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[SXSW 2015] AeroMobil: O sonho do carro voador

Podem os carros voar? Na visão sonhadora da AeroMobil, sim. Um painel da companhia aqui no SXSW Interactive mostrou como esse sonho de liberdade pode vir a se tornar real.

Juraj Vaculik, executivo-chefe e co-fundador da AeroMobil, começou sua apresentação contando sobre a vida triste e sombria que ele e seu sócio-professor-Pardal-amigo Stefan Klein tinham na antiga Tchecoslováquia, sob domínio soviético. “Vivíamos na fronteira com a Áustria, que era um país proibido para nós. Era muito perto, mas muito longe”, disse. “Então começamos a imaginar que, se tivéssemos um carro voador, poderíamos escapar para o ocidente”.

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O tempo passou, a Tchecoslováquia não existe mais (nem a União Soviética) e Vaculik acredita ser hora de uma nova revolução. “Não porque temos problemas políticos hoje, mas sim porque vivemos em uma espécie de prisão do trânsito”. Para o executivo, três motivos nos levam à necessidade da revolução do carro voador:

  • Trânsito e excesso de carros nas ruas.
  • Aeroportos lotados e o transporte aéreo ineficiente em rotas de 500-600 km.
  • Falta de infra-estrutura básica – estradas, pavimentação

“Hoje você leva mais de seis horas para viajar 800 km. Sai de casa de táxi, vai pro aeroporto, espera, voa, pega um táxi, chega no seu destino. Um carro voador poderia reduzir esse tempo para apenas 3 horas”, disse.

Mas como surgiu a AeroMobil? Com sede na Eslováquia, Vaculik conta que a empresa surgiu para valer somente em 2010, com investimentos próprios. Klein, o amigo inventor, já tinha tentado criar dois modelos (AeroMobil 1 e 2) entre 1990 e 2010, sempre como projetos privados. “O primeiro teste de carro voador foi feito em 1917 nos Estados Unidos, mas claro que não foi bem sucedido. Depois, nos anos 1940, Henry Ford preveu o carro voador também”.

O desafio de criar um carro que voa é tentar unir coisas distintas: o avião, leve e aerodinâmico, e o carro, pesado e estável no chão. Como os recursos da AeroMobil são limitados, tendem a usar e adaptar tecnologias existentes para avaliar seu produto. “Costumo dizer que Klein e eu somos dois, mas ocupamos seis posições na empresa – e ele é o piloto!”, brinca Vaculik.

Um primeiro protótipo do AeroMobil, agora feito por uma empresa real, foi mostrado em um congresso de aeronáutica em 2013, com uma nova versão 3.o anunciada (claro) em Viena, na Áustria, em outubro do ano passado. O que foi feito até então? O novo carro não precisa de uma pista de concreto para decolar ou pousar – basta uma faixa de grama – e o carro leva dois minutos para assumir o formato de avião.

Só que a existência de um carro voador não significa que todos vamos ter carros voando no meio das cidades a longo prazo. O que dá a entender do discurso da AeroMobil é que vamos ter carros voadores sim, mas para fazer médias e longas jornadas entre cidades – tanto que o primeiro modelo comercial do AeroMobil, previsto para ser lançado oficialmente na Europa em 2017, exigirá que seus donos tenham carteira de motorista e brevê de piloto, já que existe um longo caminho de certificações e regulação para pilotar o híbrido. “É um sonho louco, mas queremos criar uma marca global. Sabemos que os primeiros compradores serão super ricos ou entusiastas de voar”, disse.

O próximo passo da AeroMobil – depois de 2017 – é lançar um modelo autônomo capaz de voar sozinho, com apelo às massas. “Vamos integrar tecnologias emergentes autônomas”, comenta. É um belo sonho, quase utópico, mas que demora a se concretizar.

[AeroMobil]

  ZTOP cobre o SXSW 2015 a convite e patrocínio da Dell.

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Leo Bauberger 16/03/2015, 14:36

    melhor post da SXSW até agora! Deu brilho nos olhos *_*

  • Sandro De Jesus Soares 16/03/2015, 16:33

    Um carro voador que se parece com um avião nunca vai dar certo.

    • Mario Nagano 19/03/2015, 18:09

      Sim, vc tem razão. Mas o que achei legal na apresentação de Vakulik é que a proposta dele não é de um “carro que voa como um avião” e sim de um “avião que anda como um carro”.

      Para mim esse jogo de palavras muda completamente a percepção do produto, já que a idéia neste caso é de um veículo que ande para percorrer curtas distâncias e voe para percorrer as longas.

      O chato é que o veículo dele me parece ser tão viável e próximo da realidade que até perde um pouco a graça, já que o que todo mundo realmente quer (ou pelo menos eu) é um “Spinner” (http://goo.gl/vytiWk) como o carro de polícia do Blade Runner de decola na vertical, rodopia no ar e ainda estaciona em qualquer vaga no topo dos prédios.

      Isso sim é o bicho!

  • dflopes 19/03/2015, 14:12

    se pousasse tb na água, seria a melhor loucura.
    Poderia decolar no sítio e pousar num lago pra pescar. Com o almoço garantido, só fazer o caminho inverso.