Saraiva Digital vende e aluga filmes (com ajuda da Microsoft)

S

home page da Saraiva Digital

Quase um ano e meio depois dos primeiros testes com downloads digitais no Brasil, a Saraiva e a Microsoft anunciam amanhã (14) o lançamento da Saraiva Digital, para vender e alugar filmes e séries online usando tecnologias SilverLight (e outras) da Microsoft. Mas eles não são os pioneiros nisso.

A Saraiva Digital teve como embrião um teste feito em janeiro de 2008, quando a livraria enviou um e-mail a alguns clientes cadastrados no site o download do filme “Poder além da Vida“, por um período limitado (o DRM faria o arquivo “morrer” no seu disco rígido após algum tempo). As configurações de uso do sistema eram estilo Microsoft: rodava apenas no Internet Explorer, com opção de plug-in para o Firefox, mas na época nem tudo funcionou, como escrevi mais de uma vez. A base tecnológica era a plataforma Windows Media.

E então a Saraiva sumiu do mapa – ou eu que parei de acompanhar seus e-mails. Agora, oficialmente em parceria com a Microsoft (e aparentemente também com a  TrueTech, outra parceira tecnológica da época), o lance dos downloads volta à vida, desta vez para valer.

Um pouco de pesquisa (e chute) me levou ao site oficial da Saraiva Digital, que usa a tecnologia Microsoft Silverlight (DRM! DRM! DRM!) para vender (entre outras tecnologias de Redmond, por sinal, como Windows Presentation Foundation). O catálogo inicial é de 500 títulos (com meta de 2.000 até o fim do ano) e os preços são (atualizado às 10h50 de quinta):

Locação: Filmes – de R$ 3,90 a R$ 6,90 (com opção de diárias ampliadas)
Venda: Filmes –  a partir de R$ 9,90
Séries de TV e Documentários – de R$ 3,60 a R$ 4,60 por episódio

Os preços, diz Marcílio Pousada, serão ditados pelo “mercado”. “Alguns terão preço próximo do DVD, outros terão produtos especiais para o formato digital”, afirma. E vídeo é só o primeiro passo. A Saraiva afirma que é um “processo natural” seguir para música e livros em uma segunda fase do projeto.

Os arquivos têm qualidade de DVD (720 x 480 p), bitrate de 1,5 mb/s, áudio 2.0. Alta definição vem em breve, assim como áudio 5.1.

Além de ver os vídeos direto no site, é possível baixar um aplicativo para PC (Windows XP/Vista), chamado Saraiva Digital (uma espécie de iTunes), que gerencia downloads, administra o acervo, entre outros recursos. O aplicativo permite comprar diretamente novos filmes e, na reprodução, controla legendas, áudio etc. Para rodar o programa, é preciso ter:

Sistema Operacional: Microsoft Windows XP/Vista/98/2000/2003
Processador: AMD Athlon XP 2600+, Sempron XP 2800+ ou Intel Pentium 4 2.66GHz
Memória RAM: 1GB (2GB para Windows Vista)
Conexão Internet: 1MB (Banda Larga)
Placa de Vídeo: AGP 8X, Pixel Shader 2.0 ou Gforce 5600 256 RAM, DirectX 9

Há uma versão “Lite” do Saraiva Digital para PCs abaixo da configuração recomendada ou uso em outros PCs usados só para assistir aos títulos. Versões para Mac e Linux estão a caminho, de acordo com a TrueTech e a Microsoft.

A locação de filmes tem prazo de 30 dias para o primeiro “play” e 24h ou 48h  (dependendo do título) para assistir até o fim. Na compra de filmes ou séries, eles poderão ser reproduzidos em até 3 computadores.

A Truetech, fornecedora de infra-estrutura, diz que construiu um datacenter capaz de aguentar 10 mil usuários simultâneos conectados na Saraiva Digital com conexões de até 2 Mbps.

Nas telas abaixo, as páginas de venda, aluguel e download do aplicativo de filmes (e estou sem Silverlight instalado no Firefox do Mac…).

Update 21h15: como bem disse o Patrick nos comentários, a Saraiva “escondeu” os links da loja online e manda todo mundo pra home page… mas as telas abaixo não mentem!
Update 105h0 de quinta: o site deve entrar no ar oficialmente hoje à tarde.

compra de filmes na Saraiva Digital

página do aluguel...

...e do download do aplicativo

O curioso desse lance de “downloads” é que o serviço da Saraiva Digital não é o primeiro: existiu até pouco tempo atrás (acredito) um portal de downloads chamado Eonde.com, que vendia e alugava filmes e séries com DRM da Microsoft e tinha apoio da Intel.

Ao tentar entrar no Eonde.com ou Eonde.net, dei com a cara na porta: o site nem entra mais, nem aparece como resultado de buscas no Google – a única informação que fala que o serviço não opera mais está no Superdownloads, que diz que o “software Eonde está suspenso”. O resto? Notícias de junho de 2007, falando do lançamento do serviço.

Em tempo: falei com o pessoal da Microsoft, que era parceiro tecnológico e me confirmou o fim do Eonde. “Faltou ao projeto do Eonde a experiência no varejo de uma Saraiva”, comentou Carlos Ferreira, diretor de novas tecnologias da Microsoft.


Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos