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Samsung quer a casa inteligente até 2020 (e cadê as TVs?)

Todo ano, durante a CES em Las Vegas, sempre surge uma nova tendência em eletrônicos de consumo. No caso das TVs, vimos temas como TV 3D, OLED, Quantum Dot, Smart TV como palavras-chave que viraram ou não realidade (a TV 3D que o diga). De qualquer modo, todos os fabricantes costumam centralizar a atenção em meia dúzia de produtos que serão o carro-chefe do ano daquela tecnologia específica.

Na CES 2018, pelo menos para a Samsung, o importante agora é mostrar para o mercado que a marca tem uma estratégia diferente dos concorrentes e que TVs, geladeiras, aspiradores-robô e máquinas de lavar fazem parte desse futuro integrado, conectado e inteligente.

A mudança de estratégia – de produto para conceito no stand – se reflete no próprio “produto” anunciado durante a CES: o painel modular The Wall, com tecnologia Micro LED: falaram das capacidades da tela, da sua imagem incrível, mas zero detalhes sobre como será a tal modularidade na prática, como o upscale da vindoura linha de TVs 8K vai funcionar ou quando veremos tais produtos nas lojas do mundo todo.

A última pergunta, pelo menos, tem resposta: no Brasil, a Samsung pretende manter a linha atual (QLED) de 2017 em estoque até o segundo semestre. O motivo é simples: Copa do Mundo no meio do ano, e só depois disso veremos novos produtos mesmo nas lojas. O que deu a entender também que a linha QLED continua como um produto premium, o The Wall será algo mais premium ainda e que telas 8K começam a chegar ao mercado de forma oficial – sem ser apenas um protótipo na parede do stand na CES.

Meta de 2020

Durante a CES 2016, a Samsung disse que teria todos seus eletrônicos de consumo conectados até 2020 (quando a palavra do momento na CES era Internet das Coisas). Agora, já são 500 milhões de aparelhos conectados e não adianta muito ter apenas coisas que se conectam à rede, mas sim coisas que se conectam à rede e conversam entre si. Então, a meta nova é ter produtos integrados até 2020.

E como isso vai acontecer?

Primeiro, com a unificação de distintas plataformas (Samsung Connect, Smart Home, Smart View e outras) em uma só, um aplicativo chamado SmartThings. Qualquer dispositivo (fone, TV e até carros, já que a Samsung investe nessa área desde que comprou a Harman) vai poder controlar outro dispositivo.

Na teoria, parece interessante. Na prática, isso vai chegar ao consumidor com a integração da assistente virtual Bixby, que hoje só fala inglês e só funciona em smartphones topo de linha da Samsung, em todos os eletrônicos de consumo. Como tudo estará integrado via serviços na nuvem (Samsung Cloud), você poderá, por exemplo, pedir para seu carro compatível acender as luzes de casa antes de chegar do trabalho ou conversar estranhamente com sua geladeira pra saber a previsão do tempo ou consultar a agenda do dia – mesmo com diversos usuários dentro de uma mesma casa.

Para o mercado brasileiro, devemos manter a ansiedade sobre controle. A Samsung diz que é líder no mercado de TVs (e de smartphones, duh). Mas não vejo a marca vendendo aspiradores-robô conectados (infelizmente!) ou as geladeiras Family Hub (com tela gigante na porta) no mercado local tão cedo. E, claro, temos que esperar pela Bixby começar a falar português.

Sony, LG e Panasonic

As demais grandes marcas de TVs também participam da CES 2018 com estratégias distintas – todas dizendo, porém, que telas OLED são o futuro.

A LG mostra no seu stand uma visão muito parecida à da Samsung no que diz respeito a inteligência artificial e casa conectada. O foco continua a ser nas lindas TVs OLED – o grande destaque da marca neste ano, um protótipo de OLED dobrável, não está exposto ao público.

Já a Panasonic comemora 100 anos na CES 2018. Metade do stand é feito de demonstrações de soluções B2B (baterias para Tesla, soluções para o mercado aeronáutico, tecnologias para estádios e carros) e a outra metade é para falar do passado da Panasonic (numa área que o Nagano se emocionaria com a história da empresa e a evolução dos seus produtos) e o que eles vêem para o futuro – como o carro sem motorista da foto acima ou a casa que entende se seu filho está doente e ajusta a temperatura do quarto automaticamente, por exemplo. A Panasonic anunciou TVs OLED na CES 2018 também.

Nagano comenta: Para quem não sabe, além de comemorar os 100 anos de fundação no Japão em 2018…

…a sua filial brasileira completou 50 anos no fim do ano passado, já que foi em 1967 que a empresa abriu uma filial por aqui para importar e vender pilhas.

Para comemorar esse feito, a Panasonic do Brasil criou uma nova campanha de reposicionamento da marca chamada “Criado para Você” e isso cinco anos depois da campanha “[Re]pense” de 2012.

Se fosse a Samsung (que por sinal completa 80 anos no próximo dia 1° de março) ou a LG Electronics (que completa 60 anos em outubro) eles estariam batendo bumbo e buzinando isso na orelha da gente até o fim do ano!

PS: Eu já tive a minha epifania com quando visitei o museu da empresa em Osaka. Também já ouvi dizer que a minha coleção de DVDs do National Kid que mandei pra lá está exposto em algum canto.

Já a Sony, bem, parece que deu mais atenção aos seus produtos de áudio e aos smartphones na CES 2018. A TV OLED também está lá em diversos tamanhos e cada vez mais fina, mas sem falar muito de integração / ultra-conexão de tecnologias dentro de casa. Eu gostei mesmo (mais um ano que isso se repete) dos protótipos de áudio e vídeo, como esse projetor-mobília laser 4K com sistema de som integrado (os pés de vidro são alto-falantes!):

E os fones de ouvido conceituais para usar no escritório e conseguir ouvir o que o colega de baia está comentando ao mesmo tempo que ouve música (algo como um fone anti-redução-de-ruídos, num conceito bem maluco e 100% adaptado ao ambiente corporativo japonês):

Nagano comenta: Vale a pena observar que, ao contrário de empresas como Panasonic, LG ou Samsung, a Sony é — na sua essência — uma empresa de áudio/vídeo/computador e relacionados, ou seja, ela não fabrica lavadora de roupa, geladeira, espantador de gatos e coisas do tipo, o que limita em muito a sua capacidade de entrar de sola nesse mercado da internet das cousas, a não ser por meio de alguma grande parceria.

 

Disclaimer: Henrique viajou a Las Vegas a convite da Samsung. Opiniões e fotos são nossas, assim como escrever textos com seis horas de fuso horário e torcer para não ter cometido nenhum erro de digitação no caminho mesmo tendo tomado um porre um shot de tequila com os coreanos ontem (ou o que acontece em Vegas fica em Vegas!)

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • dflopes 11/01/2018, 17:17

    A Sony seria mais uma empresa multimidia, já que ela está presente desde a produção do conteúdo (Sony Music, Sony Classical, Sony Pictures, Sony Classics, Sony Interactive Entertainment) até os equipamentos para veiculação (BD Players, fones de ouvidos, MP3 players e walkmans, videogames, smartphones, TVs, etc).

    No entanto, não entendo como a empresa não tem uma presença maior em streaming (seja netflix ou próprio, vide disney), de graça para proprietários de TV, PS4, Xperia e BDP…
    E estar com o queijo e a faca na mão, apesar de eles estarem em departamentos diferentes.

    Eu sou um entusiasta de 3D. Depois que minha TV queimou (e elas sairam do mercado), procuro um projetor 3D pra usar em casa – minhas pesquisas me levaram ao Benq HT2050, espero que ele aceite os óculos passivos que tenho aqui em casa.

    Obs.: O Nationaro Kido foi feito pela Panasonic???