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Review: Notebook conversível Panasonic Toughbook CF-19

Se notebooks conversíveis fossem carros, o Toughbook CF-19 seria o Land Rover Defender da computação móvel, oferecendo recursos de desktop e tablet com Windows em um único equipamento.

Intros e outros:

Para quem nunca foi apresentado, a linha ToughBook nasceu em meados da década de 1990 quando a British Gas procurou a Panasonic para o fornecimento de um notebook com unidade de CD-ROM integrada, periférico que nenhum de seus concorrentes como Toshiba, Compaq e IBM havia se comprometido a produzir.

Como o pessoal de Osaka já dominava a tecnologia de mídias ópticas e outros componentes como telas LCD, design de gabinetes, baterias etc, eles chegaram à conclusão que seriam capazes de projetar e fabricar seu próprio notebook com CD-ROM já em 1995. E como já era sabido que os ingleses iriam usar esses equipamentos em locais abertos e até bem selvagens, a empresa desenvolveu sua primeira cobertura de liga de magnésio para proteger sua tela LCD resultando no  Panasonic CF-25:

Panasonic_CF25a

Depois de um ano, os engenheiros da Panasonic analisaram alguns desses equipamentos que voltaram do campo e notaram que eles apanharam bastante — cheio de sinais de marcas, batidas e riscos — o que mostrou que eles precisariam desenvolver um produto ainda mais robusto e resistente para sobreviver nesses ambientes mais hostis.

E nessa mesma época, as forças armadas dos EUA divulgaram as primeiras especificações do que seria um computador para uso militar e a policia americana também iniciou o trabalho de desenvolvimento de um plano nacional para criar um sistema de computação embarcada para uso em veículos de patrulha. Em ambos os casos, era claro que um computador convencional não sobreviveria muito tempo nesses teatros de guerra (literalmente falando), o que motivou a Panasonic a criar um computador ainda mais reforçado como o CF-28 Pronote FG (abaixo)…

Panasonic_CF28

…  que depois deu origem a linha Toughbook, que hoje engloba desde tablets com Android ou Windows, passando por modelos para uso pessoal/corporativo, uso misto (escritório/campo) até os modelos realmente duros na queda, como o mais conhecido deles, o Toughbook CF-31:

Toughbook_CF_31c

 

Trata-se de um modelo descrito como robustecido (ou fully-rugged) que atende a Certificação MIL-STD-810G (resistente a quedas de 1,80m de altura, impactos, vibrações, chuvas, poeira, areia, altitude, congelamento/descongelamento, altas/baixas temperaturas, choques térmicos, umidade, atmosfera com gases explosivos etc.) e as normas MIL-STD-461F1 (controle de emissões eletromagnéticas — EMI — e resisência a interferências geradas por equipamentos usados pelo departamento de defesa americano), IP651 (design vedado, resistente a todos os climas), UL 1604 classe I, divisão 2, grupos ABCDCCX v4 (qualidade, desempenho e segurança das conexões sem fio).

Já o modelo que recebemos para testes aqui na Zumo-caverna foi o Toughbook CF-19, um modelo no mesmo nível do CF-31, porém do tipo conversível, ou seja…

Toughbook_CF19_notebook_mode

… sua tela pode girar e tombar sobre o teclado…

Toughbook_CF19_overall

… transformando-se assim num tablet com Windows:

Toughbook_CF19_tablet_mode

Por não ser exatamente um produto de varejo, o visual dos Toughbooks não segue o mesmo ritmo insano dos modelos de consumo de modo que eles não mudam muito de um modelo para outro, sendo que a maioria das atualizações ocorrem mais na sua plataforma computacional do que na sua aparência propriamente dita.

De fato é bem difícil diferenciar o modelo original de 2006 equipado com processador Intel Core Duo U2400 “Nehalem” de 1,06 GHz, 512 MB de RAM e 80 GB de disco rígido com o modelo que recebemos para testes equipado com processador Intel Core i5-2520M “Sandy Bridge” com vPro de 2,5~3,2 GHz, 4 GB de SDRAM e 25o GB de disco rígido. De fato, até já existe até um modelo mais avançado — conhecido internamente como CF-19 MK6 — equipado com processador Core  i5-3320M “Ivy Bridge” de 2,6~3,3 GHz.

Acreditamos que o público alvo desse portátil pode ser  qualquer profissional, acadêmico ou até usuário final sujeito a trabalhar em situações adversas, o que inclui tomar uma tempestade na cabeça, cair de um barranco ou mesmo rolar na lama de vez em quando. Nesse universo podemos citar além do setor público como forças policiais, militares, bombeiros e serviços de resgate, profissionais da área de engenharia civil, florestal, agronomia, mineração, gás, eletricidade e petróleo, além de topógrafos, geólogos, agrônomos, vendedores de campo, agentes imobiliários, pesquisadores etc.

E se os ThinkPads são conhecidos pelo seus gabinetes pretos, os Toughbooks são famosos pelos seus gabinetes de liga de magnésio fundido sendo que sua tampa superior são apresentados na sua cor natural sem pintura ou acabamento de qualquer tipo:

Toughbook_CF19_tablet_closed_top

Toughbook_CF19_acabamento

De fato, com um microscópio é possível até ver a estrutura cristalina da liga de magnésio:

Toughbook_CF19_metal_0

Toughbook_CF19_metal_1

E por que desse acabamento simples e sem pintura? Segundo a empresa, como esses equipamentos podem ficar expostos ao sol por um longo tempo, esse acabamento natural ajuda a refletir luz solar, evitando assim que o computador esquente desnecessariamente. Essa história até que faz sentido já que a cor predominante no resto do gabinete é o preto fosco, o que até passa a impressão de estarmos diante de um cofre ou de um blindado.

Toughbook_CF19_det_gabinete

Medindo aproximadamente 27,1 x 4,8 x 21,6 cm (LxAxP — fechado)  e 2,1 kg de peso (ou 2,4 kg com a fonte) o CF-19 fica meio que de fora das atuais tendências da moda que cultuam os chamados modelos leves e finos. Isso fica evidente quando colocado perto (ou neste caso sobre) um portátil de linha como um Dell Vostro de 14 polegadas.

Toughbook_CF19_x_Dell_top

Toughbook_CF19_x_Dell_front2

Toughbook_CF19_x_Dell_lado

Toughbook_CF19_x_Dell_opened

Aqui uma comparação do CF-19 no modo tablet com um Motorola Xoom 2 ME com tela de 8,5 polegadas:

Toughbook_CF19_x_Xoom

De qualquer modo, ele não deixa de ter um charme próprio semelhante ao encontrado em jipes fora de estrada ou veículos militares onde o importante é ultrapassar os obstáculos do caminho e cumprir sua missão da maneira mais eficiente possível.

Toughbook_CF19_no_lab

Como é comum nos notebooks conversíveis (ou covertibles) a tampa da tela LCD do CF-19 se une ao resto do portátil por meio de uma única articulação central super reforçada que girar 180 graus no sentido horário, podendo funcionar assim como uma pequena tela de apresentações para pequenos grupos ou até mesmo um cliente sentado no lado oposto ao usuário.

Toughbook_CF19_presenter_modea

Como era de se esperar de um equipamento do seu tipo, o mecanismo de giro da tela é bastante reforçado, sendo que para rotacionar a tela é necessário primeiro empurrar a trava “RELEASE” para a direita…

Toughbook_CF19_release_latch

… que libera dois pinos de aço…

Toughbook_CF19_release_latch2

… localizados um de cada lado do eixo…

Toughbook_CF19_release_latch3

… liberando assim o movimento.

Toughbook_CF19_rotate_screen

E assim como o seu irmão maior, o CF-19 também conta com um fecho frontal para manter a tampa firmemente travada quando fora de uso ou quando usado no modo tablet.

Toughbook_CF19_trava

E como medida adicional para evitar que a tela abaixada gire acidentalmente, existe um pino (ou ressalto) em cada canto da tela…

Toughbook_trava_macho

… que se encaixa num ressalto na base do teclado, impedindo que a tela se mova.

Toughbook_trava_femea

Isso fica mais claro no vídeo abaixo que mostra o procedimento de conversão entre o modo notebook para o tablet e vice-versa:

Fato é que pesando pouco mais de 2 kg o CF-19 não é o equipamento mais confortável de ser segurado com uma das mãos. Melhor neste caso é apoiá-lo com o antebraço como se fosse uma prancheta de notas.

Toughbook_CF19_tablet_mode3

… para ajudar na sua manipulação e transporte, acompanha esse modelo uma pequena correia de nylon com fecho de metal…

Toughbook_CF19_portas_correia

… que pode ser fixado (ou para ser mais exato, parafusado) na parte da frente ou atrás do gabinete…

Toughbook_CF19_portas_correia_2

… permitindo assim que ele funcione como uma alça de mão ou mesmo uma correia de transporte. Segundo o seu manual, ainda existe um acessório opcional na forma de uma correia mais longa que permite transportar o CF-19 como se fosse uma bolsa a tiracolo.

Toughbook_CF19_alca2

Tela e Teclado:

Um dos grandes atrativos do CF-19 é sua tela LCD-LED de 10,1″ com resolução nativa de 1.024 x 768 pixels ainda no padrão de formato 4:3. Ela é sensível ao toque e é do tipo resistivo ou seja, ela reage a pressão do dedo ou de um dispositivo apontador do tipo caneta ou stylus.

 

Toughbook_tela_1

Observe que esse modelo não possui webcam na tela nem microfone embutido, o que dificulta o seu uso em aplicações de videoconferência. Segundo o manual, o espaço extra nas bordas laterais abrigam as antenas WLAN (Wi-Fi), WWAN (3G/4G) e bluetooth:

Para os padrões atuais sua tela não é nada fina — 1,7 cm de espessura — mas esse é o preço a ser pago pela proteção extra proporcionado pelo seu gabinete de liga de magnésio que protege tanto a frente quanto a parte de trás do LCD.

Toughbook_CF19_espessura_tela

Uma curiosidade dessa tela é sua borda superior que possui pequenas aletas que, para mim, a sua única função que não seja estética é de ajudar a irradiar o calor gerado pela tela.

Toughbook_CF19_aletas

No canto inferior esquerdo da tela existe um espaço para guardar seu dispositivo apontador do tipo Stylus. Acima dele existe um espaço para fixar um cordão para amarrar a caneta Stylus à tela, minimizando assim a possibilidade de perdê-la.

Toughbook_CF19_Stylus_1

O dispositivo em si não tem nada de especial de ~10 cm de comprimento…

Toughbook_CF19_Stylus_2

… com uma ponta semi-transparente o que ajuda a visualizar e remover possíveis acúmulos de resíduos/poeira que poderiam riscar a tela do portátil.

Toughbook_CF19_Stylus_3

No canto inferior direito fica o seu alto-falante mono.

Toughbook_CF19_falante

Segundo a Panasonic, a tela é protegida por uma camada de material transparente com polarização circular (mais detalhes aqui), tratamento anti-reflexivo e anti-ofuscante que a empresa chama de Touchscreen Transflective Screen que utiliza a própria luz do sol para melhorar a visualização da tela mesmo sob luz forte, aumentando o seu brilho em até 6.000 nits.

Toughbook_tela_no_sol3

Se comparado com um ambiente interno, a tela assume um tom ligeiramente mais escuro, mas isso não compromete em nada a sua legibilidade tanto sob o sol…

Toughbook_tela_no_sol

… quanto na sombra:

Toughbook_tela_na_sombra

Em contrapartida, o teclado do CF-19 não é dos melhores que tenho visto ultimamente no mercado. Apesar do bom espaço para apoiar as mãos, o teclado é meio apertado e lembrando até aqueles primeiros netbooks com telas de 7 polegadas. Ele também está disponível numa versão opcional com botões retroiluminados o que facilita o seu uso em ambientes escuros.

Toughbook_CF19_teclado_1

Curiosamente, o modelo que recebemos para testes não veio com layout US-International ou brasileiro ABNT-2 e sim num algum padrão de algum país de língua espanhola. De fato, penei um pouco com esse teclado até descobrir que a tecla [Del] corresponde a tecla [Supr].

Toughbook_CF19_teclado_2

Para os padrões atuais, o touchpad do CF-19 não é exatamente espaçoso e pouco sensível para meu gosto. A impressão que passa é que a ênfase desse teclado e mouse está mais para preencher campos e escrever pequenas frases do que redigir um relatório de diversas páginas.

Toughbook_CF19_touchpad

Já o seu painel frontal é bastante útil com luzes indicadoras bem claras e visíveis assim como suas teclas de funções. A partir da esquerda podemos ver o ajuste de brilho, o atalho para teclado na tela, tecla de [Enter], controle de giro da tela e bloqueio (lock) do computador.

Toughbook_CF19_painel_LEDs_esq

Do lado oposto podemos ver os indicadores de carga da bateria, indicador de ligado e embaixo dele a chave de liga/desliga.

Toughbook_CF19_painel_LEDs_dir

O espaço a esquerda dessa chave é reservada para a instalação de um leitor biométrico (opcional) para autenticações via impressão digital.

Toughbook_CF19_front_space

Entradas e saídas:

Como já dissemos anteriormente, um dos grandes atrativos desses modelos CF-19/31 é de oferecer uma generosa lista de interfaces e portas de comunicação, sendo que muitas delas deixaram de existir nos modelos mais modelos mais recentes, em especial nos Ultrabooks.

Toughbook_CF19_lat_esq_1

E para ficar de acordo com a certificação IP65, todas as suas entradas e saídas estão protegidas das intempéries do tempo por meio de tampinhas de borracha…

Toughbook_CF19_lat_esq_2

… que ficam no lugar por meio de pressão, o que dificulta a entrada de pó e líquidos no seu interior.

Toughbook_CF19_portas_comm

Interessante observar que, segundo a certificação IP65, o primeiro dígito (6) indica resistência ao pó, e o nível 6 diz é que o equipamento não está totalmente protegido contra a entrada de pó mas que qualquer quantidade que conseguir entrar no seu interior não deve comprometer o seu funcionamento.

Já o segundo dígito (5) descreve seu nível de proteção contra líquidos, e o nível 5 nos diz que o equipamento deve resistir a respingos vindos de qualquer direção sem comprometer o seu funcionamento, ou seja, ele ate aguenta um banho de água fria com mangueira, mas nada de atirá-lo no lago ou na piscina para impressionar as garotas e os amigos nerds ou jogá-lo na lavadora de roupas.

A partir da direita, podemos ver uma porta de rede Gigabit Ethernet, modem de 56 kbps, porta Firewire, USB 2.0 e a entrada da fonte de alimentação.

Toughbook_CF19_interfaces_esq

Esta, por sinal, um modelo CF-AA6373A M1 com entrada de CA bivolt (100~240 v) e saída CC de 16 volts x 3,75 A.

Toughbook_CF19_fonte_1

Note que o conector macho da fonte é bem reforçada e possui um ressalto de plástico que encaixa no gabinete metálico…

Toughbook_CF19_fonte_3

… fornecendo assim uma melhor vedação do que um encaixe simples, e mais proteção no caso de uma batida nessa área.

Toughbook_CF19_fonte_4

Outra curiosidade desse produto é a presença de um ponto de fixação na suas portas USB…

Toughbook_CF19_USB_cable_4

… onde podemos encaixar um cabo extensor USB reforçado que já acompanha o produto…

Toughbook_CF19_USB_cable_1

… e que possui seu próprio parafuso de fixação.

Toughbook_CF19_USB_cable_2

Apesar da praticidade desse recurso ser óbvia, não nos ficou muito claro a real utilidade desse acessório. Acreditamos que ela sirva mais para ilustrar o conceito ou viabilizar algum tipo de adaptação feita pelo próprio usuário.

Toughbook_CF19_USB_cable_3

Já os slots para os cartões de expansão ficam dentro de um compartimento fechado por uma trava de ação dupla.

Toughbook_CF19_lat_esq_3

Como assim? A gente mostra:

Aqui podemos ver que o CF-19 possui entradas para cartões PCMCIA, Express Card (/34 ou /54) e leitor de cartões SD, SDHC e SDXC (uia!). Interessante notar que a chave que liga e desliga a interface Wi-Fi também fica protegida dentro desse compartimento.

Toughbook_CF19_card_slot

Na parte de trás do portátil podemos ver mais interfaces, além de um slot para trava antifurto padrão Kensington localizado na área central da mesma.

Toughbook_CF19_back

No canto esquerdo temos as saídas de fone de ouvido/microfone, slot para cartão SIM e uma segunda porta USB 2.0.

Toughbook_CF19_back2

Do outro lado, podemos ver uma saída de vídeo padrão SVGA e Serial (uia!).

Toughbook_CF19_back3

Já a lateral direita do CF-19 é dominada por dois grandes compartimentos, o que não deixa espaço para uma leitora de CD-ROM o que — neste caso — não sei se faz falta.

Toughbook_CF19_lat_dir1

Ao abrir esses compartimentos temos acesso e a unidade de disco rígido que podem ser facilmente removidos puxando a lingueta azul (bateria) ou preta (HD) o que agiliza em muito a sua manutenção/troca de componentes, o que pode ser útil em certas situações de contingência.

Toughbook_CF19_lat_dir2

A bateria que acompanhou nosso equipamento é um modelo CF-VZSU48 formada por seis células de íons de lítio…

Toughbook_CF19_bateria_0

 

… com saída de 10,65 volts x 58 Wh ou 5.700 mAh:

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Segundo a fabricante, ela tem uma autonomia estimada em torno de 8,5~9 horas de uso e tempo de recarga de ~3,5 horas.

Toughbook_CF19_bateria_1

Já o seu disco rígido de 2,5″ é um Hitachi Travelstar modelo HTS723232A7A de 320 GB, 7.200 rpm e interface SATA 2.0/300. A empresa também oferece opções de discos SSD de 128 GB e 256 GB:

Toughbook_CF19_HD_case_1

Como já vimos em outros Toughbooks, o disco rígido fica super-protegido dentro de um estojo especial feito de metal e policarbonato…

Toughbook_CF19_HD_case_2

… sendo que, ao abri-lo, podemos ver a preocupação da empresa em proteger ao máximo esse sensível componente.

Toughbook_CF19_HD_case_3

Por exemplo: enquanto as bordas internas deste estojo são forradas com um material que parece ser algum tipo de espuma de alta densidade…

Toughbook_CF19_HD_case_2c

… a parte de cima e de baixo do disco rígido são apoiados sobre tiras de espuma ainda mais macias. E o que parece ser uma argola de fita serve para sacar o disco para fora dessa câmara de proteção.

Toughbook_CF19_HD_case_4

Porém a coisa mais curiosa dessa solução é a presença de uma membrana de circuito flexível (= flex circuit) que envolve o disco e funciona como uma espécie de “cobertor elétrico” (uia!) que ajuda a manter o disco aquecido mesmo em condições extremas de baixa temperatura sem travar. A alça de fita marrom é exatamente isso: uma alça que ajuda a sacar o disco da sua cama de espuma.

Toughbook_CF19_HD_case_5

Fora isso, a conexão do disco com o resto do computador é feito por meio de um flat cable flexível e um terminal…

Toughbook_CF19_HD_case_6

…  que possui uma pequena folga (ou jogo) na sua fixação:

Isso impede (ou pelo menos minimiza) a transferência de vibrações ou mesmo a energia de uma queda diretamente para o disco rígido, o que poderia causar danos ao seu mecanismo e levar a perda dos seus dados.

Finalmente, ainda existe um espaço a direita do compartimento do disco onde pode ser instalado um módulo de GPS opcional.

Toughbook_CF19_GPS_space

Por dentro do Hardware:

Como dissemos anteriormente, assim como sua tampa superior a base do CF-19 também é feito de liga de magnésio o pode até parecer um exagero, mas esse excesso de metal possui uma função secundária que é de absorver e dispersar o calor gerado pelo processador — no nosso caso um Intel Core i5 M de linha (TDP de 35 watts) — que nem é um daqueles modelos ultra baixa voltagem (~17 watts) que muitas vezes abrem mão do desempenho em favor de menor consumo/geração de calor.

Toughbook_CF19_bottom

Uma das vantagens dessa solução é que ela dispensa o uso do cooler + ventoinha que — como todo mundo sabe — força a circulação do ar no seu interior, eliminando assim o excesso de calor gerado pelo sistema. Com isso, o CF-19 praticamente não possui entradas de ar, o que minimiza possibilidade de entrar de pó e outras impurezas no seu interior ao mesmo tempo que elimina a possibilidade do cooler (um componente eletromecânico) pare de funcionar devido ao seu desgaste natural.

No canto superior direito podemos ver uma pequena porta deslizante que protege a porta de conexão para bases de acoplamento e docking stations…

Toughbook_CF19_dock_port

… que são muito usadas em instalações veiculares.

Toughbook_CF19_docking

Essa porta também possui dois conectores específicos para ligar antenas externas:

Toughbook_CF19_conector_antena

Os outros compartimentos são fechados com pequenas tampas de metal fixadas com parafusos. Note a presença de uma moldura de vedação que impede a entrada de pó e líquidos.

Toughbook_CF19_tampa

Ao remover essas tampas, no canto inferior direito temos acesso aos dois slots de pentes de memória sendo que um deles é ocupado por um módulo de 4 GB DDR3 de 1.333 MHz e o outro pode receber um módulo adicional de até 4 GB, totalizando assim o máximo de 8 GB de SDRAM.

Toughbook_CF19_SDRAM_1

Observe porém que o pente instalado não pode ser removido através dessa porta. Isso nos pareceu inicialmente uma medida de segurança, mas depois descobrimos que esse espaço pode ser ocupado…

Toughbook_CF19_SDRAM_2

… por um curioso acessório opcional na forma de uma câmera digital de 2 MP com ajuste de foco automático e dois iluminadores de LED integrados (uia!)

Toughbook_CF19_camera

Assim como nos tablets, a idéia por trás desse acessório é de oferecer uma maneira simples e prática para capturar imagens que podem ser usadas em relatórios de campo, pesquisas e até perícias de acidentes e seguros. Observe porém que a presença desta câmera impede a instalação do segundo pente de memória.

Toughbook_CF19_camera2

Já no canto superior esquerdo, temos um espaço reservado para a instalação de um cartão com slot PCI Express Mini opcional, que neste caso pode ser um modem Ericsson modelo F5521gw que permite conectar o CF-19 a redes  WWAN/3G. Note a presença das conexões de antena (fios verde e preto) já instalados de fábrica e a sigla “MK5” na placa-mãe que pode ser a indicação de modelo/geração desse ToughPad. No nosso caso, o modelo de 2011 com processador Intel Core i5 de segunda geração.

Toughbook_CF19_PCIe_mini

Isso também explica a presença do slot para cartão SIM localizado logo abaixo das portas de som do CF-19. Observe porém que a sua existência não significa que o modem WWAN esteja presente, já que se tratam de módulos diferentes.

Toughbook_CF19_SIM_slot

 

Sob Testes:

O Toughbook CF-19 que recebemos para testes é um modelo conhecido internamente como MK5 (Mark 5 ou Modelo 5) lançado no final de 2011 equipado com processador Core ix de segunda geração “Sandy Bridge”. A boa notícia é que a Panasonic já comercializa o modelo MK6 já atualizado para a atual plataforma Intel Core ix de terceira geração “Ivy Bridge”.

Por causa disso, nosso modelo MK5 veio equipado com um processador  Intel Core i5 2520Mum chip dual core com HT (= 4 threads) de 2,5 GHz (~ 3,2 GHz no modo turbo) equipado com cache de 3 MB e fabricado pelo processo de 32 nm. Esse modelo também incopora a tecnologia Intel vPro que engloba diversas tecnologias de segurança, incluindo até anti-furto.

Toughbook_CF19_cpuz

Sua aceleradora gráfica integrada é um Intel HD 3000 (GT2+), uma GPU adequada para as aplicações do dia a dia, sendo que sua maior limitação é não ter suporte para DirectX 11 o que, no caso do público alvo do Toughtbook pode não fazer diferença alguma.

Toughbook_CF19_gpuz

Seu disco rígido é um Hitachi Travelstar HTS723232A7A de 320 GB. Interessante notar que esse disco gira a 7.200 rpm o que lhe proporciona um melhor desempenho (porém consumindo um pouco mais) que os modelos de 5.400 rpm:

Toughbook_CF19_HDTune_Info_Hitachi_HTS723232A7A

Fora isso, o sistema veio equipado com 4 GB de SDRAM DDR3 de 1.333 MHz (podendo expandir para até 8 GB) e interfaces Gigabit Ethernet, Modem, Wi-fi 802.11a/b/g/n Centrino Advanced N 6205, Bluetooth v2.1 + EDR (Classe 1), som HD etc.

Toughbook_CF19_devices

O sistema operacional é o bom e velho Windows 7 Professional de 64 bits com suporte completo para pen computing ou seja, ele reconhece apenas um ponto de toque.

Toughbook_CF19_system

Segundo o seu Indice de Experiência do Windows, o CF-19  bateu 4,7 pontos o que o coloca dentro do que a Microsoft descreve como um equipamento dentro da média de um PC de linha (= mainstream) adequado para tarefas de processamento intensivo.

Toughbook_CF19_WEI

Já no PCMark Vantage da FutureMark, ele bateu bateu 6.006 pontos no modo de 32 bits

Toughbook_CF19_PCMarkVant_32

… e 6.657 pontos no modo de 64 bits. Isso mostra que aplicações de 64 bits têm — de fato — um melhor desempenho em 64 bits do que no modo de 32 bits no Windows 7 de 64 bits talvez por poder endereçar mais memória.

Toughbook_CF19_PCMarkVant_64

 

Outro teste mais recente também da Futuremark é o PCMark 7, cujos resultados — no nosso caso 2.354 pontos — não podem ser comparados com o Vantage.

Toughbook_CF19_PCMark7

Para medir a capacidade de um sistema para processar e converter vídeos, utilizamos o DVDFlick 1.3.0.6, que cria uma imagem de disco de filme em DVD a partir de um arquivo de vídeo (no nosso caso, três vídeos combinados numa única imagem em ISO) o CF-19 levou 2h49m07s utilizando apenas um thread do processador e 2h14m05s com os quatro threads, um bom resultado se levarmos em consideração que um netbook com Atom leva algo em torno de 10 a 12 horas para realizar essa mesma tarefa.

E para converter um filme em DVD para um arquivo em AVI no Freemake Video Converter, um utilitário gratuito que tira o máximo proveito do hardware (incluindo distribuir a carga de trabalho por diversos threads e aceleração por GPU). Com esse programa foi possível converter nosso mesmo filme de referência em 1h36m29s.

Para avaliar o desempenho da aceleradora gráfica HD 3000, usamos o 3DMark Vantage. Nesse caso, pudemos ver o seu comportamento em diversos cenários (que demandam mais ou menos da GPU) como o chamado modo Entry5.837 pontos:

Toughbook_CF19_3DMarkVant_E

… e 1.004 pontos no modo Performance. Devido as limitações da sua pequena tela de 10,1 polegadas não foi possível rodar esse teste no modo Hi:

Toughbook_CF19_3DMarkVant_p

Já o Cinebench 11.5 é um programa que avalia o desempenho do processador em OpenGL (uma linguagem gráfica muito usada em aplicações profissionais) e para avalidar a capacidade da CPU de trabalhar imagens no modo de multiprocessamento. Nesse caso obtivemos os seguintes resultados no modo de 32 bits (a esquerda) e 64 bits (a direita):

Toughbook_CF19_cinebench32

Aqui o resultados no desempenho do disco rígido usando o HD Tune Pro 4.01taxa de transferência média de 60,1 MB/s e tempo de acesso de 19,6 ms:

Toughbook_CF19_HDTune_Benchmark_Hitachi_HTS723232A7A_teste

Aproveitando essa oportunidade, realizamos um teste específico para verificar a eficiência do sistema de cooler passivo do Toughbook que utiliza seu massivo gabinete de metal para dispersar o calor gerado pelo processador sem usar ventoinhas.

Para isso usamos o Prime 95, um notório programa criado originalmente em 1996 pelo grupo GIMPS (The Great Internet Mersenne Prime Search) para calcular números primos de Mersenne, mas que ficou famoso por identificar problemas de estabilidade (erros de cálculo ou mesmo travamentos) em máquinas onde outros testes não conseguiram, tornando-se assim um programa muito usado por overclockers para verificar a estabilidade de seus sistemas.

O teste é bem simples, colocamos Prime 95 para rodar por uma hora monitorando a temperatura máxima do processador (estressado a 100%) com o Core Temp 1.0 RC5.

Toughbook_CF19_coretemp

Os resultados acima mostraram que numa situação extrema de uso do processador (algo incomum para um equipamento desse tipo, diga-se de passagem) numa sala fechada com temperatura em torno de 23 graus Celsius, a CPU do CF-19 trabalhou numa temperatura de 82~99 graus Celsius, o que pode parecer muito, porém ainda abaixo do limite máximo de 100 graus (Tj. Max) especificado pela Intel ou seja, ele não corre perigo de se danificar. E o mais importante: mesmo depois de horas de uso contínuo do Prime 95 o CF19 não apresentou nenhum erro de cálculo nem travou, provando de que o sistema é estável mesmo quando bem estressado.

E com relação a temperatura do gabinete? Para ver isso, deixamos o PC “cozinhar” com o Prime 95 por uma hora, levantamos o mesmo e medimos a temperatura da base com um termômetro de infravermelho e a parte mais fria do gabinete estava em 33~34 graus e o ponto mais quente alcançou 41~42 graus. Como era de se esperar, esse calor pode ser sentido também na área de descanso das mãos abaixo do teclado (~37 graus) mas nada que possamos classificar como alarmante ou insuportável.

Toughbook_CF19_temp_medido

Observamos que, depois de uma hora do fim do teste — com o CF-19 parado sem fazer nada — a temperatura da CPU caiu para algo em torno de 45~48 graus Celsius:

Toughbook_CF19_coretemp_idle

Finalmente, para medir a autonomia da bateria usamos o Imtec Battery Mark que levou 2h11m22 segundos para entrar no seu modo de reserva no pior cenário de uso, ou seja, com uso intensivo do sistema.

Toughbook_CF19_BatteryMark_full_result

Toughbook_CF19_BatteryMark_full

Nossas conclusões:

Como dissemos no início desse review, se notebooks fossem carros, os Toughbooks seriam os jipes militares da computação móvel. E depois de tudo que vimos, essa analogia vai um pouco além da simples aparência bruta, forma e função.

Se olharmos para o passado, desde o seu lançamento em 2006 a aparência e os recursos do CF-19 continuam praticamente os mesmos o que não significa que ele é um equipamento antiquado ou mesmo obsoleto. Longe disso, já que ele a Panasonic tem a preocupação de manter esta plataforma tecnologicamente atual, sendo que o modelo mais recente (o MK6) já é baseado no processador Intel Core ix de terceira geração. E isso é louvável num mercado onde os clientes são mais conservadores, racionais e pragmáticos confiando mais na sua experiência acumulada do que serem seduzidos pelo último grito da moda.

Para mim, além das características óbvias de durabilidade e resistência, o que chamou a minha a atenção para esse portátil e sua versatilidade e variedade de interfaces legadas já que, cá entre nós, onde podemos encontrar no mercado um notebook moderno ou até PC de varejo que ainda vem com modem, porta serial, firewire ou mesmo slots para cartões PCMCIA e Express Card no mesmo equipamento?

Porém, esse compromisso com o passado tem seus revezes, já que o modelo que analisamos carecia de alguns recursos mais modernos que alguns usuários podem sentir falta, como a ausência de uma saída de vídeo digital (DVI, HDMI ou mesmo DisplayPort) ou porta USB 3.0 (incluso no novo modelo MK6). Fora isso para os padrões atuais, sua tela de 10,1 polegadas padrão 4:3 com resolução nativa de 1.024 x 768 pixels é pequena para algumas aplicações do Windows, sendo que algumas janelas mal cabem na área de trabalho.

Com isso, fica claro que apesar do CF-19 ser uma plataforma moderna que se comporta como qualquer PC de linha, ele faz mais sentido como um produto de nicho rodando programas dedicados e atendendo a necessidades específicas de determinados ambientes onde outros PCs seriam incapazes de realizar ou mesmo de sobreviver por muito tempo. Caso de um chão de fábrica, deck de um porta-aviões ou mesmo numa missão de resgate debaixo de chuva pesada.

Sob esse ponto de vista, os Toughbooks não deveriam ser comparados com um notebook de consumo ou mesmo corporativo, já que sua avaliação de seu custo x benefício vai muito além do conceito de caro x barato. Isso porque muitas de suas qualidades são até únicas no nosso mercado e atendem a demandas que muitos clientes consideram vitais e que —  até por causa disso — estão dispostos a pagar por isso.

Vale a pena lembrar que os Toughbooks não são vendidos diretamente para o consumidor final, e sim para empresas privadas e órgãos públicos, de modo que seu preço unitário varia de acordo com a configuração, acessórios e quantidades envolvidas na negociação.

(Esse post foi originalmente escrito e publicado por este Editor de Testes durante seu exílio no ZUMO.)

 

Resumo: Toughbook CF-19

O que é isso? Notebook conversível totalmente robustecido de uso geral para ambientes extremos.
O que é legal? Excelente padrão de construção, proteção e acabamento, plataforma moderna e rica em interfaces legadas.
O que é imoral? Sua tela de 10,1 polegadas pode ser pequena para os padrões atuais, teclado meio apertado.
O que mais? Produto pode ser transformar num tablet com tela de simples toque. Para aqueles realmente interessados em um tablet do que um PC a empresa oferece o Toughpad.
Avaliação: 7,9 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: Não informado.
Onde encontrar: http://www.panasonictoughbook.com.br/ — (11) 3889-4184 — atendimento.toughbook@br.panasonic.com

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.