Review: Samsung Galaxy Tab 10.1 (3G)

R

O Samsung Galaxy Tab 10.1 é o estranho no ninho no mundo dos tablets Android 3.x. Do modo mais básico (e polêmico), dá para afirmar que, entre os concorrentes (Motorola XoomAsus Eee Pad Transformer Acer Iconia Tab A500), é o que mais se parece (fisicamente) com um iPad – incluindo a falta de conectores, portas de expansão e a necessidade do software da Samsung (ou do Windows 7) para trocar dados com um computador.

O modelo recebido para testes foi o GT-P7500, versão com 3G embarcado e Android 3.1 instalado, que está sendo vendido pela operadora Vivo com exclusividade durante o mês de agosto.

1) Hardware

A estrutura do Galaxy Tab 10.1 é composta basicamente de vidro (ops, Gorilla Glass) na frente e plástico e um pouquinho de metal atrás. O design do aparelho é bem simples, com cantos arredondados e poucos detalhes. Atrás temos a câmera com flash LED (e a grande tampa plástica não-removível).

Nas laterais, os alto-falantes estéreo – ponto para a Samsung…

E na parte superior, os botões de liga/desliga, volume, entrada 3,5 mm para fones de ouvido e o slot do cartão SIM da operadora:

O SIM card, por sinal, fica na única parte móvel do aparelho. Nada de entrada USB adicional ou para cartões microSD, mas uma linha de acessórios (capas, teclado com dock, adaptador HDMI, adaptador USB/leitor de cartão) está prevista para lançamento em breve no país.

Na parte inferior, junto ao conector do cabo de energia/dados, um microfone embutido.

O principal destaque do Galaxy Tab 10.1 é o design ultrafino: 8,6 milímetros de espessura (contra 8,8 do iPad 2). Pouco maior que um lápis 4B…

E um tanto menor que um iPhone 3GS (12,3 mm).

2) Software e interface

A Samsung adaptou a interface TouchWiz para o Android 3.x. Pequenas mudanças estéticas, fontes e cores de menu fazem parte do pacote, assim como um monte de crapware pré-instalado. Essa é a tela inicial do aparelho após ser ligado pela primeira vez: crapware, crapware, crapware (leia-se porcarias que já vêm instaladas no seu dispositivo, seja ele um PC, um smartphone ou um tablet).

Tirando os essenciais do próprio Android (Internet, YouTube, Mapas, Market e Contatos), o resto é propaganda de parceiros da Samsung – incluindo o jornal e revistas, com “aplicativos” que levam para os respectivos sites (por isso, crapware). Não entendo como a Folha de S.Paulo, que tem um aplicativo incrível para LER o jornal impresso no iPad não adaptou ainda para Android (fecha o desabafo).

Uma mudança bem-vinda é o fundo de cores no painel de configurações. Note o quarto botão na barra de ferramentas: é para capturar telas (yay! se você testa produtos e precisa de telas, mas acho que poderia ser como no Transformer e poder esconder essa função para o consumidor comum).

E outra adaptação aqui na interface: uma segunda barra de tarefas com aplicativos fixos. Uma mudança estranha é que para apagar atalhos é preciso arrastar os ícones para o topo da tela, não para a parte inferior (como nos outros tablets/smartphones Androids) – e parece ser moda entre os fabricantes, já que o Motorola Milestone 3 faz a mesmíssima coisa.

Por ser um aparelho 3G, o Galaxy Tab 10.1 tem como bônus a capacidade de mandar e receber mensagens de texto, mas não de voz (como o antecessor Galaxy Tab).

Além do crapware inicial, que pode ser facilmente deletado (não testei o serviço do NetMovies para tablets), o Galaxy Tab 10.1 também vem com o Polaris Office. Como no review do Asus Transformer tinha gente com dúvida sobre os formatos compatíveis, é melhor para o aplicativo responder:

A conectividade do Galaxy Tab 10.1 é outro ponto curioso: o tablet usa o protocolo Media Transfer (MTP) para conexão ao computador. Por conta disso, ele se conecta sem nenhum problema ao Windows 7 (aparece direto como disco externo), mas se quer fazê-lo falar com o Mac, a coisa é mais complicada: o software Kies para Mac é compatível com o tablet na teoria. Na prática, o Kies não funciona com o Mac OS X Lion (e tudo que eu queria fazer era enviar vídeos e baixar fotos). O Android File Transfer não funciona nem com reza brava.

Alternativas? usar o cliente Kies Air, para conectar via Wi-Fi (limitado a 100 MB de tamanho de arquivo), Bluetooth e Dropbox (viva a nuvem). Ou ligar em um PC com Windows – mais rápido.

3) Navegador com Flash

Taí um problema muito estranho do Galaxy Tab 10.1: apesar de vir com o Android 3.1 instalado, o navegador instalado no tablet aparentemente não é o mais recente (ao contrário do Xoom e do Transformer – também com 3.1). Notei isso ao entrar no administrador de sistema deste ZTOP…

Atualizei e desatualizei e atualizei de novo o Flash Player 10.3…

E o Flash simplesmente não funcionou nem no navegador original nem no Firefox.

Em compensação, no Dolphin Browser HD (novo favorito da casa), rodou sem problemas nosso pacote de sites padrão em Flash (We Choose the MoonMoodstreamMonofaceWaterlifeLouis Vuitton Legends e Marc Ecko). Seguem os mesmos problemas de renderização de fontes encontrados no Transformer, mas é culpa… do Flash!

4) Desempenho:

O Galaxy Tab 10.1 mostrou desempenho maior que o Asus Transformer em alguns dos benchmarks, apesar da configuração ser bastante parecida (Nvidia Tegra 2 de 1 GHz, 16 GB de armazenamento, 1 GB de RAM). Os resultados ainda são menores que do smartphone Samsung Galaxy SII.

Bateria: 8 horas de uso alternando entre Wi-Fi e 3G, com sincronização de dados ligada: 43% de carga restantes.

5) Multimídia e câmera

O Galaxy Tab 10.1 roda vídeos AVI sem muito engasgo no player nativo (MKV nem pensar).

Mas agora descobri o DicePlayer, que lida melhor com formatos mais anárquicos. É um aplicativo pago, e a versão de testes dura três dias e fica com alertas o tempo todo. Nosso velho conhecido Big Buck Bunny em 1080p ficou um pouco arrastado…

Mas os vídeos em MKV (720p) rodaram bem – e com legendas!

A câmera de 3,2 megapixels tem resolução menor que a do Transformer ou do Xoom. De qualquer modo, é um acessório que você não vai usar toda hora – não é prático nem algo que passa batido na hora de fotografar. Tem exemplos no meu Picasa, junto com demais capturas de tela.

Conclusões:

O Samsung Galaxy Tab tenta simplificar ao máximo a experiência com um tablet Android 3.x ao deixá-lo o mais básico possível: sem portas de expansão, sem acessórios, sem frescuras. A Samsung também sabe bem que não existem muitos aplicativos compatíveis com a plataforma Android Honeycomb, e encheu o tablet de “parceiros” para dizer que tem algum conteúdo ali (e, como já disse antes, é uma área onde o Apple iPad reina com segurança e liderança de duas gerações de produtos).

A fabricante merece seus créditos com o Tab 10.1. Foi a primeira a apostar na plataforma tablet para Android (com o Galaxy Tab original, de quase um ano atrás) e correu atrás do prejuízo ao anunciar um produto e reformatá-lo por completo com o Galaxy Tab 10.1. O anúncio do produto foi feito em fevereiro, durante o Mobile World Congress (e vimos o bicho lá, junto com o smartphone Galaxy S II). Semanas depois, cancela tudo: o Apple iPad 2 foi anunciado e a Samsung mudou os planos, com um produto novo e muito mais fino, que agora chega às mãos do consumidor brasileiro.

Ainda não existe o “killer app” para tablets Android, e esse é o principal problema dessa plataforma. Revistas e jornais têm acabamento meia-boca em comparação ao iOS, e nem o Google parece se importar muito com a divisão entre o que é aplicativo para tablet e o que é app para smartphone. Hoje, minha indicação de compra para tablet continua com o iPad 2. Assim como o Asus Transformer, o Galaxy Tab 10.1 oferece um ótimo hardware, que ainda aguarda a companhia de um bom software (e a Samsung acertou na mosca com a “experiência de usuário” na nova interface). Quem sabe, em alguns meses, com o Ice Cream Sandwich, a situação não melhora para todos.

leia também:

Resumo:  Samsung Galaxy Tab 10.1 GT-P7500

O que é isso? Tablet com sistema operacional Android 3.1 “Honeycomb”.
O que é legal? 
Integração incrível com aplicativos e serviços do Google, tela grande, navegador web completo.
O que é imoral? Faltam aplicativos feitos especificamente para tablets. Experiência com Adobe Flash pode ser frustrante no navegador nativo do aparelho. 
O que mais? 
Conexão 3G integrada, interface aprimorada pela Samsung. 
Avaliação: 
7 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação. 
Preço sugerido:
 R$ 1.999 (sem plano de dados); R$ 1.399 (plano Vivo Internet Brasil de 2 GB). 
Onde encontrar: vivo.com.br, samsung.com.br

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos