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Hands-on: Visor “Dot Sight” EE-1 da Olympus

Acessório para câmeras DSLR ou mirrorless incorpora uma mira óptica do mesmo tipo usado em armas de assalto.

Como já disse diversas vezes, a Olympus pode até nem ser a líder no mercado de fotografia digital, mas ninguém pode negar que ela é uma empresa que nunca nos deixa de surpreender quando o assunto é inovação tecnológica ou design ou o lançamento de algum novo recurso bacana ou traquitana inusitada que você nunca pensou que precisava ter.

Foi assim no passado com suas tampas com lente embutida BCL-0980 e BCL-1580, o módulo Bluetooth PENPAL PP-1, o macro iluminador de LED MAL-1 e agora o Dot Sight EE-1, uma legítima mira refletora de ponto luminoso, também conhecida como “Red Dot”.

Olypus_EE1_intro (1)

E aproveitando a nossa recente passagem por San Francisco para cobrir o IDF15, trouxemos uma unidade de lá que pode ser encontrada com uma certa facilidade no comércio online pelo preço sugerido de US$ 130.

Olypus_EE1_box

Dentro da caixa, encontramos o visor propriamente dito, uma bateria de lítio CR-2032 (de 3 volts), uma bolsinha de transporte e alguma documentação impressa, incluindo um manual impresso em 32 línguas diferentes (uia!)

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Como já vimos em outros acessórios da marca, essa bolsinha é feita de tecido de veludo preto e possui um ponto de fixação (com fecho de velcro) que permite pendurá-la na correia da câmara. Eu particularmente não gosto muito dela porque serve apenas para evitar a entrada de pó e o atrito do EE-1 contra outros objetos, e não o protege  de quedas, batidas ou de uma boa chuva.

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Fechado, ele mede aproximadamente 4,62 x 3,93 x 7,71 cm (LxAxP) e 72,2 gramas de peso (com a bateria instalada). Ele não é exatamente “pequeno” e pode ser facilmente confundido com um mini-flash ou um módulo Wi-Fi, GPS ou coisa do tipo. Seu padrão de construção fica dentro do que poderíamos esperar de um equipamento fotográfico (de US$ 130): corpo de policarbonato, encaixes perfeitos, movimentos precisos e ótimo acabamento. A empresa afirma que esse produto é resistente a respingos d’água e pó.

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Na sua lateral esquerda existe um pequeno dial que tanto liga/desliga o sistema de iluminação (LED vermelho) do visor quanto regula o nível de brilho do ponto de mira em 5 intensidades diferentes.

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Na parte de trás podemos ver nos cantos os ajustes horizontal e vertical da retícula da mira e na parte central o fecho que libera e arma o visor na sua posição de uso. Logo abaixo vemos o sistema de fixação deste acessório da câmera, que por sinal, é do mesmo tipo usado nas unidades de flash da Olympus.

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De fato, vale a pena destacar que a base de encaixe do EE-1 não possui nenhum contato elétrico/eletrônico entre ele e a câmera. Isso até permite (na teoria) que esse visor possa ser usado em outras câmeras — inclusive da concorrência —  que disponham de uma sapata de flash padrão e alinhado com o eixo da objetiva.

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E até por não depender da câmera para funcionar, esse visor possui sua própria fonte de energia na forma de uma bateria CR-2032 que fica instalada dentro de um compartimento na sua base.

Olypus_EE1_na_mao_5

Para acessar a mesma, é preciso usar um objeto pontudo para pressionar um pequeno pino de metal que libera o movimento da tampa que se move na direção da seta (embaixo)…

Olypus_EE1_batt3a

… expondo assim o compartimento da dita cuja:

Olypus_EE1_batt2

Com a bateria instalada, basta encaixar o EE-1 na sapata do flash, apertar (suavemente) o anel de fixação…

Olypus_EE1_sapata

… e ele está pronto para uso:

Olypus_EE1_inst_closed

Já para colocá-lo em operação…

Olypus_EE1_inst_opened

… é preciso primeiro soltar a trava traseira (3) que arma o visor na posição de uso para depois ligar o iluminador da mira (1) e ajustar o brilho do mesmo (5) se desejado.

Olypus_EE1_ajustes

E dependendo do caso, talvez seja preciso calibrar a posição da mira girando os botões de ajuste horizontal (2) e vertical (4) até que a retícula vermelha…

Olypus_EE1_usando2

… coincida com o ponto de foco do visor da câmera:

Olypus_EE1_usando3

Feito isso, o EE-1 está pronto para uso.

Uma dúvida que pode surgir nesta hora é se é necessário desligar (manualmente) o iluminador toda vez que terminarmos de usar o visor. Segundo o seu manual do usuário, assim como nas portas de geladeira, pode se manter o interruptor sempre na posição ligado, já que a alimentação do LED vermelho é cortada toda vez que o visor é fechado, agilizando assim o seu uso.

Olypus_EE1_dot_sight_on

Segundo a Olympus, esse acessório é descrito como um “assistente de enquadramento” (= framing assistant) e é voltado para facilitar o enquadramento de imagens/assuntos de interesse quando usamos um lentes mais longas como uma teleobjetiva.

Olypus_EE1_rig2

Isso porque quando usamos uma teleobjetiva, é comum o fotógrafo perder preciosos segundos “caçando” o assunto do seu interesse (como um pássaro em vôo, disco voador, monstro do lago ou jogador de futebol correndo atrás da bola) pelo visor da câmera que, por sinal, chacoalha pra burro sendo que os resultados podem ser sofríveis — a não ser que você seja adepto da lomografia.

Olypus_EE1_rig2ajpg

Assim, o Dot Sight EE-1 funciona como um visor mais amplo, o que ajuda o usuário a mirar e até acompanhar o assunto desejado com mais facilidade sem perder a chamada “visão periférica”. Assim, basta alinhar o mesmo na sua retícula iluminada, ajustar o foco e capturar a imagem na forma de fotos ou de vídeos.

Olypus_EE1_visao_periferica

Nos testes realizados, o visor da Olympus até que funcionou bem, apesar de que o usuário tende a perder a noção de “enquadramento” já que a única informação que ele tem ao seu dispor é que o assunto está alinhado com o centro da foto. Isso pode ser o suficiente em alguns casos e, em outros, não.

Olypus_EE1_usando5

Neste último caso, o ideal é que o fotógrafo utilize o EE-1 apenas para mirar na cena desejada e usar o visor da câmera para fazer o enquadramento final. Perde-se alguns segundos, mas o resultado final pode ser mais satisfatório.

No geral, gostamos desse acessório — em especial no que se refere ao fator “cool” (= legal, bacana) — algo por sinal muito apreciado por aqueles que também adoram usar esses brinquedos para impressionar as garotas e os amigos nerds — PORÉM — ele vale 130 doletas?

Ai eu diria que isso depende, já que o EE-1 tem um uso meio que limitado, já que ele essencialmente funciona como um visor auxiliar para teleobjetivas, ou seja, se você for fã de fotos de paisagens e lentes grande-angular, não vejo muita necessidade de investir em um acessório deste tipo.

Fora isso, apesar do seu excelente padrão de construção, ele não pode ser chamado de “robusto” já que ele se trata de um visor “aberto” de modo que nada impede a entrada de pó, água e outros contaminantes no seu interior, apesar da empresa afirmar que ele é resistente a respingos d’água e pó.

Olypus_EE1_open_visor

 

Eu particularmente acho esse conceito meio vago, já que para mim o que eles querem dizer é que o EE-1 pode até encher de sujeira ou tomar uma chuva que ele ainda funciona. Minhas reservas ficam por conta da dificuldade de limpá-lo e/ou secá-lo depois de tais provações, em especial o seu interior que na minha opinião, só pode ser feito com o uso daquelas bombinhas de ar como o Rocket Blaster da Giotto.

Para ser sincero, até existem alternativas no mercado que são bem mais robustas e até mais acessíveis. Mas neste caso tratam-se de realmente de miras de arma adaptadas para uso em câmeras, o que pode ser diversão garantida se algum agente de segurança, revista de aeroporto ou fiscal de alfândega resolver encrencar com você por ficar andando por ai com essa engenhoca (e cadê o resto do trabuco cidadão?). E aí, até explicar que nariz de porco não é tomada…

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Sob esse ponto de vista, é melhor e menos estressante ficar com o acessório da Olympus. 🙂

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Vagner "Ligeiro" Abreu 24/08/2015, 20:09

    Se miras de arma são mais úteis e baratas associadas à fotos, para evitar problemas alfandegários, fica uma sugestão de comprar por aqui mesmo em lojas de caça e pesca. Se bem que o preço supera um pouco também: http://www.casacacaepesca.com.br/products/mira-holografica-1×33-red-slash-green-jh400 (similar ao exemplo da foto)

    E quanto a problemas alfandegários, sei de histórias que realmente este tipo de equipamento é facilmente barrado (ou vira motivo para uma corrupção, né? 🙂 ) em alfândegas (digo as miras de arma).

    E é uma coisinha interessante esta mira fotográfica. Pensei em uma coisa extra: usar como auxiliar de posicionamento para quem trabalha com gravações em vídeo também. Ao invés de ficar no visor, usar isso como foco deve dar agilidade ao câmera 🙂

  • dflopes 25/08/2015, 07:58

    Acessório deveras interessante.
    Usando a Lente 70x300mm em ambientes homogêneos (sem referências rápidas) como rios, campos abertos ou mata, é muito complicado se achar e ainda fazer foco.

    Mas o preço não ajuda, deve chegar no Huezil por 900,00 mil-reis (considerando impostos, lucros e custos de logística)

    • Mario Nagano 25/08/2015, 08:27

      Se é que um dia ele vai chegar oficialmente por aqui, porque já faz alguns anos que a divisão de câmeras da Olympus Brasil anda praticamente às moscas.