Review: Point of View Mobii Mini Notebook (com Nvidia Ion)

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Num segmento de mercado saturado pela mesmice das plataformas (Atom N270, chipset 945G, 1 MB de SDRAM, Windows XP, bla, bla, bla…) o Mobii Mini Notebook da Point of View chamou nossa atenção por ser o primeiro portátil que chegou aqui ao Zumo equipado com processador Atom 230 e chipset NVidia Ion LE.

Tivemos a oportunidade de passar um tempo com um desses equipamentos e podemos dizer que ele não faz feio, principalmente quando o assunto é multimídia.

Disponível em seis cores diferentes, tivemos acesso à versão verde abacate (NB9010-G) provavelmente em homenagem ao pessoal verde de Santa Clara que gentilmente nos cedeu esse equipamento. Apesar do acabamento brilhante, ele nos pareceu menos propenso a ficar sujo com marcas de dedo como no caso do notório Black Piano.

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Aberto, podemos ver que o produto não é totalmente verde e sim combinado com tons de preto, em especial a moldura da tela, o teclado e sua base. Apesar da reprodução de vídeo ser um de seus pontos fortes, sua tela possui acabamento anti-reflexivo, o que até prefiro para as atividades do dia a dia.

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O modelo testado veio equipado com um processador Atom 230 de 1,6 GHz, 2 GB de SDRAM DDR2 800, disco rígido SATA de 160 GB, tela LCD 10,2″ wide de 1.024 x 600 pixels, porta de rede Fast Ethernet (10/100 mbps) e Wi-Fi 802.11/bg, webcam de 1,3 MP, bateria de 6 células de íons de lítio de 4.400 mAh, portas de som e slot para cartão de memória padrão SD. Fechado ele mede 25,4 , 3,9 x 18,9 cm (LxAxP) e 1,25 kg de peso sem o carregador.

Como era de se esperar de um equipamento dessas dimensões, seu teclado não é dos mais espaçosos mas não chega a ser pequeno ao ponto de impedir um digitar confortável, bastando apenas um pouco de prática para se acostumar com o espaçamento das teclas. Curiosamente o layout do teclado já veio no padrão ABNT brasileiro (uia!). O touchpad por sua vez até que é bem espaçoso, assim como suas teclas de ação.

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Praticamente todas as portas de entrada e saída do Mobii se concentram no lado direito do portátil, onde podemos ver duas portas USB, a porta Fast Ethernet, a saída de vídeo HDMI e a entrada de alimentação do adaptador de rede elétrica. Note o que parece ser um grande botão vermelho no canto direito que nada mais é do que um detalhe estético.

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O botão de liga nesse caso fica no lado esquerdo do Mobii num local de fácil visualização e acesso à esquerda do irradiador de calor e do slot para trava antifurto padrão Kensington.

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Nesse momento alguns podem estar se perguntando “Peraí… só duas portas USB?” e a resposta é — infelizmente sim — pelo que pude ver no painel de controle, a terceira porta USB está sendo usada internamente pelo sistema para conectar sua porta de rede sem fio (uma Realtek RT73).

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Na parte da frente (à direita) ainda existem as portas de áudio (Mic in e Line Out) e o slot para cartão SD. O curioso é que — ao contrário de outros modelos que já vi — esse slot não engole o cartão e metade da mídia fica para fora. O lado bom é que ela nunca vai ficar presa no interior do portátil (como já aconteceu comigo), a má notícia é que ela não pode ficar embutida no portátil funcionando como um segundo sistema de armazenamento.

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Não há muito o que ver na base do Mobii, além do seu compartimento do disco, o da memória e das travas que liberam sua bateria de seis células.

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Sob testes:


Ao contrário da placa-mãe ASUS AT3N7A-I, o Mobii vem equipado com uma versão single-core do Atom 330 conhecido como Atom 230. Se comparado com o Atom N270, suas características técnicas são praticamente as mesmas (1,6 GHz, 512 KB de cache L2 e FSB de 533 MHz) entretanto o 230 consome mais energia (4 watts) contra apenas 2,5 watts do N270 e que ainda conta com a tecnologia Enhanced Intel Speedstep, que gerencia dinamicamente o consumo de energia de acordo com a demanda. Em contrapartida, os 230/330 ainda são — por enquanto — os únicos Atoms com suporte para EM64T e capazes de rodar sistemas operacionais de 64 bits. O que fica claro que o N270 é um chip mais voltado para mobilidade/netbooks enquanto os 230/330 são voltados para PCs de mesa como mini-desktops, nettops ou mesmo all-in-ones.

Também vale a pena observar que o chipset do Mobii é o chamado Ion LE que — ao contrário do Ion do AT3N7A-I, não conta com suporte para DirectX 10 — já que o LE foi feito originalmente para rodar sob Windows XP. Porém, reza a lenda que o suporte para DX10 estaria apenas desativado no LE.

Como é de praxe aqui na Zumo-caverna, nós formatamos o disco rígido do portátil e instalamos uma versão fresquinha do Windows 7 Ultimate Edition (32 bits) seguido dos drivers mais recentes disponíveis no site da NVidia. Mas antes de prepararmos a máquina para rodar nossos testes, dei uma olhada no Windows Experience Index. Ao contrário de outros testes, o que está segurando o desempenho dessa máquina não é o disco, nem a memória, muito menos o vídeo e sim o processador.

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Com relação aos outros resultados, o Mobii obteve 37 pontos no Sysmark 2007 Preview 1.05, 1.342  pontos no PCMark Vantage e 2.493 pontos no 3DMark vantage. No PCMark 2005, o Ion bateu 1.801 pontos e no 3DMark 2006 893 pontos.  No AutoGK 2.45 o AT3N7A-I levou aproximadamente 5h19m41s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 .  Nos testes de autonomia de bateria com o Battery “comedor de farinha” Eater Pro com todos os recursos de ecomomia de energia desativados, o sistema funcionou a todo vapor por 2h35m43s. Infelizmente, os testes do DVDFlick não rodaram no Windows 7.

Nos testes com o HDxPRT da Intel, que mede a experiência de uso em alta definição, dois resultados interessantes: 24 pontos para a criacão de conteúdo HD e 2,5 estrelas para reprodução de conteúdo HD.

PointOfView_HDxPRT

Como a pontuação do HD experience é formado por diversos testes e não somente a reprodução de vídeos, resolvi fazer algo mais prático ligando o mini note numa TV Full HD de 40″ via porta HDMI e rodar uns trailers de filmes em 1080p. Esta por sinal, foi a aplicação onde o Mobii realmente brilhou:

Neste primeiro exemplo, reproduzi o trailer do novo filme Star Trek (2009) usando o Windows Media Player em tela cheia:

Neste segundo exemplo eu executei o mesmo vídeo numa janela e ativei o task manager para ver o quanto do processador estava sendo utilizado para renderizar o vídeo. A média ficou em torno dos 30%. Quite impressive.

No terceiro exemplo fiz o mesmo experimento acima, porém com o trailer do filme UP!. A carga do processador manteve-se no mesmo nível, em torno dos 30%.

Assim como aconteceu com a placa da Asus, o Mobii é um produto que precisa ser analisado com um certo cuidado já que, de um certo modo, se o usuário não souber tirar proveito dos recursos de aceleração gráfica/GPGPU do Ion, esse mini note não oferece muitas vantagens a mais se comparado com outros netbooks do mercado com gráficos Intel.

Rodando Windows XP, essa vantagem se limitava ao suporte de vídeo Full HD e às aplicações GPGPU baseadas em CUDA, mas com a chegada do Windows 7 e seu suporte para DirectCompute somado a drivers e aplicativos mais otimizados, como o Adobe Flash Player 10.1 tornam o Mobii uma opção bem mais interessante que a concorrência, principalmente se a história do suporte para DX10 for confirmada. O grande paradoxo na minha opinião, é que ,como vimos nos teste,s o Atom 230 — apesar de ligeiro — fica um pouco atrás de outros recursos do sistema, o que nos faz pensar se esse portátil não estaria melhor servido com um processador mais parrudo como por exemplo, um Atom 330 ou mesmo um Pentium Dual Core.

De qualquer modo, ao seguir esse raciocínio (pensando apenas com o bolso) periga esquecermos de algo que parece hoje meio óbvio mas que foi o que tornou os netbooks produtos tão bem sucedidos: suas dimensões compactas e facilidade de transporte. Quem já andou por ai com um note de 14″ou 15″ nas costas sabe do que estou dizendo.

A expectativa é que o Mobii chegue ao Brasil no início de 2010 com um preço estimado na faixa dos R$ 1.500.

Resumo: Point Of View Mobii Mini Notebook

O que é isso? Mini notebook com processador Atom 230 e chipset NVidia Ion.
O que é legal? Ótimo suporte para vídeo em Full HD. Roda Windows Vista e Windows 7 Ultimate de 32/64 bits.
O que é imoral? Apenas duas portas USB.
O que mais? Compatível com DirectCompute, CUDA, PhysX e até stereoscopic 3D!
Avaliação: 7,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: na faixa dos R$ 1.500.
Onde encontrar: Ainda não divulgado.

ASUS AT3N7A-I

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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