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Sandy Bridge: bug no chipset vai custar US$ 700 mi em trocas

A Intel anunciou hoje nos EUA que identificou um problema de desenho (design flaw) do seu chipset série 6 que dá suporte aos novos processadores Core Ix Sandy Bridge. Na prática, isso pode ser algo pior que o famoso bug do FDIV do Pentium de 1995.

Segundo a Intel, o problema foi identificado nas portas SATA do chipset que podem se degradar com o tempo, o que pode comprometer o desempenho do disco rígido e da leitora de disco óptico. Ao saber disso, a empresa já interrompeu sua fabricação, corrigiu o problema e retomou o processo de fabricação da nova versão. O processador em si não foi atingido pelo problema.

Segundo fontes ouvidas por esse Zumo, esse bug pode ter efeitos bem mais desastrosos para o mercado que o famoso bug FDIV do Pentium Clássico de 1995. Isso porque naquele caso o problema atingia seu processador aritmético de ponto flutuante, que poderia gerar um erro de cálculo de vez em nunca o que, na prática, não iria interferir em nada na vida das pessoas, apesar da Intel na época se ofereceu para substituir o chip daqueles que comprovadamente mostrarem que seu trabalho foi afetado pelo bug.

Neste caso, o problema é que, ao contrário do processador, o chipset é um componente que vem soldado direto na placa-mãe (junto com todos os outros componentes) de modo que dessoldar do chip velho e soldar um novo não é viável — em especial nos locais onde os fabricantes que não contam com estrutura especializada nesse tipo de reparo — sendo mais fácil descartar logo a placa inteira. E se você acha que isso já é encrenca suficiente, imagine o caso dos notebooks compactos e ultracompactos onde (para economizar espaço) o processador e o chipset são soldados diretamente na placa-mãe ou seja, nesse caso corre-se o risco de perder o chipset e o processador.

De um certo modo isso atinge toda a cadeia de produção de um PC, desde os fabricantes de placas, passando pelos canais de distribuição e os integradores locais que até segunda ordem ficam um olhando pra cara do outro para ver quem vai fazer o que, já que a Intel espera distribuir a nova versão do chipset apenas no final de fevereiro, retornando a produção plena até abril. Obviamente isso também retarda o lançamento generalizado do Sandy Bridge previsto para começar agora. Algumas das fontes ouvidas já dizem que numa dessas, o Sandy Bridge entre com força no mercado só no segundo trimestre desse ano.

A Intel já anunciou que ela irá trabalhar com seus parceiros de OEM para receber as peças defeituosas e apoiar qualquer mudança ou subetituição que seja necessária nas suas placas e sistemas. Isso irá custar para a empresa algo como US$ 300 milhões na correção do problema na fábrica, mais uns US$ 700 milhões com trocas e substituições de produtos já no mercado.

Vale a pena ressaltar que a grande maioria dos computadores com processador Core i3, i5 e i7 que estão no mercado são da chamada “primeira geração de chips Core”  e que não são afetados por esse bug, podendo ser adquiridos sem receio.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.