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Warner quer o mercado de games do Brasil

Parece que finalmente estamos saindo da lama que afundou o mercado de games no Brasil desde sempre. Grandes empresas têm apostado por esses lados. Agora, quem quer aumentar a aposta é a Warner, que mostrou seus planos esta semana.

O Brasil tem um grande problema, quando se trata de games: muita gente lá fora acha que somos uma nação de alisadores de macacos que só quer saber de pirataria, mulher pelada e futebol.

O que acontece é que grande parte da pirataria absurda que acontece por aqui (que já foi maior, diga-se) é culpa das empresas que nunca acreditaram no nosso potencial.

A Nintendo vem com o mimimi de sempre, que teve que abandonar o Brasil por causa da pirataria e agora manda seus produtos, a preços ridiculamente altos, como se isso resolvesse. Lamento, não resolve…

A Microsoft foi a primeira das grandes a encarar a palhaçada de frente e lançar um console aqui. E deu certo. O preço baixou, temos um fluxo relativamente constante de bons lançamentos a preços bacanas e até o final do ano até teremos o serviço Xbox Live para os brasileiros.

E teve a Sony, que demorou 15 anos para acordar para nosso mercado mas parece que veio imbuída de boa vontade, seguindo a estratégia de preços da Microsoft mas ainda sem lançar o PS3 oficialmente. Aliás, ouvimos falar por aí que o PS3 será vendido no Brasil por R $2.400. Se for isso, lamento, mas muita gente vai querer um Xbox 360 e um aparelho de Blu-Ray, e com o troco ainda vai levar um game para casa…

Os fabricantes de consoles estão aqui, mas e os grandes estúdios, onde estão?

É aí que a Warner entra.

A empresa americana tem silenciosamente avançado com vigor no nosso mercado de games. São jogos lançados oficialmente, para todos os consoles e também para PCs. Além dos games da própria Warner, que não economiza no orçamento de produção, como deu para perceber em Batman: Arkhan Asylum e F.E.A.R. 2, aqui no Brasil eles conseguiram assegurar os direitos de distribuição da Codemasters (craque em jogos de corrida) e mais recentemente da Electronic Arts, que não segurou a bronca de manter operações por aqui e passou o cetro para a Warner.

O que muita gente ainda não entendeu é que o mercado de games é parte do mercado de entretenimento. Precisa ter capilaridade e boa distribuição para sobreviver. E a Warner tem isso há décadas.

Com o negócio das locadoras minguando, é natural que uma alternativa seja buscada. E a Warner quer justamente liderar esse movimento de renascimento, sem esquecer o consumidor final.

Durante o 1º WB Games Retail Summit Brasil, que aconteceu essa semana em São Paulo, a empresa reuniu a imprensa e varejistas para falar de seus planos. A cúpula da Warner, incluindo Rodrigo Drysdale, diretor de marketing para a América Latina, e Cleyton Oliveira,  gerente de vendas para o território, divulgou números muito interessantes sobre o nosso mercado.

Segundo a Warner, de 2009 para 2010, houve um aumento de 53% da base instalada do Wii, 65% de Xbox 360 e 152% de aumento de unidades de PS3. Belos números, mas fica a dúvida: será que tem tanto PS3 por aí mesmo ou tem alguém querendo também vender Blu-Rays e quer impressionar os lojistas? Bem, maldades a parte, é um crescimento assombroso.

De cair o queixo foi o volume de negócios que os games movimentaram em 2009. Globalmente, foram US$  32 bilhões, enquanto o setor de home video movimentou US$ 28 bilhões. Entendeu o motivo da Warner estar querendo um pedaço maior dessa brincadeira?

E o que a Warner tem de munição para encarar o mercado brasileiro? Pouca coisa, como Batman, a franquia Lego, Harry Potter, F1, Fifa, Mortal Kombat e Need fo Speed, só para citar alguns.

Eles acreditam que há um potencial enorme de crescimento em nosso mercado. O objetivo do evento foi justamente mostrar que eles têm um plano. Agora precisamos ver na prática como as coisas vão acontecer.

A Warner prometeu vários jogos em português, como o bacana Super Scribblenauts. Agora, o negócio é ver o preço que esses jogos vão chegar por aqui. Se conseguir baratear o custo e quebrar a barreira dos R$ 100 para jogos de consoles, a empresa não só tem a chance de virar o jogo da pirataria como também liderar o mercado, graças aos seus 500 distribuidores em todo o Brasil. E é importante distribuição nacional? Lógico que é.

O mercado hoje se concentra nos grandes centros. E apesar do olhar blasé de alguns para a mídia física, ela ainda domina nesse mundão sem porteiras que é o Brasil. Por isso tem locadoras nos rincões mais afastados. Se houver uma boa oferta de games, o negócio vai virar e talvez tenhamos novamente locadoras abarrotadas de games, um fenômeno muito bacana que aconteceu na década de 1990.

Se o preço cobrado das locadoras pelos jogos for bom, e as locadoras receberem treinamento para praticar os mesmo preços que são cobrados pelo aluguel de filmes, é bem capaz que a coisa dê certo.

Hoje em dia, é muito comum o sujeito pagar de R$ 10 a R$ 25 em um piratinha e encostá-lo com menos de um dia de jogo. Se tiver a opção de alugar o jogo por, digamos, R$ 3,50, não compensa comprar pirata. E se esse mesmo jogo custar R$ 99 na própria loja onde ele alugou, fica difícil resistir, especialmente pagando parcelado.

Vamos ver como a Warner vai se sair nessa. O mercado brasileiro precisa mesmo de gente comprometida para parar de ser uma promessa e efetivamente passar a ser realidade.

  • Roberto

    Q duvida q tem PS3 a beça por ai, graças ao mercado livre. Os jogos de PS3 são os q mais vendem em qq varegista até pq nao há pirataria.

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  • Rafael

    Existe uma campanha na net que está ganhando cada vez mais força, é a Jogo Justo (http://www.jogojusto.com.br/) Seria legal se o UOL falasse um pouco a respeito.

  • Que venham as novas estratégias! 😉

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  • Adriano

    O mercado de games no Brasil nunca teve a atencao merecida, se a Nintendo tivesse uma visao mais ampla desde os tempos de Super Nintendo teria feito bons negocios por aqui.

    A Microsoft foi a pioneira nessa nova geracao de games.

  • Pedro

    PS3 a 2400? Esta matéria é de quando? Por menos da metade disto você compra um com nota em loja grande, perdendo credibilidade…

  • dflopes

    "Scribblenauts" é um jogo fantastico… Se for em portugues, seria um milagre.

    Mas eu tenho uma teoria sobre essa "descoberta" do Brasil para as empresas de Games. Jogo desde os tempos de atari (ha 20 anos, passando por mega drive, dreamcast, ps1 e psp e ps3) e sempre li muito a respeito.

    O mercado brasileiro só começou a aquecer depois da crise, pois o dinheiro começou a secar lá fora – e a primeira coisa que cortam é entretenimento para poder pagar a hipoteca. Aí viram que o Brasil tem gamers que pagam pra poder ter um jogo original – mas gostamos de pagar um preço justo.

    Por isso que prefiro comprar na Shopto, estarland e pagar R$120,00 num lançamento (US$60,00) do que os R$200,00 de God of WAR3 no Brasil – ou, como sempre falam, "sou pobre, compro nos EUA". E por isso a importância da campanha do #jogojusto para diminuir a carga tributária ridicula que incide sobre os games (ao considera-los jogos de azar).

    Mas é bom ver que mais uma empresa acredita no Brasil, mas se prensar os jogos na ZF-MAO, não sairia mais barato? E mesmo aqui na cidade as locadoras reapareceram para alugar jogos de PS3 e como ponto de troca – deixe 2 e leve 1.

    • astrowar

      Scribblenauts tem o portugues como uma das linguagens aceitas.

  • RJP

    Povo, vocês conhecem a iniciativa do Jogo Justo? Um amigo meu (Moacyr Alves) está por trás da iniciativa, que está inclusive com apoio de um deputado federal para mudar a tributação de jogos eletrônicos. Dëem uma olhada e divulguem: http://www.jogojusto.com.br.

  • O problema que vejo é que essas empresas vem pro Brasil, traduzem e *dublam* mal e porcamente seus jogos e forçam o jogador brasileiro a aceitar uma trilha sonora lixão, sem a opção do original.

    Fica a esperança de que a WB siga a mesma experiência da internacionalização de filmes em DVD e BD: fornecer opções entre o áudio original, legendas originais, legendas em português e por último a dublagem em português.

  • astrowar

    Acho que as pessoas esqueceram da epoca que a TecToy lançou o MasterSystem no Brasil. Nessa epoca a sega apostou no Brasil e viu que aqui tem pessoas tão competentes quanto lá fora ! a ponto de fazer jogos de qualidade ( StreetFighter do mastersystem foi feito no Brasil pela tectoy ).

    A desculpa da pirataria não rola ! o PS3 não tem pirataria e o console chegou aqui custanto um preço irreal ! ate os americanos ficaram surpresos em saber do preço que ele esta sendo comercializado.
    É obvio que eles estão chegando no brasil por que o resto do mundo esta minguando. Esta cada vez mais dificil fazer um filme que tenha otimos lucros, os jogos estão ficando mais caros para produzir. E o pais mostou que quer crescer na area de jogos. muitas pessoas estão comprando jogos online para PC.

  • Tava demorando afinal o mercado dos games ta muito mais lucrativo que o mercado dos filmes…
    tenho certeza que a Warner fara grandes games

  • lucas

    Legal. Entram no mercado de games, mas suporte técnico ao usuário que é bom, nada!