Hands-on: tablet DL X-PRO

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A DL, conhecida por tablets baratos, coloca no mercado seu primeiro produto com processador Intel Atom voltado para o segmento de valor, o DL X-Pro.

Durante o seu discurso de abertura do IDF 2013 em San Francisco, Brian KrzanichCEO da Intel, disse que “a estratégia da Intel é muito simples. Liderar em todos os segmentos da computação”, o que inclui o mundo mobile.

Para tentar entrar de sola nesse mercado, a Intel investiu suas fichas em duas plataformas: o Bay Trail (Intel Z3xxx) seu primeiro SoC de 22 nm voltado para tablets mainstream/topo de linha, e o Clover Trail+ (Intel Z2xxx), este direcionado para o segmento de entrada/valor com preços na faixa dos US$ 100 ou até menos nos Estados Unidos.

Junto com esse anúncio, a empresa também estabeleceu uma meta (ambiciosa) de vender 40 milhões de tablets no mundo com seus processadores até o fim deste ano.

Mas para atingir esse objetivo, o pessoal de Santa Clara e seus parceiros precisam oferecer produtos que sejam atraentes em termos de custo x benefício para as chamadas classes B e C que — segundo a fabricante de chips — representam respectivamente, 50% e 35% da população que possui tablets no Brasil.

Segundo a Intel — no momento da compra — 64% dos consumidores optam pelos produtos com o preço mais competitivo, enquanto 36% se preocupam com as especificações técnicas antes de levar um dispositivo para casa.

Stephen Longdiretor-geral da Intel América Latina, comentou ontem que, nessa busca para oferecer produtos de qualidade por um preço acessível, a Intel procurou por novas oportunidades entre os fabricantes locais, sendo que a empresa da vez é a DL.

E o primeiro resultado dessa parceria é o DL X-Pro, um tablet Android com tela de 7″ cujo preço inicial é bastante agressivo — R$ 449.

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Medindo 12,3 x 20,0 x 1,1 cm (LxAxP) e 334 gramas de peso, o X-Pro me passa a impressão de ser um desenho de referência da Intel e montado pela DL. Isso talvez devido ao uso (na minha opinião, meio exagerado) dos tons de “Azul Santa Clara” tanto na sua embalagem…

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… quanto em alguns detalhes, como a borda do portátil…

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… o que não algo negativo diga-se de passagem, já que esse detalhe forma um elegante contorno azul que quebra um pouco a mesmice visual dos tablets (que até lembra, de longe, o tablet Acer Iconia B1).

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De fato o corpo do X-Pro é simples, discreto e não passa a sensação de estarmos usando um brinquedo de plástico. Curioso observar que a frente do tablet não possui nenhuma indicação da marca DL, que só existe na parte de trás do equipamento, junto com o logo da Intel.

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O X-Pro vem equipado com um processador Atom Z2520 dual-core de 1,2GHz, tela LCD de 7″ com resolução nativa de 1.024 x 600 pixels, 1 GB de RAM, 8 GB de memória flash para armazenamento (expansível para mais 64 GB via cartão microSD), câmera frontal de 2 megapixels, interface Bluetooth e Wi-Fi 802.11 b/g/n.  Sua bateria é de 3.000 mAh com autonomia estimada em 150 horas de stand-by ou 4~5 horas de uso contínuo.

Mas como é de esperar de um produto na sua faixa de preço, o X-Pro não possui certos recursos que alguns até podem achar que eram “obrigatórios” como  sensor GPS (apesar da geolocalização ser possível via redes Wi-Fi), câmera traseira, sensor de luz ambiente etc.

Fora isso, o X-Pro não vem com modem 3G/4G. No evento de lançamento do X-Pro, Francisco Hagmeyer Jr., diretor comercial e de marketing da DL, deixou escorregar que esse recurso poderá ser implementado em “outros modelos”, mas não quis confirmar se já existem outros tablets com Intel na sua programação de lançamentos.

Me chamou a atenção o detalhe que a maioria das portas de entrada/saída do mesmo se concentrarem na parte de cima do tablet…

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… o que facilita a conexão de cabos e o uso do X-Pro de pé na mesa de trabalho com  o auxílio de um pedestal, mas que pode não ser a melhor solução quando usado em ambientes externos, devido ao risco de entrada de água num dia de chuva. 😛

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Outro recurso bem vindo é o fato da sua porta USB micro ser compatível com a tecnologia USB OTG, o que permite conectar dispositivos externos como mouse, teclado e memory keys. Ah sim, o cabinho adaptador já acompanha o produto.

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Como dissemos acima, o DL X-Pro vem com sistema operacional Android 4.2.2 “Jelly Bean” que é uma versão bem recente, porém não é a última já que o Asus FonePad 7 (também com chip Intel Atom) foi atualizado em fevereiro para o 4.3. 

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E falando no concorrente, me chamou a atenção como o papel de parede de X-Pro…

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… me fez lembrar um dos wallpapers que a Asus oferece em seus tablets:

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A impressão que temos é que a DL não mexeu muito na interface do Android, criando uma experiência quase que pura do sistema original.

Isso também se reflete no número de apps pré-instalados que se limita ao padrão do Android e uns poucos itens de terceiros. Acreditamos que isso também seja influência do fato desse produto vir apenas com 8 GB de memória interna de armazenamento.

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Me chamou a atenção o fato de um tablet sem câmera traseira vir com o Instagram pré-instalado, mas o meu palpite é que ele está presente mais para os usuários apreciarem as imagens dos amigos do que para agradar os fãs de selfies.

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Entre as apps de terceiros, acredito que as mais relevantes sejam o Kingsoft Office, um pacote estilo Microsoft Office:

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… e o McAfee Mobile Security, uma solução gratuita de segurança que nesse caso, pode tirar proveito dos recursos de segurança nativos do chip Atom.

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Com relação ao seu desempenho, fiz alguns testes rápidos com o WebXPRT 2013 que bateu 160 +/- 2 pontos.

É um número bem menor se comparado ao Asus Fonepad (versão 2014, Atom dual-core de 1,6 GHz), que bateu 237 pontos.

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E 5.312 pontos no teste Ice Storm do 3D Mark (o Fonepad 2014 bateu 6.489 pontos no mesmo teste).

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Se tablets fossem carros, eu diria que o DL X-Pro é um carrinho popular com motor 1.4 ou seja, um modelo básico com acabamento simples, que vem com alguns (mas não todos os) opcionais de fábrica e um motor mais ligeiro o que pode proporcionar uma melhor experiência de uso.

Resumindo: um tablet simples e honesto. Nada além disso.

Henrique comenta: a DL é sinônimo de tablets baratos e que vendem bastante, apesar da notória simplicidade/falta de recursos  (minha indicação pessoal: nunca compre qualquer coisa Android com menos de 1 GB de RAM, o que não é o caso desse tablet específico. E sempre vale economizar mais um pouco para comprar um produto mais avançado e de uma marca mais reconhecida depois do que pagar barato agora e se arrepender no mês seguinte). 

A Intel, que não é líder no mercado de smartphones e tablets e almeja essa liderança, empresta sua credibilidade (de marca, de histórico, de pesquisa e desenvolvimento e, claro, de verba de marketing e divulgação) para a DL numa amostra bem clara de “não temos muita participação de mercado, vamos comprá-la”. 

Essa é uma prática comum de mercado, e não é a primeira vez que vemos isso: exemplos anteriores incluem a Motorola (e seu Razr i), a Asus (foblet Fonepad e vindoura linha de smartphones) e a Lenovo (também com smartphones). Se a Intel tem verba para isso, vamos chamá-la de “incentivo de mercado”. 

Na prática, funciona assim: um fabricante de smartphone paga, em média US$ 8 ou US$ 9 por chip com plataforma ARM (de acordo com fontes de mercado) nos modelos mais baratos, com picos de até US$ 25/chip por modelo mais caro.

Um mesmo chip x86 Intel custa em média US$ 12 (média fica entre 15 e 25), encarecendo o processo e o custo final para o consumidor. Não tenho como confirmar se esses são os valores exatos (depende de volume e outras variáveis), mas serve para dar um panorama da situação. 

O que a Intel faz? Banca, via subsídio, essa diferença para os fabricantes para conseguir o mesmo espaço que um ARM mais baratinho (e talvez por isso a AMD não tenha entrado na disputa com Qualcomm, Mediatek e Samsung da vida pelos smartphones e tablets com Android e tenha ficado muito restrita a tablets com Windows). E fornece projetos de referência para servir de base para demais produtos. E investe em marketing e divulgação para a mídia, consumidor e varejo. Tudo com objetivo de aumentar seu “share” de mercado. 

No fim das contas, como o Nagano disse, o DL X-Pro é mais um desenho de referência da Intel com a marca DL colada do que um produto propriamente da DL. Acaba sendo bom para a marca, que ganha alguma credibilidade.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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