Tomada nacional(ista) flerta o consumidor

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Já faz algum tempo que falamos sobre o novo padrão nacional de tomadas e, ao escutar o rádio hoje, entre uma nota sobre o Michael Jackson e outra, ouvi uma propaganda de uma loja que já está oferecendo os novos conectores elétricos. O que era uma movimentação silenciosa começa a entrar na mídia para tentar conquistar os corações e mentes do consumidor brasileiro.

Henrique comenta: demorou, né?

Para quem ainda não foi apresentado, trata-se da norma regulamentadora ABNT NBR 14136:2002, que estabelece um padrão nacional de desenho para plugues e tomadas que devem gradativamente substituir os mais de dez modelos usados no país até o ano de 2010. Ele pode ser facilmente identificada pelo formato sextavado que cria um encaixe mais firme entre o plugue e a tomada e alguns detalhes pouco perceptíveis, como diferentes diâmetros para pinos de maior ou menor potência – 4 mm para 10 Amperes e 4,8 mm para 20 Amperes. Isso impedirá, por exemplo, ligar um aparelho muito potente numa tomada subdimensionada.

Pelo que já pesquisei sobre esse assunto, a idéia de criar um padrão próprio de tomadas nacional é o fato de que não existir oficialmente uma norma internacional, de modo que cada país puxa a sardinha para seu lado com seu projeto tecnicamente mais funcional e seguro que a concorrência do resto do mundo. De fato, a nova tomada nacional tem seus méritos, mas fico imaginando como o consumidor vai receber esse novo padrão, de um certo modo imposto meio na porrada.

Alguns críticos dessa iniciativa dizem que num mundo globalizado não tem muito sentido criar mais um novo padrão exclusivamente nacional — como o PAL-M (cuja base teórica é até interessante, mas de boas intenções o inferno está cheio) — o que também cria um tipo de reserva de mercado para componentes elétricos e isso sem falar dos adaptadores de tudo quanto é tipo, cor e padrão de qualidade com e sem o selo do Inmetro.

É isso aí pessoal, encham o peito de orgulho e comecem a cantarolar:

A tomada de força é nossa!
Com o brasileiro, não há quem possa…
Ê eta conector de ouro,
É bom de carga, é mais seguro!

Henrique cantarola: Nagano, desde quando você vende livro de poesia no vão livre do Masp? Não conhecia esse seu lado nerd dos versinhos.

Nagano explica: Deve ter sido a cerveja romulana que serviram no último Editor’s  Day. Depois de tomar aquela bebida endemonhada não preciso mais de lanterna para andar no escuro.

(De minha parte, vou ficar com meus plugues e tomadas reacionárias e imperialistas – YES, WE CAN!).

Mais informações aqui, aqui e aqui.


Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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