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[SXSW 2015] Jibo e a era dos robôs emocionais

Da série “pesquisadores que fizeram a fama no MIT e seguiram para a iniciativa privada”, a palestra de Cynthia Breazeal ontem no final da tarde faz pensar sobre como robôs estão ao nosso lado o tempo inteiro – muitas vezes sem perceber – e que o próximo passo da tecnologia é cada um ter seu próprio robô companheiro.

O projeto de Brezeal se chama Jibo e é um assistente emocional familiar. Com previsão de lançamento somente em 2016, teve uma bem-sucedida campanha de vendas baseada em crowdfunding (no IndieGogo) e, no momento, não aceita mais novos pedidos. Será vendido, quando chegar ao mercado, por um preço médio sugerido de US$ 600.

Este é Jibo:

Na sua apresentação, Brezeal explicou que existe um caminho pré-definido dos robôs dentro da casa, seja por um modo “doido” de pensar em relações: os Roombas (aspiradores robóticos) têm uma relação doméstica com a… sujeira; e termostatos como Nest (cheios de sensores), com o ar e aplicativos relacionados.

E relações industriais/comerciais, como montadoras de carros e sua linha de produção automatizada, submarinos autônomos exploradores do fundo do oceano e até mesmo os robôs exploradores do espaço.

O trabalho de Brezeal no MIT com robótica emocional ficou famoso em 1997, com o Kismet:

E depois Leonardo, em 2002.

“Projetos como o Kismet não envolviam apenas conhecimento cognitivo por parte dos robôs, mas também relacionamento social e emotivo. Ele tinha que entender que não era preciso apenas reconhecer um objeto, mas também entender que as pessoas são diferentes em seu ambiente”, afirmou a pesquisadora. “É um tipo de aprendizado de ‘big data’, que ajuda a tornar o comportamento mais preditivo”, comentou.

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Entretanto, brinquedos como o Furby, lançado comercialmente em 1998, podem surpreender o mundo acadêmico. “Era toda minha dissertação em um brinquedo de US$ 30, e ele foi seguido por diversos robôs pessoais de entretenimento, como o Aibo e o Pleo“.  “Obter respostas emocionais, com ajuda de sensores e câmeras, gera maior engajamento, o brinquedo se torna quase um bicho de estimação”.

Mas, para Cynthia, falar de emoções envolve um tópico ainda mais profundo: emoção influencia a cognição, e também comportamento, atitudes e interpretação. “Foi quando entendemos que era preciso inserir decisões inspiradas no mundo animal, como um cão toma decisões, baseado em fome, sede etc.”

A pesquisadora citou dados ainda sobre aceitação dos robôs como ferramentas de educação (crianças que interagem com robôs específicos contadores de histórias tendem a ter um vocabulário mais aprimorado em fase de alfabetização) e de reeducação (adultos que fazem dieta respondem melhor a um companheiro digital interativo do que a simples apps online ou cadernos de anotação). “Um robô vai acaba se tornando a interface humanizada da Internet das Coisas”, disse.

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“Mas robôs devem ter emoções? Sim, porém com preocupações éticas”, afirmou a pesquisadora. “Toda tecnologia cria um impacto na vida das pessoas, e isso pode ser bom ou não. Só que relações humanas não são as únicas a criar valor – pense em animais de estimação”, afirmou. “Com robôs, é preciso criar um novo tipo de relação. Robôs sociais não vão substituir as relações humanas, mas sim facilitar e complementar essas relações”.

Brezeal ainda listou uma “guia rápido de conduta para robôs sociais”

  • São parceiros, não substitutos
  • São para ajudar-nos a nos tornar pessoas melhores
  • Suas diferenças complementam, ajudam e nos aprimoram
  • Não nos tornam menos humanos (o nosso mau comportamento como humanos faz isso sozinho)
  • Devem ser projetados para serem honestos e transparentes sempre.

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“A próxima geração da computação envolve emoções, não apenas dados, dados, dados, como é hoje”, finalizou a pesquisadora.

Em tempo: algumas palestras do SXSW 2015 são acompanhadas por um desenhista, que cria um painel enquanto o palestrante está falando. No painel de Cynthia Breazeal, o resultado final foi esse:

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 ZTOP cobre o SXSW 2015 a convite e patrocínio da Dell.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Rafael Machado de Souza 15/03/2015, 20:35

    foda pra baralho. em um futuro próximo….