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Gadget (verde) do dia: Vegetable Crayon

Feito com arroz e corantes a base de frutas, legumes e verduras o giz de cera da Mizuiro Inc. é 100% natural e seguro para crianças que gostam de colocar tudo na boca

Da série “de volta às raízes (e o resto da planta)” a empresa Mizuiro comercializa um curioso produto chamado おやさいクレヨン (Oyasai kureyon —  Vegetable Crayon) cujo nome já diz tudo — ou seja — um giz de cera 100% natural feito a base de vegetais comestíveis:

A idéia de usar pigmentos a base de vegetais não é nova, porém a grande sacada do pessoal da Mizuiro Inc. foi de criar uma boa narrativa ao redor do seu produto, como por exemplo, utilizar folhas e cascas de frutas que seriam de outra maneira descartadas pela indústria de alimentos para criar suas cores.

Fora isso, a empresa utiliza uma cera a base de arroz que é muito difícil de ser manipulada industrialmente, de modo que ele é produzido de maneira semi-artesanal utilizando apenas máquinas manuais.

Outro apelo desse produto está na sua segurança, já que ele pode ser usado por crianças de tenra idade — em especial aquelas que gostam de colocar tudo na boca — e mesmo que isso ocorra, não existe o risco de intoxicação. Porém, a empresa alerta que isso não é comida, de modo que os pais não devem deixar que seus filhos comam esse produto.

Segundo o site da empresa, os primeiros protótipos desse produto foram feitos com pó de cenoura, espinafre, cassis, abóbora, alho, indigo, pimenta vermelha, carvão de bambú e flor de sal, mas o resultado não foi nada satisfatório porque a barra de giz tendia a esfarelar durante o uso, espalhando assim resíduos de pó e cera sobre o papel.

A solução encontrada foi passar os pigmentos vegetais por um processo de moagem ultra-fina (conhecida como micronização) e, mesmo assim, algumas matérias-primas foram abandonadas devido ao seu alto teor de açúcar, o que fazia com que o seu pó grudasse no maquinário de moagem, dificultando assim o processo de manufatura.

Fora isso, a fabricante decidiu ajustar o seu processo de produção para coincidir com a época da colheita dos vegetais de seu interesse, de modo que eles pudessem tirar o máximo proveito da oferta de descartes o que também ajudou a reduzir o custo de produção.

Isso de um certo modo também vai de encontro com o conceito de “Mottainai” que, no Japão é uma expressão de repúdio/tristeza ao que poderíamos chamar de “desperdício inútil” (ou que poderia ser evitado), um sentimento ainda muito forte entre os mais idosos que passaram por inúmeras privações durante e após a segunda grande guerra.

A primeira versão desse produto chegou ao mercado em março de 2014, sendo que suas dez cores foram feitas a base de espinafre, repolho, alho-poró, abóbora, milho, inhame, pimenta vermelha, vitis coignetiae, castanha potuguesa e carvão de bambu:

O curioso é que devido a essa estratégia de tirar o máximo proveito dos vegetais e frutas da estação, esse produto é produzido em quantidades limitadas com diferentes “ingredientes da época”.

Assim, algumas cores do segundo lote de produtos (batizada de “segunda temporada“) foram produzidas com vegetais diferentes como couve-japonesa, broto de peasita, maçã, cassis e kuromame (soja preta):

Já a terceira temporada também teve cores produzidas com novos ingredientes como bardana, cenoura, batata roxa e feijão azuki. Nesta fase, mais de 10 mil unidades foram vendidas.

Finalmente, a quarta temporada veio com cores a base de pimentão verde, brócolis e café:

Já a versão mais recente — batizada de standard — não terá mais essas variações nos seus ingredientes de modo que ela será feita apenas com repolho, cebola, bardana, batata, milho, cenoura neve, maçã, cassis, batata roxa e carvão de bambu:

Essa embalagem mede 11,1 × 2,9 x 17,4 cm (LxAxP) e seu preço sugerido é de 2.000 ienes (~R$ 68,50). Mais informações aqui.

Ainda em tempo:

Baseado nessa tecnologia, a Mizuiro Inc. também desenvolveu uma massinha de modelar a base de vegetais — o Vegetable Modeling Dough:

Mas ao contrário do giz de cera, trata-se de um produto semi-orgânico já que na sua fabricação são utilizados matérias primas sintéticas como microesferas de resina, adesivo sintético, fibra em pó, conservantes, etc.

Porém a cor vem de frutas, legumes e hortaliças como tomate, tangerina, repolho, batata-roxa e café:

Outro produto semi-orgânico é o Rice Crayon também feito com cera de arroz…

… mas que utiliza pigmentos mais convencionais, permtindo assim a oferta de 16 cores diferentes como shojohi (猩々緋, vermelho escarlate), kobai-iro (紅梅色, rosa claro), shuro-iro (棕櫚色, marrom palma), ouni (黄丹, amarelo-alaranjado), kitsune-iro (狐色, vermelho raposa), tonoko-iro (砥の粉色, creme), kihada-iro (黄檗色, amarelo brilhante), wakakusa-iro (若草色, verde brilhante), senzai-midori (千歳緑, verde escuro), ruri-iro (瑠璃色, azul lazulita), usumizu-iro (淡水色, azul pálido), fuji-murasaki (藤紫, roxo wistéria), edo-murasaki (江戸紫, púrpura real), ainezu (藍鼠, cinza metal), keshizumi (消炭色, cinza “cinza”), junpaku-gofun (純白胡粉 e branco puro):

Wai! wai!

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.