Review: Singapore Airlines, classe econômica (GRU-BCN)

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Ser nerd de avião é complicado. Adoro voar, mas nem sempre dá para fazer o trajeto pela companhia aérea desejada (ou pior, avião). Para completar, 1,83 m de altura em classe econômica significa sempre aperto.

Na hora de decidir pra vir ou não cobrir o Mobile World Congress, em Barcelona, deu pra juntar a fome com a vontade de comer: encontrei uma tarifa ótima na Singapore Airlines, que tem a fama de ser uma das melhores companhias aéreas do mundo. E ainda em um Boeing 777-300ER (sim, sou fanboy da Boeing!) saindo de São Paulo, em voo direto para Barcelona? É nesse mesmo.

Desde o início das operações da Singapore no Brasil, no ano passado, venho acompanhando as aventuras do Rodrigo Purisch, do Aquela Passagem, na suas aventuras com a turma de Cingapura (aqui, aqui e aqui).

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Na noite de quinta-feira para sexta (23/24 de fevereiro), fui pra Guarulhos esperando filas e bagunça: que nada.

Como o voo da Singapore partia de Cumbica às 2h25, cheguei as 22h15 ao aeroporto. Um pouco mais de três horas de antecedência, já que a maioria das cias. aéreas têm filas (oi TAM! oi Pluna!) gigantes.

Fiz o check-in online antes (o sistema da Singapore permite escolher refeições e assentos pelo site desde o momento da reserva) e segui direto para a fila específica para despachar a mala.

O atendimento começou por volta das 22h35. Despachei a mala, peguei o bilhete de embarque e o atendente já falou “o serviço é incrível, você não vai se arrepender”. Alta expectativa, Singapore, alta expectativa. “O embarque está previsto para 1h30, mas deve começar 1h50. Dá tempo, você vai ver. E não quer trocar seu programa da milhagem da United para o da Singapore?”. Calma, amigo, calma.

Passei pela segurança e imigração de Guarulhos e fiquei lá esperando no Terminal 1, quase deserto após a meia-noite. Pelo que lembro, estavam programados para a madrugada apenas voos para Barcelona (o meu), um para Bogotá (cancelado) e um para Miami. Lá pela 1h20 começa a chegar a tripulação: comandante, comissários e as famosas Singapore Girls, que levam o conceito de “aeromoça” a outro nível.

Aprendam, TAM, Gol, American, United: dá para organizar o embarque de maneira decente, com filas rápidas e sem zona. A Singapore montou quatro filas na frente do portão 11A: os ricos (primeira classe, executiva, status Gold na Star Alliance), depois as fileiras 44 a 56 (no fundo, entram primeiro) e finalmente as fileiras 31 a 43 (na primeira cabine da econômica). Embarque começou a 1h50 mesmo, vinte minutos depois estava todo mundo sentado. Na econômica, os assentos são organizados em três blocos de três (3 assentos-corredor-3 assentos-corredor-3 assentos). Estava no 39H, assento convencional no corredor do lado direito do avião (assentos em saídas de emergência/primeira fila custam US$ 50 a mais).

E este era o meu ponto de vista:

E meu simples e básico 39H tinha bom espaço para as pernas e nas laterais (lembrei da Economy Plus da United Airlines), apoio para os pés e uma tela gigante de 10,6″ para o sistema de entretenimento sob demanda do 777-300ER (pintado com o logotipo da Star Alliance).

Do lado direito da tela, uma entrada de vídeo (!), uma porta USB (yay!) e uma porta de rede (!).

 

Nagano comenta: Meu palpite é que essa porta USB seja usada apenas para recarregar seu dumbphone/smartphone/tablet o que não deixa de ser uma grande idéia. Outra possibilidade é que ela também possa ser usada para espetar um memory key ou player MP3 para reproduzir seu próprio conteúdo de áudio (e quem sabe até vídeo) diretamente no sistema de entretenimento da poltrona. 

Já a porta de rede  poderia ser usada para acessar a Internet (paga? / de graça?) ou algum serviço de entretenimento on-line semelhante ao da Gol no Ar.

Do lado direito, um porta-copos, suporte para pequenos cacarecos…

E abaixo, um controle remoto para comandar o sistema todo.

Atrás do controle, um teclado alfanumérico

E no braco do assento, uma tomada 110v (yay! yay!) e o conector de fones de ouvido (infelizmente no bizarro padrão de dois conectores, que forçam o passageiro a usar os fones fornecidos pela companhia aérea – ou andar com um adaptador para seus fones convencionais, meu caso).

O sistema de entretenimento (IFE, em inglês) é fornecido pela Panasonic. Tem TANTA opção que é impossível passar as 10h no ar e ver tudo. Tem 140 filmes (americanos, chineses, japoneses, indianos…), inúmeras séries e programas de TV, uma área para crianças, informações de viagem com mapa em tempo real, guias de viagem dos destinos, previsão do tempo, aulas de idiomas e até dá para conectar seu iPod/iPhone e ver os vídeos na tela grande. Eu, que gosto de dormir durante o voo depois do jantar, acabei vendo dois filmes (“Drive” e “Japanese Salarymen NEO“) e passei o resto do tempo acordado vendo o trajeto.

Bônus: a tela de 10,6″ tem uma luz de leitura abaixo da moldura – incomoda menos o vizinho da poltrona ao lado.

O serviço da Singapore Airlines é impecável. Acho que estou tão mal-acostumado a voar nas americanas (oi American! oi United! oi comida paga em voos internos, oi bebidas cobradas à parte) que tudo foi bastante impressionante. Singapore Girls simpáticas e atenciosas (e prontas pra lidar com qualquer problema), comissários e chefes de cabine ajudando (igualmente simpáticos). Pra começar, toalhas quentes para limpar as mãos antes do jantar…

Que veio cheio de comida. Escolhi a carne com purê, mas tinha ainda pão com manteiga, salada com salmão, um bolinho de sobremesa, água, sucos, refrigerantes e bebidas alcóolicas (vinho e cerveja) à vontade. Isso na econômica, lembrando de novo. Quer mais vinho, senhor? Sem problema! E talheres de metal, de verdade. Não aquela coisa de plástico que não corta nada…

Durante a noite, uma esticada ao banheiro e uma pausa para água invariavelmente levava uma Singapore Girl a oferecer mais comida: batatas fritas, sanduíches e chocolates.

Para o café da manhã (não tirei foto), a mesma bandeja grande, com pão, opções de lamen ou omelete, iogurte… Não dá para reclamar que a Singapore oferece pouca comida.

Até os banheiros da econômica tinham seu extra. Em cada lavabo, perfume, creme para as mãos e um enxaguante bucal para uso à vontade…

Assim como uma gavetinha com pente e escovas de dente – caso você tenha esquecido de pegar a necessaire no seu assento.

Ainda distribuíram uma necessaire com meias e (mais uma) escova de dentes, em uma bolsinha bem simpática:

No fim das contas, a decisão de voar Singapore Airlines valeu bastante a pena. Paguei muito barato a passagem ida e volta (US$ 792 com taxas e sem direito a milhas na Star Alliance, contra uma média de 1.500 euros de cias. europeias – o preço varia de acordo com tarifas, períodos e destinos) e cheguei direto ao meu destino, Barcelona, sem escalas. Uma escolha ótima, tanto pra voar quanto para o bolso. Serviço impecável, diversão garantida e ainda recarga para os gadgets (aproveitei o USB para recarregar o iPhone).

Comprei a passagem direto no site da Singapore, e aguardo ansiosamente a volta no próximo sábado (03). Imagino, claro, que voar direto para Cingapura de São Paulo (10h até Barcelona, mais escala e mais de 10h até o destino final) permite usar ainda mais os recursos de entretenimento a bordo da Singapore Air. Quando eu for gente grande, faço isso no sofá gigante da executiva 🙂

 

Resumo: Singapore Airlines, classe econômica

O que é isso? Voo em Boeing 777-300ER de São Paulo para Barcelona (24 de fevereiro de 2012).
O que é legal? sistema de entretenimento cheio de opções, atendimento e serviço impecáveis em solo e a bordo.
O que é imoral? Fones de ouvido com padrão 2 pinos.
O que mais? Espaço para as pernas, apoio para os pés, bastante comida e bebida
Avaliação: 8 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido pago: US$ 792 (preços variam de acordo com períodos, promoções e datas)
Onde encontrar: Singapore Airlines

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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