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VR Monkey te leva para conhecer os Dinos do Brasil

Criada pela VR Monkey, a nova exposição do Museu Catavento traz uma visão super hi-tech dos dinossauros brasileiros (no sentido mais exato da palavra!)

Foi em 2015 que encontrei pela primeira vez Pedro Kayatt e Keila Matsumura fundadores da empresa VR Monkey que, na época…

… estavam demonstrando uma aplicação de realidade aumentada com tecnologia RealSense no showcase do Intel Developer Forum 2015:

E entre um papo cabeça e outro com Pedro, ele me falou pela primeira vez de um ambicioso projeto de Realidade Virtual que eles estavam trabalhando intitulado “Dinos do Brasil” — algo por por sinal que não tem nada a ver com Horácio, Tecodonte e sua turma, diga-se de passagem.

A idéia neste caso é de criar um passeio virtual para conhecer esses répteis gigantes no seu habitat natural por meio do uso de óculos de realidade virtual (ou VR) como o Oculus Rift.

O interessante é que, devido ao caráter educacional deste projeto, Kayatt explicou na época que esse projeto seria implementado no Museu Catavento Cultural de São Paulo

…também contando o apoio (via lei Rouanet) da Intel Brasil e, mais recentemente, da Ambev. Com isso, sua empresa teve condições de reunir um time de aproximadamente 40 profissionais tanto da área acadêmica quanto de computação para criar a representação mais fiel — ou pelo menos mais plausível — desses animais pré-históricos:

 

E passados quase dois anos daquela primeira conversa,  a exposição Dinos no Brasil foi oficialmente inaugurada na semana passada (17/fev) sendo que a VR Monkey e a Intel convidaram alguns jornalistas hoje (22/fev) para conhecer as instalações e experimentar esse novo tour que passa a fazer parte do acervo permanente do museu Catavento.

Projetado pelo próprio museu, o auditório ocupa uma área de aproximadamente 100 m² e é formada por 25 poltronas individuais…

… sendo que cada um deles possui seu próprio óculos de realidade virtual com tecnologia Oculus Rift…

… controlado por um PC dedicado oculto dentro de um gabinete posicionado logo atrás de cada poltrona. Note o pequeno sensor de referência (positional tracker) montado na frente de cada banco e que serve para saber onde cada usuário está no espaço virtual.

Aqui podemos ver o PC dentro do gabinete aberto, o que mostra que sua infraestrutura de TI foi feita para ser simples, eficiente (sem degradação de imagem e/ou lag de processamento) e fácil de ser mantido e até atualizado:

Essa solução também tem a vantagem de ser bastante flexível, já que ela pode ser replicada em auditórios de qualquer tamanho com mais ou menos cadeiras. De fato a VR Monkey já recebeu consultas de outros dois museus brasileiros interessados em implementar esse show em seus acervos.

Segundo a Intel, essas 25 estações são controladas remotamente por um computador central que gerencia cada equipamento e sincroniza o início/fim de cada apresentação:

Outra característica interessante desse auditório é que ele não possui palco nem tela de projeção e — apesar do seu jeitão de cenário da série de TV Star Trek — sua decoração até que é bem elegante, sóbria e até um pouco neutra. Isso por que a idéia é que esse espaço possa ser usado em outras apresentações de VR com outros temas, além dos dinossauros.

Outra curiosidade desse auditório é que todos os usuários são obrigados a vestir uma espécie de máscara higiênica descartável (distribuída gratuitamente no início de cada sessão)…

…  antes de colocar os óculos de VR. Essa operação por sinal (e também a sua retirada) é feita por uma equipe de monitores coordenadas por uma educadora do museu…

… que também faz uma pequena introdução do programa para o público, além de repassar instruções adicionais como, por exemplo, da pessoa levantar o braço caso sinta algum tipo de indisposição durante o show para que a máscara seja removida pelo monitor.

E qual é a reação do público?

A apresentação em si dura aproximadamente 30 minutos (que passam rapidinho) sendo que o usuário viaja dentro de uma espécie de cockpit de uma nave capaz de navegar pelo tempo e espaço, visitando diversos cenários pré-históricos do Brasil em diferentes períodos (como o triássico, jurássico, mesozóico, etc.) acompanhado pela voz de um narrador que descreve de maneira bem didática o ambiente/ecossistema local, sendo que muitos deles nem mais existem, como os cânions no Rio Grande do Sul ou o imenso deserto de dunas de Botucatu.

De fato, muitos dos acontecimentos que se desenrolam ao redor do viajante são baseados em vestígios fósseis encontrados no Brasil.

Por exemplo o cruzamento de rastros de dois dinossauros existentes no Vale dos Dinossauros na Paraíba inspirou uma cena em que esses mesmos animais vivos se cruzam na apresentação. Já outra sequência foi inspirada numa poça de urina fossilizada descoberta na região de Botucatu.

Porém, o que faz dessa viagem uma experiência única — ou pelo menos uma excelente introdução ao mundo da realidade virtual — não são apenas os cenários bacanas e/ou os animais modelados em 3D e sim o uso da tecnologia VR que muda completamente a percepção desse mundo digital, principalmente quando a nave se move e podemos admirar o cenário ao nosso redor num campo de visão de 360° para todos os lados.

O que dá para perceber é que o engine do sistema de VR foi programado para enfatizar a qualidade da imagem e a renderização dos objetos em 3D, não exagerando muito no movimento da nave que alguns podem achar um pouco lento.

Segundo Keila Matsumura co-fundadora da VR Monkey e chapa deste Ztop, os suaves movimentos da nave dentro do cenário de Dinos do Brasil foi proposital, já que o excesso desse efeito — entenda-se alta velocidade combinado como acrobacias mirabolantes — podem provocar náuseas, o que não é algo desejável para uma aplicação mais voltada para o público infantil. Resumindo: Trata-se de um passeio contemplativo e não de uma montanha russa com dinossauros!

Sobre faixas etárias, Keila também observou que durante algumas apresentações experimentais, foi observado que algumas crianças muito novas começaram a chorar de medo porque não sabiam diferenciar o real do virtual. Assim foi estabelecido que essa apresentação seria mais recomendada para maiores de 9 anos.

Mesmo assim na seção após a dos jornalistas, contamos pelo menos três crianças chorando na platéia.

Com relação ao futuro, Keila comentou que como boa parte desse trabalho é essencialmente software é possível utilizar todo esse conhecimento acumulado e suas bibliotecas de imagens e objetos em outros projetos de VR — como um safari fotográfico virtual — ou até mesmo de produtos de consumo como jogos.

Fora isso, sua empresa estuda a viabilidade de adaptar Dinos do Brasil para outras plataformas de hardware mais acessíveis — como o notório Cardboard do Google — o que permitiria uma maior adoção dessa apresentação em mais museus, levando assim a experiência de VR para um público ainda mais amplo.

Curiosamente, a primeira idéia que a VR Monkey teve para criar um passeio virtual para museus era de ser um passeio pelo corpo humano. Mas depois de pensar melhor eles decidiram mudar o tema para dinossauros. Quando questionada sobre o motivo, sua resposta foi simples e até meio óbvia:

Todo mundo gosta de dinossauros, né?

Dinos do Brasil está aberto para visitação no Museu Catavento de terça-feira a domingo das 9 às 17 horas, sendo que nos fins de semana qualquer um pode entrar na fila para ver o tour, bastando para isso retirar previamente uma senha no próprio museu. Nos outros dias as sessões são reservados para grupos agendados previamente.

Mais informações aqui.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Ligeiro

    Uai, foi o Nagano para a rua desta vez! =) Se eu soubesse ia querer acompanhar e tomar um café junto!

    Fui tempos atrás para o Catavento, não imaginava que iam fazer isso. Parabéns pelo projeto e vou indicar a alguns amigos que façam uma visitinha lá!

    PS: No Catavento tem uma frente de avião que também poderiam usar este tipo de equipamento para simular uma visita virtual ao mesmo.

    PS2: Eu tenho um sonho… de fazer um simulador de trem para deixar de uso gratuito em um lugar assim! Mas sem óculos virtual, mas sim um cockpit mesmo.

    PS3: Depois que visitei o Catavento, me lembrei da finada Estação Ciência, hoje paralisada. Mas vi que algumas exposições similares da EC (na Lapa) hoje tem também no Catavento. Isso compensa 🙂

  • Keila Keiko Matsumura

    Muito obrigada por nos visitar Nagano! Excelente matéria!!! 😀

    • Mario Nagano

      Imagina Keiko, é sempre um prazer fazer matérias de gente que inova e, o mais importante, realiza!

      🙂

  • Que legal, será que o Samsung Gear Vr não poderia receber um versão mobile? Apesar de menor poder de processamento, tb é baseado no ecossistema do rift (e não assiste youtube nativamente).

    • Keila Keiko Matsumura

      Olá dflopes, tudo bem? Nós não optamos por lançar com Samsung Gear VR no Museu porque teríamos que baixar a qualidade dos gráficos e também porque esquentava com frequência o celular. Estamos estudando a possibilidade de lançarmos uma versão mais leve para mobile para os consumidores finais. 🙂 .. Muito obrigada pelo feedback!

      • eu que agradeço a atenção e parabenizo pelo belo trabalho.