Review: Placa-mãe Asus M4A89GTD PRO/USB3

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Para aqueles que sentiam saudades de um review de AMD, acabei de testar a placa-mãe ASUS M4A89GTD PRO/USB3, baseada no soquete AM3 e na nova geração de chipsets da série AMD 890 GX + SB850 – sucessora das séries 780/785 que vimos muito no ano passado.

E, como seus antecessores, esse produto se destaca pela flexibilidade da sua plataforma, em especial a capacidade de começar pequeno e crescer para um sistema realmente poderoso.

Como a embalagem deixa bem claro, ela faz parte sua linha “Xtreme Design” da Asus, o que faz com que a M4A89GTD tenha um certo grau de parentesco com outros produtos que já vimos aqui neste Zumo, como a P7H57D-EVO ou a  P7H55D-EVO.

Isso faz com que essa placa compartilhe diversos recursos interessantes criados pela Asus e que também estão disponíveis para a plataforma AMD. Um bom exemplo é a presença de duas interfaces USB 3.0 via controladora NEC D720200F1 e seis portas  SATA 600 (uia!), só que nesse caso o gerenciamento fica por conta do chipset AMD SB850, por sinal, uma das grandes novidades dessa placa.

Fora isso ela também conta com alguns recursos desenvolvidos pela casa como o ASUS TurboV EVO, uma solução de hardware e software que acelera o sistema (=overclock) de maneira estável por meio de ajustes automáticos, o ASUS EPU (chip c0ntrolador de voltagem inteligente) e um dos meus favoritos — o MemOK! — um circuito que checa, analisa e reconfigura os parâmetros da memória automaticamente garantindo assim um boot mais rápido e bem-sucedido.

Assim como a P7H57D, a M4A89GTD é uma placa padrão ATX com espaço de sobra para seus diversos conectores internos, que inclui alguns dispositivos legados e quatro saídas de alimentação para ventoinhas diversas (PWR-FAN, CHA-FAN1 e CHA_FAN2).

Entretanto, a estrelinha do show é mesmo o chipset AMD 890 GX, uma evolução do 790 GX que traz algumas melhorias mais técnicas do que revolucionárias, entre elas a nova aceleradora gráfica integrada ATI Radeon HD 4290 que — se comparada com sua antecessora (HD 3300) — traz o mesmo clock de GPU (700 MHz), suporte para DX 10.1, Hybrid Crossfire e processamento de vídeo em MPEG-2 e H.264 por hardware.

Uma curiosidade desse novo chipset é um recurso opcional — mas presente nessa placa —, o  SidePort Memory: uma espécie de buffer de memória que proporciona uma menor latência entre a GPU integrada e a memória do sistema melhorando assim o seu desempenho de vídeo.

Assim como outras placas “Extreme Design” da Asus, trata-se de uma placa bem construída, sem muitas frescuras estéticas e cores extravagantes. Ela vem equipada com um controlador de energia de 8 fases. Note o generoso dissipador de calor sobre os VRMs conectado ao do chipset 890GX via trocador de calor (heat pipe) embutido.

Com a chegada da 890 GX a AMD deixa pra trás o soquete AM2/AM2+ assumindo de vez o padrão AM3 de 938 pinos (contra 940 do AM2) e — assim como seu concorrente de Santa Clara — ele agora oferece suporte para memórias DDR3, incluindo os processadores Athlon II, Phenom II, Sempron Série 100 e até os novos Phenom II X6 de seis núcleos (UIA!). Para uma lista completa dos processadores compatíveis, sugerimos a visita ao site do produto no Brasil clicando na aba Lista de Suporte CPU.

Para esse review contamos com a colaboração da AMD Brasil, que gentilmente nos cedeu um processador AMD Phenon II X3 720 Black Edition (codinome Heka) de 2,8 GHz, 1,5 MB de cache L2 e 6 MB de cache L3.

Como o próprio nome diz, trata-se de um chip de três núcleos e fizemos questão de usá-lo porque queríamos experimentar um recurso disponível nessa placa, que é o Core Unlocker,  que destrava o núcleo dormente por hardware. Esse recurso em si não é novidade, mas o que me chamou realmente a atenção é o esforço da Asus em simplificar esse processo.

A maneira mais simples e direta de ativar esse Core Unlocker é por meio de uma chave localizada na placa-mãe identificada como “CORE_UNLOCKER”. Ao ligá-la, acende-se um LED vermelho informando que ele está ativo.

De fato, podemos constatar que esse recurso realmente funciona. O Phenom II X3 720 original…

… virou um Phenom II X4 alguma-coisa-20 (uia! uia!). Note que o CPU-Z passou a identificar o núcleo original (Heka) como Deneb.

Outra maneira mais tradicional de ativar esse recurso é por meio da BIOS. Note que nesse caso, também é possivel configurar o chip para trabalhar no modo tri-core com o núcleo ativo ou com o dormente. Acredito que isso possa ser usado para se encontrar a melhor relação de desempenho, principalmente entre os praticantes de overclock.

Nagano comenta: Moralismos à parte, o destravamento do núcleo dormente dos X3 já deixou de ser uma lenda urbana para se tornar um fato da vida, ao ponto de a própria AMD não ser contra essa prática. Seu único alerta é que como esse núcleo — por um motivo ou outro — está desativado e vendido como tal, a empresa não pode garantir que o mesmo funcione tão bem como um X4 de linha. No geral, três coisas podem acontecer:

1. O sistema é reconhecido como um quad-core e funcionar perfeitamente (êêêba!)

2. O sistema é reconhecido como um quad-core mas apresenta problemas de estabilidade (ops!)

3. O quarto núcleo pode simplesmente não funcionar (dang!)

De um certo modo esse recurso lembra muito a prática do overclock, ou seja, parte-se do princípio de que o usuário esteja ciente dos riscos desse esporte e que ele tem toda a liberdade de fazer o que quiser com o seu chip e seu computador.  O fabricante por sua vez, não pode garantir que um componente funcione fora das suas especificações declaradas. Assim, no caso de algum dano irreversível, não adianta brigar com a assistência técnica, muito menos ir reclamar com o bispo.

Voltaremos a esse assunto em outra oportunidade (fiquem ligados).

Como é padrão nesse tipo de placa, a M4A89GTD PRO vem equipada com quatro slots DIMM para até 16 GB de memória DDR3 1.066 ~ 1.333 MHz ou até 2.000 MHz via overclock. Como o soquete AM3 oferece suporte para dual-channel, o ideal é que o usuário instale seus pentes de memória em pares. Note a presença de uma saída serial (COM1) à direita do conector da fonte ATX de 24 pinos.

Falando em fonte de alimentação, outro detalhe interessante que me chamou a atenção é seu conector EATX de 12 volts, que é bem mais alto que outros que já vimos em outras placas, o que facilita em muito a instalação do conector.

Existem ainda mais dois controles presentes ao lado do Core Unlocker. São eles o Turbo Key II, um ajuste automático de overclock que procura encontrar o melhor ajuste de velocidade sem comprometer a estabilidade do sistema. Assim como o seu vizinho da direita, basta ligar a chave que ele faz o resto. À sua esquerda fica o botão de MemOK! que deve ser pressionado com a placa energizada (porém não ligada) para que ele inicie a rotina de reconhecimento e configuração autiomática da memória instalada, aumentando assim as possibilidades de um boot bem-sucedido.

No lado oposto vemos o conector IDE-PATA (ainda útil para aqueles que ainda tem leitores de CD/DVD com essa porta) as conexões para o painel frontal (com kit de montagem/desmontagem rápida) e seis portas SATA 600 — com suporte para RAID 0,1,5,10 —  sendo que duas delas estão dispostas de lado o que pode facilitar a instalação de cabos em alguns tipos de montagem, em especial quando inserimos aquelas imensas placas de vídeo que ocupam mais de um slot de largura. A propósito, existe uma porta adicional eSATA 300 disponível no painel traseiro dessa placa.

Outra característica interessante do chipset SB850 é que ele tem suporte para até 14 portas USB 2.0, sendo que oito delas localizam-se na lateral esquerda (conectores azuis) ao lado de uma Firewire (preto) e da saída de som para o painel frontal (AAFP).

A M4A89GTD conta com um bom sortimento de slots para placas de expansã0. À partir da esquerda vemos dois slots PCI padrão, uma PCIe x16, uma PCIe x4, uma PCIe x1 e mais uma PCIe x16 todos já no padrão 2.0. Note porém que o slot PCIe x16 azul passa para o modo x8 quando usada com duas placas de vídeo no modo Crossfire, enquanto o PCIe x16 branco só trabalha em x8.

Interessante notar que, ao utilizar uma placa de vídeo discreta com interface PCIe x16, a Asus recomenda o uso de um curioso acessório na forma de uma plaquinha que já acompanha o produto …

… e que deve ser instalado no slot PCIe X16 branco…

… o que faz com que a placa de vídeo deva sempre ser instalada no slot azul, ao contrário do que estamos habituados a desde a época do slot AGP.

Curiosamente o design de seu painel traseiro é praticamente o mesmo da P7H57D com apenas algumas diferenças nos padrões de cores. À partir da esquerda podemos ver uma porta PS/2 para teclado, duas USB 2.0, S/PDIF out óptico, HDMI, SVGA, DVI, mais duas USB 2.0, Firewire, E-SATA, rede gigabit, duas USB 3.0 (uia!) e saída de som HD.

Sob testes

Para esse teste utilizamos o processador AMD Phenom II X3 720 Black Edition de 2,8 GHz citado acima, 4 GB de SDRAM DDR3 1066 distribuídos em dois pentes Kingston KVR1066D3N7/2G de 2 GB cada e um disco rígido Seagate Barracuda XT ST32000641AS SATA 600 de 2 TB. O sistema operacional utilizado foi o Windows 7 Ultimate de 32 bits.

E assim como em outros casos, foi a aceleradora gráfica (no modo Aero) quem segurou a nota do Índice de Experiência do Windows 7 em 4,7 pontos. Interessante notar que sua pontuação em cálculos por segundo — 6,8 —  ficou muito próximo da Asus P7H57D (6,9 pontos) equipada com um Core i5 661 Clarkdale, um chip dual core de 3,33 GHz.

Nos testes com o HDxPRT da Intel, a M4A89GTD bateu apenas 127 pontos nos testes de criação de conteúdo, mas alcançou a pontuação máxima em reprodução de conteúdo HD.

Nos outros testes, a plataforma da Asus bateu 151 pontos no Sysmark 2007 Preview 1.05 5.876 pontos no PCMark Vantage. No AutoGK 2.45, o sistema levou 1h2m7s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo) feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 2h57m10s utilizando um thread e 1h05m44s com três threads.

Para avaliar o desempenho do processador rodamos o CINEBENCH R10 e os resultados foram os seguintes:

Rendering (Single   CPU): 2.565 CB-CPU
Rendering (Multiple CPU): 7.127 CB-CPU
Multiprocessor Speedup: 2,78
Shading (OpenGL Standard): 3.056 CB-GFX

O mesmo teste com o novo Cinebench 11.5:

E o Super-Pi do David Lopes:

Segundo o EEcoMark 1.0.0 384, (sem considerar o uso do monitor) nosso sistema consumiu em média 61,82 watts em idle, 54,14 watts no modo sleep e 5,99 watts em off, segundo o Energy Star V4. Já no Energy Star V5, o sistema mediu 61,95 watts em idle, 6,72 watts em sleep e 5,99 watts em off.

Para se ter um cenário de uso mais real, eu peguei meu medidor de energia e monitorei o sistema rodando o PCMark 2005. Na média ela consumiu em média de 62,5 watts, com picos de 120,3 watts.

Para resumir minha opinião sobre essa placa em apenas uma palavra, ela é “flexibilidade“, já que é impressionante o número de configurações diferentes — para todos os bolsos e gostos — que podem ser construídas a partir dessa plataforma. Desde um PC de entrada adicionando-se um pente de memória e um chip Sempron, passando por um Media Center PC, PC de produção e até mesmo um PC topo de linha com 16 GB de RAM, processador Phenon II x6, duas placas de vídeo em Crossfire e um monte discos SATA 600 pendurados. E isso sem falar nas diversas traquinagens e ajustes finos que podem ser feitas por meio de recursos de hardware e software oferecidos pelo próprio fabricante, incluindo a possibilidade de destravar núcleos adicionais de chips tri-core movendo apenas uma chave.

Se você é um daqueles que adoram ficar mexendo nas configurações do seu PC a M4A89GTD é uma opção a ser considerada.

Resumo: Placa-mãe ASUS M4A89FTD PRO/USB3

O que é isso? Placa-mãe de uso geral para entusiastas e gamers.
O que é legal? Compatível com os novos processadores com soquete AM3. Já vem com USB 3.0 e SATA 600.
O que é imoral? Poderia vir com duas portas PS/2 para mouse e teclado. Relativamente onerosa.
O que mais? O recurso de core unlocker realmente funciona, mas a sua real utilidade depende mais do estado do processador em si do que da placa-mãe propriamente dita.
Avaliação: 8,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 520
Onde encontrar: br.asus.com

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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