Um passeio pelo museu da Panasonic

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Durante nosso tour pelas plantas da Panasonic aqui no Japão, fui conhecer o Konosuke Matsushita Museum, uma instituição que preserva a memória de seu fundador, mais até no campo das idéias do que apenas na coleção de objetos.

O prédio acima é uma réplica do QG da empresa construído em 1933 e inaugurado em comemoração aos 50 anos da fundação da firma em 1968.  Um detalhe curioso: Ela começou apenas com apenas três funcionários: o Sr. Matsushita, sua esposa e seu cunhado (Toshio Inoue) que, posteriormente saiu da empresa para fundar a Sanyo Electric Co. Isso quer dizer que, de um certo modo, a compra da Sanyo foi uma espécie de reunião de família.

E como muitas histórias de sucesso aqui no Japão, o começo da Panasonic foi com uma pequena oficina que fabricava adaptadores elétricos. O processo em si era bastante simples: uma mistura de resina, argila, piche, carbono e amianto preparada numa espécie de máquina de steppingderretido numa panela e moldado numa prensa. Não muito diferente de fazer ovo de páscoa caseiro.

O primeiro produto da casa foi um adaptador para soquete de lâmpadas. Na época, o Japão estava no início da era da eletrificação e a única fonte de energia das casas vinham normalmente da lâmpada no teto, já que ainda não existiam tomadas na parede.

Eis aqui o produto que foi o início de tudo…

… e que foi seguido por outros modelos igualmente úteis, como este soquete em “Y” que permitia ligar um segundo equipamento elétrico sem ter que retirar a lâmpada. 

Sob um certo ponto de vista, esses pequenos objetos já continham a semente de uma filosofia adotada até hoje pela empresa: a de oferecer no momento certo, produtos de qualidade que melhorem a vida das pessoas e que elas realmente desejam comprar.

Isso pode parecer meio que chover no molhado, mas que fica evidente na sua história de lançamentos até o dias de hoje. Do soquete ela seguiu para a produção e venda de faróis de bicicleta, baterias e lanternas,  aparelhos de TV, geladeiras, lavadoras, rádios, equipamentos de som, condicionad0r de ar, videocassetes e mais recentemente, câmeras digitais e blu-ray players.

Durante toda a sua trajetória, o Sr. Matsushita criou uma filosofia baseada na ideia de que um negócio existe porque há uma necessidade social para isso, e que o lucro não seria o único objetivo e sim a recompensa por um trabalho bem feito e que daí viria o prazer de ser um negociante: servir bem aos seus clientes que, em troca, correspondem com fidelidade – “Estou convencido que você precisa acreditar que seu trabalho é sagrado e que deveria ser grato por poder participar dessa atividade“, disse Matsushita.

Esse espírito de valorizar e proteger seus funcionários ao mesmo tempo que procura retornar algo de positivo para a sociedade sempre foi uma característica importante da empresa até hoje e que repercutirá ainda mais forte nos próximos anos a medida que a Panasonic investe pesado nas suas inciativas de produtos verdes e de baixo consumo principalmente nesses tempos de aquecimento global.

Way to go Matsuhita-san!

Zumo in a Box

Se me perguntarem qual foi a coisa que mais gostei de ver no museu, minha resposta é o Expo 70 Time Capsule, uma réplica do orginal feito com uma liga especial de aço inox que foi enterrada com os objetos do dia a dia do povo japonês da década de 1970 para ser recuperada daqui a 5 mil anos se os macacos não dominarem a Terra.

Mas uma coisa que senti falta na exposição foi alguma referência ao National Kid, um seriado de TV japonês dos anos 50 e que fez (e ainda faz) sucesso aqui no Brasil.

Para quem não sabe, este seriado foi patrocinado pela National/Panasonic que mostrava diversos utensílios domésticos da empresa no cenário. De fato para chamar o herói bastava usar um radinho mágico fornecido pelo cruzado de capa cortada no meio.

Tive a oportunidade de conversar sobre isso com Onda Yukitoshi, diretor do museu, e ele me explicou que ele já ouviu falar nesse seriado, que ele era famoso nos anos 50 no Japão e só. De fato ele me explicou que infelizmente o museu não tem mais informações sobre esse curioso pedaço da história da empresa.

Quando expliquei que esse seriado ainda é popular por aqui, ele ficou interessado nisso e fiquei de mandar algumas referências para ele. Quem sabe daqui a alguns anos o museu não mostre o super herói na sua sala de projeção ou mesmo em alguma TV da época.

Ainda em tempo:

Num e-mail que recebi recentemente do senhor Onda, ele me falou que nos anos 1980 existiu um quadro humorístico num programa de TV chamado Takeshan-man estrelado por ninguém mais, ninguém menos que Takeshi Kitano (Hanabi, Zatoichi) que teria sido inspirado no National Kid:

Com direito a “Incas Venusianos”:

 

É isso que chamo de intercâmbio cultural. 🙂

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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