Robô do dia: UGO, que lava e dobra roupa

R

Ele é capaz de realizar pequenas tarefas domésticas do dia a dia e será oferecido como um serviço de aluguel em 2020.

A Mira Robotics Co., Ltd. anunciou semana passada no Japão o desenvolvimento do UGO (lê-se “Yugo”), um robô voltado para auxiliar nas atividades domésticas do dia a dia como lavar roupa.

Porque isso é relevante?

Lavar roupa pode parecer algo banal para um ser humano, mas trata-se de um grande desafio para um robô já que isso exige uma grande esforço computacional (ou mesmo de inteligência artificial).

Isso porque o robô precisa identificar e separar determinadas peças de roupas (por tipo, cor, tecido etc.), transferi-las de um local para outro (do cesto de roupa suja para a máquina de lavar) e de lá para o varal ou secadora e para o cesto de roupa limpa para ser dobrada e guardada.

Outro detalhe importante é que o robô muitas vezes terá que realizar essas tarefas em ambientes precários que não foram feitos para eles transitarem.

E como já acontece nos países desenvolvidos (e até no Brasil), ter e manter um profissional dedicado para realizar essas tarefas domésticas está se tornando cada vez mais complexo e oneroso, de modo que era uma questão de tempo até alguma empresa apresentar uma solução para atender a essa demanda.

Quem é UGO?

Ugo é um robô “semi-autônomo” (mais sobre isso adiante) de porte médio que pede aproximadamente 45 x 110 x 66 cm (LxAxP) e 72 kg de peso e cuja aparência é levemente “humanóide” ou seja, ele tem cabeça, braços e se move por meio de rodas. O detalhe que mais chama a atenção desse design é a altura, já que ele pode chegar a 1,8 m.

Essa última característica por sinal vai contra as idéias de alguns futurologistas como Brian David Johnson, que acha que os robôs domésticos devem ser uma aparência simpática e serem sempre menores que seus mestres humanos para criar assim um certo vínculo de afeto e não intimidá-los com a possibilidade de serem atacados numa revolta das máquinas.

Neste caso, essa grande altura tem uma função prática, já que isso facilita algumas tarefas, como por exemplo pegar um objeto numa prateleira alta ou pendurar roupa no varal. Falando nisso, seus braços são capazes de segurar objetos de até 1,5 kg e, por não ter pernas, ele é incapaz de subir escadas (duh!)

Fora isso, UGO vem equipado com três câmeras, sensores diversos, microfone e alto-falante, além de vir equipado com portas de rede Wi-Fi e LTE. Sua autonomia é estimada em ~4 horas de funcionamento contínuo.

Modelo de negócios

Uma curiosidade do UGO é que a Mira Robotics não tem a intenção de vendê-lo e sim de alugá-lo para o consumidor final, que pagaria uma mensalidade em torno de 20.000 a 25.000 ienes (~R$ 673 a R$ 841) para ajudá-lo nas tarefas da casa.

Observe que a idéia neste caso não é que o robô passe o dia inteiro lavando, limpando e cozinhando, e sim que ele realize certos trabalhos domésticos por algumas horas por semana.

Outra peculiaridade desse serviço é que, inicialmente, o UGO será controlado remotamente por um funcionário da empresa conectado pela internet.

Assim, quando o dono da casa pede que o robô faça algo, este se conectará à empresa onde um profissional de lá irá conduzir o UGO na realização da tarefa e se desconectará no final da mesma, algo por sinal que as pessoas já fazem com empregados humanos.

Mas com o passar do tempo, a estratégia da Mira Robotics é que neste processo de controle remoto, a empresa também colete e acumule grandes quantidades de informação de como fazer coisas e utilizá-las para implementar um sistema de IA em seus robôs por meio de aprendizado de máquina.

Assim, com o passar do tempo, o UGO passaria a depender menos dos humanos para realizar certas tarefas que passariam a ser feitas de maneira autônoma, podendo até chegar ao ponto do sistema se tornar totalmente autônomo.

Neste meio tempo, a empresa está ciente de que deixar uma casa nas mãos de um operador remoto que o dono nunca viu na vida pode levantar questões sérias de privacidade e segurança.

Com relação a isso Mira está tomando diversas precauções, como por exemplo, implementar uma tecnologia de visão computacional que identifique textos no ambiente e os apaga digitalmente, impedindo assim que o operador da empresa possa lê-los. Fora isso, todos os movimentos do robô pela casa podem ser monitorados remotamente pelo dono por meio de um app.

A empresa também ressalta que o movimento do robô pode ser limitado a certos cômodos da casa e — como já foi dito antes — como UGO não sobre escadas, ele não teria acesso a áreas mais privadas como os dormitórios.

A empresa está recrutando beta-users para iniciar os primeiros testes de campo em breve, sendo que a previsão é que o serviço comercial seja lançado em 2020

Mais informações aqui.

Henrique comenta:Essa história de robô lavador me lembrou a iniciativa da Foldimate, que tem um robô para dobrar roupas e começa a ser vendido este ano:

https://youtu.be/qHljT48dz-U

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

Por Mário Nagano

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos