Hands-on: Seagate Barracuda SSD SATA de 250 GB

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Ao contrário de outras soluções mais caras e/ou de resultado ambíguo, o disco SSD SATA da Seagate ainda é a maneira mais simples e prática de proporcionar um ganho real de desempenho no seu PC mais antigo.

Apesar de toda chuva de confete em cima dos discos SSD padrão m.2 com porta NVMe, a relevância dos discos SSD com porta SATA não deveria ser menosprezada já que ele ainda é a maneira mais simples e prática de dar uma sobrevida ao seu PC mais antigo não porque ele vai ficar mais rápido e sim porque ele vai ficar menos lento.

E é sob esse ponto de vista que devemos analisar o novo disco Seagate Barracuda SSD SATA de 2,5″ que a empresa oferece como uma opção de upgrade para o HDD SATA em sistemas antigos e até novos que estão lá mais por uma questão de menor custo por GB armazenado :

A grande sacada neste caso, é que a simples troca de um HDD SATA por um SSD SATA pode proporcionar um ganho de desempenho que, segundo a empresa, pode chegar a seis vezes o que explica nossa afirmação inicial de que o PC fica mais rápido porque ele perde menos tempo lendo e gravando dados no disco.

SATA x NVMe

Mas apesar disso, vale a pena ressaltar que se o usuário estiver realmente interessado em máximo desempenho, a melhor alternativa talvez seja o disco SSD m.2 NMVe sendo que a própria Seagate oferece duas linhas de discos com essa tecnologia o Barracuda 510 voltado para uso geral/computação do dia a dia e o FireCuda 510 voltado para gamers/criadores de conteúdo:

Mas antes de tudo, certifique-se que seu sistema é compatível com a tecnologia NVMe já que o suporte a mesma não era comum (se é que existia) em sistemas com mais de 5~7 anos atrás. Isso porque além da presença de um slot PCIe m.2 com “M key” a BIOS do sistema também precisa ser capaz de suportar esse novo disco.

Também observamos que, ao contrário Windows 8.1 e 10 o Windows 7 e o Windows Server 2008 R2 não oferecem suporte nativo para NVMe o que faz com que nenhum disco desse tipo seja localizado durante o processo de instalação do SO.

O bizarro é que mesmo sem o suporte da BIOS, ainda até possível instalar e usar um disco SSD NVMe em qualquer slot PCIe x4 padrão m.2 (ou quaquer PC com slot PCIe x4 via placa adaptadora) e usá-lo como um disco secundário para armazenar dados. Só que neste caso, ele não poderá ser usado como disco de boot/sistema.

Isso até explica a existência e a possível sobrevivência dos discos SSD SATA por um bom tempo no mercado, já que ele oferece o máximo de retrocompatibilidade para sistemas legados apesar de já não ser mais a solução mais veloz do mercado.

De um certo modo a estratégia de manter o nome Barracuda na sua linha de SSDs também não deixa de passar uma certa sensação de evolução e continuidade no sentido de que apesar das coisas mudarem, os Barracudas continuam firmes e fortes para atender a sua clientela como já faz a décadas.

Mais igual do que diferente

Recebemos para testes o modelo STGS250401 / ZA250CM10002 de 250 GB que seria a versão de menor capacidade dentre os quatro atualmente oferecidos pela empresa, sendo que todos eles são praticamente o mesmo produto apenas com mais ou menos memória:

Entre as diferenças que notamos, a mais “relevante” foi na velocidade de gravação sequencial que chega no máximo a 530~535 MB/s nos modelos de 250 GB e 500 GB e até 560 MB/s nos modelos de 1TB e 2 TB o que nos faz crer que os modelos de 250 GB e 500 GB utilizam um tipo de memória NAND Flash 3D TLC e os de 1 TB e 2 TB outro sensivelmente mais veloz, mas nada de cair o queixo.

Já as outras diferenças estão relacionadas com a quantidade de memória, ou seja, no consumo de energia (mais memória = maior consumo) e no TB/TBW (Total Bytes Written) que é uma escala que mede uma carga de trabalho normalizada pelo JEDEC (JESD219A) que define quantos terabytes de informação eu posso gravar num SSD antes que ele caduque.

Trata-se de uma escala de resistência/durabilidade bastante simples de ser compreendida — porém, meio marota — já que o bom senso nos diz que discos de maior capacidade tendem a ter um maior TBW devido a sua “maior capacidade” (duh!) principalmente se comparado a um disco de menor capacidade. Isso faz com que essa escala funcione bem entre discos de mesma capacidade, mas nem tanto quando esse valor varia.

Dai, o que pudemos ver na tabela acima é que a medida que a memória dobra de capacidade (250 GB, 500 GB, 1 TB e 2 TB) o seu TBW mais ou menos dobra na mesma proporção (120, 249, 485 e 1.067 horas) o que nos faz crer que o seu nível de confiabilidade é o mesmo em todos os modelos, o que também se reflete na mesma garantia de 5 anos para todos os modelos.

Fora isso a Seagate possui um serviço de recuperação de dados chamado RESCUE que como o próprio nome sugere, é um serviço contratado como uma assinatura, por dois ou três anos para discos recém-adquiridos e que trabalha tanto por meio de software de recuperação quanto via laboratório para casos mais graves envolvendo RAID, danos físicos ao disco, etc.

Os produtos da linha PRO (Barracuda Pro, Ironwolf PRO) e Ironwolf 110 SSD já tem o serviço Rescue incluso por dois anos, o que não é o caso deste Barracuda SSD SATA apesar de que caso o usuário queira, ele tem a opção de adquirir esse serviço à parte.

Suporte de software

A Seagate também disponibiliza uma série de aplicativos de utilitários para PC e Mac voltados para monitorar e gerenciar o estado dos seus discos assim como fazer cópias de segurança.

Entre eles, destaque para o Disk Wizard (co-desenvolvido com a Acronis) usado para fazer a instalação do disco e, se for o caso até transferir a imagem do disco de sistema para o novo SSD:

Ele também oferece uma solução para sistemas que originalmente não aceitam discos com capacidade acima de 2 TB.

Outro software bem interessante é o SeaTools que ajuda o usuário a gerenciar e monitorar o estado dos seus discos da marca:

Sob testes

Como é de se esperar de um upgrade de disco, este Barracuda SSD SATA é uma cópia exata de um HDD de 2.5″ de 7 mm de espessura com todos os mesmos furos de fixação localizados tanto na sua base quanto nas laterais:

O modelo que recebemos para testes não veio com nenhum acessório extra como cabos, parafusos de fixação ou mesmo aquela notória moldura adesiva que aumenta a espessura do disco de 7 para 9,5 mm permitindo assim colocá-lo no lugar de um HD mais antigo de 2,5″.

Se você realmente faz questão de ter algum desses itens, pergunte sobre os mesmos com seu fornecedor favorito 😉.

Um detalhe que nos chamou a atenção é que ao contrário de outros modelos que já vimos no passado, o gabinete deste Barracuda é fechado por meio de algum sistema de travas de encaixe de modo que não descobrimos uma maneira civilizada e abrí-lo sem danificar o mesmo…

… de modo que não pudemos examinar mais detalhes da sua construção interna contando apenas com informações que softwares como o HDTune Pro pode nos passar:

Aliás, isso não deixa de ser uma medida adicional de segurança para evitar algum tipo de fraude:

SSD SATA x HDD SATA

Como a Seagate recomenda este disco deste disco como um upgrade para um HDD convencional pode surgir a dúvida:

O quanto de desempenho a gente pode ganhar com esse upgrade?

Para termos uma idéia de grandeza e de comparação, nós o colocamos ao lado de um HDD Seagate Barracuda de 2TB:

Os resultados obtidos com o HD Tune Pro 4.01 (opção Benchmark) foram os seguintes:

HD Tune ProSSD Barracuda 250 GBHDD Barracuda 2TB
READ Transfer RateGráficoGráfico
Transfer Rate Minimum265,7 MB/s98,9 MB/s
Transfer Rate Maximum271,7 MB/s209,7 MB/s
Transfer Rate Average267,2 MB/s169,6 MB/s
Access Time0,1 ms14,8 ms
Burst Rate135,8 MB/s160,1 MB/s
CPU Usage1,9 %1,4 %
Write transfer rateGráficoGráfico
Transfer Rate Minimum33,8 MB/s95,9 MB/s
Transfer Rate Maximum260,5 MB/s209,1 MB/s
Transfer Rate Average247,5 MB/s164,8 MB/s
Access Time0,1 ms14,9 ms
Burst Rate135,5 MB/s160,9 MB/s
CPU Usage1,9 %1,6 %

Talvez o único valor estranho nessa tabela é a taxa de transferência mínima (Transfer Rate Minimum) de 33,8 MB/s nos testes de Write transfer rate. Mas isso é apenas algum tipo de “engasgo” que se repetiu várias vezes no teste, de modo que podemos ver no gráfico que se trata de um ponto fora da curva, que não interferiu dramaticamente na média final de 247,5 MB/s:

Aqui os resultados no teste de Random Access em IOPS / Tempo de acesso médio / Velocidade Média:

HD Tune Pro – Random Access
IOPS
Tempo de acesso médio
Velocidade média
SSD Barracuda 250 GB HDD Barracuda 2TB
Read Test GráficoGráfico
512 Bytes15.579 IOPS
0,06 ms
7,607 MB/s
66 IOPS
15 ms
0,032 MB/s
4 KB7.452 IOPS
0,13 ms
29,112 MB/s
66 IOPS
14 ms
0,261 MB/s
64 KB3.515 IOPS
0,28 ms
219,694 MB/s
63 IOPS
15 ms
3,971 MB/s
1 MB261 IOPS
3,8 ms
261,927 MB/s
46 IOPS
21 ms
46,682 MB/s
Random459 IOPS
2,2 ms
233,100 MB/s
54 IOPS
18 ms
27,693 MB/s
Write test GráficoGráfico
512 Bytes30.804 IOPS
0,03 ms
15,041 MB/s
35 IOPS
27 ms
0,017 MB/s
4 KB28.261 IOPS
0,04 ms
110,396 MB/s
21 IOPS
47 ms
0,082 MB/s
64 KB6.637 IOPS
0,15 ms
414,874 MB/s
35 IOPS
28 ms
2,280 MB/s
1 MB435 IOPS
2,3 ms
435,370 MB/s
40 IOPS
24 ms
40,615 MB/s
Random929 IOPS
1,1 ms
471,440 MB/s
52 IOPS
19 ms
26,648 MB/s

Aqui os resultados no CrystalDiskMark comparando os resultados do SSD Barracuda e o HDD Barracida de 2 TB:

E finalmente aqui outra comparação usando o AJA System Test da AJA Video Systems em MB/s…

… e os mesmos resultados em frames/s:

O que todos esses números mostram, como era de se esperar é que o seu desempenho é realmente melhor do que um HDD de linha.

Nossas conclusões:

Se no passado os discos SSD eram uma combinação não muito bacana de alto desempenho com baixa capacidade e custo elevado — hoje graças a lei de Moore as memórias 3D NAND ela ainda não é o oposto mas já podemos dizer que as coisas melhoraram bastante, ou seja, o desempenho que já era bom ficou ainda melhor, a capacidade está chegando a níveis no mínimo aceitáveis e o mais importante, com preços médios na faixa de R$ 280 pela versão de 250 GB e de ~R$ 520 pela versão de 500 GB no varejo on-line,
o preço do Barracuda SSD SATA deixa de ser proibitivo para se tornar algo que pode ser considerado pelo usuário final interessado em melhorar o desempenho do seu sistema.

De fato, caso o usuário tenha espaço para mais de um disco SATA no seu desktop estratégia interessante poderia ser de instalar o SSD de 250 GB e usá-lo como disco de sistema, transferindo a imagem do disco velho para o SSD e caso o HDD velho seja de maior capacidade, usá-lo apenas para armazenar dados.

Já no caso de um notebook, o que pode ser feito é transferir a imagem do disco sistema para o SSD e instalar o HDD velho num gabinete externo com porta USB.

Assim a nossa opinião final é que o Barracuda SSD SATA na prática pode nem ser o disco mais veloz que o dinheiro pode comprar mas — com certeza — ele é um produto relevante, competente, honesto e o mais importante, faz o que promete.

Legal né?

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

Por Mário Nagano

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