em obras


Assine Interfaces Newsletter

*obrigatório

Samsung Galaxy Buds+: antes de usar, leia o manual

Existem momentos da vida em que a tecnologia te surpreende pelo motivo mais simples. Os fones Samsung Galaxy Buds+, que chegam ao mercado brasileiro agora, fizeram isso comigo. São ótimos fones, uma grande evolução em comparação ao Buds original. Só que eu estava usando errado. Ouch.

Esse texto, então, é uma admissão de culpa (algo raro no mercado de tecnologia) e uma recomendação aos novos donos de Galaxy Buds+. O produto tem preço sugerido no Brasil de R$ 999.

Uma história triste

Tudo começou no dia do anúncio da linha Galaxy S20 / Galaxy Z Flip:

Tirei da caixa, coloquei para carregar, troquei a borracha que vai dentro do canal auricular para a menor possível, já que com os Galaxy Buds originais (e 100% dos fones de ouvido in-ear que uso) eu sempre escolho a menor, porque é mais confortável.

Comecei a usar. E achei o som muito estranho. As vozes em podcasts estavam metálicas demais. O som – em qualquer gênero musical – soava como se tivesse uma lata em cima do seu ouvido. Soava esquisito. Ao ativar o modo de Som Ambiente (que permite ouvir o mundo exterior sem precisar tirar os fones), o som metálico se amplificava. Argh.

Voltei para casa e coloquei o Buds original ao lado do Buds+:

E fiz um teste, alternando a mesma música e podcast entre os dois modelos. O Buds original tinha uma qualidade de som muito melhor. Estranhei.

Avisei a Samsung que corria o risco de ter uma unidade com defeito. Chequei com o Paulo Higa, do Tecnoblog, e ele estava com as mesmas dúvidas (posteriormente resolvidas)

A definição do Higa foi ótima: “o som lembra um MP3 com bitrate baixo” (pô, e eu usando Tidal com qualidade máxima). Me senti nos anos 2000 ouvindo CD de qualidade duvidosa vinda do Napster.

Os reviews no exterior começaram a sair e eu achando que tinha algo errado com a minha unidade mesmo: o consenso sobre os Buds+ era que eles oferecem som ótimo com grande bateria, faltou o cancelamento de ruído. Bem, a Samsung estava avisada, depois poderia tentar trocar (brinde de evento, acho que seria difícil).

Pelo menos consegui fazer ligações com os Buds+, e percebi que o microfone externo foi aprimorado bastante (ao ponto de meu interlocutor conseguir me ouvir, o que não acontecia com os Buds originais). Ponto para os Buds+.

E veio a solução

Nesse meio tempo – de fevereiro para cá -, saiu uma atualização de firmware para os Galaxy Buds+. Nada mudou. Amigos audiófilos vieram com teorias: um dos drivers estava queimado (mas… dos dois fones?). O fone está sujo, passe um álcool isopropílico (sujo… como???). Me resignei.

Ontem à tarde (10) resolvi parear os Galaxy Buds+ com o Samsung Galaxy S20 Ultra que estou testando. Apareceu mais uma atualização de firmware. Atualizei. Dedos cruzados.

E (rufem os tambores) apareceu a indicação que mudou a experiência com o fone: o aplicativo Galaxy Wearable, que gerencia os Buds+ no Android (o app para iOS é ótimo, por sinal) mostrou uma dica (daquelas que a gente que não lê manual ou… dicas do app): use a maior borracha na ponta do fone possível.

Peguei a primeira caixinha com borrachas de fone aqui (por acaso, as do Buds original) e instalei a maior. Pus para tocar a música padrão para teste de graves em headphones e… boom!

Eram outros fones. De algum modo, a borracha maior isola o canal auditivo de forma mais eficiente e os fones soam como devem soar. Liguei o modo de Som Ambiente e o som metálico se foi!

Ouvindo música, o som estava nítido e claro, os graves eram perceptíveis – e melhores que os Buds Originais. O microfone é ótimo, a bateria dura bastante (ontem usei por três horas seguidas, coloquei na caixinha de novo, estou nesse momento com 100% de carga nos fones e 30% na caixa, que não estava 100% carregada, vale notar).

Não posso comparar com os Airpods da Apple porque nunca usei esses fones (mas sou fã dos PowerBeats Pro).

Temos um campeão, afinal. E, crianças, leiam o manual e sigam as dicas do app sempre. A resposta para seu problema pode estar lá e gente como eu, que lida com tecnologia todo dia, nem sempre presta atenção nos pequenos detalhes. Mea culpa.

[Samsung]

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o criador do ZTOP e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

em obras

interfaces newsletter

+novos