mais detalhadas podem ser encontradas aqui. Download do programa (incluindo versões anteriores) aqui.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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