Uma volta no carro que vai avaliar a internet móvel pelo Brasil

U

No próximo dia 26, parte de Brasília uma picape cheia de equipamentos eletrônicos com a missão de avaliar a qualidade de serviços de internet em pelo menos 100 municípios brasileiros. A Expedição WDC pretende seguir, até meados de 2012, a trilha da fibra ótica a ser usada pela Telebrás junto à linha de transmissão da Eletronorte e dutos da Petrobras: é o caminho do Plano Nacional de Banda Larga.

Antes da partida, aproveitei para passear com o pessoal da expedição pelas ruas de São Paulo para entender o que é realmente essa missão e ver, claro, os gadgets do carro, uma picape Mitsubishi adaptada.

No painel, a tela mostra imagens vindas de cinco câmeras (duas internas e três externas, incluindo a de ré, que só aparece ao engatar essa marcha). Logo abaixo, onde estaria o rádio, duas portas USB: uma com um receptor de teclado sem fio e um modem 3G USB.

Bem na frente do passageiro, uma câmera IP…

Assim como uma de vigilância ao lado do retrovisor.

E outra atrás do banco do passageiro.

Lá na frente, ainda, o iPad é uma das principais ferramentas de análise: é nele que rodam aplicativos (direto no navegador) para avaliar o sinal de redes de 2,4 GHz e 5,8 GHz.

No porta-luvas, dois teclados (um para o servidor do carro e outro para o iPad).

No console, uma porta Ethernet e uma tomada convencional de três pinos.

E, do lado de fora, a câmera traseira, protegida contra a chuva e o mau tempo.

E a câmera de ré.

A mágica mesmo acontece no porta-malas. O servidor interno, com dois discos SSD de 128 GB, armazena os dados das câmeras, roteador Wi-Fi para compartilhar a conexão 3G, baterias, fonte de energia e os cabos das antenas externas estão ali.

Canos do lado de fora? Não, são as antenas de 2,4 GHz e 4,8 GHz.

A função principal do iPad é coletar os dados captados pelas antenas de análise de espectro. É aí a parte essencial da expedição: baseado nos dados coletados em um município, os pilotos poderão checar a existência de sinais 4,8 GHz (usados basicamente por empresas de telecomunicações) e falar com provedores locais sobre a qualidade dos serviços prestados (também vão tentar vender serviços oferecidos pela WDC, principal patrocinadora do projeto).

No modo stalker, mas não menos curioso, eles conseguem ver todas as redes Wi-Fi de um local, incluindo as ocultas. Sugiro a criação de um blog de nomes bizarros de redes sem fio.

Mas, no meu ponto de vista, o mais interessante é a visualização da qualidade do sinal 3G pelo Brasil afora. Vão levar na bagagem modems das quatro principais operadoras para ver a qualidade (ou não) do sinal. Em um passeio no trajeto Ipiranga-Vila Mariana-Av.Paulista-Centro, o sinal 3G da Vivo, por exemplo, chegou a 100% de força (na rua Augusta perto do centro de SP), mas menos de 40% em ruas do Ipiranga. A média ficou em 67% de força de sinal. No fim do projeto, será um bom mapa de como está a internet móvel pelo país.

Ah, sim, esse aqui é o carro. Dia 26 de outubro ele parte de Brasília em direção a Santo Antônio do Descoberto (GO), que é a primeira cidade a ser beneficiada pelo Plano Nacional de Banda Larga.

Dá para acompanhar a expedição pelo site oficial e pelo Twitter. Curiosamente, hoje o carro estava no futuro Itaquerão, na zona leste de São Paulo. Como será a qualidade da internet móvel por lá?

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos