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Como interpretar o Índice de Experiência do Windows 8?

Já faz alguns meses que estou usando o Windows 8 aqui na Zumo-caverna e como como achar defeito nas coisas dos outros é parte do meu ofício, uma das coisas que me chamou a atenção foi uma mudança na escala de pontuação do seu Índice de Experiência (também conhecido como Windows Experience Index ou apenas WEI), cuja pontuação máxima passou de 7.9 pontos no Windows 7 para 9.9 no Windows 8:

Para quem nunca foi apresentado, o WEI foi introduzido junto com o Windows Vista e tinha como objetivo estabelecer um padrão de desempenho que informasse ao usuário do computador o que esperar em termos de “experiência de uso” ou seja, computador rápido = boa experiência e computador lento = má experiência.

A grande sacada desse teste é sua facilidade de uso, já que, como ele faz parte do sistema operacional, qualquer um pode executá-lo. Entretanto, muitos torcem o nariz (e até hoje não gostam) do WEI já que como ele sempre leva em consideração a pontuação mais baixa dentre os sub-resultados obtidos (desempenho do disco, gráficos, memória, processador), a impressão que dá é que ele não representa fielmente o desempenho do sistema avaliado.

Isso até pode parecer estranho, mas tem lá sua lógica já que o pior resultado obtido é aquele que vai determinar a experiência final de uso, de modo que não adianta o sistema dispor do processador mais veloz do mercado se o desempenho do disco ou da placa de vídeo não estiverem no mesmo nível. De fato, com essa informação o usuário até sabe até onde ele deve investir no seu hardware para melhorar a sua experiência de uso.

Fora isso, a intenção do pessoal de Redmond era que, com o passar do tempo, os desenvolvedores de software passassem a adotar esse “índice de experiência” no lugar dos requisitos mínimos de hardware (processador tal com tanto de memória etc.) o que, até facilitaria a vida do usuário já que, ciente da pontuação de seu PC, saberia se programa ou joguinho que está piscando para ele na loja rodaria bem ou não no seu computador. fato é que isso nunca aconteceu.

No caso do Windows Vista, a interpretação dessa escala (1 a 5,9), segundo a Microsoft é a seguinte (tradução livre do Henrique):

— Um computador com avaliação 1 ou 2 quase sempre tem desempenho suficiente para realizar tarefas computacionais em geral, como rodar aplicativos de produtividade no escritório e fazer buscas na internet. Entretanto, um computador com essa avaliação não é poderoso o suficiente para rodar o Windows Aero ou as experiências multimídia avançadas disponíveis com o Windows Vista. 

— Um computador com avaliação 3 é capaz de rodar Windows Aero e muitos dos novos recursos do Windows Vista de forma básica. Alguns dos novos recursos avançados do Windows Vista podem não ter sua funcionalidade disponível. Por exemplo, uma máquina com nota 3 pode mostrar o Windows Vista com resolução de 1280 x 1024, mas pode ter problemas ao rodar o tema em múltiplos monitores. Ou pode rodar conteúdo de TV digital mas pode lutar para reproduzir conteúdo em alta definição (HDTV).

— Um computador com avaliação 4 ou 5 é capaz de rodar todos os novos recursos do Windows Vista com funcionalidade total, e é capaz de suportar experiências gráficas intensivas, como jogos multiplayer e 3D e gravar e reproduzir conteúdo de HDTV. Computadores com uma nota 5 são os mais avançados em desempenho no lançamento do Windows Vista. 

Com a chegada do Windows 7, o limite máximo dessa escala subiu para 7,9 o que fez com que a Microsoft estabelecesse novos parâmetros. A saber:

— Um computador com avaliação 2 quase sempre tem desempenho suficiente para realizar tarefas computacionais em geral, como rodar aplicativos de negócios e fazer buscas na internet. Entretanto, um computador com essa avaliação não é poderoso o suficiente para rodar o Aero ou as experiências multimídia avançadas disponíveis com o Windows 7. 

— Um computador com avaliação 3 é capaz de rodar Aero e muitos dos novos recursos do Windows 7 de forma básica. Alguns dos novos recursos avançados do Windows 7 podem não ter sua funcionalidade disponível. Por exemplo, uma máquina com nota 3 pode mostrar o Windows Vista com resolução de 1280 x 1024, mas pode ter problemas ao rodar o tema em múltiplos monitores. Ou pode rodar conteúdo de TV digital mas pode lutar para reproduzir conteúdo em alta definição (HDTV).

— Um computador com nota 4 ou 5 pode rodar os novos recursos do Windows 7, e consegue rodar múltiplos programas ao mesmo tempo. 

— Um computador com nota 6 ou 7 tem um disco rígido mais rápido e é compatível com experiências gráficas de alto desempenho, como jogo multiplayer e 3D e gravar e reproduzir conteúdo HDTV. 

Com a chegada do Windows 8, o topo dessa escala novamente subiu para 9,9, de modo que surgiu a seguinte dúvida na minha cabeça: Quais são os novos patamares de desempenho, em especial aquele considerado mínimo para se obter uma boa experiência de uso com o novo Windows?

Como não encontrei nada sobre isso no site da Microsoft (nem no resto da web), eu aguardei a coletiva de imprensa que ocorreu no dia do evento de lançamento oficial do Windows 8 e fiz essa pergunta diretamente para os executivos presentes: Michel Levy (presidente da Microsoft Brasil), Priscila Alves (gerente-geral do Windows no Brasil)  e Chris Capossela (diretor geral de marketing da Microsoft) e profissionais de marketing/negócios que são, não souberam responder prontamente…

… de modo que a turma de comunicações da Microsoft (a moça de vermelho com o microfone — oi Patricia!) me apresentou para Marcelo Matias, especialista de soluções para desktop da Microsoft que, depois de um looongo papo, reconheceu que também não tinha uma resposta, mas que se comprometeu a encontrar uma, mesmo que tivesse que contatar diretamente o pessoal de Redmond.

Passado algumas semanas do evento, como não recebi nenhum feedback da Microsoft, fiz um novo contato com a comunicação da companhia para saber da minha dúvida e para minha surpresa (para dizer a verdade, nem foi tanta assim) me solicitaram as dúvidas por escrito para que fossem analisadas e respondidas pelo pessoal da Microsoft.

Eu respondi a essa solicitação explicando que já existia uma pessoa dentro da Microsoft que estava muito bem a par da minha dúvida e até mandei uma foto (e crachá) do Matias para provar que não estava sonhando. A resposta que tive era que ele “não era porta-voz da empresa” (sic) e que eu deveria reenviar as dúvidas por email.

Então tá bom né? — Eu preparei e enviei as perguntas abaixo e esperei pelas respostas.

 Com a ampliação da pontuação máxima índice de experiência do Windows 8 passou de 7.9 para 9.9 pontos gostaria de saber:

 Qual é a pontuação mínima recomendada para que o usuário ser capaz de realizar tarefas básicas como editar textos e navegar na web.

 Qual é a pontuação mínima recomendada para que o usuário tenha uma experiência plena de uso do Windows 8.

 Qual é a pontuação mínima recomendada para que o usuário seja capaz de realizar tarefas intensivas incluindo edição de imagens, vídeos e gráficos.

 Os resultados do WEI obtidos no Windows 7 são comparáveis com o do Windows 8?

 OBS #1: É fato (ou pelo menos creio nisso) que qualquer computador novo sai de fábrica com capacidade plena de uso do Windows 8. Minha dúvida seria no caso dos usuários de sistemas mais antigos que estão migrando do Windows 7 para o 8 e gostaria de saber se seu sistema tem capacidade de processamento suficiente para trabalhar com o novo SO ou se ele precisaria melhorar algo em seus sistemas.

No dia seguinte, recebi a seguinte informação:

“Não existe nenhum artigo completo a respeito desse índice no Windows 8.”

 (…)

“ Os resultados do WEI obtidos no Windows 7 são comparáveis com o do Windows 8?” a resposta é: “mudanças nos drivers influenciam no resultado final, portanto o índice de desempenho de um PC com Windows 7 pode sim ser diferente no Windows 8, mesmo sem alteração no hardware.”

Daí minha conclusão é que — por enquanto — nem a Microsoft tem idéia de para que serve o WEI no Windows 8, de modo que, só o tempo dirá se algum dia ele irá servir para mais alguma coisa, além de comparar um sistema com outro.

Mas pelo visto… quem se importa?

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.