Review: processador Intel Atom (na motherboard D945GCLF)

R

No meio do vai e volta de produtos para testes aqui no Zumo, recebemos algo realmente interessante no final do mês passado: uma placa-mãe Intel D945GCLF já equipada com um processador Atom 230 de 1,6 GHz. Trata-se de uma oportunidade única de avaliarmos esse novo chip em ação numa plataforma genérica, já que, no geral, a tendência é que ele seja mais usado em soluções completas como nettops e netbooks.

Tambêm foi uma grande chance de comparar esse produto da Intel com seu principal concorrente, o processador VIA Nano, já avaliado por este Zumo, em mais um episódio da Guerra dos Nanicos.

Quem levou a melhor? Descubra depois do clique.

Parte da linha de produtos Essential Series, a D945GCLF é uma placa-mãe do tipo Mini-ITX de 17 x 17 cm  (LxA) especialmente voltada para a montagem de PCs simples e baratos, bastando adicionar memória, fonte, gabinete e um disco rígido ou leitor de CD/DVD. Qualquer semelhança com as mini-placas da VIA não parece ser mera coincidência.

De fato, ela parece ser uma evolução da D201GLY que vi pela primeira vez durante o último IDF Autumn de 2007 mas, em vez do processador Celeron e chipset SIS 662/964L, a D945GCLF vem equipada com um processador Atom 230 com FSB de 533 MHz (o mesmo do D201GLY) e um chipset da casa: o Intel 945GC com aceleradora gráfica GMA 950 integrada, com suporte para memórias DDR2, HD Audio (Realtek ALC662) e SATA 300 com NCQ e RAID (0,1,5,10), entre outros.

Talvez a maior surpresa dessa análise foi descobrir que o cooler com ventoinha não resfria o Atom (imagem abaixo, chip menor à direita) e sim seu chipset 945. Prova de que o pessoal de Santa Clara não está brincando quando diz que seu processador tem um TDP realmente baixo: 4 watts.

A estrelinha do show é realmente o Atom 230 que, como pode ser lido no seu encapsulamento (imagem abaixo), é um processdor de 1,6 Ghz com 512 KB de memória cache L2 e barramento frontal (FSB) de 533 MHz. Além disso, o Atom 230 incorpora algumas tecnologias intressantes para um chip do seu porte como o HyperThreading, que cria dois processadores virtuais. Isso ajuda a desafogar a CPU em algumas tarefas de multiprocessamento apesar de que versões dual-core já estejam previstas para chegar ao mercado em 2009.

Como o Atom trabalha com o chipset 945GC, que tambêm é compatí­vel com o Pentium D, acreditamos que a primeira versão dual core do Atom não passe de dois núcleos montados lado a lado no mesmo encapsulamento e controlados externamente pelo 945GC. Apesar de não ser a solução das mais elegantes em termos de engenharia, essa estratégia mostrou ser bem-sucedida e bastante eficaz no passado, já que ela ajudou a Intel a antecipar o lançamentos de seus chips dual e quad-core muito antes da concorrência.

Com realação aos seus recursos embarcados, não se deve esperar muito de um produto que tem a palavra “Essential” no seu nome. Se comparada com a EPIA SN18000G a D945GCLF ela vem realmente com o essencial, ou seja, apenas um soquete para pente de memória, duas portas SATA 300, uma PATA, seis USB 2.0 (duas internas), rede Fast Ethernet, uma serial, paralela, ví­deo SVGA e duas PS/2. Talvez a grande diferença conceitual entre os projetos da VIA e da Intel é a preferência desta última em dispor de slot PCI na sua placa-mãe, ao contrário da VIA que optou por uma PCI-E x16.

Sob testes

Para realizar os testes utilizamos praticamente os mesmos componentes usados na EPIA-SN: um pente de memória DDR2 667 e um disco rí­gido SATA 300 de 7.200 rpm/80 GB, um gravador de DVD USB e uma fonte ATX padrão que foi ligada à  placa por meio de um conector principal de 20 pinos e uma entrada extra de 4 pinos, comum na época dos Pentium 4. Do mesmo modo, optamos por usar o Windows XP Pro SP2 no lugar do Vista.

Nos testes realizados, o D945GCLF obteve 38 pontos no Sysmark Preview 2007, 1.690 pontos no PCMark 2005 e 93 pontos no 3DMark 06. Para processar nosso filme de referência para um arquivo AVI de 700 MB no AutoGK, o sistema levou 5h4m23s. Nos testes de rendering do Cinebench R10, o Nano bateu 551 CB-CPUs no modo single CPU, e 848 no modo multiple CPUs (speedup = 1,54x. Seu consumo de energia variou de 45,7 watts (em espera) até 53,8 watts (máximo).

Esses números mostram uma boa vantagem do VIA Nano sobre o Atom 230, principalmente nos testes de aplicativos como o Sysmark e AutoGK, assim como nos testes que exigem mais do processador como o Cinebench R10. Mas antes de afirmar que o Nano deu uma lavada no Atom — o que não deixa de ser um fato — precisamos levar alguns fatores em consideração, como o Nano ser um processador de 1,8 GHz contra os 1,6 GHz do Atom, o que pode ter contado a favor do processador da VIA.

Também não podemos ignorar o menor consumo de energia do Atom que variou de -3,1 watts no modo de espera até -16 watts em plena carga de trabalho se comparado com o Nano de 1,8 Ghz. Assim, o ganho de desempenho do chip da VIA foi obtido à s custas de um consumo um pouco maior de energia.

Minha conclusão é que apesar de ambos serem frutas, devemos ter em mente que estamos na realidade comparando laranjas com limas. Desse modo, acredito que o VIA Nano é uma interessante plataforma de uso geral e sua placa-mãe EPIA SN18000G é um produto que oferece realmente muito mais para o usuário final em termos de recursos, desempenho e funcionalidade do que a placa da Intel.

Esta, por sua vez, sempre deixou claro que seus pontos fortes não está exatamente em desempenho e sim na sua simplicidade e baixo consumo de energia, caracteríísticas mais que comprovandas em nossos testes. Assim sua aplicação ficaria  mais restrita aos chamados dispositivos conectados à  internet — onde a ênfase está mais na sua capacidade de explorar os recursos da rede — do que, por exemplo, trabalhar com imensas planilhas financeiras ou tratar imagens no Photoshop.

Sem nenhuma dúvida, a VIA levou a melhor nesse primeiro embate, mas a guerra além de não estar ganha, pode ser longa e cheia de reviravoltas, já que nunca devemos subestimar a capacidade do pessoal de Santa Clara de aprender com seus erros, reinventar seus produtos e atropelar a concorrência.

O pessoal de Sunnyvale que o diga.

Resumo: Placa-mãe Intel D945GCLF com processador Intel Atom 230 de 1,6 GHz
O que é isso? — Placa-mãe do tipo tudo-em-um para PCs de entrada.
O que é legal? — Tecnologia avançada, compacta e consome pouca energia.
O que é imoral? — Bastante simples em termos de recursos, desempenho modesto.
O que mais? — Segue o padrão Mini-ITX de 7,5 cm de lado, compatí­vel com o padrão ATX.
Avaliação: 4,0 (de 5).
Preço sugerido: não divulgado.
Onde encontrar: www.intel.com

Ainda em tempo: Numa mesa redonda com Dadi Perlmuller, VP de mobilidade da Intel, ele confirmou que o Atom dual-core será realmente um chip de dois núcleos montados no mesmo encapsulamento como foi o Pentium D e os primeiros Core 2 Duo quadcore.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos