Review: Samsung Wave

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Alguns produtos acabam personificando a filosofia da empresa que os criou. Esse é o exato caso do Samsung Wave, que além de um caminhão de novas tecnologias, traz um novo sistema operacional. Mas será que ele tem chance em um mundo dominado por iPhones e Androids?

A primeira impressão do Wave não poderia ser melhor. Ele é leve, feito com uma combinação de materiais nobres e ainda minimalista. Apenas três botões na parte frontal do aparelho se destacam, e com uma inspeção mais cuidadosa, mais 3 botões se escondem delicadamente pelas laterais. Chique.

A bateria de 1.500mA segura o tranco por um dia inteiro de uso comum, mesclado entre navegação web, fotos, vídeos e stand-by. O bacana: o telefone entende que quando está no modo de espera não é necessário usar a rede 3G intensivamente. Resultado: o gerenciamento inteligente de bateria aumenta a autonomia e deixa ele esperto quando o dono precisa.

(Link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=UNq-qU-bdao)
O processador de 1 GHz feito pela própria Samsung também não faz feio. Ele garante um funcionamento suave da interface do Wave, com transições suaves e agradáveis. Mas o mais bacana é o que o Wave faz com esse processador. Ele roda nativamente AVI, nos mais diferentes sabores de MPEG 4. Até vídeos em alta definição o bichinho encarou sem piscar. Se não consegue rodar a 30 quadros por segundo, ele sua mas consegue cravar 24 quadros por segundo. É o único smartphone atual que testamos que segura a onda, saído da caixa, com vídeos baixados ou convertidos para um padrão mais comum. Os amantes de iPhone que me perdoem, mas reconverter tudo para assistir é um pé no olho…


(Link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=huRCSy4f_zw)

Mesmo (os pouquíssimos) games que rodam em Bada são feitos com finesse pelo processador. Asphalt 5, um joguinho de corridas que usa acelerômetro e está disponível para iPhone e Android, roda muito bem, com gráficos quase do mesmo calibre de um PSP.

A câmera foi uma das grandes surpresas do aparelho. A Samsung já fez câmeras risíveis há uma década, mas hoje em dia eles realmente estão dando dor de cabeça para os concorrentes. A qualidade da câmera de 5 megapixels embutida no aparelho é de parar o trânsito. Boa captação de detalhes, boas cores e veloz na captura.

(Link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=2dcgg_xlFHQ&feature=player_embedded)

A camerazinha também faz vídeos de alta definição. E que vídeos… é necessário ter uma boa quantidade de luz disponível, ou a imagem fica cheia de sujeira, mas com condição ideal, a qualidade impressiona bem. Falta estabilização para compensar o movimento da mão, mas mesmo assim é uma camcorder muito decente espremida dentro do telefoninho.

Foi um choque de realidade voltar para meu adorado Milestone. Não entenda errado, o Android ainda dá uma surra no Bada, o negócio é o peso mesmo. O Wave, com pouco mais de 110 gramas,  é tão levinho que a gente fica mal acostumado.

A tela é uma falta de educação de tão boa. Imagine as cores e o contraste de uma plasma na palma da mão… é mais ou menos assim que a telinha de Amoled parece. Com 3,3 polegadas e resolução de 480×800 pontos, é a melhor tela que já vimos em um celular. A foto não faz justiça à qualidade da tela, só vendo de perto para perceber o nível.

A sensibilidade da tela multitouch também é boa. O teclado físico não faz a menor falta. Pena que só o hardware não faz um smartphone. Se fosse assim, o Wave seria nota 10.

A Samsung criou um sistema operacional para rodar no Wave. Denominado Bada, é uma aposta da coreana na criação de um ecossistema completo. Em vez de só fazer hardware, eles também querem um pedaço do mercado de software. É uma questão de orgulho nacional para a Coréia do Sul fazer um software bom. Pena que nunca nada de lá emplacou no ocidente.

O Bada tem uma lojinha de aplicativos humilde, mas melhor que a piada de mau gosto que é a do Windows Mobile. Os preços são razoáveis, mas não tem nem de longe o impacto que o Android Market e a App Store. Ele traz coisas bacanas, como acesso ao Google Maps e Gmail por meio de um widget dedicado, um navegador decente, uns aplicativos úteis, como um programinha para tomar notas e outro para gravar arquivos de voz.

O Wave ainda pode ser usado como modem, e até faz um hotspot Wi-Fi. Funciona, mas não com a mesma suavidade com que um Android. O Wave se comunica com as principais redes sociais, pode ser usado para receber e-mails, enfim, o básico que se espera de um smartphone, ele faz.

Para evitar comparações injustas, testamos o aparelho sob uso constante por mais de um mês. Usar um aparelho com um novo sistema operacional por 15 minutos leva a várias observações que podem ser fruto de vícios de uso.

O que ficou do teste de longo prazo? A tela é fantástica, o design do aparelho é muito bom, ele dá uma surra no iPod Touch e em qualquer celular que roda vídeo assim que sai da caixa e sua câmera é memorável.

O gosto amargo ficou por conta da falta de aplicativos. Em todo esse tempo, não apareceu nenhum programa brilhante na lojinha Samsung Apps. E smartphone sem apps é só um telefone bacana.

Quem sabe da próxima…

Resumo: Samsung Wave GT-S8500B

O que é isso? Smartphone que traz instalado o sistema operacional Bada.
O que é legal? A tela Amoled e a qualidade da câmera, que faz excelentes fotos e bons vídeos, até em alta definição.
O que é imoral? O Bada ainda está muito cru. Uma máquina desse calibre precisava vir com Android instalado…
O que mais? Com 8 GB de memória SD Micro, roda vídeos AVI sem precisar de conversão. Baixou, transferiu, assistiu.
Avaliação: 7 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.899 (preço do aparelho desbloqueado sem bônus da operadora)
Onde encontrar: www.samsung.com.br

 

 

 

Sobre o autor

Jô Auricchio, editor convidado

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