Lenovo lança o ThinkStation P330, sua primeira workstation “made in Brasil”

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A nova workstation pode vir com chips Intel Core ix ou Xeon assim como memórias ECC, aceleradoras gráficas Quadro RTX e várias certificações ISV.

A chegada dos chamados “computadores gamers” chamou a atenção para um público que andava meio esquecido pelos fabricantes que seriam aqueles profissionais que precisam de um sistema que ofereça confiabilidade absoluta e desempenho para executar suas atividades que não são brincadeira no sentido mais exato da palavra.

Estamos falando dos geradores de conteúdo, programadores, analistas financeiros e até cientistas de dados que muitas vezes na falta de coisa melhor, optam por usar PC Gamers para executar seus serviços, caso do Acer Aspire Nitro que foi concebido como uma máquina gamer mas que se tornou muito popular entre os geradores de conteúdo.

Isso de um certo modo fez com que as big players do segmento de workstations se movimentarem para atender a este público que, muitas vezes nem tem acesso a máquinas corporativas, caso da Lenovo que anunciou recentemente a chegada do ThinktStation P330

… a sua primeira workstation 100% montada no Brasil na sua fábrica de Indaiatuba, interior de São Paulo.

Workstation: O que é, quando usar e por quê?

Como o próprio nome sugere, “Workstation” (ou “Estação de Trabalho”) é um termo meio genérico que descreve qualquer computador especificamente projetado para ser usado por apenas uma pessoa por vez, o que implica que toda a sua capacidade de processamento está à disposição do seu operador.

Isso soa como música nos ouvidos daqueles que viveram a era do mainframe e que tinham que disputar no tapa um tempinho maior no sistema de time sharing do computador. Quem assistiu ao terceiro episódio da segunda temporada da série de TV “The Big Bang Theory” deve saber do que estou falando.

O interessante é que, mesmo com a revolução do computador pessoal, ainda por um bom tempo as workstations se mantiveram isoladas num mundinho à parte dos microcomputadores de linha (como os PCs com Windows ou Mac OS), utilizando plataformas baseadas em processadores RISC que, na época, eram realmente mais velozes que os CISC (= Intel x86) e rodavam sistemas operacionais “de respeito”, como Unix e seus inúmeros dialetos como o Linux.

Isso fez com que esses equipamentos — além de caros — fossem considerados um produto de nicho, reservado para uma seleta elite de engenheiros, cientistas e acadêmicos, que passavam o dia debruçados sobre tarefas bem trabalhosas, como a análise dados complexos, visualização de modelos matemáticos e até simulações físicas por meio de gráficos em 3D — algo que também abriu portas para uma nova categoria de aplicações técnicas, como CAD, GIS e até artísticas, como animação por computador.

Porém, à medida que os sistemas de linha evoluíram e se tornaram cada vez mais velozes e sofisticados — com suporte para mais RAM/disco, redes locais, telas maiores e coloridas, suporte a som, gráficos 3D, etc. — as vantagens oferecidas pela plataforma RISC com Unix não eram mais tão atraentes. 

Isso chegou a tal ponto que, desde a virada para este século, muitos fabricantes começaram a adotar a plataforma x86 com Windows em seus modelos de entrada, permitindo assim que qualquer pessoa familiarizada com o ambiente de trabalho da Microsoft agora pudesse ter e operar uma workstation, o que de um certo modo condenou os sistemas baseados em RISC/Unix para o mesmo destino dos dinossauros.

E o contrário também é válido, ou seja, qualquer engenheiro, analista, cientista ou maluco do pedaço que passava o dia inteiro analisando zilhões de dados e/ou modelos matemáticos, agora, podia redigir seus relatórios ou montar suas planilhas com os mesmos aplicativos de escritório usados pelo resto da firma, permitindo assim que todos trabalhem em harmonia dentro de um mesmo ecossistema computacional.

Isso nos remete ao clássico cenário daquele usuário que começou por baixo, com um PC de linha, e agora precisa de um equipamento mais performático para desenvolver o seu projeto de engenharia e/ou de criação de conteúdo, e acaba comprando e/ou montando um PC Gamer.

Na teoria funciona? — A princípio, sim.

E na prática é a melhor solução? — Não necessariamente.

Isso porque uma workstation costuma ter duas características fundamentais que, muitas vezes, são até mais importante do que desempenho propriamente dito: Confiabilidade do seu hardware e a garantia de que rode perfeitamente os programas mais populares desse mercado, sendo que esse primeiro quesito é normalmente atendido com o uso de hardware mais específico como memórias ECC ou aceleradoras gráficas profissionais (como a linha Nvidia Quadro ou AMD Radeon Pro) e a segunda por meio de certificações ISV.

Apresentando o P330

Mas voltando ao que nos interessa, o Thinkstation P330 se junta a linha de workstations da empresa que são parte integrante família Think de sistemas corporativos da Lenovo (assim como o notebook ThinkPad, o desktop ThinkCentre, o servidor ThinkSystem e até o novíssimo óculos de AR ThinkReality)…

… e é um sistema de médio porte cuja plataforma é bastante flexível já que ela pode vir equipada até com um processador Intel Core i7 de nona geração com vPro ou Intel Xeon E-2100, até 64 GB de memória UDIMMs 2666 com ou sem ECC, até três discos SSD NVMe PCIe M.2 de 1 TB cada (totalizando 4 TB) ou três HDDs SATA 3,5”/7.200 rpm de até 4 TB cada (totalizando de 12 TB) ou até quatro discos SSD SATA de 2,5” de até 1 TB cada (totalizando de 4 TB) que pode ser acelerada por meio de um módulo de memória Intel Optane do tipo M.2 NVMe de 32 GB. O seu SO é o Windows 10 Pro

Ele já vem com duas portas USB 3.1 Gen 1, duas USB 2.0, duas saídas DisplayPort, uma HDMI, porta de rede RJ45 Gigabit Ethernet (ou 5 Gb opcional), porta PS/2 para mouse ou teclado e saída de áudio e pasmem: uma porta serial (uia!)

Como seus primos da linha ThinkCentre o seu gabinete é funcional, bastante robusto e do tipo “tool less”ou seja, ele pode ser facilmente desmontado sem o uso de ferramentas. Ele mede 16,5 x 32,8 x 37,6 cm (LxAxP) e seu peso começa a partir de 10,6 kg.

No seu lado mais “workstation” sua aceleradora gráfica pode ser até uma NVIDIA Quadro RTX 4000 e ele já vem com as seguintes certificações de ISV: Altair HyperWorks; Autodesk Alias; Autodesk AutoCAD; Autodesk Inventor; Autodesk Revit; AVEVA PDMS; Bentley MicroStation; Dassault Catia; Dassault SOLIDWORKS; Nemetschek Vectorworks PTC Creo ; Siemens NX, Teamcenter, Tecnomatix e Siemens Solid Edge.

Por ser um produto altamente customizável e voltado para clientes corporativos, não existe um preço de referência para esse produto já que isso também depende do tamanho negociação, do número de máquinas envolvidas e de outros serviços agregados como suporte técnico e garantia. De qualquer modo, a boa notícia é que devido ao fato do P330 passar a ser produzido localmente ele vai chegar ao mercado a preços mais competitivos.

A boa notícia é que ouvimos da Lenovo a confirmação de que algumas versões do P330 serão comercializadas no site da empresa o que abre um novo canal de vendas para esse tipo de produto, além de ser uma mensagem para as pequenas empresas, profissionais liberais, prestadores de serviços, geradores de conteúdo e até usuários finais que, se quizerem, também podem ter um ThinkStation para chamar de seu.

Mais informações aqui.

Especificações completas

Processador?Até 9ª Geração Intel® Core™ i9-9900 com vPro™ (3.10GHz, até 5.0GHz com TurboBoost, 8 núcleos, 16MB de cache)Até Intel® Xeon® E-2226G processador (3.40 GHz, até 4.70GHz com TurboBoost, 6 núcleos, 12MB de cache)
Sistema OperacionalAté Windows 10 Pro
GráficosGráficos integrados. NVIDIA® Quadro® RTX 4000 8GB. NVIDIA®  Quadro®  P400 2GB. NVIDIA®  Quadro®  P620 2GB. NVIDIA®  Quadro®  P1000 4GB. NVIDIA®  Quadro®  P2200 5GB. NVIDIA® Quadro® P5000 16GB
Memória?Até 64GB 2666 MHz UDIMMs (para ECC e não ECC)
Unidade ÓticaDVD-RW  Multiburner (opcional)
RAID0, 1, 5, 10
Teclado e MouseNão inclusos
Segurança. Slot de trava Kensington® para prender a porta inferior. Chip de segurança (TPM) 2.0. Cadeado (opcional)
ComunicaçãoIntel® Wireless-AC 9560 (2 x 2) + Bluetooth® 5.0
Portas Frontais. USB-C. 2 x USB 3.1 Gen 1**. 2 x USB 3.1 Gen 2**. Entrada para microfone. Entrada de áudio combinado. Opcional: leitor de cartão 7 em 1
Portas Traseiras. 2 x USB 3.1 Gen 1**. 2 x USB 2.0. 2 x DisplayPort. HDMI / DisplayPort (opcional). RJ-45 (Gigabit Ethernet). PS/2 (opcional). Serial. Saída de áudio
Cartões de expansãoOpcional via slots PCIe:Adaptador Bitland BN8E88 1000M PCIe gigabit EthernetAdaptador Ethernet gigabit de porta única Intel ® I210-T1Adaptador Ethernet gigabit de portas duplas Intel I350-T2Adaptador PCIe USB-C traseiro V1.1
Suporte de exibiçãoAté 7 monitores independentes
Certificação ISVAltair® HyperWorks®Alias da Autodesk®Autodesk AutoCADAutodesk InventorAutodesk RevitAVEVA PDMSMonitores médicos da BarcoBentley® MicroStationDassault® Catia™Dassault® SOLIDWORKSNemetschek VectorworksPTC Creo®Siemens® NX, Teamcenter, TecnomatixSiemens® Solid Edge
Dimensões (L x P x A)165 x 328 x 376 mm
PesoA partir de 10,6 kg

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Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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