Super Mario: 25 anos

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Hoje, o encanador criado pelo incrível Shigeru Miyamoto fez 25 anos.Parece que foi ontem que ele apareceu, mas o bigodudo mais importante do mundo dos games e um dos maiores ícones da cultura pop faz hoje 25 anos. E nem vou falar o quanto Mario é importante, isso qualquer um sabe.


(link do vídeo)

Minha vida foi totalmente transformada no final de 1985. Eu havia ganho de aniversário um MSX, que humilhava ferozmente o que a maioria das pessoas considerava videogame na época, o ancião Atari ou o  Odyssey II.

Tive a sorte de crescer lado a lado com vários membros da colônia japonesa, o que me deu bons amigos e a chance de ter contato com muita coisa boa vinda da Terra do Sol Nascente.

Foi na casa de um amigo, logo após o natal, que conheci o encanador. Eu havia ido testemunhar o quanto meu gravadorzinho horrendo do Expert tomava uma surra sentida do novíssimo disquete de 3 1/2 polegadas no MSX. Aí, eu vi na sala o irmão desse meu amigo jogando em um videogamezinho pequeno, com um controle espetacular. Era o maravilhoso Famicom, o Nintendo 8 bits japonês em sua forma pura.

Na tela, um jogo me capturou instantaneamente. Era Super Mario Bros.

Joguei por uma tarde toda aquela maravilha. Aos 10 anos, eu não sabia exatamente o motivo de ter gostado tanto daquele jogo, mas tinha certeza de que grande parte daquilo que havia jogado antes havia ficado obsoleto.

Meu próximo encontro com Super Mario foi em 1986. Eu já era maluco por tecnologia, e a UD, uma feira que na época reunia as maiores novidades em eletrônicos, era um paraíso. E lá, logo na entrada, uma empresa demonstrava um novo videogame.

Era o Dynavision II, uma cópia pirata sem vergonha do Nintendo 8 bits. Os controles eram péssimos, o design hediondo, mas ele rodava o incrível Super Mario Bros.

Eu precisava daquele jogo. Mas, vivendo de mesada, a única coisa que consegui comprar foi uma outra cópia pirata do Nintendo 8 bits, o pavoroso Topgame, da CCE, em 1988. Ele rodava Super Mario, mas o controle foi uma das piores porcarias que já tive o desprazer de usar. Baseado em uma cópia piorada do controle do Atari 5200 (que já era ruim), jogar Super Mario nele era desafiador pelo jogo em si e pela luta para que os botões funcionassem.

A partir do momento que cheguei ao final do primeiro Super Mario, fiquei maravilhado. E me tornei seguidor da série.

Até o final daquele ano, dei um jeito e joguei Super Mario Bros. 2 (o americano, que gostei muito). E logo após o natal, na casa de outro amigo japonês, fui apresentado a Super Mario 3.

Aquele jogo, com o capricho que exalava, da embalagem ao design das fases e personagens, me impressionou muito. A partir daquele jogo, decidi que faria alguma coisa relacionada a games. Em parte, me tornei jornalista por causa do impacto inicial que os jogos de Shigeru Miyamoto tiveram sobre mim.

Daí, no fenomenal Super Nintendo, veio Super Mario World e Mario Kart, que não é da franquia principal, mas teve uma importância monumental.

Confesso que demorei um tempo para experimentar Mario 64. Por mais que amasse o encanador, o lance de usar cartuchos na era do CD-ROM do PlayStation me desanimou. Um ano depois dei um jeito e consegui um emprestado.

No GameCube, que na minha opinião foi um dos consoles mais injustiçados da história, joguei até o fim Super Mario Sunshine. Jogo complexo, não é para todos os públicos, mas um bom jogo.

Foi algum tempo depois que tive a chance de encontrar Shigeru Miyamoto pela primeira vez. O que ele tem de gênio tem de gente boa. Ele prometeu que o próximo jogo estrelado por Mario seria surpreendente.

Passados alguns anos, reencontrei Miyamoto, ele me mostrou Super Mario Galaxy. Era tudo o que ele havia prometido e muito mais.

Super Mario Galaxy, e a continuação, lançada nesse ano, são os melhores motivos para se ter um Wii. Falando com uma ponta de crueldade, são um dos poucos motivos para se manter o Wii por perto, pelo menos para mim.

Pode soar piegas, mas Super Mario Galaxy, com sua trilha sonora orquestrada, me tirou lágrimas de felicidade. É a síntese do espírito dos jogos do encanador. Sofisticadamente simples, cheio de sacadas geniais. O que mais um jogador poderia querer? Hoje, minha pequena filha de 3 anos já adora os jogos do encanador. E inclusive joga junto comigo, pegando estrelinhas pelas fases.

Feliz aniversário, Super Mario. E muito obrigado.

Sobre o autor

Jô Auricchio, editor convidado

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