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28 dias com o Samsung Galaxy S9+

O Samsung Galaxy S9+ é o caso clássico de evolução em uma geração de smartphones. Pense nele como um “Galaxy S8s” – e isso não é ruim.

Repetindo um mantra que já foi dito aqui neste blog, mais uma vez temos acesso antecipado ao aparelho, anunciado no MWC de Barcelona. Peguei o S9+ num quarto de hotel em Barcelona em 28 de fevereiro e tenho usado o smartphone como aparelho principal (afinal, cadê concorrentes geração 2018?) desde então.

A principal vantagem de usar um S9+ preto sem capa em uma cidade como São Paulo (e seus constantes furtos no metrô) é que ele… é igual (ou quase) ao S8+. Tem ali suas diferenças quase imperceptíveis. Se olhar muito de perto, dá para perceber a borda superior um pouquinho menor, assim como a ordem de câmeras/sensores. E, claro, o formato da câmera atrás, com as duas lentes e o leitor de impressões digitais abaixo delas, num estilo “lacre de latinha de alumínio”.

Samsung Galaxy S9+: o que importa?

O desbloqueio de tela com uso da íris: é melhor e mais rápido (visivelmente mais veloz, trocadilho incluído) que o do Galaxy Note 8. É uma experiência veloz parecida com o desbloqueio por face do iPhone X.

A interface do Android 8: ainda com “Samsung Experience” (antigo TouchWiz), ainda mais fácil para usar com a tela na horizontal (acima) em todo o sistema – algo que já está presente nos Motorola faz um tempinho.

Bixby: o botão exclusivo para acionar a assistente virtual da Samsung continua sendo inútil, e a tela de interface da Bixby não mudou muito em relação ao S8. Mas o recurso Bixby Vision, integrado à câmera, aprendeu novos truques e é algo realmente útil em determinadas situações – o recurso de local (mostrar pontos ao seu redor) e a tradução em tempo real são bons para viajantes (ou donos de controles remotos universais com escrita em chinês para TVs antigas). O que identifica pratos e sua quantidade de calorias teve resultados mistos – poucos acertos, muitos erros, mas mais esquecimento meu de usar na hora de comer.

Emoji AR: Hey Mickey! Não vai mudar sua vida (nem a de ninguém) usar um avatar virtual (os personalizados baseados na sua imagem são todos meio iguais, mas pelo menos tem o Mickey e a Minnie. O modo “avatar” da Apple é mais realista (apesar de estar mais escondido dentro do aparelho).

Desempenho & Bateria: em nome da transparência, vale notar que o modelo que recebi em Barcelona veio em uma configuração diferente da que será vendida por aqui. Estou com um S9+ com processador Samsung Exynos, o modelo que será vendido no Brasil virá com processador Qualcomm Snapdragon 845 (algo inédito, por sinal). A capacidade da bateria é a mesma do S8+ (3.500 mAH) e dura, em média, 10  horas longe da tomada- o mesmo que o S8+ (e acredito que a duração com o Snapdragon seja parecida). De qualquer modo, tem recarga rápida, que é o milagre das baterias que todos esperavam, mas ninguém percebeu ainda.

Som: duas coisas importantes de som relacionadas ao S9+. A primeira são os alto-falantes estéreo. Não é algo que muda a vida de ninguém quando usamos fones de ouvido a maior parte do tempo, mas percebi em ligações no viva-voz que a voz do meu interlocutor “passeava” pelos alto-falantes. E a presença da tecnologia Dolby Atmos é, para mim, questionável: com fones com fio, faz alguma diferença. Em fones Bluetooth (incluindo o próprio Gear Icon X da Samsung), a experiência sonora foi melhor com o recurso desligado.

A câmera

A câmera do Galaxy S9+ merece críticas (para o modo superlento) e elogios (para fotos em geral).

Vale um repeteco do que disse no preview:

Tem 12 megapixels de resolução e estabilização óptica dupla de imagem e é o recurso mais interessante do smartphone em 2018 por uma simples questão de engenharia: ela tem uma abertura de lente variável. É o primeiro modelo global com essa tecnologia, que já tinha sido testada em um modelo exclusivo para a China). O esforço pra colocar uma peça móvel dentro da câmera é impressionante.

Na prática, a lente do telefone se comporta cada vez mais como uma câmera profissional, alternando entre abertura f/2.4 (observe o centro da câmera)…

.. para f/1.5 (bastante luminosa e ótima para cenas noturnas ou com pouca luz). Isso ocorre de forma automática na câmera, mas pode ser controlado também no modo PRO (alternando entre f/1.5 e f/2.4).

Na prática, mesmo mesmo não muda muita coisa ter essa abertura dupla – já que a câmera compensa de forma automática o ISO e a velocidade de disparo. Aqui uma foto (em um ambiente escuro) com a lente f/1.5 e, na sequência, em F/2.4, ambas em modo automático:

Quando você muda para o modo Pro, com configurações manuais e deixa o “jogo igual” para as duas lentes, percebe-se a diferença, ambas com ISO 400 e velocidade disparo em 1/10. Primeiro a 1.5, depois a 2.4:

De qualquer modo, é uma câmera excelente, talvez a com imagens mais nítidas que a Samsung já fez (mais fotos no Instagram com a hashtag #ztopgalaxys9):

Chicabon #neko #cats #catsofinstagram #galaxys9 #ztopgalaxys9

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O modo retrato, ops, “foco dinâmico” é bom!

E dá para ver MUITO detalhe nas fotos:

Mais uma (agora sem hdr) #galaxys9 #ztopgalaxys9 #rawphoto #rawphotography

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E fotos noturnas, claro, tendem a ficar boas (ainda mais brincando com edição em formato RAW posteriormente):

Vista (RAW + HDR) #galaxys9 #ztopgalaxys9

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A Samsung fez uma pequena modificação na interface da câmera ao colocar os itens no topo da interface. Isso é bom porque facilita alternar entre eles, mas por conta das bordas curvadas da tela, em alguns momentos você muda de item sem querer (ou se segurar o aparelho na horizontal, pode não parar em nenhum…). A sensibilidade para alternar entre câmera principal e câmera frontal também é alta – e me peguei em vários momentos “não quero tirar selfie, sai!”.

A câmera lenta: é a promessa mais legal do S9, mas não nos demos bem. A captura automática de movimento nem sempre funciona, precisa de um ambiente muito iluminado para funcionar direito, o modo de edição é confuso. Pense na câmera lenta mais como um truque divertido ocasional do que uma função primordial da câmera. Pelo menos me diverti no dia do meu aniversário na semana retrasada:

Fogos de artifício feitos em casa #galaxys9 #ztopgalaxys9 🎂🎂🎂

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Conclusões

O Samsung Galaxy S9+ é uma evolução do S8+: é mais rápido, a câmera é mais avançada, o aparelho é um pouco menor, mas a experiência geral acaba sendo muito parecida. Vejo o S9+ como um novo smartphone para quem está no Galaxy S7 ainda – o S8 ainda dá caldo por um tempo. É um aparelho super premium e tem seu preço alto – ainda que não tão absurdo como o iPhone X no Brasil.

Samsung Galaxy S9+

O que é isso? Smartphone de tela gigante topo de linha com Android 8.
O que é legal? Desempenho rápido, câmera excelente.
O que é imoral? Design é igual ao do modelo anterior, com poucas alterações. Câmera superlenta desaponta.
O que mais? Tem modo de vídeo em câmera super lenta e virá em três cores: preto (básico), cinza titânio e o novo e lindo ultravioleta (cadê o azul, Samsung Brasil?)
Avaliação: 8,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação
Preço sugerido: R$ 4.299 (modelo S9 com tela de 5,8″) e R$ 4.899 (modelo S9+ com tela de 6,2″), ambos com 128 GB de armazenamento interno. Em pré-venda a partir de amanhã (28/03) e disponível nas lojas em 20 de abril.
Onde encontrar: Samsung

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin