Review: Samsung Galaxy Note (GT-N7000)

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O Samsung Galaxy Note é um dispositivo que gera controvérsias: dá para amá-lo e odiá-lo em poucos minutos de uso. É o aparelho Android mais rápido do mercado hoje, com recursos multimídia incríveis, mas nos leva a questionar se é mesmo um smartphone? Ou é um tablet?

O termo “foblet” (fone+tablet) me parece mais eficaz e joga o Galaxy Note para um novo nicho, mais específico e focado no público-alvo. No meu ponto de vista, o comprador potencial do aparelho é artista/desenhista/quer-ser-artista ou que toma notas compulsivamente em um caderninho (jornalistas? advogados?).

Para o consumidor médio, não vejo como a escolha certa – a própria Samsung tem aparelhos com formatos mais amigáveis à mão humana (como o Galaxy S II, por exemplo). Não vou me alongar aqui na descrição do hardware do Galaxy Note: já fiz um extenso hands-on com o aparelho e, como é um dispositivo diferente da maioria dos demais, prefiro dividir este review em dois tópicos essenciais: motivos para amar e odiar o Galaxy Note.

Motivos para amar o Galaxy Note

O Note, como já disse, tem uma tela enorme de 5,3 polegadas e resolução de 1280 x 800, incrível para ver vídeos, fotos e tomar notas/fazer desenhos. Essa última função é desempenhada pelo aplicativo S Memo, que – para a alegria do testador de gadget – vem com alguns rabiscos pré-carregados.

Mas basta pegar a caneta stylus e fazer seus próprios rabiscos:

Então, se você tem o mínimo de inspiração e capacidade de desenhar (como dá para ver, não é meu caso), o Galaxy Note é para você. O aplicativo S Note também permite digitar notas, e o uso do Swype (predição de palavras) ajuda bastante aqui para escrever rápido.

A caneta stylus amplia bastante a relação entre dedo/tela, em qualquer lugar do aparelho : se estiver no Google Maps e quiser indicar um local com uma seta e mandar por e-mail, ou ressaltar alguma coisa em qualquer app do Note, basta clicar no botão da stylus e tocar a tela: um screenshot será tirado. Simples e direto, como no exemplo abaixo:

No mundo do escritório móvel, ter apps como o Polaris Office pré-instalado também ajuda (e, de novo, aqui a tela grande é um adicional bem-vindo).

Outro ponto muito bom do Galaxy Note é sua capacidade de reprodução de vídeo. Como seu irmãozinho Galaxy S II, vem pronto para reproduzir arquivos AVI/DivX/H.264/WMV sem problemas. E faz isso muito bem.

A câmera de 8 megapixels também merece destaque, mas por conta do tamanho do aparelho ela entra no incômodo modo de “fotografar com um tablet”.

Três exemplos de um raro dia de sol no verão paulistano:


E a 100%, com ruído bastante aparente:

Motivos para não amar o Galaxy Note

É grande demais para ser um telefone/smartphone. E, em comparação com outros tablets, é pequeno demais. O Galaxy Note, em sua condição de “foblet”, vive em contradição. Eu, com 1,83m de altura e mãos grandes, me sinto incomodado ao usar o aparelho:

Diferente de um smartphone padrão (com tela entre 3,5″, como o iPhone 4S, e 4,2″, como o Galaxy S II), a tela grande do Galaxy Note – apesar da incrível resolução e amplo espaço para criar/desenhar/anotar – é seu calcanhar de aquiles. Eu não consigo usar o aparelho com uma mão só (como faria num smartphone, e forçar essa situação aqui leva a estranhas dores no polegar da mão direita), e imagino que a maioria das pessoas não consiga também.

Mesmo no bolso da calça/camisa o Note chama atenção – ele é fino o suficiente (9,6 mm), mas suas demais dimensões (quase 15 cm de altura x 8 cm de largura) pedem que ele, pelo menos nas ruas de São Paulo, seja transportado dentro de uma bolsa.

Na minha amostra de avaliação do Galaxy Note (modelo de 16 GB), o fator “telefone celular” também não proporcionou boa impressão. Com a minha operadora (Vivo), não consegui bom sinal em quase nenhum lugar de São Paulo que passei com o Galaxy Note, tanto para voz quanto para dados. Em outros aparelhos (como no meu iPhone 3GS velho de guerra), no mesmo lugar, tanto voz quanto dados funcionaram sem problemas. Por isso, não consegui avaliar o funcionamento do Galaxy Note como modem Wi-Fi.

Desempenho

Como disse lá no começo, o Samsung Galaxy Note é o aparelho com Android mais rápido do mercado, e isso se provou com os benchmarks padrão que rodo nos aparelhos. Como referência, comparo os resultados com o Samsung Galaxy S II.

  • Vellamo Browser (navegador) : 711 pontos (626 no Galaxy S II)
  • Quadrant Standard Edition (desempenho geral): 4.023 pontos (2.480 no Galaxy S II)
  • Antutu Benchmark (desempenho geral): 5.996 pontos (4.118 no Galaxy S II)
  • Nenamark 1 (vídeo): 56,8 quadros por segundo (54,3 qps no Galaxy S II)
  • Nenamark 2 (vídeo): 38,5 quadros por segundo (26,3 qps no Galaxy S II)

Bateria: em um dia de uso intenso (vídeos, 3G, GPS, e-mail, ligações, Twitter, Foursquare, Facebook, Internet, SMS – quando funcionaram, claro), a bateria levou 6 horas para atingir o nível de 30%. Não é o melhor dos mundos, mas também não é o pior.

Conclusão

O Samsung Galaxy Note é o típico aparelho criado para testar o mercado. A Dell já tentou, lá fora, algo parecido, e não deu certo com o Streak. A atual situação financeira da Samsung permite esse tipo de experimento, entretanto. Não se pode negar o capricho no hardware e no software vindo da turma de Seul, mas a facilidade de uso (independente do tamanho da mão do consumidor) é um grande problema para o Galaxy Note. Vale a pena investir o preço sugerido de R$ 1.999 em um aparelho desses? Se você não precisa da canetinha stylus para desenhar ou criar (e nisso o Note é realmente digno de nota), a resposta é não.

Se você procura por um tablet, minha indicação ainda é o iPad 2. Para smartphones Android, mesmo com a rapidez no desempenho do Galaxy Note, o título ainda fica com o Samsung Galaxy S II.

Resumo: Samsung Galaxy Note (GT-N7000)
O que é isso? Híbrido de smartphone com tablet rodando sistema operacional Android 2.3.
O que é legal? Tela muito grande, excelente desempenho, ótimo suporte para vídeos e fotos.
O que é imoral? Tamanho do aparelho incomoda, bateria de desempenho médio, apenas uma caneta stylus na caixa do aparelho.
O que mais? Design ultrafino, câmera razoável.
Avaliação: 7,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.999 (operadoras podem ter ofertas com planos de dados e voz melhores)
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Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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