Review: HDD Seagate Barracuda Pro de 10 TB (ST10000DM0004)

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Para quem acha que os discos rígidos SATA já deram o que tinham que dar, a resposta da Seagate só tem duas palavras: “DEZ TERABYTES!!!” ????

A medida que os discos SSD ganham espaço no mercado com modelos cada vez mais velozes, com maior capacidade de armazenamento e até a preços bem competitivos, alguns já podem até estar achando que um dos últimos bastiões da tecnologia eletromecânica no mundo dos PCs — o disco rígido — está com seus dias contatos para se juntar a outros contemporâneos como a a impressora matricial, a unidade de disquete e até o monitor de tubo.

Segundo vários colegas do mercado que já conversamos sobre isso, é fato que o SSD já está se estabelecendo como o padrão de fato para armazenar dados no PC, mas nenhum deles acredita que o HDD vai simplesmente desaparecer do mercado e sim que eles irão se tornar um tipo de produto de nicho, já que ele ainda é imbatível quando o assunto é espremer a maior quantidade de informação no seu PC pelo menor custo possível:

Este é o caso do disco Seagate Barracuda Pro ST10000DM0004 um HDD de 3,5″ que, como o próprio nome sugere tem a capacidade de armazenar até 10 TB de dados o que é uma quantidade bastante respeitável se levarmos em consideração que um SSD de linha ainda está na faixa de 500 GB~1 TB:

E para aqueles que acham que 10 TB ainda é pouco, a Seagate já possui modelos dessa linha Pro de 12 TB e 14 TB sendo que já existe um modelo de 16 TB na sua linha EXOS (mais voltada para o mercado corp) com tecnologia HAMR e a previsão é que em 2020 sejam lançados os primeiros modelos de 20 TB:

Já aqueles usuários mais frugais que acham que 10 TB é um exagero, a empresa também comercializa modelos de 2 TB, 4 TB, 6 TB e 8 TB:

Barracuda x Barracuda Pro

E o que diferencia um Barracuda de linha de um Barracuda Pro? Segundo o site da Seagate, no geral os Barracuda Pro são modelos de 7.200 rpm com 128MB ou 256MB de cache o que faz com que eles chegem a taxas de 195 MB/s (versào de 2 TB) até 250 MB/s (versão de 14 TB) o que representa um ganho de desempenho de ~31,6% enquanto que os Barracudas “normais” são modelos tando de 5.400 rpm quanto de 7.200 rmp cuja taxa de transferência varia de 185 MB/s (versão de 3 TB) até 190 MB/s (versão de 8 TB).

E por que misturar modelos de 5.200 rpm com 7.200 rpm? Essa resposta é meio complexa, mas no geral a resposta estaria no interesse da Seagate de oferecer a melhor solução para cada demanda do mercado.

Por exemplo existem modelos só de 7.200 rpm como os Barracuda ST3000DM002 de 3TB ou o ST2000DM002 de 2TB equipados com tecnologia SED o que faz com que eles possam ser configurados pelo usuário para criptografar todos os dados armazenados no disco em tempo real e que só serão descriptografados na hora da leitura, o que faz com que o ganho de desempenho proporcionado mecanismo de 7.200 rpm seja muito bem vindo.

Segundo nosso colga e chapa da Seagate Brasil Fabio Schmidt esses modelos são mais direcionados para o setor de governo e corporações interessadas em proteger seus dados com mais eficiência e segurança.

Fora isso, ainda existem alguns Barracudas “não Pro” de 7.200 sem SED como os Barracuda ST2000DM008 de 2 TB, ST1000DM010 de 1 TB e o ST500DM009 de 500 GB — e isso sem falar que alguns modelos estão disponíveis tanto em 5.400 rpm quanto 7.200 rpm — caso dos modelos de 3TB como os ST3000DM007 (5.400 rpm) x ST3000DM002 (7.200 rpm) ou de 2TB como os ST2000DM008 / ST2000DM006 (7.200 rpm) x ST2000DM005 (5.400 rpm).

Meio confuso, né?

Segundo Schmidt, neste caso o apelo dos modelos de 5.400 rpm estaria no seu peso físico que seriam de 15,3% a 21,7% mais leves que suas versões de 7.200 rpm, o que significa um menor custo de transporte e logística para o integrador. Fora isso, a densidade crescente das midias e o aprimoramento/aumento de cache, também entrega um ótimo custo x beneficio também em 5.400 rpm.

Fora isso, esses modelos de 5.400 rpm também consomem bem menos energia — algo como 3,7 watts a menos nos modelos de 5.200 rpm contra 5,1~8 watts dos modelos de 7.200 rpm— o que pode ser um fator a ser considerado se o objetivo do integrador é de criar um “PC Verde”.

O executivo também menciona outro detalhe bem importante se seria a carga de trabalho dos discos que varia em razão do uso.

Por exemplo, um disco Barracuda “normal” tem um carga estimada de 55 TB/ano para uso 8×5 (= 8 horas x 5 dias por semana), ou seja, ele terá condições de gravar 55 TB por ano independente da sua capacidade nas condições normais de operação.

Já a linha Barracuda PRO suporta cargas mais intensas de trabalho — algo como 300 TB/ano para uso em 24 x 7 (= 24 horas x 7 dias por semana) — ou seja, quase 6x mais resistência e durabilidade.

Fora isso também é importante destacar que o Barracuda Pro vem com 5 anos de garantia (contra 2 do Barracuda de linha) e isso sem falar que ele também conta com 2 anos de cobertura do serviço de recuperação de dados RESCUE que…

… como o próprio nome sugere, é um serviço contratado como uma assinatura para discos recém-adquiridos e que trabalha tanto por meio de software de recuperação quanto via laboratório para casos mais graves envolvendo RAID, danos físicos ao disco, etc.

Somando tudo isso, fica claro que a linha Pro é um produto mais performático voltado para geradores de conteúdo e profissionais criativos que precisam armazenar/processar imensas quantidades de informações de informação em seus desktops/estações de trabalho que seu orçamento permita, o que faz com que garantias estendidas e serviços de recuperação inclusos soem como música nos ouvidos desses usuários, principalmente quando falamos em muitos TB de dados dentro de uma mesma cesta um mesmo disco.

E esse disco é original?

Para evitar ao máximo que um usuário corra o risco de adquirir um Barracuda Pro de origem suspeita ou até falsificado (sim, eles existem!) a Seagate possui um curioso item de segurança nesses discos na forma de um QR-Code com o número de série localizado logo abaixo do rótulo do Barracuda…

… que pode ser lido em qualquer leitor de QR-Code de SmartPhone que pode direcionar o número lido…

…  diretamente para o site de verificação da Seagate na web (verify.seagate.com)…

… onde é possível verificar se o número de série é válido e até mesmo se ele está na garantia:

Para nós, o legal desse recurso é que ele pode ser usado a qualquer hora e em qualquer local, inclusive naquela loja de computador onde aquele disco Seegate baratíssimo está jogando charminho para você e você não sabe para onde correr.

Sob testes…

Como já dissemos antes, recebemos para testes aqui na Zumo-caverna um Seagate Barracuda ProST10000DM004 equipado com uma interface SATA III de 6 Gb/s, 256 MB de cache e limite de carga de trabalho de até 300 TB/ano:

Seu padrão de formato é o bom e velho HDD de 3,5″ medindo aproximadamente 10,1 x 2,6 x 14,6 cm (LxAxP) e 705 gramas de peso:

Apesar da empresa afirmar que o Barracuda Pro é um disco veloz, fato é que ele não é páreo para os discos SSD de modo que podemos assumir que desempenho não seja um fator decisivo na hora de comprar um disco de alta capacidade.

Mas para não perder a oportunidade e para efeito de ilustração, resolvemos comparar o desempenho desse Barracuda Pro de 10 TB com um Seagate Barracuda SSD SATA de 250 GB (que testamos recentemente neste ztop+zumo)…

…o que também pode ser útil na hora de avaliar a compra de um HDD ou mesmo o upgrade para um SSD:

Os resultados obtidos com o HD Tune Pro 4.01 (opção Benchmark) foram os seguintes:

HD Tune ProSSD Barracuda 250 GBHDD Barracuda Pro 10 TB
READ Transfer RateGráficoGráfico
Transfer Rate Minimum265,7 MB/s113,4 MB/s
Transfer Rate Maximum271,7 MB/s243,3 MB/s
Transfer Rate Average267,2 MB/s193,3 MB/s
Access Time0,1 ms15,5 ms
Burst Rate135,8 MB/s279,1 MB/s
CPU Usage1,9 %1,3 %
Write transfer rateGráficoGráfico
Transfer Rate Minimum33,8 MB/s109,5 MB/s
Transfer Rate Maximum260,5 MB/s238,3 MB/s
Transfer Rate Average247,5 MB/s190,2 MB/s
Access Time0,1 ms15,5 ms
Burst Rate135,5 MB/s257,5 MB/s
CPU Usage1,9 %1,2 %

Talvez o único valor estranho nessa tabela é a taxa de transferência mínima (Transfer Rate Minimumde 33,8 MB/s nos testes de Write transfer rate. Mas isso é apenas algum tipo de “engasgo” que se repetiu várias vezes no teste, de modo que podemos ver no gráfico que se trata de um ponto fora da curva, que não interferiu dramaticamente na média final de 247,5 MB/s:

Aqui os resultados no teste de Random Access em IOPS / Tempo de acesso médio / Velocidade Média:

HD Tune Pro – Random Access
IOPS
Tempo de acesso médio
Velocidade média
SSD Barracuda 250 GB HDD Barracuda Pro 10 TB
Read Test GráficoGráfico
512 Bytes15.579 IOPS
0,06 ms
7,607 MB/s
64 IOPS
15 ms
0,032 MB/s
4 KB7.452 IOPS
0,13 ms
29,112 MB/s
64 IOPS
15 ms
0,253 MB/s
64 KB3.515 IOPS
0,28 ms
219,694 MB/s
61 IOPS
16 ms
3,854 MB/s
1 MB261 IOPS
3,8 ms
261,927 MB/s
44 IOPS
22 ms
44,316 MB/s
Random459 IOPS
2,2 ms
233,100 MB/s
52 IOPS
18 ms
26,841 MB/s
Write test GráficoGráfico
512 Bytes30.804 IOPS
0,03 ms
15,041 MB/s
176 IOPS
5,7 ms
0,017 MB/s
4 KB28.261 IOPS
0,04 ms
110,396 MB/s
135 IOPS
7,4 ms
0,530 MB/s
64 KB6.637 IOPS
0,15 ms
414,874 MB/s
126 IOPS
7,9 ms
7,898 MB/s
1 MB435 IOPS
2,3 ms
435,370 MB/s
63 IOPS
15 ms
63,927 MB/s
Random929 IOPS
1,1 ms
471,440 MB/s
69 IOPS
14 ms
35,109 MB/s

Aqui os resultados no CrystalDiskMark comparando os resultados do SSD Barracuda e o HDD Barracuda Pro de 10 TB:

E finalmente aqui outra comparação usando o AJA System Test da AJA Video Systems em MB/s…

… e os mesmos resultados em frames/s:

O que todos esses números mostram é que — como era de se esperar — o desempenho do SSD é realmente melhor do que um HDD.

Nossas conclusões:

Como dissemos no início deste review, a proposta do Barracuda Pro é de oferecer uma solução de armazenamento mais robusta e confiável para usuários que precisam de soluções locais de armazenamento de alta ou até mesmo de altíssima capacidade.

No geral, o hardware o Barracuda Pro entrega o que promete, oferecendo sim uma maior capacidade combinada com um desempenho ligeiramente melhor que um Barracuda de linha. Mas é claro que falar de alto desempenho como atrativo num mercado apinhado de discos SSDs  é meio que forçar a amizade.

Sob esse ponto de vista, sempre achamos que a melhor solução é combinar o melhor desses dois mundos não na forma de um disco híbrido e sim empregando ambas as soluções ao mesmo tempo, ou seja, usar um SSD de média capacidade (240~480 GB) como disco de boot/sistema e um HDD de alta capacidade essencialmente para armazenar dados.

Fora isso, não podemos ignorar o potencial de novas tecnologias disruptivas — como as memórias Intel Optane — que trazem a promessa de acelerar significativamente o acesso ao HDD convencional por meio de um sistema cache de memória não volátil inteligente:

Fora isso vale a pena elogiar a iniciativa da Seagate de incluir o serviço de recuperação de dados nos primeiros dois (dos cinco) anos de garantia do Barracuda Pro, o que é uma oferta muito atrativa para pequenas empresas e profissionais autônomos que utilizam intensamente seus discos e nem sempre tem idéia sobre o estado dos mesmos.

Já ouvi dizer que a Seagate não gosta de falar muito sobre esse recurso porque isso pode passar a impressão de que seus discos não são bons. Mas como no caso do dilema do copo meio-cheio/meio-vazio ao invés de olhar isso como algo negativo, isso também pode ser visto como um item segurança a mais que a empresa está oferecendo para a sua clientela.

E como nenhuma empresa gosta de colocar um produto no mercado para levar tapa na cara ou pior — perder dinheiro — o fato desse serviço estar sendo oferecido de graça (por dois anos) não deixa de ser um voto de confiança na qualidade do seu próprio produto — né?

Resumo: Seagate Barracuda Pro ST10000DM004 de 10TB

O que é isso? Disco rígido interno SATA III de 7.200 rpm de 3,5″.
O que é legal? Bom desempenho, altíssima capacidade de armazenamento, dois anos de serviço de recuperação de dados incluso na garantia.
O que é imoral? Desempenho é bom para um HDD, modesto se comparado com um SSD SATA.
O que mais? Também disponível nas versões de 8 TB, 12 TB e 14 TB.
Avaliação: 8,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 3.099,00
Onde encontrar: Seagate Store ou nos seus canais de distribuição

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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