ZTOP+ZUMO

Review: scanner portátil Epson WorkForce DS-30

Nos dias de hoje se computadores fossem aparelhos de som, os scanners de documentos seriam os receptores de rádio FM.  Isso porque muitas pessoas nem mais enxergam o mesmo como um “produto” em si e sim como um “recurso” que deveria vir (de graça) em outros itens mais desejáveis como um player de música, som de carro, celular de entrada e — no nosso caso — uma impressora multifuncional.

radio_FM

Sob esse ponto de vista, os scanners de mesa perderam um pouco do seu atrativo — concorrendo hoje até com câmeras digitais que possuem modos para capturar documentos e textos. Assim, o caminho lógico para a sua sobrevivência é a da especialização, caso de empresas como HP e Epson, que comercializam no Brasil modelos para digitalizar fotos em alta resolução, tiras de filme, slides, documentos diversos, impressos em grande formatos (até A3), etc.

Na minha opinião, uma das aplicações mais promissoras para esses equipamentos é o de digitalizar documentos impressos como declarações, contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamento, papeizinhos de cartão de débito (que o Henrique chama de “dejeto de carteira”). É toda aquela papelada que a gente considera importante mas que, no dia a dia, só ocupa espaço e envelhece num armário. É fato que uma das soluções para esse problema é digitalizar toda essa papelada e transformá-la em “documentação eletrônica” — técnica por sinal, que não é nenhuma novidade mas que, aos poucos, começa a ficar cada mais simples de usar e acessível para o pequeno empresário e até mesmo o usuário final.

Um bom exemplo dessa tendência é o novo scanner portátil WorkForce DS-30 da Epson. Um modelo compacto particularmente interessante para aqueles profissionais que vivem em movimento, como vendedores, advogados, agentes bancários, fiscais, corretores de imóveis, etc. que precisam as vezes digitalizar documentos para registro/uso próprio ou transmiti-los pela internet.

Epson_DS30_scanner_overview2

Clique para ampliar

Medindo 27,5 x 3,6 x 5,0 cm (LxAxP) e 320 gramas de peso (379 gramas com os acessórios inclusos), o DS-30 é um scanner de folhas soltas cujo funcionamento é bem parecido com aqueles usados em aparelhos de fax. Seu sensor de imagem é do tipo CIS (Contact Image Sensor), um sistema mais simples e robusto que o tradicional sistema CCD e que é capaz de capturar imagens em cores de até 600 ppp (pontos por polegada) com profundidade de cores de 24 bits. 600 ppp pode parecer pouco para um scanner de mesa, mas é suficiente para sua principal aplicação: digitalizar documentos impressos.

Segundo o fabricante, o DS-30 aceita documentos de até 216 x 356 mm (8,5″ x 14″) com gramatura de 35~270 g/m^2 e espessuras de até 1,2 mm, o que permite que esse equipamento digitalize cartões magnéticos, crachás e até cartões de crédito (mais sobre isso embaixo). Sua velocidade de leitura é de 4,6 ppm ou aproximadamente 13s por folha.

Algo (muito) importante que deve ser dito sobre esse equipamento é que, apesar da sua boa apresentação e aparentemente ser um produto sólido e bem construído, o seu interior abriga diversas partes móveis como motores e engrenagens que acionam o seu mecanismo de tração do papel, de modo que o usuário deve cuidar bem desse equipamento (leia a última frase novamente, por favor), evitando choques acidentais — especialmente quedas — que possam de algum modo desajustar ou mesmo até danificar sua parte mecânica. Assim nada de usá-lo como calço para segurar a roda do carro numa ladeira, amaciar carne ou jogá-lo na cabeça de algum cliente ou colega de trabalho mais teimoso/exaltado.

Como já vimos em outros produtos da casa — como as impressoras L200/L800 — o corpo do DS-30 é feito de policarbonato preto fosco com sua parte de cima decorada com um padrão mais brilhante salpicado por micropontos. Seu único controle é um botão de “iniciar a leitura”  do documento que fica ao lado do LED de estado verde, que acende para informar que está ligado/pronto para uso e pisca quando estiver digitalizando. Note o ícone na entrada da mídia que indica o face a ser lida é a de baixo.

Epson_DS30_acabamento

Como é usual nesses scanners de pequeno porte, o DS-30 é alimentado pela mesma porta USB que se conecta com o PC. Ele ainda usa o velho padrão mini-USB que, apesar da sua popularidade anda perdendo espaço para o padrão micro USB muito usado atualmente nos celulares. Se o DS-30 adotasse este último, seria uma grande comodidade para o seu público alvo (usuários móveis) já que ele poderia usar o mesmo cabo de dados tanto para o celular quanto para o scanner — quem sabe no próximo modelo ?

Epson_DS30_porta_USB

O DS-30 vem acompanhado com um bom número de acessórios formado pelo kit de manutenção/limpeza (envelope cinza), uma capa protetora e um cabo mini-USB de 1,5m de comprimento. A lingueta de papel branca na entrada do scanner está lá só para proteger o produto durante o armazenamento/transporte, podendo ser removida e descartada.

Epson_DS30_pacote

O kit de manutenção/limpeza é formado por duas mídias (uma seca e outra úmida) para remover impurezas do mecanismo de tração/sensor de imagem e uma folha de calibração de branco. Fora isso ele também guarda um guia de instalação rápida e dois CDs para instalação de drivers e utilitários:  um para Windows 7, Vista e XP/XP64 e outro para Mac OS X (10.4.x, 10.5.x, 10.6.x, 10.7x):

Epson_DS30_acc_kit

A capa protetora é feita de tecido de veludo e foi desenhada para abrigar tanto o scanner quanto o seu cabo USB.

Epson_DS30_bolsa_1

O interessante é que ele possui um compartimento separado para cada um deles:

Epson_DS30_bolsa_2

O procedimento de instalação é o mesmo de outros produtos da casa: com o scanner ainda desconectado, insira o CD de instalação no computador (nosso caso com Windows) e siga as instruções do programa. Note que o usuário pode optar por instalar todos os utilitários inclusos automaticamente ou optar por instalar apenas alguns deles (modo personalizado):

Epson_DS30_Install_02

Feito isso, basta ligar o DS-30 no PC via cabo USB e se tudo ocorrer de acordo com o esperado, o scanner é reconhecido e está pronto para uso.

Epson_DS30_botao_scan

Apesar desse scanner ser compatível com o padrão TWAIN, a maneira mais simples de usar o DS-30 é com o Epson Scan, um aplicativo de digitalização de imagens que acompanha quase todos os para scanners de mesa e multifuncionais da empresa. Por causa disso o seu modo de uso é praticamente o mesmo, porém com as devidas limitações de um scanner de folhas soltas ou seja, nada de alimentador automático (ADF) e o procedimento de pré-visualizar o documento é possível, porém meio trabalhoso.

Epson_DS30_Epson_Scan_1

Para mim, um dos grandes atrativos desse utilitário é sua opção de digitalizar um documento e convertê-lo num arquivo em PDF com capacidade de busca. Para mim, sua única desvantagem (dependendo do ponto de vista, é claro) é que ele incorpora um mecanismo que cria um nome para o arquivo gerado automaticamente, a partir de alguns critérios definidos pelo dono. Isso facilita — e muito — a vida de quem precisa digitalizar muitos documentos em sequência, mas pode ser um incômodo caso o usuário deseje digitalizar apenas um documento e chamá-lo de qualquer nome que lhe vier na cabeça.

Epson_DS30_Epson_Scan_2

Com tudo definido, basta inserir o documento e digitalizá-lo. Note que no exemplo abaixo, o comando de iniciar foi dado pelo computador e não pressionando-se o botão no scanner que, por default, realiza um processo de digitalização ainda mais rápido: basta inserir o documento do scanner, apertar o botão e o sistema já lê e cria o documento baseado na última definição usada no Epson Scan sem perguntar nada.

Um outro aplicativo mais sofisticado é o Document Capture Pro, que permite capturar mais de um documento por vez, realinhá-lo (caso o documento tenha passado “torto” pela leitora), reordená-los na fila e encaminhá-los para diversos destinos, como anexá-los num e-mail, mandar para a impressora, enviar para um destino remoto via FTP ou até para aplicativos na nuvem como o MS SharePoint Server, Google Docs ou Evernote o que facilita — e muito — o compartilhamento de arquivos, incluindo dispositivos móveis como tablets e smartphones.

Epson_DS30_Capture_Pro1

Além disso também acompanha o produto o ABBYY FineReader  9.0 Sprint, um sistema de OCR com menos recursos que a versão Pro (porém totalmente funcional e sem prazo de validade) que permite transformar uma folha impressa em diversos tipos de documentos eletrônicos…

Epson_DS30_Abby_reader_9_1

Epson_DS30_Abby_reader_9_2

… que podem ser até editados no PC:

Epson_DS30_Abby_reader_9_3

Outro aplicativo bem interessante é o NewSoft Presto! BizCard 5.0 que, como o próprio nome sugere, digitaliza cartões de visita…

… e converte a informação impressa em dados de contatos que podem ser transferidos para outros aplicativos como Outook, Palm Desktop , vCard e outros aplicativos via arquivo .CSV. Ele não é tão sofisticado como o CardScan, mas como já dizia um colega meu: “veja bem… é de graça!”  🙂

Epson_DS30_BizCard

Entre os recursos bem particulares do DS-30 está sua capacidade de digitalizar pequenos documentos como cupons fiscais e tickets de estacionamento…

Com saída tanto em cores…

Epson_DS30_scan_ticketa

… quanto em preto e branco. Neste caso é possível aplicar filtros para retirar/enfatizar tons de cores (azul, verde, vermelho) que possam prejudicar a leitura do documento:

DS30_Testes_Dropout_vermelhoa

Outra curiosidade desse scanner é que ele é capaz de digitalizar crachás e cartões de plástico com relevo desde que sua espessura não ultrapasse 1,2 mm:

 

Epson_DS30_scan_CC

Porém o que realmente nos chamou a atenção do DS-30 é a dificuldade de digitalizar imagens impressas em papel fotográfico brilhante (glossy). Veja o exemplo abaixo cuja foto, por sinal, foi impressa numa impressora, tinta e até papel orginal da Epson:

O que pudemos observar é que o sistema de tração do scanner escorrega sobre a superfície brilhante da foto, o que pode levar ao desalinhamento da mídia e a resultados estranhos, para não dizer surrealistas:

Epson_DS30_teste_foto

Assim, nossa sugestão nesse caso, é que o usuário evite usar digitalizar fotos impressas em papel fotográfico brilhante. Fotos impressas retiradas de jornais, revistas ou catálogos não devem sofrer desse problema.

Nossas conclusões:

Com o preço sugerido de R$ 649, o Workforce DS-30 não é exatamente uma pechincha e pode custar o quase mesmo que uma multifuncional mainstream da casa, como a L355. Mas o que precisamos ver neste caso é que o seu grande atrativo está exatamente versatilidade, facilidade de uso e mobilidade (a não ser que você não se importe de carregar uma multifuncional nas costas).

Sob esse ponto de vista, o DS-30 não é uma solução “tamanho único” para todo tipo de usuário já que, como vimos, ele não é a opção mais atraente para digitalização de fotos devido a sua resolução limitada a 600 ppp e dificuldade de manipular alguns tipos de papel fotográfico. Em contrapartida, suas dimensões compactas, a capacidade de funcionar longe da tomada e de criar documentos em diversos formatos que podem ser enviados para a nuvem soam como música nos ouvidos dos profissionais de campo, seja ele um corretor, vendedor, advogado ou mesmo um alto executivo que passa mais tempo viajando do que no escritório.

É a velha história do usuário definir claramente suas necessidades e escolher o produto que melhor o atenda. E acho que é por isso que muitos ainda passam aqui pelo nosso site e passam algum tempo lendo nossos reviews.

Né?

RESUMO: EPSON WORKFORCE DS-30

O que é isso? Scanner portátil para documentos.
O que é legal? Simples de usar, dispensa o uso de tomada, ótimo pacote de programas inclusos, permite enviar documentos diretamente para a nuvem.
O que é imoral? Não digitaliza livros ou qualquer impresso encadernado. Não é a melhor solução para digitalizar fotos — especialmente aquelas impressas em papel glossy.
O que mais?  Empresa também oferece um pacote de software específico para Mac OS X.
Avaliação: 7,5 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço estimado: R$ 649
Onde encontrar: www.epson.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.