Virtualização em smartphones: rode qualquer Phone OS sobre Android

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Da série “como é que ninguém nunca pensou nisso antes?”, pesquisadores da Nippon Telegraph and Telephone Corp (NTT) trabalham numa tecnologia de virtualização que permite, por exemplo, emular o iOS do iPhone dentro de um aparelho com Android.

Batizado de Virtual Smartphone Over IP, a idéia por trás dessa tecnologia é que criar máquinas virtuais rodando SO de smartphone na nuvem que acessá-los remotamente de qualquer lugar e a qualquer hora por meio de um cliente instalado no seu aparelho. A grande sacada nesse caso é que esses smartphones virtuais têm a sua disposição toda a capacidade de armazenamento, segurança e processamento de um data center, transcendendo assim algumas limitações do próprio smartphone como capacidade de processamento ou autonomia da bateria.

A grande sacada nesse caso é fazer a mesma coisa que os thin clients fazem com os PCs: realizar todo o processamento na nuvem e fazer com que o cliente/smartphone só receba as informações que são apresentadas na tela. E para otimizar ainda mais o tráfego de dados, apenas as partes da tela que diferissem da tela anterior seriam enviadas para o cliente. Desse modo, apesar do tráfego na rede ser mais frequente, a quantidade de informação recebida pode ser bem menor.

A NTT explica que seus smartphones virtuais teriam acesso aos diversos recursos presentes no aparelho real como GPS, acelerômetros, câmera etc. tornando assim a experiência de uso ainda mais real.

Durante o NTT R&D Forum 2011, que aconteceu no início desta semana em Tóquio no Japão, a NTT fez uma demonstração dessa tecnologia mostrando um smartphone com Android rodando iOS no modo virtualizado, inclusive chaveando os ambientes operacionais em tempo real.  Um subproduto dessa tecnologia batizada de “Virtual SD”  (um disco na nuvem que se comporta como um cartão SD local)  também foi demonstrado.

Na minha opinião, essa idéia é muito interessante já que ela abraça o velho conceito (saudades da Sun Microsystems) de que o “computador é a rede”, ao mesmo tempo que resolve alguns problemas que atormentam os consumidores (em especial aqui no Brasil) que seria a rápida obsolescência de seus smartphones — muitas vezes contadas em meses. Adotando esse modelo de smartphone cliente, o usuário não precisaria mais de um super processador e imensas quantidades em seus aparelhos de memória para satisfazer as suas necessidades (incluindo o ego) nem precisaria mais se preocupar quando vai sair a nova versão de seu SO e se ele vai ser compatível com seu equipamento.

Em contrapartida esse modelo depende muito numa infraestrutura de comunicação sem fio de excelente cobertura e desempenho para atender a maior demanda de tráfego, o que até pode ser realidade lá na Ásia (e de muito interesse para a NTT) mas não necessariamente em outros locais como Brasil. Fora isso, é preciso ver o que os fabricantes de hardware pensam disso, já que ela pode reduzir a demanda por novos modelos já que os antigos poderiam ser usados por muito mais tempo e cá entre nós, ninguém gosta que alguém acabe com seu negócio, né?

Mais informações sobre essa tecnologia aqui.

Henrique comenta: a Citrix demonstrou faz um tempinho uma solução parecida, só que ela leva o desktop pra dentro do smartphone.

 

 

 

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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