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Review: Workstation Dell Precision M6400 Covet

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Os entusiastas de carros antigos devem se lembrar dos Muscle Cars, veículos médios de duas portas equipados com motores potentes de seis ou oito cilindros, ar esportivo e já saíam de fábrica pintados com cores berrantes como vermelho sangue, amarelo ovo ou mesmo cor de abóbora bem madura. No Brasil entre os exemplos mais lembrados estão o Ford Maverick V8 e o Dodge Charger R/T.

Digo isso por que essa foi a minha sensação ao ver, pela primeira vez o Dell Precision M6400 “Covet” (= ambição, cobiça), uma workstation móvel que impõe presença mesmo desligada. Ligada então, tem-se a sensação de estar pilotando algo especial, exclusivo e muito acima do comum que encontramos nas lojas, magazines e até mesmo escritórios. E essa é apenas uma das coisas interessantes que vimos nesse equipamento, grande, pesado e com cara de mau.

dell_precision_covet_closed_colorA primeira coisa que chama a atenção no Covet é seu gabinete totalmente em metal na cor laranja que dá uma volta ao redor do equipamento, deixando apenas as laterais na cor preta. Como é padrão na nova linha de portáteis corporativos da empresa, o logotipo da Dell fica deslocado na lateral direita da tampa do monitor.

Medindo aproximadamente 39,3 x 3,8 x 28,0 cm (LxAxP) e 4,3 kg de peso, o Covet mal pode ser chamado de portátil (“transportável” é um termo mais preciso) se encaixando mais na categoria dos desktop replacements, máquinas capazes de substituir um computador de mesa ou mais exatamente uma estação de trabalho ou workstation. Veja abaixo uma comparação do Covet com um ThinkPad T61p da Lenovo com tela de 15,4″ polegadas wide e que também é considerado grande para os padrões atuais:

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E se você achou o Covet grande, dê uma olhada no seu adaptador de rede elétrica de 19,5 V / 10,8 A e 210 Watts, uma patola de 1,3 kg perto do modelo de 90 Watts da Lenovo:

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Apesar do tom de exagero, tamanha oferta de energia é necessária para alimentar sua configuração interna: o modelo analisado veio equipado com processador Intel Core 2 Quad Q6600 Extreme Edition, um chip de quatro núcleos de 2,4 GHz com 8 MB de cache L2 e FSB de 1066 MHz. O que mais chama a atenção nesse chip é o fato dele não ser um processador móvel, e sim um modelo para desktops com soquete LGA 775. Isso mostra que a Dell preferiu abrir mão das vantagens dos chips móveis em favor do melhor desempenho possível para esse produto. O Covet também pode ser pedido numa versão com processador Core 2 Duo Extreme.

O modelo analisado também veio equipado com dois discos SATA de 250 GB cada montados em RAID 0 (RAID 1 opcional) totalizando 465,7 GB de armazenamento e 12 GB de SDRAM DDR3 de 1.066 MHz montados em Dual Channel. Observe porém que, para tirar proveito de toda essa memória, é necessário o uso de um sistema operacional de 64 bits disponível na Dell durante a hora da compra. Se a intenção é de usar um SO de 32 bits, o ideal é adquirir uns 4 GB de SDRAM. A aceleradora gráfica é uma NVIDIA  Quadro FX 3700M com 1 GB de memória dedicada com suporte para OpenGL 2.1, DirectX 10 Shader Model 4 e até mesmo CUDA, a nova tecnologia  GPGPU que utiliza a GPU para super-acelerar o processamento de aplicações dedicadas como o Badaboom.

Aberto, o tom predominante do Covet é o preto, onde se destaca sua impressionante tela LCD WUXGA (resolução nativa 1.920 x 1.200 pixels) de 17 polegadas com backlight a LED, o que oferece uma maior precisão e uniformidade na reprodução de cores.

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Para se ter uma idéia da resolução dessa tela, ela é capaz de repoduzir um filme em full HD 1080p sem ter que reescalar a imagem, apresentar uma planilha Excel com 59 linhas e 29 colunas (A ~ AC) ou abrir várias janelas ao mesmo tempo com espaço de sobra para seus gadgets favoritos:

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Meio escondido no topo da tela está sua webcam de 2,0 megapixels (produzida pela Creative Labs): note os furinhos de cada lado – são as entradas de som de seu array de microfones.

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Espaço também tem de sobra no seu teclado padrão ABNT-2c om teclado númerico separado e uma curiosa sétima carreira de botões que controlam o volume e um curioso botão de atalho CALC que chama a calculadora do Windows. Acima do teclado também podemos ver o sensor biométrico, que parece ser um modelo produzido pela UPEK que, ao contrário dos modelos mais comuns por aqui, dispensa a “passada de dedo”. Basta pressionar o dedo sobre o mesmo que a leitura é realizada. Nessa mesma área ficam os sensores de luminosidade, que podem controlar automaticamente o brilho da tela LCD, e os alto-falantes embutidos. As luzes indicadoras de estado ficam numa posição de fácil leitura, com exeção de dois indicadores laterais que replicam as informações da carga da bateria e se o equipamento está ligado ou não.

Finalmente ainda existe um leitor de smartcards sem contato via RFID ao lado to touchpad. (Brigadão Marcelo pelo toque!)

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Ah sim, como já vimos nos novos Dell Latitude, seu teclado também pode ser retro-iluminado pressionado-se uma tecla especícifica ou automaticamente quando a luz ambiente cai muito. Curiosamente, esse recurso não funciona com as teclas de controle de volume e CALC.

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O dispositivo apontador é o tradicional sistema duplo de touchpad com trackpoint com opção de usar um ou outro ou ambos ao mesmo tempo por meio de um ajuste no seu driver de dispositivo.

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Para nossa surpresa, seu touchpad possui uma curiosa função que — ao pressionar o ícone parecido com um “c” no canto inferior esquerdo do dispositivo— transforma o mesmo num controle de jog-shuttle digital (uia!) formado por um controle giratório, quatro teclas de atalho e até uma barra de rolagem (tudo programável por software), o que pode ser um recurso muito interessante para aqueles que trabalham com edição de vídeo, dispensando o uso de um controle externo.

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Nas suas laterais, concentram-se todas as portas de comunicação. Na lateral direita podemos ver a entrada de cartão Expresscard/54, controle do Wi-Fi, porta Gigabit Ethernet, saídas de vídeo DisplayPort e SVGA, uma USB Powered e uma combo e-SATA + USB Powered.

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Um recurso muito interessante que já vi em outros modelos da Dell é o “Wi-Fi sniffer” , um pequeno botão que fica à direita da chave que liga e desliga a interface Wi-Fi que aparentemente não faz nada. :^P

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Isso porque esse recurso só funciona com o computador fechado e desligado. Nesse estado, basta pressionar esse botão — aguardar alguns segundos — e se existir algum sinal de Wi-Fi no local, uma luz azul no botão se acende. Isso evita todo o transtorno de ter que ligar o portátil apenas para descobrir, no final, que não existem redes sem fio disponíveis.

Como é que a Apple nunca pensou nisso antes? ;^)

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Do lado esquerdo podemos ver (a partir da esquerda) um slot para trava de segurança padrão Kensington, uma porta IEEE 1394 (Firewire), duas portas de som, mais duas USB 2.0, slot para cartão de memória Flash, slot para cartão PCMCIA (uia!) e um gravador de DVD fixo do tipo slot (como nos CD players de carro). Não sou muito fã desse tipo de leitora, já que não me sinto seguro de usar mini-CDs de 5 cm ou mesmo aqueles com forma de cartão de visitas nesse tipo de leitor. De qualquer modo, esse sistema ocupa bem menos espaço que o sistema de gaveta, o que pode ajudado a manter o perfil baixo do produto.

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Não há muito o que ver na parte de trás do portátil além da entrada de energia e duas generosas saídas de ar.

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A parte de baixo do Covet apresenta um visual bastante limpo, sem parafusos aparentes, com três entradas de ar, conector para docking station opcional e o compartimento da bateria. Note os  pezinhos de borracha que ajudam a criar um espaço mínimo para a circulação de ar por baixo do equipamento e a grade central localizada exatamente sobre os pentes de memória, o que deve ajudar na dispersão de calor do componente.

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Para quem sentiu falta do selo da licença do Windows e todas aquelas certificações, elas estão escondidas no compartimento da bateria:

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Para um equipamento desse porte e capacidade de processamento, a bateria de nove células do Covet (modelo C565C) não é nada que impressione, devendo — na minha opinião — ser considerado mais como um sistema alternativo de alimentação do que uma fonte primária de energia. Sob um certo ponto de vista, poderíamos até encarar sua bateria como um no-break embutido, o que pode salvar um grande trabalho na hora de um apagão. Algo que muita workstation de mesa não tem. ;^)

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Para ajudar o usuário a gerenciar melhor o estado da sua bateria (mesmo com o computador desligado), ela possui um conveniente medidor de energia, basta pressionar o botão para ter uma leitura por meio de uma escala de LEDs.

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Ao contrário da concorrência, o Covet não dá muitas pistas de como ter acesso ao seu interior. Mas antes de partir para a ignorância, notei dois parafusos escondidos no compartimento da bateria que trava o painel inferior (o retângulo com borda preta da imagem acima). Ao removê-los temos acesso praticamente a todo o seu interior, o que facilita tanto a sua montagem na linha de produção quanto a sua manutenção.

A primeira coisa que podemos observar é sua maciça estrutura interna de metal fundido, o que além de ajudar a manter a rigidez do conjunto deve ajudar a dispersar o calor gerado no seu interior. Note os diversos componentes duplicados como os discos rígidos, os bancos de memória e as ventoinhas. Apesar de ser possível ouvir os ventiladores quando a carga de processamento é alta, na maioria do tempo o Covet é um equipamento bastante silencioso e sua base não esquenta tanto quanto o esperado. De fato, as partes mais quentes do conjunto são as saídas traseiras de ar.

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O Covet possui quatro slots PCI-mini. Sendo que o modelo analisado já veio com os módulos Bluetooth e Wi-Fi (cartão de meia altura). Ele possui um espaço específico (WWAN) para um modem 3G ou até mesmo Wi-Max. De fato, existe até um índicador específico ao lado do sinal de Bluetooth.

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Existe ainda um quarto slot marcado como “FCM” (Flash Card Memory) usado para instalar um cartao Turbo Memory (Robson), que otimiza o acesso ao disco rígido, melhorando tanto o desempenho das aplicações que acessam sempre a mesma informação no HD quanto o consumo de energia, com aumento na sua autonomia.

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Sob Testes

Como é de praxe, apagamos o Windows Vista Business que veio com o produto e instalamos uma cópia do Ultimate com as versões mais recentes dos drivers de dispositivo disponíveis no site da Dell. Como o equipamento analisado veio equipado com 12 GB de SDRAM, o ideal era que os testes fossem realizados com um SO de 64 bits, mas optei por trabalhar com 32 bits para garantir a compatibilidade com nossos benchmarks.

Nos testes realizados, o Covet bateu 158  pontos no Sysmark 2007 Preview 1.05 9.056  pontos no PCMark 2005, e 5.323 no PCMark Vantage, 5.425 pontos no 3DMark 2006 e no AutoGK 2.45, o 540 levou aproximadamente 1h02m28s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O índice de Experiência do Windows bateu 5,9 pontos em todas as categorias.

Nos testes de renderização com o Cinebench 9.5 o Covet obteve 493 CB-CPU (single CPU) e 1.477 CB-CPU (multiple CPU), um ganho de quase 3 vezes no modo multiprocessado. No Cinebench 10 os resultados foram melhores ainda: 2.973 CB-CPU (Single CPU) e 9.954 CB-CPU (Multiple CPU), ganho de 3,35 vezes. Nos testes de autonomia com o Battery-(comedor de farinha)-Eater o sistema funcionou em média — a plena carga — por 01h09m57s, algo por sinal dentro do esperado.

Para um computador dito “portátil”, o desempenho do Covet é algo realmente de saltar aos olhos, obtendo resultados que até hoje não vimos em nenhum outro portátil que já passou aqui pelo Zumo ficando na frente até de alguns modelos de mesa com Quad-core, como o Studio 540. Isso, de um certo modo, comprova minha visão meio holística que não é o processador que faz milagres e sim o conjunto do equipamento e a perfeita harmonização de seus componentes que produzem um produto realmente bom.

E foi isso que vi no Covet: um conjunto bem equilibrado, confortável e rico em recursos, além de ser visualmente atraente, algo que começa a ganhar importância num mercado saturado pela mesmice e generalidade dos produtos — ao ponto de muitos serem ofertados simplesmente como Computador Intel“, “Notebook Dual Core” ou mesmo “CPU X3 Triple Core”  quando o nome santo do pessoal de Santa Clara não pode ser invocado.

Entretanto, vale a pena ressaltar que o público alvo do Covet está nas áreas de análise financeira, engenharia, arquitetura, pesquisa científica, mineração e pesquisa de petróleo ou até mesmo profissionais de vídeo, animadores ou qualquer outra atividade que demande capacidade de processamento acima da média e bom suporte técnico, abrindo até mão de itens muito apreciados pelos usuários de portáteis como leveza, facilidade de transporte e duração da bateria.

Quem já teve que viajar por aí com um desktop nas costas que o diga.

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Resumo: Dell Precision M6400 Covet
O que é isso? Workstation portátil de uso geral.
O que é legal? Construção sólida, ótimo acabamento, recursos e desempenho bem acima da média.
O que é imoral? Um pouco pesado para ser levado de lá pra cá. Bateria de autonomia modesta.
O que mais? Não é um equipamento barato. Não compre mais do que 4 GB de SDRAM de for trabalhar com um SO de 32 bits.
Avaliação: 9,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: Configurações a partir de R$ 12.877 + frete .
Onde encontrar: www.dell.com.br


Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • fantástico….
    mas fui fazer uma visita ao site da Dell – qta tristeza ao ver o preço!!!!

  • Anderson

    Sem querer ofender mas já ofendendo, as laterais alaranjadas me lembraram o Amazon Gamer, mas é mais do que evidente que o conjunto da Dell é muito mais poderoso e também tem um direcionamento diferenciado, o mercado de workstations “transportáveis” (um belo termo Mário e totalmente apropriado), que é indicado pelo uso da GPU Quadro.

    Estou curioso quano ao que o Covet pode demonstrar com o SpecViewPerf e um Cinema 4D

    Obs: Mário tem dois “de” na linha que você descreve o LCD.

  • Marilu

    Está ficando difícil manter a fidelidade ao ThinkPad… 🙁

  • Rafael

    Quase que perfeito ,só falto a webcam 🙂

  • Oi Rafael,

    Se isso for problema — problema não é mais!

    Já atualizei o post com a imagem da sua Webcam de 2 MP e seu array de microfones.

    [ ]s

    M.

  • Otávio

    Só para constar eu fiz um orçamento desse computador no site de DELL.

    Coloquei tudo do bom e do melhor, tudo mesmo.

    Achei o preço muito acessível:

    R$33.822

    Assim que eu ganhar na mega-sena, concerteza comprarei o meu. =P

    Grande abraço a todos.

  • esse padrão display port vai substituir o hdmi para saída de vídeo digital? nos obrigando a comprar mais um cabo para carregar na maleta do note?

    pq não deixar o hdmi 1.3, que já transmite audio e video em high-def…

  • Daniel HJ

    É uma das mais poderosas Workstation HI-END portateis dos dias atuais, realmente para poucos….

  • FCNC

    Na verdade so é caro aqui no Brasil.
    Eu comprei um desses nos EUA no Outlet da Dell (www.delloutlet.com) e me custou em torno de R$3000. Tem é que ficar esperto com as promoções e quase todos os meses eles soltam coupons com pelo menos 15% de desconto (e olha que o outlet ja é em torno de 40% mais barato).
    Esse desconto todo era porque o sistema, apesar de novo, tinha um arranhadozinho na lateral…
    Mas vale cada centavo, isso eu garanto!