Review: Placa-mãe Intel D510MO (com Atom Pine Trail dual-core!)

R

Aqui na Zumo-caverna sempre tivemos um carinho especial pelas placas-mãe mini-ITX, em especial aquelas com Atom dual-core como a D945GCLF2 da Intel ou a IPXLP-MB DC da PCWare. E assim que pudemos  colocamos nossas mãos numa placa-mãe Intel Desktop Board D510MO já equipada com o novo processador Atom D510 (parte integrante da plataforma Pine Trail) e considerado o sucessor do 330.

Se comparado com sua antecessora, a D510MO parece ser uma versão atualizada as devidas modificações para aceitar o novo processador e chipset.

Em termos de layout, podemos notar que os dissipadores individuais de calor foram substituídos por um único cooler passivo (sem ventilador), o que torna essa placa totalmente silenciosa e até mais confiável, já que não precisamos mais nos preocupar se a ventoinha não está girando direito ou está fazendo barulhos estranhos.

Note também que com a retirada da porta EIDE/PATA, liberou-se mais espaço para a instalação de um segundo pente de memória SDRAM, podendo chegar até a 4 GB DDR2 667/800. Como essa  plataforma não trabalha com barramento de memória dual-channel o usuário não é  obrigado a instalar dois pentes logo de cara, podendo começar — por exemplo — com um pente de 2 GB e instalar um segundo quando for necessário. Outra possibilidade seria de reaproveitar aqueles pentes DDR2 de 1 GB que podem ter sobrado de alguma montagem anterior.

Como em outras placas mini-ITX do seu tipo, ela pode ser ligada a qualquer fonte e  instalada em qualquer gabinete que siga o padrão ATX.

Ao remover o cooler podemos ter uma visão mais clara do que é a nova plataforma Pinetrail, formada basicamente por dois componentes: a CPU Atom D510 e seu coadjuvante, o chipset — ou Platform Controler Hub (PCH) — Intel NM10 .

O Atom D510 em si, é um processador de 45 nm de 1,66 GHz, 1 MB de cache L2 e um TDP máximo de 13 watts. Interessante notar que, ao contrário do Atom 330, ele não é um chip com dois núcleos independentes montados lado a lado, e sim um chip monolítico com dois núcleos integrados.

E assim como os novos Core i3/i5 baseados na microarquitetura Nehalem, os novos Atom Pine Trail incorporam no seu núcleo componentes como a aceleradora gráfica e seu controlador de memória o que aposenta de vez o chipset 945G que apesar de ter cumprido bem o seu papel até hoje, ele sempre foi considerado um componente meio estranho — para não dizer fora de contexto —  nessa plataforma, ao ponto dele ser o único que realmente precisava de um cooler com ventoinha, esquentando até muito mais que o Atom propriamente dito.

Aqui temos algumas informações capturadas pelo CPU-Z que enxergou o D510 c0mo um N450, que é a versão para portáteis e provável sucessora do N270. Note a presença de dois núcleos e quatro threads como no 330.

E aqui uma visão da nova aceleradora gráfica Intel GMA 3150. Note que apesar dele ter sido integrado ao núcleo do Atom, isso não significou um grande salto em termos de desempenho e novos recursos ou seja, a empresa de Santa Clara mantém-se firme na sua estratégia de oferecer uma solução de gráficos integrados simples e econômica para a chamda computação do dia a dia, o que faz com que o alviverde de Santa Clara e o vermelho e branco de Sunnyvale não devam estar perdendo noites de sono por causa isso.

Outra novidade que merece destaque é a presença de um curioso slot PCIe-mini que, segundo a Intel, pode ser ocupada por uma interface de rede sem fio WiFi, WiFi+WiMax (os mesmos usados em portáteis) ou até mesmo uma aceleradora de vídeo H.264/AVC como aquela BCM70010 da Broadcom que vimos no Dell Studio Hybrid, que poderia dar uma forcinha para o uso dessa plataforma na reprodução de vídeos em Blu-ray.

Também note na imagem acima dois conectores para portas USB 2.0 — um preto e outro marrom — sendo que esta última pode ser usada para receber um disco de memória flash com porta USB, o que abre possibilidades de uso dessa plataforma em aplicações dedicadas. O conector azul à direita pode ser usada para ligar um LED para indicar o uso de uma rede sem fio, caso uma interface seja instalada no seu sl0t PCIe-mini. Fora isso, ela ainda conta com um slot PCI que pode ser usada para instalar recursos adicionais.

Voltada para a montagem de PCs de entrada de baixo custo, a D510MO é bastante econômica em termos de interfaces de entrada e saída, oferecendo apenas o essencial e sem exageros. Por exemplo, ela só oferece duas portas SATA 300 o suficiente para instalar um disco rígido e uma unidade de disco óptico.

No painel traseiro esse senso de economia fica ainda mais evidente: foram-se as portas paralela e serial, restando apenas as portas PS/2 para mouse e teclado, saída de vídeo SVGA, quatro USBs 2.0, uma porta de rede Gigabit Ethernet (yay!) e uma saída de som HD de seis canais com saída de fone de ouvido e microfone para o painel frontal.

Observe porém que, apesar dessa placa não oferecer conectores de saída para portas serial e paralela, essas interfaces ainda estão presentes na placa-mãe — duas seriais (conectores verdes) e uma paralela (conector preto) — mas para utilizá-las é preciso utilizar cabos adaptadores que não acompanham o produto. Para aqueles que não se conformam com isso, a versão da D510MO da ASUS — a AT5NM10-I — já vem completinha com todas essas portas no seu painel traseiro, mas aparentemente  sem o slot PCIe mini.

Interessante notar que o espelho do painel traseiro que acompanha o produto vem com três aberturas opcionais que, segundo o manual podem ser usadas para fixar até três antenas externas para serem ligadas na plaquinha WiFi PCIe-Mini citada acima. O manual só não explica onde a gente compra isso.

Sob testes

.

Uma das grandes sacadas dessas plaquinhas é que não é preciso muita coisa para botar elas para funcionar: espetamos dois pentes de memória DDR2 667 de 1 GB cada nela, liguei um disco SATA 300 Western Digital Caviar de 80 GB/7.200 rpm e um gravador de DVD Samsung via porta USB. Apesar desta placa dispensar a conexão de +12V para o processador, ela foi a primeira a nem ligar quando ligada numa fonte com conector ATX de 20 pinos, exigindo assim o uso de uma fonte compatível com o novo conector E-ATX de 24 pinos. Note na imagem abaixo um conector vermelho que serve para alimentar um ventilador opcional para o gabinete.

Como sempre, instalamos o Windows 7 Ultimate de 32 bits apesar do D510 também aceitar as versões XP e Vista, incluindo suas versões de 64 bits.

Como era de se esperar, no índice de experiência do Windows bateu 2,6 pontos, número por sinal — como era de se esperar — segurado pelo seu desempenho gráfico no Windows Aero.

Com relação aos outros resultados, a D510MO bateu 43 (38) pontos no Sysmark 2007 Preview 1.05 e 1.786 pontos no PCMark Vantage. Números ligeiramente melhores que a placa-mãe PCWare IPXLP-MB DC, equipada com Atom 330.

No AutoGK 2.45 a placa da Intel levou aproximadamente 3h43m37s (3h5842s) para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de três arquivos de vídeo) feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 12h55m41s utilizando um thread e 10h36m21s com quatro threads. Neste caso — em especial no DVD Flick — o D510 não foi melhor que o 330.

Nos testes com o HDxPRT da Intel que mede a experiência de uso em alta definição, a D510MO marcou: 35 pontos para a criacão de conteúdo HD e duas estrelas para reprodução de conteúdo HD.  Desta vez resultados ligeiramente melhores, mas nada que salte aos nossos olhos.

Ah sim, o Super Pi do David Lopes:

Segundo o EEcoMark 1.0.0 384, (sem considerar o uso do monitor) nosso sistema consumiu em média 34,34 watts em idle, 5,87 watts no modo sleep e 4,54 watts em off, segundo o Energy Star V4. Já no Energy Star V5, o sistema mediu 34,40 watts em idle, 5,92 watts em sleep e 4,52 watts em off.

Para se ter um cenário de uso mais real, eu peguei meu medidor de energia e monitorei o sistema rodando o PCMark 2005. Seu consumo médio ficou em de 36,9 watts com picos de 40,5 watts.

Durante esses testes notei que o cooler da placa-mãe montado s0bre o D510 do que o Atom 330, algo até esperado por se tratar de um irradiador sem ventoinha. Acredito também que a incorporação da controladora de memória e da aceleradora gráfica também contribua para o aumento da sua temperatura de trabalho. Caso seja necessário, a placa dispõe de uma saída de alimentação (na cor vermelha) para ligar uma ventoinha no gabinete.

Nossas conclusões:

.

De um certo modo, eu considero a plataforma D51o mais uma evolução do que uma revolução do 330 e podemos ver que os nossos resultados dizem o mesmo: em termos de força bruta o D510 rodando a 1,66 GHz  não teve desempenho muito melhor que seu antecessor. Entretanto, sua nova microarquitetura, que combina o processador com gráficos e controlador de memória, contribuiu bastante para que o consumo dessa plataforma caiu algo em torno de 2 watts, o que é um valor muito interessante para um produto feito para consumir pouca energia, algo que soa como música nesses tempos de computação verde. E isso sem falar no fato de que a nova placa dispensa o uso de ventoinha, o que abre perspectivas muito interessantes de seu uso em PCs pequenos e silenciosos.

Assim como o D945GCLF2 e a IPXCLP-MB, a D510MO não deve ser considerada uma concorrente da plataforma ION da NVidia, já que, enquanto esta última é uma solução para aplicações de áudio, vídeo e computação visual, a D510MO é uma plataforma mais pé no chão voltada para as aplicações do dia a dia (como editar um texto, trocar mensagens e acessar a internet) onde um computador simples, ligeiro e econômico (tanto no custo quanto no consumo de energia) atenda plenamente às necessidades do usuário.

E isso sem falar no seu potencial no desenvolvimento de aplicações mais dedicadas como caixas eletrônicos, terminais de consulta, sistemas de monitoramento, controle de estacionamento etc. Os entusiastas por sua vez podem encontrar na D510MO a solução ideal para aquele servidorzinho doméstico de baixo consumo para organizar e concentar sua vida digital — tarefa que fica mais fácil com a presença da porta de rede Gigabit Ethernet — fora as doideiras que o entusiastas podem fazer com esse processadorzinho “quadcore” de 32/64 bits tanto em Windows quanto em Linux!

Agora é só esperar pra ver se a Intel se anima a trazer essa placa para o mercado local (via Digitron) o que acho ser bastante provável, já que existe uma tendência natural do 330 deixar de ser produzido e dar lugar para o D510.

Resumo: Intel Desktop Board D510MO

O que é isso? Placa-mãe mini-ITX com processador Atom D510 + NM10.

O que é legal? Novo chip Atom dual core com gráficos integrados. Funciona com cooler passivo e já vem com porta Gigabit Ethernet
O que é imoral? Desempenho gráfico continua modesto, portas serial e paralela ficam escondidas na placa.
O que mais? Vem equipada com slot PCIe-mini para instalação de interfaces wireless (a mesma usada em notebooks).
Avaliação: 7,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: aproximadamente US$ 80 nos EUA.
Onde encontrar: www.intel.com.br.

Nagano comenta: Vale a pena comentar que a D510MO possui uma irmã menor e ainda mais em conta (na faixa dos US$ 60 nos EUA) — o Intel Desktop Board D410PT — equipada com um processador Atom D410, que é a versão single core do D51o com apenas 512 kb de cache L2, tecnologia Hyperthreading e TDP máximo de 10 watts.

Fora isso ele vem equipado com uma porta de rede Fast  Ethernet (10/100) apenas uma serial e não vem com slot para cartão PCIe-mini nem porta paralela. Tudo isso (a menos) vale o desconto de 20 doletas? Talvez sim se o cliente estiver interessado em adquirir algumas centenas (ou até milhares) de placas e cuja aplicação final esteja dentro do poder de fogo de um processador single-core com HT e uma infraestrutura de rede mais simples. Um bom exemplo seriam os terminais de consulta/vendas, centrais de atendimento, telemarketing e até iniciativas de inclusão digital como telecentros ou PCs para educação.

Para o usuário final, ainda acho que o D510MO é o bicho!

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos