Números enormes: a Volkswagen “Digital”

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Transformação digital é o termo da moda entre empresas de qualquer tamanho. Mas a “nova” Volkswagen mostra que dá pra fazer uma mudança de verdade – basta ter uma liderança comprometida, um certo investimento (na casa dos R$ 7 bilhões) e os resultados virão. Dez anos atrás você diria que uma montadora teria um app para smartphone integrado ao carro?

Ontem a VW abriu as portas da sua fábrica para mostrar um pouco dos processos que estão sendo feitos para realizar tal mudança. Vi uma parte da linha de produção (a final, com a montagem propriamente dita dos carros que chegam como carcaças da pintura e saem como veículos prontos para testes), falei com o pessoal de design e com Pablo di Si, presidente e CEO da Volkswagen América Latina.

O chefão explicou um pouco do cenário de mudança que a Volkswagen passou nos últimos anos, tendo como um dos principais resultados a redução do tempo de produção de um carro nos últimos oito anos (25% mais rápido, significando 1.091 veículos a cada 24 horas ou um a cada 75 segundos). Ou o aumento do nível de automação para 70% da fábrica, gerando novos empregos em engenharia (incluindo de software).

O tempo de desenvolvimento de um carro novo reduziu para 9 meses, graças à adoção de tecnologia em massa nas diversas áreas da montadora. O design até pode começar direto no papel, mas ferramentas 3D permitem testar resultados em tempo real (e evitar perder tempo com os modelos em clay, a argila sintética usada para mostrar como deve ficar o carro em tamanho real ou escala). O clay agora só é usado para mostrar o design para o conselho da Volkswagen.

Timeline da Volkswagen no Brasil.

Do design digital o “carro” vai para a área de prototipação, que também usa ferramentas como AR e VR para avaliar como / onde as peças se encaixam de melhor forma. “Fazemos até um crash test virtual”, diz o CEO.

E de lá, para a Fábrica Digital, onde é feito o treinamento da montagem com funcionários usando VR e roupas de motion capture para simular a produção e ajustá-la ao melhor processo ergonômico. Por trás disso, uma operação em cloud industrial com infra-estrutura AWS e da Siemens.

Laboratório de Protótipo Virtual (foto: divulgação)

Depois da prototipagem e testes (virtuais ou não) o carro pode ir para a linha de produção, cheia de sensores e conectada: cada veículo é único e o sistema sabe em tempo real tudo sobre ele (modelo, versão, cor, mercado a ser vendido) e um sistema de IA ajuda a tomar e executar decisões que ajudam o lado humano no processo.

Mas de nada adianta ter uma operação digitalizada interna e não levar isso para fora: a Volkswagen lançou esse ano o conceito de concessionária digital que usa VR, AR e telas touch para ajudar o consumidor na escolha e compra do veículo.

No pós-venda, o cliente pode usar apps como o Meu VW (Android, iOS) e o novo Volkswagen Connect, que coleta dados do carro via conector ODB2 e passa para o motorista – é um dos itens do novo T-Cross, que foi minha carona de volta pra casa (com o Fogaça dirigindo, olha só como sou corajoso). Diz a Volks que os dados são protegidos (empresa alemã, afinal).

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

Por Henrique Martin

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