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ThinkPad faz 25 Anos (!)

[ThinkPad 25 anos] No próximo dia 5 de Outubro comemora-se o jubileu de prata do ThinkPad, o legendário notebook negro cuja admiração dos fãs só se compara aos daquela empresa com nome de fruta.

Em um mercado onde a vida de um produto pode ser contada até em meses, completar 25 anos é realmente algo a ser comemorado. Como muitas boas histórias, a do ThinkPad não deixa de ser uma grande jornada feita por pessoas determinadas a entregar nada mais, nada menos que o melhor produto de seu tempo.

Por trás de um nome

O ThinkPad não nasceu como um notebook e sim como um tablet (ou “slate”, como se dizia na época) sendo que os primeiros estudos tiveram início em 1989, época em que um pequeno grupo de pesquisa e desenvolvimento da IBM em Boca Raton, na Flórida, começou a analisar mais seriamente a idéia de trocar o clássico modelo de computação baseado em monitor + teclado, por algo mais natural e intuitivo como uma “prancheta eletrônica” operada com uma caneta.

Curiosamente, o nome “ThinkPad” foi inspirado em um brinde — ou mais exatamente numa pequena caderneta de bolso (ou “notepad” em inglês) com a palavra “THINK” na capa, que por sinal era o lema de Thomas J. Watson, o legendário executivo e CEO que transformou uma modesta fabrica de máquinas de tabular na poderosa multinacional IBM.

Reza a lenda que esse nome foi cunhado por Denny Wainwright, funcionário da IBM que tinha uma dessas cadernetas no bolso e teve a idéia de fazer um jogo de palavras combinando o “Think” do Watson com esse novo (note) “Pad” eletrônico, nascendo assim o nome ThinkPad.

No início houve uma certa resistência ao nome já que, na época, todos os hardwares da IBM (com raras exceções como as máquinas de escrever Selectric) eram batizados com números — como o IBM 1130 — mas como o nome “pegou” na mídia, a empresa decidiu por bem oficializar o apelido.

Assim, o primeiro Think-Pad foi o modelo 700T que chegou ao mercado em 1992, equipado com um processador Intel 386SX e que rodava o S.O. PenPoint 1.01 da GO Computing.

Uma das lições que a empresa aprendeu com esse dispositivo, é que apesar do 700T ser um bom produto de nicho ele não foi bem recebido como um equipamento de uso geral  — ou seja — assim como acontece hoje — mesmo sendo um bom tablet, os usuários não se mostraram dispostos a abrir mão de um bom teclado.

A construção de um mito

Nessa mesma época em que o 700T estava sendo desenvolvido a IBM também trabalhava na criação de um computador portátil de desenho mais convencional, motivado pelo sucesso comercial do Compaq LTE, o primeiro PC com as características de um notebook moderno

… e isso numa época em que a concorrência (e até a própria IBM) comercializavam equipamentos bem maiores e volumosos como o IBM 5140 (embaixo).

Note que nesta época os termos laptop e notebook serviam para descrever equipamentos distintos, já que o primeiro designava na sua essência um modelo de mesa “transportável”, enquanto que o segundo um modelo bem menor e mais compacto que podia até ser carregado dentro de uma mala executiva, um grande avanço para a época.

Henrique comenta: esse conceito da “mala executiva” é muito bem explicado no documentário “Silicon Cowboys” (disponível na Netflix) que conta a ascensão e queda da Compaq e sua histórica briga com a IBM pelo nascente mercado de PCs.

Interessante que, nessa época, já existia na IBM a mentalidade de que se eles não foram os primeiros que eles então deveriam ter os melhores. E assim no fim de 1989 teve início o projeto Aloha cujo objetivo era de criar um computator realmente portátil (e não transportável) movido a bateria nos moldes do modelo da Compaq. A concepção e o design em si ficou por conta do laboratório da IBM em Boca Raton na Flórida e a engenharia sob responsabilidade do Laboratório da IBM em Yamato no Japão, ou mais exatamente o legendário Yamato Labs e que até hoje continua a ser um dos três principais centros de P&D e inovação dos Thinkpads).

O resultado desse esfoço resultou no lançamento no ano seguinte do PS/2 Laptop 40SX ou simplesmente L40SX:

Apesar da sua venda ter sido bem melhor do que o esperado, como todo produto na versão 1.0 o L40SX teve grandes acertos — como o seu teclado super confortável (insirado na IBM Selectric) — e algumas bobeadas, em especial o seu visual nada “sexy” apesar de que, na época, a maior preocupação dos desenvolvedores não estava no design e sim na garantia de que o sistema funcionasse de maneira estável e confiável.

Dai nasceu em 1990 a  idéia de criar um notebook ainda melhor e visualmente mais agradável que ganhou o nome de projeto Nectarine (alguma referência à Apple?) com prazo de dois anos para o produto final chegar ao mercado.

Novamente, a tarefa de desenvolver o novo hardware ficou sob responsabilidade de Kazuhiko Yamazaki (do Yamato Labs) e para criar o novo visual (“sexy”), a IBM escalou o alemão Richard Sapperguru de design e consultor da IBM baseado em Milão…

… cujo trabalho mais conhecido é a luminária Tizio, criada para a empresa Artemide.

Nessa época, a principal contribuição de Sapper foi de reestabelecer na IBM a idéia de dar “personalidade” a um produto em contraposição a visão simples, utilitária e até um pouco monótona do design industrial da IBM. Com isso, a empresa poderia diferenciar seus produtos da concorrência e criar alguma reação positiva (ou mesmo de empatia) por parte do cliente (algo que alguns hoje chamam de conexão afetiva ou “fator UAU!”).

Essa nova filosofia de trabalho poderia ser resumida em quatro palavras: Afirmação, esmero, excitação, inspiração.

Assim em vez de de adotar o tradicional cinza perolado muito comum na época, Sapper optou por uma solução bem mais radical, concebendo o gabinete do novo portátil na forma de uma elegante caixa preta…

… inspirada na caixa de bentô, uma tradicional embalagem de comida usada pelos japoneses, sendo que um dos grandes prazeres de usar esse utensílio é retirar sua tampa e se maravilhar com seu conteúdo (algo conhecido por aqui como “comer antes com os olhos”):

Essa idéia foi seguida a risca e o resultado final foi a série ThinkPad 700

… onde o usuário ao levantar a tampa do monitor podia se maravilhar com a melhor tela, o teclado mais confortável, o disco de maior capacidade e os processadores mais velozes da sua época.

E a cerejinha deste bolo (literalmente falando) era um curioso pontinho vermelho berrante no meio do teclado — o chamado TrackPoint — outra grande inovação e ícone deste produto mas que, curiosamente, não foi inventado na IBM.

Para ser exato, ele foi bolado em 1984 por Ted Selker, na época pesquisador do Laboratório XEROX PARC (sim amiguinhos, aquele mesmo lugar onde a Steve Jobs descobriu a Interface gráfica) e que demonstrou em um estudo que uma pessoa levava em torno de 0,75 segundo para mover a mão do teclado para o mouse e quase o mesmo tempo para fazer o caminho inverso.

Assim o seu desejo era de criar um novo dispositivo apontador capaz de reduzir ao máximo esses movimentos desnecessários (e a consequente perda de tempo/produtividade). De fato, ele chegou a construir um modelo de um TrackPoint no PARC, mas não teve tempo de aperfeiçoá-lo por pura falta de tempo, algo que só conseguiu três anos depois já trabalhando para o laboratório de ergonomia da IBM em Almaden.

Curiosamente, o sensor de movimento do TrackPoint não é mecânico e sim baseado em um chip que sente a pressão do dedo, o que torna esse dispositivo particularmente resistente a desgaste por excesso de uso.

A idéia original de Selker era de implementar o seu invento em um teclado de desktop, mas ele foi rejeitado pelo marketing da IBM com a alegação de que todo mundo usa mouse sem reclamar de modo que eles não viam vantagem no TrackPoint.

O projeto já estava para ser arquivado (e esquecido) quando foi descoberto por um membro do grupo do ThinkPad que circulava entre os pesquisadores da IBM em busca de boas idéias. Eles viram no trackpoint uma grande idéia e um belo diferencial em relação a concorrência de modo que ele foi incorporado ao projeto e o desenho final ficou por conta de Sapper.

No início, Selker queria chamar o seu invento de Pogo Stick (um brinqueno tipo pula-pula) ou Whiskers (referência ao bigode de gato, uma contraposição ao mouse). Mas para o alívio do pessoal de marketing, quem salvou o dia foi Heinz Hegman — um dos maiores apoiadores do nome ThinkPad — e que também cunhou o nome TrackPoint.

Entre as vantagens desse dispositivo está o fato do usuário não ter que tirar a mão do teclado para operá-lo (o que pode ser um alívio na classe econômica de um avião), além de permitir movimentos que podem ir além das bordas do touchpad. Fora isso, é bom relembrar que nessa época o Windows começava a se popularizar, de modo que um dispositivo apontador como o TrackPoint ganhava cada vez mais relevância.

Curiosamente, a IBM inicialmente se opôs ao uso do vermelho no TrackPoint porque primeiro, a cor mais associada à empresa era o azul (daí o apelido Big Blue) e assim — de acordo com as rígidas normas de design da casa — a cor vermelha só deveria ser usada em botões de emergência.

Quem bateu o pé e insistiu em manter o vermelho foi Sapper, pois fiel à idéia da caixa de bentô, ele queria que as pessoas ao abrirem o portátil fixassem imediatamente os seus olhares naquele pontinho vermelho (que contrasta muito mais sobre um fundo escuro do que o azul claro da IBM). Esse mesmo conceito foi aplicado ao pingo do “i” do logo do ThinkPad, contribuindo assim para a personalidade do produto.

Mas ciente que seu desejado pontinho vermelho talvez não passasse pelas rígidas normas da IBM, Sapper tentou contornar o problema, especificando que a cor do trackpoint deveria ser “magenta” e não vermelho. E como naquela epoca pré-“jato de tinta” pouca gente sabia que cor era magenta, ela foi aprovada pelo pessoal de normas de design corporativo que, por sua vez, só foram descobrir a sua bobeada quando viram o produto ao vivo em cores.

Reza a lenda que isso provocou uma tremenda confusão no projeto, sendo que só foi resolvido depois de muita conversa e a concordância do pessoal das normas que magenta não é realmente vermelho. E é claro que, com o passar do tempo, o pessoal de Yamato refinou gradativamente a cor do TrackPoint para um tom mais vivo — que não era vermelho!

Nagano comenta: Certo dia eu notei que o TrackPoint vermelho sobre o teclado do ThinkPad lembrava muito um Umeboshi um tipo de picles de cereja que é muito usado em bentôs o que me fez pensar se isso, de um certo modo, não foi outra inspiração para o ThinkPad.

Eu cheguei a conversar sobre isso com alguns colegas deste Ztop dentro da Lenovo e o que eles me disseram que já ouviram falar dessa analogia de outras pessoas, mas não existe uma confirmação oficial de que isso realmente ocorreu.

De qualquer modo, isso não deixa de ser uma coincidência bem bacana.

A propósito, o tom de preto também foi questionado — em especial pela filial da IBM da Alemanha — já que foi lá que nasceu a moda (que depois se espalhou por toda a Europa no fim dos anos 1970) de que os equipamentos de escritório deveriam ter cores claras para deixar o ambiente de trabalho mais leve.

Yamazaki chegou até a propor a criação de uma opção de ThinkPad cinza claro para atender os alemães e qualquer outra geografia que não aceitasse o preto, mas ele alertou que isso impactaria — ou mais exatamente aumentaria — o custo final do produto.

Dai, houve sim uma grande pressão para que todos os ThinkPads fossem cinza mas, novamente, o grupo de desenvolvimento não arredou o pé nessa questão.

No fim das contas, os alemães não quizeram absorver os custos adicionais para ter seu ThinkPad cinza e aceitaram o preto, porém sob a condição de que na capa do manual do usuário viesse escrito em letras bem grandes que “ESSE PRODUTO NÃO É PARA ESCRITÓRIOS“.

O bizarro é que existem registros e até imagens da web que confirmam a existência de ThinkPads na cor cinza:

Mas como já disse David Hill, ex vice-presidente do grupo de Identidade Corporativa e design guru da Lenovo, muitas pessoas questionaram a decisão de usar o preto como a cor do ThinkPad dizendo que ele não tinha muito a cara da empresa, mas com o passar do tempo todos viram que isso foi algo que realmente diferenciou esse produto.

Nagano comenta: Essa não foi a última vez que vimos um ThinkPad que não fosse preto. Sem contar o ThinkPad Edge e o ThinkPad X100, em 2006 a Lenovo lançou o ThinkPad Z61t uma workstation móvel cuja capa vinha na cor cinza titânio. Aparentremente essa cor não pegou, já que essa opção já saiu de linha do modelo seguinte.

E na CES de 2017 a Lenovo apresentou uma nova versão do ThikPad X1 Carbon na cor Prata.

A explicação dada pela empresa era que a idéia era de oferecer uma opção além do pretinho básico.

Os loucos anos noventa

Os modelos da primeira geração de ThinkPads eram diferenciados por números de três dígitos. Mas ao contrário do sistema atual onde o primeiro dígito se refere ao tamando da tela (por exemplo, o ThinkPad X210 tem tela de 12,1″, o X300 tem tela de 13,3″e o T410 tem tela de 14″ e assim por diante) o original se inspirou no sistema conhecido como “BMW” onde o modelo 7xx é o topo de linha, o 5xx o mainstream e o 3xx o de entrada/compacto. Curiosamente essa mesma idéia ainda é adotada hoje pela Intel nos seus chips Core ix.

A IBM chegou a ter uma linha ThinkPad 800 que utilizava processadores RISC PowerPC, discos SCSI e rodavam SOs como OS/2, AIX, Solaris etc. Até por causa disso eram equipamentos caros (~ US$ 12.000), de modo que hoje eles são relativamente raros.

Já a série ThinkPad 700 foi apresentada oficialmente durante a Comdex Fall de 1992, quando o produto recebeu grande cobertura da mídia e ganhou diversos prêmios da Indústria. A partir daí, os anos que se seguiram testemunharam diversas inovações tanto na parte tecnológica quanto de design.

Por exemplo, meses depois do lançamento dos primeiros modelos 300, 700, 700C e 700T, a IBM lançou o ThinkPad 750P um curioso modelo equipado com uma tela sensível ao toque montada sobre duas colunas laterais que permitiam deitá-la sobre sobre o teclado como um 2-em-1 atual.

Outro produto bastante curioso foi o ThinkPad 550bj, lançado em 1993 em parceria com a Canon do Japão, que embutiu um mecanismo de jato de tinta sob o teclado do computador, permitindo assim que ele imprimisse folhas avulsas e somente na cor preta. Note que esse modelo não vinha equipado com TrackPoint.

Em 1995 surgiu o ThinkPad mais famoso (e amado) de todos: o ThinkPad 701C “Butterfly”, uma obra prima do design industrial que foi concebido por Tim Cook (sim amiguinhos, o atual CEO da empresa com nome de fruta) que, na época, trabalha na divisão de PCs da IBM e queria desenvolver um ThinkPad mais voltado para o consumidor final.

Seu desejo era de criar um pequeno notebook com tela de 10″, só que não lhe agradava a idéia de adotar um teclado igualmente compacto. O problema é que se usasse um teclado padrão do ThinkPad, suas laterais saíam para fora do gabinete — simples assim.

E ai, como resolver esse dilema?

Como no caso do TrackPoint, Cook ouviu falar de um teclado inventado em um dos centros de pesquisa da IBM em Westchester County (NY) por um engenheiro mecânico chamado John Karidis que primeiro testou sua idéia usando recortes de papelão, sendo que depois ela evoluiu para um engenhoso sistema mecânico controlado pelo movimento da dobradiça da tela que separava o teclado do 701c em duas metades que se recolhiam para dentro ou abriam para fora do gabinete quando a tela era respectivamente baixada ou levantada.

Esse design foi tão genial, que um exemplar está exposto no museu de arte moderna (MOMA) de Nova York ao lado de um Macintosh Capelinha.

O ThinkPad 701C ficou tão famoso que, na época da comemoração dos 10 anos do ThinkPad o Yamato Labs pediu para um fabricante local de kits de plastimodelismo criar um modelo na escala 1:65 do Butterfly…

… batizado de Mosquito e foi distribuído como brinde numa ação de marketing em 2002.

Até ai nada demais se o seu tecladinho não funcionasse como original:

David Hill considera esse modelo o seu favorito sendo que ele tem dois deles em casa sempre que ele os mostra para alguém a reação é sempre a mesma: Elas ficam embasbacadas ao ver o sistema funcionando.

Numa entrevista que fizemos com Hill na CES de 2012, ele confessou que já pensou relançar esse conceito em novos modelos mas sem sucesso. O problema é que os usuários de hoje preferem telas cada vez maiores e gabinetes mais finos (veja o exemplo dos Ultrabooks) de modo que neste cenário, o conceito do teclado butterfly perde o seu sentido.

Nagano comenta: Em 2015 a empresa japonesa especializada em produtos de papelaria King Jim lançou o Portabook XMC10, um mini notebook com Atom+Windows 10 equipado com uma tela de 8″ e um curioso teclado expansível que até lembra o Butterfly no conceito mas que foi implementado de maneira bem diferente:

Talvez o modelo que mais se aproximou desse conceito foi o ThinkPad s30 de 2001, outro modelo com tela de 10″ cujo teclado “fixo” se estendia um pouco para fora do gabinete. Em contrapartida, ele veio com um mecanismo que, ao levantar a tela, também elevava um pouco a sua traseira melhorando assim a sua ergonomia.

Vale a pena ressaltar que a miniaturização sempre foi um tema bastante explorado pelos projetistas do ThinkPad, sendo que muitos deles só foram comercializados no Japão — isso porque lá é um dos poucos mercados do mundo onde o consumidor está disposto a pagar um pouco a mais em troca de um pouquinho a mais de espaço na sua área de trabalho.

Talvez o exemplo mais extremo seja o PC 110 PalmTop PC (1995) que, na verdade nem era considerado um ThinkPad e sim um subnotebook (ou mais exatamente um PDA)  com tela de 4,3″ com resolução VGA desenvolvido pela IBM em parceria com a RIO Systems Inc., que também criou o ThinkPad 220 (1993) com tela de 7,7″ que pode ser considerado o precursor da série X.

Já o ThinkPad Transnote foi criado em 2001 em parceira com a IBM Research e integrava um notebook com tela de 10,4″ que rebatia para trás e não para frente, montado ao lado de um bloco de notas, cujo movimento da caneta podia ser capturado pelo portátil. Curiosamente, como tanto o portátil quanto o bloco de notas eram fixados numa base de couro que se fechava como uma pasta:

Nagano comenta: A idéia de uma prancheta eletrônica capaz de interagir com documentos manuscritos era bastante avançada para a época, mas infelizmente a sua tecnologia ainda não estava madura o suficiente para tornar esse produto realmente prático. Cheguei a testar esse equipamento na época em que trabalhava na PC World e a única coisa que a prancheta eletrônica fazia era passar os textos, desenhos e rabiscos para o notebook no formato gráfico, ou seja, esse sistema não era capaz de converter os textos manuscritos em strings de caracteresa alfanuméricos. 😛

Fora isso, reza a lenda que no dia da festa de lançamento do Transnote na sede da IBM Research, Fábio Gandour cientista chefe da IBM Brasil (e chapa deste Ztop) estava presente e — como todo mundo — se levantou para elogiar e jogar confete no produto, só que no meio da empolgação ele fez a seguinte pergunta para os criadores do produto:

E ai, tem pra canhoto?

De repente, os engenheiros pararam de sorrir, começaram a se entreolhar com aquela cara de — “puxa vida, a gente não tinha pensado nisso” — e ai o tempo fechou e a casa caiu.

Quem me contou essa história foi o próprio Gandour e, de fato, quando esse produto chegou no Brasil havia no catálogo da IBM uma versão com o bloco no lado esquerdo e não cobrava a mais por isso!

De um certo modo, a idéia do Transnote renasceu das cinzas com o lançamento do Yoga Book.

ThinkPads no Espaço!

Devido as suas características de robustez e confiabilidade, os ThinkPads foram adotados pelo programa espacial americano (e até pelos russos, diga-se de passagem). Segundo a Wikipedia, já em 1993 um ThikPad 750C subiu para o espaço no ônibus espacial Endeavour numa missão de reparo do telescópio Hubble. Em 2010, a ISS (Estação Espacial Internacional) dispunha de 68 ThinkPad A31 e 32 ThinkPad T61p.

Numa conversa que tive com Kevin Beck, especialista em ThinkPad da Lenovo (e chapa deste Ztop), ele me disse que a única modificação feita nesses equipamentos foi uma troca do plug e tomada da fonte de alimentação por outro que lembra um conector BNC que possui um engate com trava que impede que ele seja desconectado acidentalmente.

Quando perguntei porque a NASA usava computadores tão “antigos” (os T61 são de 2007), ele me disse que isso não era problema de orçamento da agência já que os notebooks em si não eram tão caros. Caro mesmo era o custo do frete para enviá-los lá para o espaço. 🙂

Nagano comenta: Para o desprazer do marketing da Lenovo, a hegemonia dos ThinkPads no espaço foi quebrada pela rival HP em 2014 com o envio de uma workstation móvel HP Elitebook 8570w para a ISS para dar suporte a um sistema de exame de vista criado pela NASA com o objetivo de monitorar a saúde visual dos tripulantes da ISS.

Depois disso, em 2015 a NASA iniciou um outro programa batizado de NGL (Next Generation Laptop) cujo objetivo era de definir/homologar a quarta geração de notebooks a serem usados na ISS.

O interessante é que em vez de optar por um equipamento construído sob medida para atender às suas demandas, a agência prefere adotar equipamentos que eles chamam de COTS (Commercial Off The Shelf), ou seja, produtos de prateleira disponíveis no varejo que podem ser utilizados na ISS de imediato e/ou com modificações mínimas.

E o modelo escolhido foi o a workstation móvel HP ZBook 15 G2 que rompeu uma relação de mais de 20 anos entre a NASA e os notebooks ThinkPad.

É… A vida tem disso, né?

A ironia fica por conta de que a NASA exigiu que o NGL deveria ser alimentado com as mesmas fontes de alimentação usadas nos ThnkPad A31P, o que representaria uma grande economia de frete e dinheiro, já que seria possível reutilizar equipamentos já existentes na ISS. A solução encontrada pela HP foi a criação de um adaptador “inteligente” para ser usado no espaço.

Bye bye IBM. Hello Lenovo!

Em 2005 a IBM anunciou a venda sua divisão de sistemas pessoais (PSG) para a Legend Computer que, com essa aquisição, muda o seu nome para Lenovo.

Apesar de todas as promessas feitas por ambas as partes de que nada mudaria na linha de desktops e notebooks IBM (cuja marca ainda existiria por um prazo de até cinco anos) a sensação do mercado era que os dias de glória dos ThinkPads estavam chegando ao seu ocaso, agora que o produto passou para o controle de uma empresa chinesa.

Fato é que desde o início a Lenovo sempre teve como objetivo se tornar uma empresa global de respeito e o ThinkPad era uma peça chave para alcançar esse objetivo, mas somente se ela mantivesse os investimentos em tecnologia de ponta, excelência no design e alta qualidade dos seus equipamentos.

Entre os dos primeiros produtos dessa nova era estavam o ThinkPad X41 Tablet (2005)…

… e o suntuoso ThinkPad Reserve Edition (2007) uma idéia de Sapper que virou uma edição limitada do X41 coberta externamente como uma capa de couro natural e serviços exclusivos para seus usuários, incluindo suporte global.

Como esses produtos já estavam em andamento antes da venda, ainda faltava para a Lenovo a criação de um projeto realmente novo que mostrasse para o mercado que a divisão ThinkPad continuava firme e forte. E a melhor maneira de mostrar isso era de voltar para as suas origens e — mais uma vez — criar o melhor notebook do mercado.

Desta vez essa tarefa ficou por conta de David Hill agora lider do grupo de design do ThinkPad que…

… em 2006 depois de considerar diversas idéias — inclusive uma versão modernizada do 701C Butterfly — decidiu em favor de um projeto de um notebook ultrafino inspirado no celular Motorola Razr originalmente chamado de (surpresa! surpresa!) “Razor” mas que foi rapidamente rebatizado pelo pessoal do Yamato Labs como “Kodachi“, a espada mais curta entre as duas carregadas pelos samurais.

O resultado desse esforço foi o ThinkPad X300 (2008) considerado na época o notebook com unidade de disco óptico mais fino do mercado e que incorporou o que havia de mais avançado na época como um disco SSD, tela LCD-LED de 13,3″ de alta resolução e um processador de encapsulamento compacto criado pela Intel originalmente para o MacBook Air da Apple.

Sob um certo ponto de vista, o X300 foi o precursor de um novo padrão de formato que as pessoas conhecem hoje como Ultrabook.

Hill comentou na nossa entrevista que existem muitas coisas que ele gosta nos Ultrabooks, em especial o esforço de torná-los cada vez mais leves e finos, o que é um desejo universal dos consumidores. De fato, ele nunca ouvi de nenhum usuário o pedido de que a empresa voltasse a a fazer o ThinkPad mais volumoso, pesado e menos performático. (…) De fato, o X300 foi uma importante declaração para o mercado de que a Lenovo era capaz de criar um ThinkPad totalmente novo e até bem melhor que os  da IBM. E acho que conseguimos, declarou o executivo.

É fato que o mercado prefere modelos leves e finos, mas isso não impediu que a Lenovo também pensasse grande no sentido mais literal da palavra, já que também em 2008 ela lançou o Thinkpad W700ds um “portátil” de  41 x 4,1 x 31 cm (LxAxP fechado) e 3,8 kg de peso equipado com uma tela de 17″ de 1.920 x 1.200 pixels e uma segunda tela retrátil de 10,6″.

Mais indicado para engenheiros e principalmente profissionais de artes gráficas, o W700ds tinha espaço para dois HDs (com opção de SSD), uma mesinha digitalizadora Wacom embutida e um calibrador de cores com tecnologia Pantone que utiliza um sensor montado no teclado que, para ser usado, bastava baixar a tela com o computador ligado para que o sensor tivesse condições de ler as cores do monitor LCD sem a interferência de luzes externas.

Durante a CES de 2010, a Lenovo apresentou o ThinkPad Edge 13, o seu primeiro modelo voltado para o segmento de pequenas e médias empresas, profissionais liberais, autônomos e até consumidores finais. E para atrair esse público a empresa introduziu um visual mais leve e limpo, inclusive com opções de cores além do preto. O Edge foi o primeiro modelo a vir equipado com outra invenção da cada — o teclado “Smile Key” — que depois foi adotado praticamente por todas as linhas da casa.

Neste mesmo ano também surgiu o ThinkPad X100e, o primeiro subnotebook da Lenovo baseado na plataforma AMD. Equipado com uma tela de 12″, ele foi originalmente concebido como um equipamento de entrada voltado para aplicações leves e automação de força de vendas.

No Brasil ele chegou a ser vendido nas grandes redes de varejo, o que permitiu que toda uma geração de novos usuários tivessem o seu primeiro contato com um ThinkPad.

Em 2010 a empresa já apresentava alguns protótipos de produtos baseados em Android na forma de smartphones, tablets e até notebooks hibridos. Mas foi só no ano seguinte que ela lançou seu primeiro modelo baseado nesse novo SO — o ThinkPad Tablet — equipado com um processador Tegra 2 da Nvidia, tela de 10,8″ e 64 GB de memória para armazenamento, o ThinkPad Tablet também possuía uma porta USB padrão (tipo A) e as mesmas características de resistência e durabilidade de um ThinkPad de linha (incluindo até uma tela protegida com Gorilla Glass).

Nagano comenta: Para quem não sabe, uma das primeiras aparições públicas do ThinkPad Tablet foi num evento aqui no Brasil e este ztop+zumo estava na primeira fila para bater umas fotos:

Só depois que subimos a nota que começamos a receber feedbacks de que ela começou a repercutir lá fora em sites como o Engadget, Techcrunch, The RegisterLiliputing, Laptopmag, Macnn, the mobileindianetc, etc, etc

Quem diria, mais uma vez furamos todo mundo… 😉

Entre seus acessórios estavam uma caneta digitalizadora opcional e uma capa com teclado que incluía até um curioso TrackPoint que não funcionava com a pressão do dedo e sim por meio de um sensor óptico que percebia o movimento e a direção do dedo se mexendo sobre o ele.

Neste mesmo ano, a Lenovo lançou o impressionante ThinkPad X1, que não deixa de ser uma versão modernizada do X300 e com a mesma mensagem para o mercado de que a empresa ainda é capaz de lançar um ThinkPad cada vez melhor.

Com apenas 2,1 cm de espessura e 1,7 kg de peso, o X1 foi o primeiro notebook da marca a ter sua tela LCD-LED de 13″ coberta por uma camada Gorilla Glass (até antes do Tablet), protegendo ainda mais um dos componentes mais sensíveis do equipamento.

Com isso, se no passado os ThinkPads eram conhecidos por sobreviver a pisadas…

… e a derramamento de líquidos, o X1 também resiste bem a pancadas na tela.

No ano seguinte o X1 recebeu uma curiosa implementação de hardware — passando a se chamar X1 Hybrid — na forma de uma plaquinha PCI-mini que continha um processador ARM + sistema operacional baseado em Android + memória de armazenamento.

A grande sacada desse recurso é que o usuário poderia usar esse ambiente alternativo (batizado de IMM) para executar tarefas simples como navegar na web, ler emails e reproduzir conteúdo multimídia sem usar os recursos do portátil como o processador, memória e disco rígido, melhorando assim a autonomia da bateria.

Outra novidade deste ano foi o anúncio do primeiro ThinkPad voltado para o mercado de educação — o X130e — que era uma evolução dos modelos X100/X120e, porém equipada com um gabinete bem mais robusto e capaz de resistir ao dia dia de uma escola primária ou secundária.

Segundo Hill, entre as diversas soluções adotadas para tornar esse produto mais “à prova de crianças” estavam novas laterais de borracha para absorver impactos, cantos reforçados (33% mais resistentes) para reduzir a possibilidade de danos caso este caia de quina no chão, portas de comunicação montadas dentro de recessos no gabinete, dobradiças dimensionadas para resistir até 30 mil ciclos de abrir e fechar a tela do portátil e uma moldura reforçada de plástico com 1,2 mm de espessura para melhor proteger sua tela LCD-LED.

Depois disso surgiu o ThinkPad X1 Carbon, um ultrabook com gabinete de fibra de carbono e equipado com processador Core ix de terceira geração…

… e o ThinkPad T430U, um modelo mainstream que vem com proposta de ser um Ultrabook corporativo mais acessível que o Carbon.

Fora isso, a empresa também lançou o ThinkPad Twist, seu primeiro Ultrabook conversível…

… e o ThinkPad Tablet 2, um novo modelo agora equipado com um processador Intel Atom Z2760 Clover Trail e que rodava a versão completa do Windows 8:

Já em 2013 surgiu o ThinkPad Helix, um modelo híbrido voltado para produtividade …

… e que foi por sinal, o primeiro ThinkPad a vir com o seu logo invertido, de modo que ele fica de pé para quem estiver atrás do equipamento, ao contrário dos outros modelos, cujo logo sempre fica de pé do ponto de vista do seu dono quando este está fechado.

Segundo o pessoal da Lenovo isso é de um certo modo uma mudança de atitude com relação ao produto, já que até hoje, a posição antiga do logo dizia algo como “parabéns cara, você tem um ThinkPad” e a inversão dele muda a mensagem para algo como “então pessoal… Sou um ThinkPad!” — ou seja uma forma de estabelecer uma conexão emocional até com as pessoas ao seu redor.

E se isso funciona com aquela empresa com nome de fruta, por que não funcionaria com o Helix?

Outro produto bem curioso a surgir nesta época foi o ThinkPad Ultralight Backpack, uma mochila desenhada pelos mesmos desenvolvedores do Thinkpad que, ao contrário dos seus antecessores, saiu um pouco do visual preto corporativo adotando um padrão bicolor cujo tom predominante é uma estampa com fundo cinza com detalhes em preto, o que passa um ar mais leve e jovial ao produto sem ser espalhafatoso.

E como era de se esperar de um acessório ThinkPad, o seu acabamento é de primeira linha com costuras precisas, sem pontas de fios soltas nas juntas e a empresa ainda diz que ela utiliza materiais de alta tecnologia como Nylon Ripstop (trama resistente a rasgos), compostos de Kevlar e até fibra de carbono.

Já em 2014, a empresa lançou a segunda geração do ThinkPad Carbon

Cuja grande novidade foi o teclado “adaptativo”, que substituiu a tradicional carreira de teclas de função por uma versão digital com touch…

… ou mais exatamente um painel LCD monocromático sensível ao toque — cujos ícones dos botões mudam de acordo com o contexto:

Fora isso, essa carreira de funções também pode ser customizada de acordo com o gosto do usuário:

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Nagano comenta: Durante a CES 2015 a lenovo apresentou EVE, o centésimo-milionésimo ThinkPad produzido desde o seu lançamento, sendo que ela foi tratada como uma celebridade…

… com direito até a conta no Twitter para interagir com seus fãs:

Para saber mais sobre essa iniciativa, entrei em contato com meu colega e chapa Kevin Beck que, mesmo atolado no seu trabalho, gentilmente respondeu algumas perguntas sobre as origens dessa personalidade:

Ao contrário do que imaginava, Beck explicou que o nome Eve não foi escolhido por causa da sua referência bíblica (= Eva) e sim porque em inglês, “Eve” significa “véspera” como em “christmas eve” (= véspera de natal).

Quando perguntei se Eve recebeu algum tratamento especial como uma super-configuração interna, acabamento diferenciado ou pelo menos uma gravação comemorativa no gabinete, ele explicou que o desejo do grupo era que o ThinkPad número 100.000.000 fosse o mais autêntico possível, de modo que ele foi localizado e retirado diretamente da linha de produção.

Beck também explicou que o número de série de Eve termina em 67 e não existe nenhum motivo especial para isso — só que ele foi o centésimo-milionésimo ThinkPad a ser fabricado.

Finalmente, eu perguntei para Beck o que eles fariam com o centésimo-milionésimo-primeiro ThinkPad. Ele disse em tom de brincadeira que se o antecessor se chama Eve, este X1 bem que ele poderia ser batizado de “Dawn” (“começo” ou “início” em português). Assim, se Eve simboliza um marco conquistado, Dawn poderia representar o “início de uma nova  era” para o ThinkPad.

O problema é que até onde ele saiba, ninguém pensou isso na hora e “Dawn” seguiu o seu caminho na linha de montagem e hoje já deve estar na mão de algum felizardo.

Melhor sorte na próxima né?

Em 2016 a Lenovo anunciou a nova linha Think X1 que era a expansão da filosofia de design “leve e fino” inspirado no ThinkPad X1 Carbon

Lenovo_2016_LInha_X

… que chegou na sua quarta geração seguindo como o portátil mais fino de categoria de notebook corporativo com apenas 2,3 cm de espessura e apenas 1,17 kg. Note ao fundo o monitor ThinkVision X1 de 27″ resolução 4K (3.840×2.160 pixels) equipado com uma webcam full HD montada na sua moldura superior.

Lenovo_2016_ThninkPad_X1

Já para atender os usuários interessados em um 2-em-1 a empresa também ofereceu o ThinkPad X1 Yoga, um modelo ainda mais fino com apenas 1,6 cm e apenas 1,27 kg de peso. Essa versão conversível oferece os tradicionais quatro modos de uso e incorpora o engenhoso teclado retrátil que desativa o mesmo no modo tablet, assim como uma caneta de toque (com tecnologia Wacon) cuja bateria é recarregada quando guardada dentro do portátil.

Lenovo_2016_ThninkPad_X1a

E para aqueles que preferem modelos de mesa, o novo ThinkCentre X1 é um sistema do tipo “All In One” (AIO) cuja tela de 23,8 polegadas fica suspensa por uma fina haste de metal de apenas 11 milímetros de espessura. Fora isso também existe a possibilidade de pendurá-lo numa superfície vertical por meio de um suporte padrão VESA vendido à parte como opcional.

Lenovo_2016_Think_X1_AIO

Outra curiosidade desse produto é que a Lenovo removeu praticamente todos os cabos do sistema, com exceção do cabo de força. E apesar do seu visual esbelto e até meio delicado, ele foi projetado para ser um equipamento de produtividade e capaz de suportar maus tratos, como acúmulo de poeira no seu interior.

De fato, a empresa afirma que ele foi testado para resistir a 10 anos de poeira dentro de qualquer ambiente, tendo funcionado perfeitamente numa câmara de testes com até 2 kg de poeira em seu interior.

Porém a grande novidade deste ano foi o ThinkPad X1 Tablet, que passou por uma reformulação completa e que lembra até o Surface da Microsoft com sua capa-teclado “padrão ThinkPad”…

Lenovo_2016_ThninkPad_X1_tablet

… e seu apoio traseiro embutido a la Yoga Tablet:

Lenovo_2016_ThninkPad_X1_tablet_back

Porém o seu grande destaque foi uma lista de módulos na forma de “barras” se que encaixam na base do portátil…

Lenovo_2016_ThninkPad_X1_tablet_bar

…  permitindo assim implementar novas funções no produto:

Lenovo_2016_ThninkPad_X1_tablet_proj

Por exemplo, o módulo Produtividade incorpora uma bateria extra que aumenta a autonomia do sistema em até 5 horas, além de adicionar portas USB 3.0, HDMI e até o OneLink+ que permite a conexão de um replicador de portas do mesmo tipo usado nos ThinkPads.

Lenovo_2016_ThninkPad_X1_tablet_produ

Já o módulo projetor vem equipado com um pico-projetor capaz de projetar imagens de até 60 polegadas a 2 metros de distância da tela ou parede. Fora isso ele ainda conta com uma porta HDMI que pode ser usada tanto para usar tanto para enviar quanto receber sinais de vídeo, sendo que neste último caso é possível usar o X1 Tablet como um mini-projetor.

Lenovo_2016_ThninkPad_X1_tablet_proj

Finalmente, o módulo de câmera 3D incorpora a tecnologia RealSense da Intel, o que permite ao produto digitalizar imagens em 3D ou fazer diversos tipos de manipulação de vídeo em tempo real:

Lenovo_2016_ThninkPad_X1_tablet_realsense

Como podemos ver, foram 25 anos bem vividos para uma linha de produtos em um mercado onde certas marcas ou modelos mal duram um ano.

De fato, o ano de 2017 também está sendo marcado por diversas novidades como o lançamento dos novos ThinkPads da série A equipados com processadores APUs AMD PRO A12 com aceleradora gráfica AMD Radeon R7 integradas que, de um certo modo, marca o retorno da AMD desde o lançamento dos modelos X100 e X120.

São eles o ThinkPad A275 equipado com tela de 12,5″ e voltado para mobilidade…

… e o ThinkPad A475 com tela de 14″ mais voltado para produtividade:

Já no fim de junho, David Hill anunciou a sua aposentadoria — ou como ele mesmo diz “rewiring” — transferindo o seu atual cargo de VP de Design para seu indicado Brian Leonard. Apesar disso ele explicou no seu anúncio que continuará a trabalhar com a Lenovo na forma de um consultor especial voltado para ajudar os designers e compartilhar seu pensamento nas visões estratégicas.

Segundo Hill, o design do ThinkPad é evolucionário e não revolucionário. Para explicar essa ideia ele costuma citar o exemplo do Porsche 911 que, se você ver o modelo de 1969…

… e compará-lo com um modelo 201…

… e o atual modelo 2017 o carro evoluiu muito, porém sem destruir sua linhas básicas, o seu estilo, a sua personalidade.

E como nos ThinkPads, o grande desafio desse processo evolutivo é de torná-lo cada vez melhor mas sem perder sua herança com o passado.

Quando você tem em mãos um excelente design, você tem que ser cuidadoso na maneira com que você avança com ele. Para mim, o desenho do ThinkPad é tão simples, tão forte e tão fácil de ser transferido para diversos padrões de formatos (grandes, pequenos, finos, grossos) e  mesmo assim, todos mantém o mesmo visual.

Fora isso, temos sempre a preocupação de que tudo aquilo que implementamos tenha algum propósito e que não seja algo frívolo como, por exemplo, calça boca de sino que entra e sai de moda. Trata-se de um compromisso de longo prazo cujo objetivo é de ter certeza de que qualquer mudança que fizermos no Thinkpad ela será sempre para melhorá-lo de algum modo, tanto sob o ponto de vista da sua usabilidade, no seu visual ou até mesmo para torná-lo mais atraente para um novo público que possua desejos diferentes — concluiu o executivo.

É isso ai, falou tudo. 🙂

Ainda em tempo (parte I):

Para comemorar os 25 anos do lançamento do ThinkPad a Lenovo convidou este ZTOP para um evento que irá acontecer em 5 de outubro nas novas instalações do Yamato Labs, localizadas na cidade de Yokohama no Japão.

Nosso palpite é que nesse evento será anunciado o tão esperado Retro ThinkPad um projeto que Hill tem discutido com a comunidade em seu blog desde 2015 de ressuscitar o design clássico do ThinkPad numa plataforma atual e moderna.

De fato, uma suposta “imagem oficial” vazou recentemenete no Reddit:

É esperar para ver.

 

Bonus Track:

ThinkPad Preto no Branco

Como vimos até aqui, a história do ThinkPad é uma interessante jornada pelo mundo das idéias e formas, desafios tecnológicos e até de algumas peripécias para contornar aquelas barreiras impostas pelas normas e burocracias de uma grande empresa.

Dai surge à pergunta: Se esse assunto é tão interessante, por acaso existe algum livro que conte essas histórias?

Sim, eles existem — mas se comparado com os que falam sobre aquele computador ou mesmo do fundador daquela empresa com nome de fruta — eles são poucos, sendo que alguns são meio antigos (o que não invalida o seu conteúdo) e outros são praticamente impossíveis de serem encontrados na forma impressa. De fato, até onde sei nenhum deles chegou a ser traduzido e publicado no Brasil (se alguém souber de algum, por favor, me avise!)

De qualquer modo, tenho alguns deles na minha biblioteca da Zumo-caverna e gostaria de apresentá-los neste box:

ThinkPad: A Different Shade of Blue (1999, Sams Publishing, ISBN-10: 0672317567 / ISBN-13: 978-0672317569 — idioma: inglês)

Escrito por Deborah A. Dell a partir das informações de J. Gerry Purdy, este livro de 1999 talvez seja o relato mais completo sobre as origens do ThinkPad — desde sua concepção nos anos 1990 até o ThinkPad 240 de 1999.

E apesar do texto meio truncado e cada fim de capítulo receber um “insight” do autor, é nessa obra que vi as histórias mais divertidas, como a maneira que Richard Sapper literalmente “enrolou” a burocracia da IBM para que o seu TrackPoint fosse vermelho ou as discussões com a filial da Alemanha que exigia que o gabinete do ThinkPad fosse bege e não preto.

Minha cópia por sinal foi autografada por David Hill. 🙂

Apesar desse título estar fora de catálogo, ele ainda é fácil de ser encontrado no mercado americano (http://goo.gl/nHeUPz) tanto novo quanto usado.

IBM Design from Japan (2002, Amus Art Press,  ISBN-10: 4946483713 / ISBN-13: 978-4946483714  — idioma: japonês/inglês)

Mais um livro de arte do que um texto sobre computadores, essa obra fala sobre a essência do design dos produtos IBM da era pré-Lenovo (incluindo os ThinkPads, é claro) cujo foco é a interface mais natural e transparente possível com o usuário. Outro conceito importante é o que os autores chamam de “Smile” onde a comunicação entre o usuário e o computador deve ser excitante e, ao mesmo tempo, divertida.

Um bom exemplo é o “ThinkPad Dog” personagem criado para transmitir essa mensagem para o público:

Esse livro também está fora de catálogo, mas edições usadas podem facilmente ser encontradas no Amazon.com (http://goo.gl/rqJXLI).

The Race for Perfect: Inside the Quest to Design the Ultimate Portable Computer (2008, McGraw-Hill, ISBN-10: 0071606106 / ISBN-13: 978-0071606103 — idioma: inglês)

Esse livro foi escrito por David Hamm que acompanhou o desenvolvimento do ThinkPad X300 qiue foi o precursor da linha X1/X1 Carbon. Essa história é particularmente interessante porque ela tem início logo após a compra da divisão PSG da IBM pela Lenovo e a nova empresa precisava mostrar para o mundo que os ThinkPads continuariam a ser produtos de alta qualidade, capazes de chutar traseiros da concorrência e cuja reputação ajudaria a abrir caminho para a entrada da nova série Idea no ocidente — uma estratégia por sinal que a Lenovo de um certo modo repetiu com a compra da Motorola.

Muito desse esforço teve origem no trabalho de David Hill, cujo desejo era de que esse novo portátil fosse uma versão moderna do 701C “butterfly” mas que acabou topando uma idéia do Yamato Labs cuja proposta era de um portátil leve e extremamente fino (inspirado no Motorola Razr) — um conceito por sinal que hoje chamamos de Ultrabook.

A boa notícia é que esse livro ainda está em catálogo e pode ser encontrado até no Brasil.

ThinkPad wa Koshite Umareta (How ThinkPad was Born, 2011, Gentosha Media, ISBN-10: 4344998065 / ISBN-13: 9784344998063 — idioma: japonês)

Se Sapper foi o arquiteto que projetou do ThinkPad, a tarefa de levantar o prédio e fazer com que ele ficasse de pé foi tarefa dos laboratórios da IBM em Yamato, no Japão — hoje conhecido como Yamato Labs — que até hoje continua a ser um dos principais centros de P&D e engenharia dos ThinkPads.

Esse pequeno livro escrito por Arimasa Naitoh (considerado um dos pais do ThinkPad) que conta o lado nipônico dessa história, em especial dos desafios técnicos para chegar naquilo que a IBM desejava ser o melhor notebook do seu tempo.

E se você acha que nunca ouviu falar nesse executivo, ele fez um depoimento na iniciativa Visão Lenovo 20:20 – Inovação do Futuro no canal da Lenovo Brasil do Youtube:

Como é de se esperar, esse livro só pode ser encontrado lá na terra do sol nascente. Eu achei o meu exemplar no Amazon de lá.

Curiosamente, Naitosan escreveu mais um livro que foi lançado neste ano intitulado How ThikPad Changed The World and is Shaping the Future (Arimasa Naitoh e William J. Holstein, 2017, Skyhorse Publishing, ISBN-10: 1510724990 / ISBN-13: 978-1510724990 — Idioma: Inglês)

Trata-se de um relato pessoal e em primeira pessoa do autor que fala do dia a dia do seu trabalho no desenvolvimento do Thinkpad desde os dias da IBM passando pela transição para a Lenovo e da sua visão sobre o futuro da computação. Esse livro também pode ser encontrado no Amazon.com.br inclusive na versão para Kindle:

ThinkPad Design: Spirit & Essence (2012, editora ???, ISBN: ??? — idioma: inglês)

Escrito por David Hill em comemoração aos 20 anos do ThinkPad, essa monografia de apenas 32 páginas fala sobre a evolução do ThinkPad e como a essência do seu design resiste às pressões de um mercado dominado por mudanças constantes e modas passageiras.

Como ele mesmo diz no seu blog: “Lembram-se daqueles laptops com cor de kisuco que uma certa empresa vendia anos atrás?”

O problema é que essa obra foi criada para ser um brinde que foi distribuído para os convidados do evento de lançamento do ThinkPad X1, realizado no Museu de Arte Moderna (MOMA) de Nova Iorque em outubro de 2012 e, por causa disso, a tiragem foi baixíssima e ele nunca chegou às lojas.

A boa notícia é que graças a magia da Internet, ele pode ser lido on-line aqui.

ThinkPad X220/230 wo ijiri taosu (Ragemax, ebook Kindle, 2015, idioma: japonês)

Certo dia o Henrique me mandou um link de um livro no Amazon.com.br que parecia ser um mangá sobre ThinkPad (Eita!) mas quando examinamos o anúncio com mais calma, notamos que esse título nada mais era do que um guia de atualização de hardware para o ThinkPad X220/X230 com uma capinha — digamos — marota!

Wai-wai!

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • evefavretto

    “A idéia original de Selker era de implementar o seu invento em um teclado de desktop”

    Então, teve um Model M com trackpoint, o M13, mas aparentemente é meio raro, e já era fabricado na era que a IBM tinha desovado os teclados na Lexmark. E acho que a Unicomp ainda fabrica.

    Also, se não me engano, os ThinkPads PowerPC podiam rodar até Windows NT, tinha uma versão do NT pra PPC.

    • Mario Nagano

      Sim, quem me falou na existência desses ThinkPad com PPC foi o Kevin Beck, que ele afirma ser o modelo mais raro e caro de todos os tempos.

      Ah sim, eu também tenho um mouse com TrackPoint que era usado para rolar a tela, mas que sinceramente, não funciona tão bem quanto a rodinha da MS

      https://uploads.disquscdn.com/images/31a396f23d037b4aa3cfc5241a607d09f08bd9226fa0611a7c6eda7cd6919163.jpg

      • evefavretto

        Que mouse bizarro.
        E convenhamos que nos anos 90 tinha um bazilhão de arquiteturas tentando vingar.

    • Não é fácil encontrar informação sobre os ThinkPad PowerPC, talvez a melhor informação que consegui nas internets foi no OS/2 Museum http://www.os2museum.com/wp/ibm-thinkpad-power-series-850/ … e, sim, rodava AIX (óbvio!), Windows NT e… SOLARIS. OS/2 ficou só na promessa.

      (Ah, claro, tem o Youtube, onde todo mundo tem vídeo de alguma coisa já feita: https://www.youtube.com/watch?v=3bxJIA8hscI )

      Sobre IBM PC110 e ThinkPads japoneses: não basta ser tarefa difícil de achar algum pra vender nos sites japoneses (e no caso do PC110, quando , quando estão em bom estado podem chegar a até 50 mil ienes, sem entrar no custo de envio do Japão pra cá. Ser colecionador de ThinkPad não é algo pros fracos de conta bancária.

      • Mario Nagano

        O curioso é que os ThinkPads mais antigos da série 700 podem até ser achados com alguma facilidade nos sucateiros da Sta Ifigênia mas eles quase sempre estão semi destruídos de tanto uso.

        Eu mesmo por duas vezes tive a oportunidade de comprar um butterfly, mas a pintura de ambos estava derretendo de modo que o gabinete estava “caramelizado” com uma camada de borra preta e oleosa que mais parecia piche.

        Trágico! Trágico! 🙁

    • Mario Nagano

      Também existe outra pesquisa de Selker na IBM onde ele estudava o uso de dois trackpoints no mesmo teclado, só que aparentemente isso não deu em nada.

      Fora isso, a Lenovo chegou a patentear um novo dispositivo apontador que coloca um mini-touchpad no lugar do trackpoint:

      https://uploads.disquscdn.com/images/6097902d3494ecc460b215b583a9983584aadd858081a863c1e42d1abf02b21e.jpg

      http://appft.uspto.gov/netacgi/nph-Parser?Sect1=PTO1&Sect2=HITOFF&d=PG01&p=1&u=%2Fnetahtml%2FPTO%2Fsrchnum.html&r=1&f=G&l=50&s1=%2220120306752%22.PGNR.&OS=DN/20120306752&RS=DN/20120306752

      • evefavretto

        Vantagem provavelmente processar alguém que aparecer com a idéia HAHAHAHAH

        Hoje em dia tem alguns teclados com touchpad do lado(tipo os K400/K400 Plus da Logitech(eu tenho um), e similares(a MS tem um), são uma boa pra HTPCs e similares

        • Mario Nagano

          A Asus lançou um modelo (acho q em, parceria com a Bang & Olufsen) que tinha dois touchpads sendo um de cada lado do teclado.

          Quando perguntei se eles tinham alguma aplicação que tirasse proveito de dois touchpads ao mesmo tempo, eles responderam que ainda não mas estavam trabalhando nisso e que quando ficasse pronto eles iam me avisar.

          Não precisa nem dizer que estou esperando até hoje né?

          • evefavretto

            Features só pra exibir…

            Lembrei vagamente do acelerômetro do meu LG Cookie(que, felizmente, tinha alguma utilidade, como virar o display(era pós-iPhone, afinal)). Mas vinha com um par de joguinhos que usavam o acelerômetro, mas não faziam muita coisa além de dados ou rodar uma roleta.

  • Leonardo Carneiro

    Eu cheguei a comprar uma dessas “mochilas ThinkPad”. Era muito boa. Não era muito grande por dentro, mas a verdade é que era bem maior do que parecia ser. Infelizmente foi roubada em um aeroporto e acabei não comprando de novo.

    • Mario Nagano

      Cheguei a fazer um review dessa bolsa no Blog da Lenovo

      Enfiei um Pet de Tubaina de dois litros no bolso lateral e mesmo assim coube um T60p + fonte + cadernos e acessórios.

      A única coisa que não gostei foi que ela não ficava de pé

      • Leonardo Carneiro

        comprei justamente após o seu review. acho que foi publicado aqui no ztop mesmo (ou zumo, na época)

        • Mario Nagano

          Uia quem diria, “Nagano, o Influenciador”

          Vou estampar isso numa camisa! 🤣🤣🤣

  • Que belissima matéria, muita coisa pra ler e absorver.
    E parabéns à Lenovo, difícil um design se manter integro por tanto tempo.

    Senti falta do Thinkpad 8, o tablet de 8″ com Windows full da Lenovo (o meu resolveu ficar sem som), e uma maravilha de usar, já que o Dell Venue Pro não veio ao Brasil.

    Sobre o X1 Hybrid, ele deve ter usado a idéia do HTC Shift X9500, com Windows Vista e uma partição para uso rápido (SnapVue), que podia ser destravado pra usar o Windows Mobile 6
    Obs.: Esse Híbrido da HTC ainda roda Windows 8. o.0

    • Mario Nagano

      Sim acho que o ThinkPad 8 passou batido pq eu nunca tive contato direto com ele.

      Mas tudo bem, guardo isso pro post de 30 anos do ThinkPad.

      Cheguei a conversar com meu colega e chapa Luciano Beraldo que na êpoca era gerente de produtos ThinkPad sobre o X1 Hibrid e ele me disse q esse produto nunca chegou no Brasil pq o custo de traduzir o SO do módulo Android do Inglês para o português brasileiro era relativamente alto e segundo suas expectativas de retorno não valeria a pena.

  • wilbacelar

    Que artigo foda! Muito bom.

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