Thunderbolt: que é isso?

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Em 1998, a Apple lançou o iMac com duas portas até desconhecidas: USB (o também estranho FireWire viria um pouco depois, em 1999). Eu fui uma das pessoas que comprou uma máquina dessas (era um G3 “Lime” verdinho, acho que tenho o pôster que vinha dentro da caixa guardado até hoje) e se perguntou: tá, que diabos eu faço com USB e FireWire? Precisava de periféricos, raros no Brasil, achei dois e caros: uma impressora Epson USB e um SuperDrive Imation (para ler disquetes, algo ainda necessário na época num dispositivo incrivelmente ruim).

Hoje, com o anúncio dos novos MacBook Pro, um pouco de história se repete, ao vermos uma novíssima tecnologia, o Thunderbolt, presente nessas máquinas. Então, como o USB se popularizou (mmm, o FireWire, nem tanto), pode ser que o Thunderbolt um dia esteja presente em todos os novos computadores para conectar dispositivos de forma superveloz. Mas que diabos é o Thunderbolt, afinal?

Até o anúncio oficial da Apple hoje, Thunderbolt era uma tecnologia desenvolvida pela Intel conhecida pelo codinome Lightpeak. Já havia sido demonstrada algumas vezes (Nagano viu rápido num IDF um tempo atrás) e prometia super velocidades de transferência de dados.

Hoje, a Intel divulgou as especificações oficiais da tecnologia: 10 Gbps (bidirecional, com a mesma banda para ida/volta). Sim, 10 Gbps em um cabo só que transfere dados e vídeo em alta definição – por isso é o mesmo conector do padrão DisplayPort, também adotado precocemente pela Apple em suas máquinas e monitores e pela indústria de monitores e de PCs (como AMD, por exemplo).

Números enormes: com 10 Gbps dá pra transferir um filme em HD completo em 30 segundos, ou uma coleção inteira de um ano de MP3 em 10 minutos. E vendo o conector Thunderbolt junto ao DisplayPort no novo MacBook Pro dá pra entender que muita gente acreditou que algumas imagens vazadas poderiam ser falsas. Não eram. E o Thunderbolt funciona em modo sequencial, permitindo conectar um aparelho em outro e em outro e em outro assim por diante.

Um cabo só pra trocar dados e imagem = menos cabos pra irritar em cima da mesa, certo? A explicação técnica para o Thunderbolt é a união do protocolo PCI Express (para dados) e DisplayPort (vídeo) em um cabo só, controlados por um chip controlador da Intel. Na prática, a Apple passa por cima dos padrões velozes atuais (FireWire, USB 3.0, e-SATA etc) e impõe um novo modelo para a indústria de PCs. Foi assim com o USB, pode ser assim com o Thunderbolt.

No fim das contas, quem vai se dar muito bem usando aparelhos compatíveis com Thunderbolt vai ser o pessoal que edita áudio e vídeos em alta definição, por conta da alta velocidade de transferência de dados – pensa que o USB 2.0 chega a 480 Mbps e o USB 3.0, a até 5 Gbps. Fazer backup também fica mais rápido, assim que os fabricantes de periféricos começarem a lançar equipamentos compatíveis com o Thunderbolt. Segundo a Inte, empresas como Avid, LaCie e Western Digital (pra citar as mais conhecidas) já preparam suporte ao novo padrão ultraveloz de transferência de dados.

Em tempo: nosso guru Robert Cringely acredita que a estratégia do Thunderbolt nos Macs vai além da simples troca de dados (e num Mac Mini ajudaria a criar redes de servidores com Mac OS X em instantes). A conferir.

Mais sobre o Thunderbolt aqui.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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