Windows 7: seis sabores, bom pra netbooks, mas a Microsoft perdeu a rima

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Ontem à noite a Microsoft anunciou seus vários sabores para o Windows 7. E, desse modo, repete o erro do Windows Vista com seis versões (Starter Edition, Home Basic, Home Premium, Professional, Enterprise e Ultimate). Poderiam ter apenas uma, a Ultimate, mas, pelo jeito, Redmond prefere deixar a escolha (ou o erro) nas mãos do consumidor, em vez de assumir sua responsabilidade de determinar o que é e o que não é bom para o comprador.

Como bem disse o Marcelo lá no Futuro.vc:

A única explicação que consigo imaginar é a variedade enorme de configurações de PCs, mas com o Windows 7 rodando bem mais rápido que o Vista, isso não é um problema para micros com alguns anos de vida.”

Então, Microsoft, por que não apostar as fichas em uma versão principal para todos os computadores? A versão Ultimate – que, por acaso, é a distribuída no beta – já provou que roda bem em uma grande gama de máquinas mundo afora, incluindo netbooks. O Mac OS X tem uma versão apenas, e roda razoavelmente bem em Macs mais velhos (já fiz, no passado, upgrades em Macs que não imaginava que iriam rodar o sistema direito, e rodaram).

É impossível não fazer essa comparação – por mais que Macs tenham opções mais limitadas de hardware que os PCs. Falta à Microsoft um pouco da ousadia da Apple de “fazer a escolha” pelo seu consumidor (usaria aqui outro termo, mas deixa pra lá). Imagino que a pressão dos fabricantes de hardware também influencie bastante nessa hora.

Empresas que usam o Mac como plataforma não esquentam a cabeça se a versão vai ser “pro”, “ultra”, “hiper”, “enterprise”. O sistema é o sistema, e ponto. Também nunca vi um “Ubuntu Enterprise” ou um “Fedora Ultimate” – pessoal do Linux, me corrija se estiver errado.

Além de uma versão unificada “Windows 7” que, infelizmente, não vai acontecer, a Microsoft tem alguma chance de mirar num alvo próximo e acertar num futuro com a versão Starter Edition vendida em todo o mundo e focada em netbooks, não mais em PCs xexelentos. Como? Ficou louco? Não.

São duas oportunidades em vista (sem trocadilho):

1) criar um sistema operacional leve e sem frescuras para portáteis leves e sem frescuras – é o alvo próximo. Que seja barato, então.

2) preparar esse sistema e, de algum modo, os compradores de netbooks, a investir em serviços de cloud computing (oi, Google!) em algum momento do futuro.O pacote Windows Live está cheio de recursos online…

Vamos à frase de Brad Brooks, vice-presidente de marketing de produto da Microsoft:

Como o Windows 7, estamos no caminho de ter um menor impacto do sistema operacional; uma interface melhorada que deve permitir um tempo rápido para ligar e desligar; melhorar o gerenciamento de energia para a duração da bateria; ampliar as capacidades de mídia; e aumentar a confiabilidade, estabilidade e segurança.

Esses investimentos em engenharia permitem aos pequenos notebooks rodar qualquer versão do Windows 7, e permitir aos consumidores a completa flexibilidade de comprar um sistem que atenda suas necessidades. Para OEMs que fabricam netbooks de baixo custo, o Windows 7 Starter estará disponível para os mercados desenvolvidos. Para uma experiência do Windows completa e mais avançada, os consumidores irão preferir o Windows 7 Home Premium, que permite obter o máximo da sua mídia digital e se conectar com facilidades com outros PCs

E completamos com outra de Mike Ybarra, gerente geral de Windows na Microsoft:

No beta, as pessoas rodam nossa versão premium mais completa em netbooks com boas experiências e bons resultados

Com um monte de versões, espero também que a Microsoft não repita o grande erro de distribuir selinhos “Windows 7 Ready” ou “Windows 7 Capable” para os fabricantes de PCs colocarem nos computadores. Já deu problema uma vez, certo?

E, claro: Windows 7, apenas 6 versões? Ah, Redmond, inventa mais uma, vai. Com essa, perdeu a chance de uma boa rima 😉

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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