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Ronaldo Miranda assume a AMD Brasil

O novo vice-presidente, gerente geral da AMD para América Latina e chapa deste Ztop Ronaldo Miranda foi apresentado ontem (7/11) para a imprensa e falou um pouco sobre suas perspectivas na nova empresa.

Miranda chegou à nova casa no início dessa semana e foi apresentado por Hans Erickson (acima à direita), vice-presidente mundial de gestão de negócios da AMD que passou os últimos meses reestruturando a empresa na América Latina — o que inclui o time local — ao mesmo tempo que mudou a sede brasileira para um novo escritório mais amplo na região da Berrini aqui em São Paulo.

Como a AMD fechou seu último quadrimestre em março e passa atualmente pelo chamado quiet period, os executivos não podiam falar muito sobre números da empresa, mas de qualquer modo eles acharam importante apresentar o novo executivo para o mercado esse novo momento da empresa.

Erickson fez uma breve introdução falando sobre o lançamento da nova linha APUs Fusion + plataforma Brazos que oferecem uma interessante relação de preço x desempenho x gráficos em HD x baixo consumo (9 ou 18 watts) de  energia e que segundo ele está vendendo muito bem lá fora.

Miranda iniciou a conversa explicando que como ele acabou de chegar na empresa ele ainda ainda não começou a desenhar seus planos e estratégias mas já adiantou que o mercado pode esperar uma AMD mais pró-ativa e que vai colocar bastante energia nos canais e parceiros — uma característica que ele descreve como uma marca registrada de Ronaldo Miranda — cujas iniciativas devem ficar mais claras nas próximas semanas.

Quando perguntamos se com a chegada do Fusion (e a boa impressão inicial do mesmo) não seria o momento da AMD ir para o mercado e conquistar novos parceiros de fabricação, Miranda explicou que com a chegada dessa nova plataforma sua empresa poderá competir de uma maneira diferente, já que o conceito de APU representa um salto a frente do que já foi feito até hoje no mercado de PCs. Isso por que — explica ele — sem entrar em detalhes técnicos, provoca no consumidor uma sensação que ele descreveu como “motivação de consumo”  no sentido de que seu produto oferece realmente algo novo e desejável como excelente suporte para computação visual e maior autonomia — algo como 8 a 12 horas de bateria — e com um encapsulamento de form factor menor, proporci0na um menor custo de produção e conseqüentemente um produto mais em conta no ponto de venda.

Assim ele acredita que pela primeira vez em muitos anos a AMD tem uma interessante plataforma para ofercer ao mercado e apesar de estar a apenas três dias no cargo ele já visitou a maioria de seus clientes importante com seu VP mundial de vendas e todos sem excessão estão com altíssimas expectativas de que o Fusion poderá proporcionar essa combinação de baixo consumo, ótimo desempenho gráfico e um custo adequado. Fora isso novas plataformas estão para chegar ao mercado de modo que ele acredita que com a APU será possível renovar o impacto e as possibilidades do PC trabalhando com preço de performance de uma maneira mais agressiva.

De qualquer modo, é sabido que na próxima segunda feira (11/abril) haverá um evento voltado para os canais para falar especificamente sobre a plataforma Fusion.

Mas com toda essa inovação e pela experiência que tivemos com o Sony Vaio Y aproveitamos para perguntar para ambos os executivos como seria possível passar essa nova mensagem para o consumidor final, já que a mais de ano, a AMD simplificou sua estratégia de branding colocando a maioria das suas tecnologias sob uma única bandeira batizada de Vision que fala mais sobre experiência de uso do que tecnologia/percepção de desempenho propriamente dito ou seja, como explicar por exemplo que o novo Vaio Y (com E-350 Fusion) oferece uma melhor experiência de uso de um ThinkPad X100e (com Athlon MV40) do ano passado se ambos ostentam o mesmo selo Vision?

Miranda reconhece que pelo ponto de vista técnico a estratégia Vision realmente não fala muito sobre o que há dentro da máquina mas ele explica que pela sua experiência nesse mercado, o grande desafio dos fabricantes de PCs é de sair com uma proposta que não mais confunda o usuário leigo que pode ficar meio perdido no meio de tantas letrinhas e numerozinhos. Assim com o Vision o que importa é o que o usuário tenha condições de saber o que ele pode fazer aquela máquina, independente dela ter gráficos integrados, discretos ou mais ou menos núcleos.

Desse modo o que o mercado deve esperar da AMD de agora em diante é cada vez mais explorar e levar para o usuário final o conceito do que é bom para ele comprar pelo preço que ache justo, independente da sopa de letrinhas que está por trás do produto, deixando para os entusiastas e especialistas o interesse por este ou aquele componente que mais lhe agrade.

Entretanto, ele reconhece que deveriam haver meios de passar essa mensagem que o “novo Vision” deste ano é melhor do que o Vision do ano passado. Ele já pensa por exemplo de ajudar os parceiros a realizarem demonstrações nos pontos de venda de uma maneira mais visual do que com palavras.

É um trabalho de longo prazo mas que você muda o paradigma do mercado, conclui o executivo.

Com relação a chegada em volume da plataforma Fusion/Brazos no mercado Brasileiro o executivo afirma que ele espera que o número de ofertas comecem a aumentar à partir de meados deste ano modo que no segundo semestre já teremos uma boa variedade de produtos nas lojas.

E os preços? Com a chegada do Fusion seria possível derrubar ainda mais os preços dos computadores no Brasil?

Como um profissional que passou os últimos quatro anos na Samsung fabricando PCs por aqui e agora do outro lado do balcão como fornecedor de plataformas e componentes, Miranda comentou que os preços dos PCs no Brasil chegaram à um nível de piso tão baixo que ele não acredita que possa cair muito mais a não ser que o dólar continue derretendo. Isso por que — infelizmente — nossa cadeia de impostos impede que possamos ir muito além desse limite.

Se hoje já encontramos notebooks por R$ 999 ele não acredita que esse preço possa cair mais do que isso e se dividirmos esse valor por 1,69~1,70 chegaremos a preços compatíveis de um produto vendido nos EUA e importado legalmente pra cá.

Em contrapartida, ele afirma que os reais ganhos que o consumidor final terá de agora em diante na compra de um computador não será num preço menor e sim na sua capacidade de fazer mais coisas e mais rápido ou seja, oferecer mais pelo preço que você já paga hoje.

Ele acredita que um PC na faixa de R$ 1.299~1.599 é um preço bem razoável para nossa cadeia de impostos, mas ele acha que poderemos comprar algo com uma performance melhor por esse valor e é ai que as APUs da AMD entram em cena para proporcionar exatamente isso, isto é uma melhor experiência de uso sem gastar a mais por isso — e ainda neste ano afirma o executivo.

Finalmente, não poderíamos deixar esse primeiro contato para perguntar para Miranda sobre a eterna competição entre o pessoal de Sunnyvale e de Santa Clara. Nas diversas conversas que tivemos com os executivos da AMD, muitas vezes eles levantaram a bandeira do “fair play” no negócio de processadores. Assim seria interessante ouvir o que o ex-executivo da Intel e atual gerente geral da AMD no Brasil teria a falar sobre isso e se ele acredita que o fato dele  já conhecer as manhas desse jogo se isso poderá ajudar a levar o seu time para melhores resultados.

Miranda diz que sim, já que ele afirma que o mercado mudou muito nesses últimos 10 ou 12 anos e que hoje existem diversos órgãos regulamentadores que ajudam isso acontecer o que lhe dá a tranqüilidade de dizer que o jogo hoje é mais justo e de fato ele conta com isso já que a AMD sempre foi comprometida com o fair play e apesar dela ser menor que sua principal concorrente ela sempre foi vista pelo mercado como um bom parceiro.

Fora isso ele comenta que no mercado de TI — de uma hora para outra — o jogo pode mudar rapidamente (vide o exemplo dos tablets) o que faz com que isso também mexa na dinâmica e na força dos jogadores e é nisso que a AMD também aposta ou seja o fato deles serem relativamente pequenos e agora sem uma megafab nas costas, ajuda a empresa a ser mais ágil e flexível, criando, lançando e ajustando suas plataformas de acordo com a demanda do mercado e fazer isso acontecer de maneira bem mais rápida do que quem tem 20 fábricas nas costas que custam cinco bilhões de dólares cada.

Entretanto o executivo explica que é preciso ponderar o tamanho das empresas e ele acha que o executivo tem que usar isso em seu favor — já que você está lá pra fazer o seu serviço — e se isso for feito de maneira coerente, justa e fair play ele acha que tá valendo.

Ele diz que já fez isso na sua carreira e não acredita que esteja hoje do lado fraco da disputa e sim que está numa empresa que tem um potencial gigante de mudar o jogo e com a capacidade de participar desse novo momento.

E contem com isso! — Conclui o executivo.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Notebook Oferta 09/04/2011, 11:26

    Ótimo artigo!
    Vamos ver se ele vai dar conta do recado!