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Pocket Review: Sony Xperia Z Ultra

O Sony Xperia Z Ultra não é o seu típico smartphone: é um excelente aparelho, mas que sofre de uma crise de identidade.

Tem dimensões grandes, mas não é um foblet, tem configurações avançadas, mas não serve como supermáquina de produtividade. Não pense que é um equivalente da Sony ao Samsung Galaxy Note: não é mesmo.

É um tablet de tamanho reduzido – e isso, no fim das contas e apesar de tudo, é uma vantagem – e para entretenimento.

O Z Ultra é um pequeno monstrinho do hardware . Tem uma incrível (bela, nítida, brilhante) tela de 6,4 polegadas Full HD, proteção IP58 que o torna à prova d’água e poeira e é um dos primeiros aparelhos no mercado brasileiro a vir com o novo processador Qualcomm Snapdragon 800, um chip quad-core de 2,2 GHz (e você achando seu PC rápido).

Mas, como eu disse no começo, é um tablet.

Apesar de muito fino (6,5 mm) e leve (212 gramas), não cabe direito no bolso da calça (17,94 cm de altura x 9,2 cm de largura). Para mim, passa dos limites do aceitável para uso diário e levar para cima e para baixo. Em São Paulo, eu não saí de casa com ele – pelo simples fator segurança.

Seu design lembra o usado pela Sony Mobile no vindouro Sony Xperia Z1, que será anunciado esta semana ainda no Brasil. Carcaça lacrada, sem opção de trocar a bateria…

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… e um acabamento em vidro também na parte traseira (mesmo assim, suscetível a riscos, como dá para ver).

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No lado esquerdo, temos a porta USB fechada com uma tampa emborrachada por dentro e um conector para dock (opcional).

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Por conta da proteção contra água, a porta USB é selada internamente (precisa encaixar direito para não correr riscos de, em uma eventual queda n’água).

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O mesmo vale para o slot duplo do lado direito do aparelho, com a entrada para o microSIM card (que fica em uma frágil gavetinha bem difícil de remover) e o cartão microSD). Ali do lado está a saída para fones de ouvido padrão 3,5 mm que, curiosamente, não tem nenhuma tampinha:

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Ainda do lado direito, o botão de liga/desliga e o controle de volume. Diferente de outros modelos da linha Xperia, o Z Ultra não tem botão disparador da câmera.

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Para entender o tamanho exagerado do Sony Xperia Ultra: uma caneta, o Xperia Ultra (6,4″) e um iPad mini (9,7″).

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Ao colocar a proteção IP58 do Xperia Ultra à prova da tortura na torneira da pia, ele funciona perfeitamente. A única coisa curiosa a observar é que a tela “entende” que o toque da água é… um toque, e fica alternando entre telas e até consegue abrir aplicativos (!).

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O Sony Xperia Z Ultra roda Android 4.2. Quando eu digo que ele não é um foblet, é pela simples falta de apps de produtividade: se você quiser, baixe (ou compre os seus). Aqui, eles não existem (como o pacote que a Samsung coloca nos Galaxy Note com programas para anotação, desenho, edição de fotos…) A Sony diz que o Xperia Ultra é um produto para entretenimento.

Um outro exemplo desse desinteresse da Sony pelo mundo da produtividade se dá na interface do produto: o teclado padrão poderia ter uma fileira numérica dedicada – afinal, são quase 18 cm de tela! -, mas não tem.

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Logo, consumidor consciente: se você procura um smartphone/foblet de tela grande, o Ultra não é para você.  Por outro lado, é ótimo para jogar (processador Snapdragon 800 + GPU Adreno 330 é uma dupla hoje imbatível em desempenho), para ver vídeos e navegar na internet.

Nos benchmarks padrão, os resultados do Xperia Z Ultra foram além do esperado e superaram o Samsung Galaxy S4 e o Motorola Moto X (nossos dois smartphones favoritos do momento). Não testei a bateria do Z Ultra porque ele não saiu de casa (questões de segurança na vida paulistana mesmo). De qualquer modo, em uma semana com uso moderado de Wi-Fi e 4G, ele pediu uma recarga apenas na bateria de 3050 mAh.

Benchmarks: Sony Xperia Z Ultra

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Como tablet na frente da TV, o Xperia Z Ultra foi uma companhia perfeita – não é grande demais, não é pequeno demais, é fácil de digitar no Twitter ou Facebook e ainda tem uma câmera pra tirar foto (embora já caia no estranho limite de bizarrice de fotografar com tablets ou coisas grandes demais).

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Apesar de eu dizer que o Xperia Ultra não tem nada a ver com o Galaxy Note, ele faz algo que o Note não faz: sua tela aceita o toque de lápis ou caneta direto, sem marcar e com uma resposta muito rápida.

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Outro bônus legal do Xperia Z Ultra é que ele tem um receptor de TV Digital integrado. É um baita aplicativo matador pra smartphones que vem sendo ignorado pela maioria dos fabricantes nos aparelhos high-end.

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Mas tem seu porém também: é um receptor 1-seg, e as imagens podem perder definição por conta da tela de maior resolução.

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Apesar do jeitão desajeitado, eu gostei bastante do Sony Xperia Z Ultra – como um tablet companheiro pra ver TV, jogar e acessar a internet. Como smartphone, faltam recursos de produtividade que a Sony poderia explorar melhor em uma próxima versão do produto – o sucesso do seu concorrente está aí para provar que existe espaço nesse nicho de mercado.

Resumo: Sony Xperia Z Ultra

O que é isso? Tablet com sistema operacional Android 4.2.
O que é legal? Ótimo desempenho, tela impecável, proteção contra água e poeira
O que é imoral? Tamanho desajeitado para uso como smartphone, faltam apps de produtividade.
O que mais?  Tem sintonizador de TV Digital 1-seg, 16 GB de armazenamento interno.
Avaliação: 7 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 2.599 (desbloqueado no varejo; operadoras podem ter planos e ofertas melhores)
Onde encontrar: Sony Mobile

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin