ZTOP+ZUMO (tech, opinião, inteligência)

Hands-on: Disco NAS Seagate Central de 4 TB

Solução de NAS para uso doméstico/pequenos negócios permite concentrar toda a sua “vida digital” em um único local e compartilhá-la nos mais diversos dispositivos tanto dentro quanto longe de casa.

Em um mundo cada vez mais conectado e móvel, um novo mantra que está virando moda entre os fabricantes de soluções de armazenamento é “acessibilidade” — as informações pessoais não precisam estar apenas armazenadas de maneira segura em um local centralizado, mas também estar disponíveis a qualquer hora e em qualquer lugar por meio de diferentes dispositivos, seja ele um smartphone, PC,  tablet, notebook ou mesmo console de jogo.

De fato a idéia de um pequeno servidor de arquivos de baixo consumo ligado na rede — como um sistema de NAS —  já existe a tempos, mas o que vemos hoje é o esforço dos fabricantes de torná-los cada vez mais amigáveis e fáceis de serem configurados e operados, mesmo por aqueles não muito familiarizados com as tecnologias de rede. Este por sinal é a proposta do Seagate Central:

Disponível nas versões de 2 TB (preço sugerido: R$ 799), 3 TB (R$ 899) e 4 TB (R$ 999), o Seagate Central é uma solução completa de backup, armazenamento e compartilhamento de conteúdo digital especificamente voltado para o uso doméstico e até mesmo pequenos escritórios — desde que suas necessidades se limitem ao essencial.

Seagate_Central_caixa

O produto em si formado pela unidade de armazenamento propriamente dita, um cabo de rede, uma fonte de 12 volts x 2,0 amperes e alguma documentação impressa (não mostrada nessa foto):

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A unidade de armazenamento em si não é maior que uma caixa de doces, medindo 21,6 x 4,2 x 14,5 cm (LxAxP) e 1 kg de peso. Note que seu formato trapezoidal impede que seja montado na vertical como se fosse um livro (mais sobre isso embaixo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Clique para ampliar

Aqui colocamos um disco padrão de 3,5″ sobre a unidade para ter uma ideia do seu interior –  esse gabinete deve abrigar um disco ligado a um pequeno servidor (baseado em linux?) que roda numa placa-mãe equipada com um processsador Econa CNS3420-700BG,  um SoC equipado com dois núcleos Arm de 700 MHz fabricado pela Cavium e 256 MB de RAM.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Um coisa que realmente me chamou a atenção desse produto é o seu jeitão de “caixa preta” no sentido mais misterioso do termo já que, ao contrário de outras soluções que já vimos no mercado, o Seagate Central praticamente não possui nada que indique que ele está ligado ou não, de fato ele nem possui um botão de liga/desliga. Para desligá-lo é preciso enviar um comando remoto via rede e para religá-lo é preciso arrancar e recolocar fonte da tomada!

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Fora a marca Seagate, o painel frontal é praticamente limpo com um acabamento que lembra metal escovado. A lateral e a parte de cima do gabinete são cobertas com uma espécie de grade de metal montada sobre uma armação de policarbonato cheia de aberturas o que deve servir para dispersar naturalmente o calor gerado internamente, o que faz com que o gabinete trabalhe meio “morno” mas que, ao mesmo tempo, dispensa o uso de uma ventoinha e torna o seu uso bem mais silencioso.

Observe que debaixo dessa grade no canto superior direito do gabinete, fica escondido um pequeno LED (cujo brilho é bastante discreto por sinal) que é o único indicador visual do estado de funcionamento do disco.

Seagate_Central_LED_estado_1a

A parte de trás é igualmente limpa, mas que concentra no canto esquerdo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Clique para ampliar

… a entrada de energia, uma porta de rede Gigabit Ethernet e uma porta USB 2.0, usada para conectar outros dispositivos como uma segunda unidade de armazenamento. Note que apesar desse produto não vir com interface Wi-Fi, é possível acessar o seu conteúdo via rede sem fio, desde que ele seja conectado num roteador/ponto de acesso que disponha dessa tecnologia.

Seagate_Central_gabinete_portas1_1

Observamos porém que como essa portas ficam no fundo de uma pequena abertura, de modo que não existe muito espaço para plugar alguns dispositivos USB como memory keys. E se for o esse caso, é necessário o uso de um cabo de extensão. Seagate_Central_gabinete_portas2_1

Como era de se esperar, a base do gabinete é igualmente cheio de aberturas para facilitar a circulação de ar que entra “frio” por baixo e sai aquecido por cima…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Clique para ampliar

… e onde também fica a etiqueta de identificação do produto e algumas informações básicas de como configurar o produto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

… nessa base também se encontra o pequeno botão de Reset que pode ser acionado usando-se um objeto pontudo como a ponta de um clipe ou de um lápis/caneta. Segundo a empresa, esse recurso pode ser usado caso o usuário esqueça a senha do disco e queira voltar para o original de fábrica — username: admin / senha: em branco — mais informações aqui.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Como dissemos anteriormente, acreditamos que uma das preocupações da Seagate com esse produto é que ele fosse o mais simples e fácil  de instalar e usar. De fato o processo de instalação se resume a dois passos:

  1. Com o cabo de rede incluso, conecte o disco à uma porta livre do seu switch de rede/roteador doméstico (de preferência com Wi-Fi).
  2. Ligue o disco na tomada.

Seagate_Central_instalar

 

Feito isso, espere o LED indicador de estado parar de piscar e brilhar na cor verde. Se chegar nesse último estado, ele está pronto para uso.

Um aviso importante:

Quando em uso nossa recomendação é que o usuário não mexa, mova ou levante o Seagate Central. Isso porque ao funcionar, o disco rígido se comporta mais ou menos como um giroscópio ou seja, ele vai se opor a qualquer tentativa de mudar a direção do seu eixo original de giro, o que pode levar a reações bruscas ou até mesmo a danos caso o usuário levante um dos lados do gabinete e derrube-o com o susto da contra-reação desse movimento.

Assim, o ideal e mais prudente/seguro é que o usuário desligue o mesmo antes de movê-lo de um local para outro e sempre prefira deixá-lo num local estável e plano com alguma circulação de ar que facilite a sua dispersão de calor.

Feito isso, a primeira coisa a fazer é visitar o site de suporte do Produto que possui um guia de início rápido para começar a usar o disco, o que inclui o download e uso de aplicativos e a configuração de seus diversos recursos.

Seagate_Central_Start_Here

Talvez a primeira e principal delas é o Seagate Dashboard, um utilitário que ajuda a localizar o disco na sua rede local…

Seagate_Central_DashBoard

… e o ofereça como um disco de rede no Windows/Mac…

Seagate_Central_network3

… além de trazer algumas ferramentas de manutenção/backup do seu sistema e até dos seus dispositivos móveis:

Seagate_Central_DashBoard2

Essa ferramenta também oferece a possibilidade de compartilhar o seu conteúdo (fotos e vídeos) diretamente em sites como Facebook, Flick e YouTube:

Seagate_Central_DashBoard5

Fora isso, o Seagate Central também conta com uma interface HTML que permite gerenciar o disco, os usuários que terão acesso à unidade…

Seagate_Central_Home

… configurar o seus diversos serviços como acesso remoto via internet, compartilhar conteúdo de mídia via DLNA ou pelo serviço iTunes da Apple.

Seagate_Central_remote_access

Fora isso, esse sistema oferece uma série de ferramentas de manutenção e gerenciamento do disco o que inclui a função de desligá-lo (Stop), voltar as configurações originais de fábrica com a opção de apagar (Clear All) ou não (Restore) todas as informações gravadas no disco.

Seagate_Central_settings_ADV_lan

Para mim, um dos recursos mais interessantes desse disco é o seu sistema de acesso remoto que, como o próprio nome sugere, permite que o usuário tenha acesso aos dados contidos no seu Seagate Central mesmo fora de casa via internet, algo que alguns expertos estão chamando de “Personal Cloud“.

Para isso o usuário precisa de cadastrar no site da Seagate e associar o seu e-mail com o seu disco, de modo que a empresa faz o meio de campo…

Seagate_Central_web_access

…  de conectar o usuário ao seu conteúdo, o que facilita a vida do usuário, principalmente daqueles que assinam serviços “domésticos” de acesso a Internet.

Seagate_Central_web_access3

Seagate_Central_web_access2

Seagate_Central_web_access4

O interessante é que a partir desse serviço é possível configurar um tablet ou smartphone baseado em iOS ou Android para também acessar os dados do Seagate Central. Para isso, basta selecionar um dos sistemas operacionais disponíveis (neste caso o SO do Google) …

Seagate_Central_web_download_app

… que o mesmo já leva para a página do App:

Seagate_Central_App

Feito o download e instalação dessa App ao executá-lo pela primeira vez, o sistema pede para o usuário selecionar o dispositivo associado a sua conta e o mesmo está pronto para uso.

Seagate_Central_app1

Clique para ampliar

E assim como outros serviços semelhantes como o Pogoplug é possível navegar pelas pastas do usuário…

Seagate_Central_app2

Clique para ampliar

… e até reproduzir alguns tipos de arquivos por meio de um player próprio, desde que compatíveis com o sistema. Observe porém que o desempenho de algumas aplicações — em especial a reprodução de vídeos — vai depender da qualidade da conexão de rede, ou seja, pode ser que a reprodução apresente problemas em pontos de acesso públicos ou em redes 3G muito congestionadas.

Seagate_Central_app3

Observe que também é possível copiar um conteúdo do disco para o dispositivo móvel e vice-versa.

Seagate_Central_app4

No geral, ficamos impressionados com esse dispositivo, principalmente no que se refere a sua facilidade de instalação e uso. Porém os geeks mais conservadores podem ficar igualmente impressionados pelo seu “excesso de simplicidade”, ao ponto dele não ter coisas banais como um botão de liga/desliga ou mesmo um LED de estado que possa ser facilmente monitorado a distância. Na nossa opinião, a posição do botão de reset também está num local bem incômodo, já que para ter acesso ao mesmo e acioná-lo é preciso retirar o disco da sua posição ideal fazendo com que o mesmo fique sujeito ao “efeito giroscópio”.

A impressão que temos é que esse jeitão de “caixa preta” é meio que proposital e a idéia é que o Seagate Central funcione mais ou menos como um estabilizador de rede elétrica que a gente liga da tomada, chuta com o pé para debaixo da mesa e esquece que ele existe.

Não recomendamos que esse dispositivo deva receber esse tratamento, mas ele pode ser um sinal dos tempos onde esse tipo de produto procura ser cada vez mais transparente e discreto possível, se parecendo cada vez menos com um instrumento de laboratório e cada vez mais com um eletrônico de consumo o que, de um certo modo, combina melhor com a decoração da sala.

Fora isso, apesar dos seus recursos atenderem bem o usuário doméstico, sentimos a falta de alguns serviços mais elaborados como sincronização de arquivos e/ou pastas entre discos de mesma marca (digamos, um na matriz e outro numa filial), cliente de BitTorrent e a possibilidade de gerar e enviar um link criptografado para um usuário remoto baixar um ou mais arquivos como faz, por exemplo, o DropBox.

Finalmente, acreditamos que o Seagate Central atende bem ao seu público-alvo e — cá entre nós — nada impede que isso possa ser implementado numa futura atualização de software, né?

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Leonardo Carneiro

    Sabe onde comprar Nagano? O site da Seagate BR dá um erro ao procurar os revendedores no Brasil.

  • Mario Nagano

    Os dois. Ele pode funcionar tanto como um disco compartilhado na rede (com acesso público ou particular) que vc pode copiar o que quiser ou para fazer backups do seu sistema.

  • PP CarvalhoF

    Olá Nagano!

    Não sei se ainda está com esse NAS, mas, uma coisa que senti falta no seu “nas mãos” para ficar perfeito (para mim) foi um teste básico de taxas de transferência pela LAN (coisa de geek/nerd). Queria saber se as taxas de transferências desse NAS ficam próximas de um HD 3.5″ “mediano” (tanto pelo SMB quanto pelo NFS, sê disponível) que é na faixa de 100MB/s…

    Procurei o manuel desse NAS no site da Seagate e não encontrei (e a folha de especificações não fala muita coisa, menos ainda dos protocolos suportados). Bola fora da Seagate (inclusive o site em inglês)!

    Abraços.

    Carvalho.

    • Mario Nagano

      Oi Carvalho,

      Como as taxas de transferência desse tipo de produto dependem muitos fatores como a infraestrutura, marca e características do hub/switch/roteador/servidor NAS, tipo de conexão (local ou pela Web via rede cabeada, Wi-Fi ou a combinação de ambos) e número de usuários acessando o disco ao mesmo tempo, é meio complicado montar e fazer um teste de desempenho que seja 100% coerente com o mundo real e — o mais importante — garantir e defender esses resultados com unhas e dentes, caso alguém não concorde com eles — em especial algum fabricante mais exaltado.

      Assim, nem esquento a cabeça com isso — a não ser que o fabricante afirme que isso seja o principal atrativo do produto — o que, como você mesmo descobriu, nem é citado pela própria Seagate. Até onde me lembre, a impressão que tive quando usei esse disco é que o tempo necessário para transferir um arquivo era o mesmo de copiar de um PC para outro via rede.

      Mas isso foi no meu caso (apenas uma pessoa logada na rede Gigabit da Zumo-caverna). Porém, como o número de pessoas conectadas ao mesmo tempo em um ambiente doméstico/pequeno escritório não costuma exceder 4~5 pessoas, não acredito que ocorra alguma queda de desempenho ao ponto de desqualificar o produto.

      Com relação a foto do gato. Preciso ver onde anda o original. Se achar aviso.

      [ ]s

      Mário

      • PP CarvalhoF

        Opa! Beleza Nagano!

        Eu achei que seria relevante a questão da taxa de transferência para fazer um comparativo com outras soluções NAS (como os caríssimos NAS da QNAP e da Synology) ou com soluções mais, digamos, acessíveis. Mesmo sendo pouco relevante em termos gerais, uma taxa de transferência mais próxima do limite permitido pelo padrão Gigabit (algo em torno de 90~100Mb/s) seria mais interessante que uma próxima do padrão 100Mbits (perto de 10Mb/s). E ainda seria razoável para entendermos onde pode estar o “gargalo” de um eventual baixo desempenho (além de saber que a topologia da rede é muito sensível). Levando em conta que tem muitos roteadores que “pedem água” para trabalhar com um grande volume de dados/conexões simultâneas, saber da taxa de transferência média do NAS seria interessante. Outro motivo para saber da taxa de transferência é o uso do NAS para backup. Um backup muuuuito demorado é um porre! Mesmo que seja feito durante a madrugada… rs

        A questão de suportar alguns “clientes” conectados simultaneamente é muito interessante. Haja visto que esse NAS destina-se também à função de prover conteúdo de consumo. Quanto a isso, pude perceber pela sua análise que o “bichinho” é competente! rs

        Eu mesmo, teria interesse em um NAS como esse para servir (principalmente) de drive externo onde eu salvaria meus arquivos pessoais (talvez até como destino de instalação de jogos da Steam/Origin…) e como ele tem DLNA ficaria localizado meu acervo de vídeos e músicas…

        Outra perguntinha (que não achei a resposta no site) é: quais os padrões aceitos para o acesso ao NAS? Aceita só o SMB ou também aceita o iSCSI e/ou NFS?

        No aguardo da foto do “gateeenho linguarudo”! rs Sou um gateiro de coração! rs

        Abraço.

        Carvalho.

        • Mario Nagano

          Por ser um produto “plug and play” mais voltado para usuário final não creio que tenha suporte nativo para iSCSI/NFS. Mas como qualquer sistema baseado em Linux tudo é possível (se souber onde mexer/procurar).

          • PP CarvalhoF

            Valeu Nagano! Tanto pela foto quanto pelas características do Seagate Central…

            Vamos às considerações:
            °▼ O manual e site do produto é pouco informativo como o próprio Eric W. cita.
            °▼ Mesmo o produto se destinando à facilidade de uso (do tipo que se configura uma vez e esquece-se de que ele existe fisicamente), poderia oferecer mais algumas “praticidades” mais avançadas.
            °▲ É uma pena ele vir com certos protocolos desativados/inoperantes como o iSCSI e NFS ou DLNA (este último podendo ser ativado facilmente).
            °▲ Muito bom saber que o sistema dele aceita NTFS,XFS e EXTx.
            °▲ Muitíssimo bom saber que o terminal dele está acessível via SSH por padrão.
            °▼ Pena saber que o SoC é dual-core e só um núcleo está ativo. Provavelmente melhoraria significativamente a agilidade do sistema em tarefas mais exigentes.
            °▼ Triste saber que a taxa de transferência fica em torno de 22MB/s no FTP não-criptografado e de apenas 1.5MB/s quando se ativa a criptografia (SSL) e que talvez fosse melhorada se os dois núcleos de processamento estivessem ativos (se for o caso de perda de desempenho por falta de processamento).

            Resumo da história! É um bom equipamento para quem quer uma simples central de mídia e um disco para salvar suas fotos e vídeo localmente, mas, para um uso mais “exigente” como os backups constantes ou algo que transfira muitos arquivos pela rede, assim como um cliente de torrent é melhor procurar outra solução! rs

            Abraços e novamente valeu pelo conteúdo a mais e, além é claro, da fotinha linda desse bichano tão bonito! rs

            Carvalho.

        • Mario Nagano

          Baixe a foto do gato aqui:

          http://ppl.ug/NXBYFCedGsY/