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Review: Disco SSD Western Digital WD Back PCIe NVMe de 512 GB

Compatível com o padrão SSD NVMe, o WD Black PCIe 512GB SSD rompe com o padrão SATA em favor de muito mais desempenho.

Anunciado no início deste ano durante a CES 2017, o WD Back PCIe foi o primeiro disco SSD com tecnologia Sandisk a receber o nome “WD” após a Western Digital ter adquirido a mesma em 2016.

Segundo a empresa, ele é compatível com o padrão PCIe Gen3 x4 NVMe que oferece uma velocidade de leitura e gravação sequencial de até 2.050 MB/s e 800 MB/s, respectivamente (na versão de 512 GB) o que muitas vezes mais do que o prometido pelos seus modelos Blue e Green (abaixo):

Modelo WD BLACK PCIE SSD
256 GB*
WD BLUE PC SSD
250 GB*
WD GREEN PC SSD
240 GB*
Interface PCIe Gen3 x4 NVMe SATA 6Gb/s SATA 6Gb/s
Velocidade de leitura (sequencial) até 2.050 MB/s até 540 MB/s até 545 MB/s
Velocidade de gravaçào (sequencial) até 700 MB/s até 500 MB/s N/D
MTTF (em horas) até 1,75 M até 1,75 M até 1,0 M
Garantia do fabricante 5 anos 3 anos 3 anos

*Note que para efeito de comparação, citamos acima os modelos de mesma capacidade (240~256 GB).

Para quem nunca foi apresentado, o padrão NVMe (também conhecido como Non-Volatile Memory Express ou NVM Express) é uma nova especificação de protocolo de comunicação e interface criado especialmente para uso em SSDs desenvolvido por um consórcio de empresas, entre elas a Intel, Dell Samsung, SanDisk e Seagate.

Tecnicamente falando, o NVMe foi criado para tirar o máximo proveito das características das memórias de estado sólido como o rápido acesso aleatório, ou seja, ele é capaz de realizar muito mais solicitações (queues) de dados ao mesmo tempo e — como o tempo de espera (ou latência) é bem menor do que um HD convencional. Resumindo, o NVMe se comporta mais como uma memória RAM do que como um disco convencional.

Isso de um certo modo representa uma mudança de paradigma já que — antes disso — os SSDs adotavam a boa e velha interface SATA 600, o que fazia com que eles se comportassem exatamente como um disco rígido convencional. O problema neste caso é que como sua velocidade máxima chega no máximo a 600 MB/s (duh!) o que representa um “gargalo” para os SSDs que não conseguem performar acima disso.

Dai nasceu a decisão de alguns membros da indústria de romper com o passado e partir para uma interface mais nova e eficiente. Tanto que a empresa nem oferece o SSD WD Black no formato de disco de 2,5″ a exemplo do que acontece com as linhas Blue e Green:

E como diferenciar um SSD m.2 SATA de um m.2 NVMe? —  Segundo a norma m.2, a maneira mais simples e direta é pelo seu conector, sendo que no caso do SSD SATA (neste caso o WD Blue) ele possui duas ranhuras (M Key e B Key) sendo que o M Key (pinos 59~66 ausentes) identifica o mesmo como um dispositivo com barramento PCIe e o B Key (pinos 12~19 ausentes) que se trata de um disco SATA.

Já no caso do WD Black existe apenas o “M Key” o que identifica o mesmo apenas como um dispositivo PCIe. Daí, a moral dessa estória é que o WD Black só pode ser instalado em slots m.2 equipados apenas com o “M Key” que, por sinal, também aceita discos SATA como o WD Blue com “M + B Keys”

O curioso é que alguns acessórios a primeira vista compatíveis — como nos adaptadores de disco SSD m.2 para USB 3.0 —  possuem apenas o encaixe para “B Key” de modo que, neste caso, o WD Black não pode ser usado. O que é uma pena, já que essa engenhoca é muito usada para fazer upgrades de disco de sistema.


Observação (muito) importante:

Para aqueles que pensam em adquirir esse disco para substituir o seu atual disco de sistema (com boot) vale a pena alertar que o suporte ao NVMe não era comum (se é que existia) em sistemas com mais de 5 anos de idade.

Isso porque além da presença de um slot PCIe m.2 com “M key” a BIOS do sistema também precisa ser capaz de suportar esse novo disco.

Também vale a pena observar que, ao contrário Windows 8.1 e 10 o Windows 7 e o Windows Server 2008 R2 não oferecem suporte nativo para NVMe o que faz com que nenhum disco seja localizado durante o processo de instalação do SO.

Uma possível solução está disponível na página de suporte da Microsoft.

O bizarro é que mesmo sem o suporte da BIOS, ainda até possível instalar e usar o WD Black em qualquer slot PCIe x4 padrão m.2 (ou quaquer PC com slot PCIe x4 via placa adaptadora) e usá-lo como um disco secundário para armazenar dados. Só que neste caso ele não poderá ser usado como disco de boot/sistema.

Para informações mais detalhadas, consulte a página de suporte da WD aqui. Já o guia de instalação para desktops pode ser baixado aqui.

Mas voltando ao que interessa, recebemos para testes a versão de 512 GB (modelo WDS512G1X0C) que, ao contrário de outros modelos que já vimos no passado tem uma apresentação simples, casual e sem muita frescura, ou seja, o produto vem numa simples caixa de papelão…

… dentro de um blister que protege a plaquinha SSD:

Tecnincamente falando, essa plaquinha segue o padrão de formato m.2 2280 que não deixa de ser um longo cartão PCIe mini (8,0 x 2,2 x 0,35 cm — LxAxP)…

… equipado com uma controladora de memória 88SS1093 da Marvell (codinome “Eldora”)…

…e chips de memória 3D NAND da SandDisk de 15nm com TLC (3bit-per-cell) que, como o próprio nome sugere,  é uma curiosa tecnologia cuja célula de memória pode assumir até oito códigos binários de “três bits” (000, 001, 010, 011, 100, 101, 110 e 111), contra quatro (00, 01, 10 e 11) do MLC e dois (0 e 1) do SLC.

Atualmente a WD só oferece esse produto nas versões de 256 GB (WDS512G1X0C) e 512 GB (WDS512G1X0C) talvez até por uma limitação física, já que para aumentar essa capacidade para digamos — 1 TB — seria necessário utilizar a parte de baixo da placa, o que poderia reduzir o seu nível de compatibilidade com os laptops do mercado.

Interessante notar que, segundo a WD, existem pequenas variações nas especificações técnicas entre as versões de 256 GB e 512 GB, em especial na velocidade de gravação (a versão de 512 GB é ~14,3% mais veloz):

Modelo WD BLACK PCIE SSD
256 GB
WD Black PCIE SSD
512 GB
Part Number WDS512G1X0C WDS512G1X0C
Interface PCIe Gen3 x4 NVMe PCIe Gen3 x4 NVMe
Velocidade de leitura (sequencial) até 2.050 MB/s até 2.050 MB/s
Velocidade de gravaçào (sequencial) até 700 MB/s até 800 MB/s
MTTF (em horas) até 1,75 M até 1,75 M
Resistência em TBW (TB Gravados) 80 160
Garantia do fabricante 5 anos 5 anos

 

Já o TBW (ou Terabytes Gravados) é uma medida que mede uma carga de trabalho normalizada pelo JEDEC (JESD219A) que define quantos terabytes de informação eu posso gravar em um SSD antes que ele caduque.

Ele é, de um certo modo, uma unidade de resistência/durabilidade bastante simples de ser compreendida — porém — meio marota, já que o bom senso nos diz que discos de maior capacidade tendem a ter um maior TBW devido a sua “maior capacidade” (duh!) principalmente se comparado a um disco de menor capacidade. Isso faz com que essa escala funcione bem entre discos de mesma capacidade, mas nem tanto entre discos de diferentes capacidades.

Dai, o que podemos concluir na tabela acima, é que como a versão de 512 GB tem o dobro da memória da versão de 256 GB (duh!) o seu TBW também dobra, ou seja, 80 + 80 = 160 (duuh!)

Também vale a pena ressaltar que a empresa oferece 5 anos de garantia em ambas as versões, contra três das versões de Blue e Green.

Apesar dessa apresentação bem espartana, a empresa oferece alguns aplicativos e utilitários bem interessantes na sua página de suporte do produto, como o Acronis True Image WD Edition que oferece algumas ferramentas essenciais que ajudam o usuário a adicionar um novo disco no computador ou migrar o conteúdo do atual disco de sistema (SO + programas) para o novo SSD da maneira mais simples, direta e menos traumática possível:

Outra ferramenta bem interessante é o WD SSD Dashboard, um painel de controle que permite monitorar o desempenho geral do disco e realizar outras tarefas de manutenção — como atualizar o seu firmware dentro do Windows —  sendo necessário apenas dar um reboot no sistema logo após a operação realizada.

Sob Testes:

Para termos uma idéia de grandeza e de comparação, nós colocamos lado a lado os resultados de desempenho do WD Black PCIe de 512 GB com outro SSD da casa o SSD WD Blue SATA de 1 TB e o HDD Seagate Barracuda de 2TB.

Os resultados obtidos com o HD Tune Pro 4.01 (opção Benchmark) foram os seguintes:

HD Tune Pro SSD WD Black PCIe 512 GB SSD WD Blue SATA 1TB HDD Seagate Barracuda 2TB
Read Transfer Rate Gráfico  Gráfico Gráfico
Transfer Rate Minimum 103,7 MB/s 208,6 MB/s 98,9 MB/s
Transfer Rate Maximum 383,4 MB/s 246,8 MB/s 209,7 MB/s
Transfer Rate Average 208,2 MB/s 236,5 MB/s 169,6 MB/s
Access Time 0,0 ms 0,1 ms 14,8 ms
Burst Rate 235,9 MB/s 59,4 MB/s 160,1 MB/s
CPU Usage 2,5% 9,7% 1,4 %
Write Transfer Rate Gráfico Gráfico Gráfico
Transfer Rate Minimum 118,6 MB/s 183,8 MB/s 95,9 MB/s
Transfer Rate Maximum 421,0 MB/s 201,1 MB/s 209,1 MB/s
Transfer Rate Average 354,6 MB/s 188,3 MB/s 164,8 MB/s
Access Time 0,3 ms 0,1 ms 14,9 ms
Burst Rate 213,7 MB/s 149,7 MB/s 160,9 MB/s
CPU Usage 3,4 % 2,8 % 1,6 %

 

E aqui os resultados nos testes de Random Access em IOPS / Tempo de acesso médio / Velocidade Média:

HD Tune Pro – Random Access
IOPS
Tempo de acesso médio
Velocidade média
SSD WD Black PCIe 512 GB SSD WD Blue SATA 1TB HDD Seagate Barracuda 2TB
Read Test  Gráfico  Gráfico Gráfico
512 Bytes 2.513 IOPS
0,40 ms
1.227 MB/s
1.794 IOPS
0,06 ms
8.747 MB/s
66 IOPS
15 ms
0,032 MB/s
4 KB 8.245 IOPS
0,12 ms
32,208 MB/s
12.971 IOPS
0,08 ms
50,670 MB/s
66 IOPS
14 ms
0,261 MB/s
64 KB 4.394 IOPS
0,23 ms
274,666 MB/s
3.250 IOPS
0,31 ms
203,169 MB/s
63 IOPS
15 ms
3,971 MB/s
1 MB 997 IOPS
1,0 ms
997,309 MB/s
243 IOPS
4,1 ms
243,074 MB/s
46 IOPS
21 ms
46,682 MB/s
Random 1.574 IOPS
0,63 ms
799,144 MB/s
462 IOPS
2,2 ms
243,801 MB/s
54 IOPS
18 ms
27.693 MB/s
Write Test  Gráfico  Gráfico Gráfico
512 Bytes 29.998 IOPS
0,03 ms
14.648MB/s
15.552 IOPS
0,06 ms
7,594 MB/s
35 IOPS
27 ms
0,017 MB/s
4 KB 25.882 IOPS
0,04 ms
101,104 MB/s
12.194 IOPS
0,08 ms
47,663 MB/s
21 IOPS
47 ms
0,082 MB/s
64 KB 13.337 IOPS
0,07 ms
833,622 MB/s
3.201 IOPS
0,31 ms
200,105 MB/s
35 IOPS
28 ms
2,280 MB/s
1 MB 687 IOPS
1,5 ms
687,0,36 MB/s
249 IOPS
4,0 ms
249,321 MB/s
40 IOPS
24 ms
40,615 MB/s
Random 1.638 IOPS
0,61 ms
831,461 MB/s
474 IOPS
2,1 ms
240,538 MB/s
52 IOPS
19 ms
26,648 MB/s

Como era de se esperar, no geral o WD Black performou melhor que o WD Blue, comportamento por sinal que se repetiu no CrystalDiskMark 3.0.3:

SSD WD Black PCIe 512 GB

 

SSD WD Blue SATA 1TB

 

HDD Seagate Barracuda 2TB

Para complementar esses testes rodamos pela primeira vez o AS SSD Benchmark

… e o AJA System Test da AJA Video Systems:

Nossas conclusões:

Voltado para aquele usuário que deseja retirar o máximo de desempenho de seu computador, o WD Black PCIe realmente entrega o que promete mas, para isso, ele rompe com o passado adotando uma nova interface bem mais veloz, moderna e que tira melhor proveito das características das atuais memórias de estado sólido.

Mas isso tanto tem o seu lado bom, quanto ruim já que — até hoje — um dos grandes atrativos dos discos SSD era dele ser a melhor alternativa para aquele usuário que gostaria de dar uma sobrevida naquele computador meio velhinho cujo desempenho realmente melhora com a troca do seu disco convencional (HDD) por um SSD, principalmente no que se refere a sua capacidade de responder mais agilmente aos comandos do usuário (algo que os expertos chamam hoje de reponsiveness).

Sob esse ponto de vista, concluímos que esse disco SSD NVMe é um produto que aponta mais para o presente e o futuro do que para o passado. Dai nossa opinião de que ele pode ser a melhor opção para aqueles que desejam montar um PC novo do que para os que desejam simplesmente dar uma melhorada no desempenho do antigo.

Não que isso seja impossível já que, mesmo que a BIOS do sistema não seja lá muito amigável com os discos NVMe, ainda é possível utilizar o WD Black com um disco secundário. Mas como disco de sistema, alguns sites até afirmam que é até tecnicamente possível modificar algumas BIOS mais antigas para que elas reconheçam discos NVMe, mas isso demanda um certo tempo, paciência e algum conhecimento técnico.

Só que neste caso acreditamos que o caminho mais seguro e sensato é consultar o fabricante do seu sistema para certificar se o mesmo é compatível ou não com essa nova tecnologia antes de optar pela compra do WD Black PCIe sendo que, na pior das hipóteses, o usuário pode optar por adquirir um SSD com porta SATA — como o WD Blue ou Green — que ainda é uma opção de upgrade bem melhor do que um HDD convencional e até híbrido, cujo desempenho na prática nunca nos convenceu.

E até por ser um produto tão diferenciado e topo de linha, o pessoal da Western Digital já nos informou que o WD Black PCIe  não será trazido para cá em grandes quantidades, pelo menos pelos seus canais autorizados. Daí eles nem divulgam o seu preço sugerido para o Brasil.

Mas para termos pelo menos uma referência de valor, procuramos na web e encontramos alguns à venda no marketplace de alguns sites de varejo, pelo preço de R$ 653 pela versão de 256 GB e de R$ 1.128 pela versão de 512 GB.

 

Resumo: Western Digital Black PCIe SSD de 512 GB (WDS512G1X0C)

O que é isso? Disco SSD PCIe com interface NVMe de 512 GB.
O que é legal? Tecnologia moderna, ótimo desempenho.
O que é imoral? *Por utilizar a nova interface NVMe, ele pode não ser a melhor opção para upgrades de discos SATA, principalmente em sistemas mais antigos (daí nossa recomendação com reservas).
O que mais? Também disponível na versão de 256 GB (WDS512G1X0C) no formato m.2. Não disponível na forma de disco de 2,5″.
Avaliação: 8,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: Não divulgado
Onde encontrar: https://www.wdc.com/pt-br

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Ednilson Cezano 19/12/2017, 21:01

    Eu comprei esse SSD, mas tive a surpresa de que é praticamente impossível usar o Acronis True Image WD. Não importa se ele está instalado e reconhecido pelo sistema operacional, se a unidade de origem e destino não forem da Western Digital o Acronis True Image WD não instala. O suporte técnico da WD me recomendou adquirir outro software. Nesse quesito foi uma decepção só.
    Como eu já estou com esse SSD agora tenho que me virar.
    Alguém conhece alguma solução para clonar um HDD GPT UEFI?

    • Paulo Gêneses 19/12/2017, 23:32

      Clonezilla não rola? Normalmente conseguimos clonar qualquer HDD/SSD, seja MBR ou UEFI.
      Uma outra opção mais trabalhosa seria via Windows PE utilizando o DISKPART + DISM /Capture-Image e /Apply-Image (mas você precisaria reconstruir as informações de boot com o BCDEdit)

      • Ednilson Cezano 20/12/2017, 15:49

        Não rola porque o Clonezilla não detecta do SSD, talvez por causa do novo padrão NVMe.
        Pelo jeito terei que me aventurar via Windows PE mesmo.
        Mas uma vez, lamentável o Acronis True Image não funcionar.