Sony revela sucessor do PSP

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Em um evento realizado em Tóquio, que acabou há pouco, a Sony revelou seu novo portátil, denominado NGP (Next Generation Portable) com especificações técnicas dignas de respeito. Mas será que não é tarde demais para reagir?

Kaz Hirai, que virou o homem-Playstation quando o criador do console (e real gênio da história toda) Ken Kutaragi saiu da Sony, apresentou o novo portátil.

As especificações impressionam. A Sony finalmente abandonou o design próprio de chips (que custa um absurdo em pesquisas) e escolheu uma CPU ARM Cortex A9 de 4 núcleos e uma GPU bem decente da Power VR, a SGX543.

A tela ganhou capacidade multitoques, e a parte traseira uma superfície sensível ao toque (mais ou menos como no Motorola Backflip, mas muito maior).

Finalmente teremos dois direcionais analógicos de verdade – não a piada de mau gosto que é o direcional analógico do PSP atual, famoso por quebrar se não for operado com o cuidado que se segura um vaso de porcelana chinesa do século 10.

O UMD – outro fracasso violento da Sony, uma espécie de mini-DVD, um formato proprietário derivado do MD que nunca pegou – foi substituído por um cartão de memória que parece com o SD, mas ainda não foi revelado se é mais um padrão proprietário. Conhecendo a Sony, provavelmente é.

A mudança para um sistema de armazenamento baseado em memória flash é muito bem-vinda, afinal hoje muita gente hackeia o PSP para carregar os jogos de cartões de memória, pois todo sistema de armazenamento que usa partes móveis detona a autonomia de bateria. Mídia proprietária? Até hoje, só a Nintendo se deu bem com isso, e ainda assim pode ter sido um tiro no pé ter adotado um padrão próprio no 3DS. Há meios de proteger software com sistemas lógicos. Usar uma mídia prórpria não garante nada. É só ver o quanto o DS e o PSP foram hackeados nos últimos anos.

A Sony vai adotar também a distribuição de conteúdo online, mas se levarmos em conta o fiasco que foi o PSP Go, uma tentativa frustrada de enfiar o mesmo hardware de 2004 do PSP sem drive de UMD e com conteúdo distribuído estritamente por meio digital, é bom ela melhorar bastante o sistema de distribuição digital e também o quanto cobra por isso.

Uma bola fora é a falta de suporte para AVI e MKV. Caramba, estamos em 2011. Usar apenas MP4 puro não é realista. Isso obriga o usuário a ficar reconvertendo tudo. Uma estação de entretenimento portátil, como a própria Sony define o sucessor do PlayStation Portátil precisa lidar com os formatos que são efetivamente difundidos entre os usuários. Tomara que eles revisem essa falta de compatibilidade até o lançamento, pois o portátil tem poder de sobra para rodar esse tipo de vídeo.

A tela também é um espetáculo. OLED com 5 polegadas e resolução de 960×544 pixels, quatro vezes a resolução do PSP original. O novo portátil tem ainda duas câmeras, uma na frente e outra na parte de trás, e um sensor de inclinação de seis eixos, parecido com o que equipa o PS Move, o Wiimote do PlayStation 3. Um ponto interessante é que a Sony está fazendo o mesmo que fez com suas câmeras digitais. Sai o caro Memory Stick Duo, entra o ultra compatível e útil SD. O Memory Stick Duo foi outra bola fora no projeto do PSP original. É a Sony de sempre, enfiando goela abaixo formatos proprietários…

A Sony parece que perdeu a mão depois do PlayStation 2, reconhecidamente um console revolucionário. No PS3, ela forçou com o preço muito alto e tentou enfiar goela abaixo dos consumidores o Blu-Ray, pelo menos 4 anos antes dos estúdios estarem preparados para prover o mercado com conteúdo. Vamos ver se ela aprendeu a lição com a surra que levou da Nintendo com o DS, que com hardware bem inferior eclipsou o bom PSP, que sofreu com decisões ruins de projeto, ligadas diretamente a estratégias mercadológicas equivocadas.

A Sony tem o hardware e tem o conhecimento (bem, pelo menos da era do primeiro Playstation, que foi brilhante, e do PS2, que foi um marco no entretenimento eletrônico) para fazer direito. Só precisa agora voltar aos trilhos dos tempos de Akio Morita e de Ken Kutaragi, quando ele podia fazer as coisas do seu jeito, sem interferência nociva dos altos escalões. Agora vai ou racha.

Ou teremos um novo portátil viável (pelas demos, a coisa é boa, quase do nível do PS3) ou realmente a única alternativa será jogar no iPod Touch. O sucessor do PSP chega ao mercado japonês no natal. Ainda não foi definida a data de lançamento no ocidente. Ninguém falou em preço, mas se levarmos em conta a tela OLED, não vai ser barato. Vale lembrar que o 3DS da Nintendo será lançado em março, e terá uma enorme vantagem até o natal. Será que a Sony consegue encarar esse tipo de concorrência ou vai ficar mais uma vez para trás na corrida pela liderança do mercado?

Nagano comenta: Com o passar do tempo, são revelados novos recursos do NPG como modem 3G e GPS embutido e duas câmeras (frontal e traseira). Isso faz com que o esse produto extrapole sua função de ser apenas um console de jogos para se tornar algo mais interativo a exemplo do que acontece hoje com o DS com suas ferramentas de troca de mensagens, edição de fotos, alteração de voz, etc. Ah sim, e o cartão de jogos vai ser mesmo proprietário.

Não duvido que, com o passar do tempo a Sony adicione recursos adicionais ao NGP tornando-o cada vez mais parecido com um smartphone — algo como um N-Gage feito da maneira correta.

Fora isso, a Sony anunciou que irá criar um serviço chamado PlayStation Suite que irá oferecer títulos do PS para a plataforma smartphones e tablets com Android. O serviço deve entrar no ar ainda neste ano.

Sobre o autor

Jô Auricchio, editor convidado

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