ZTOP+ZUMO

Review: Câmera digital Panasonic Lumix DMC-LX3

Se câmeras digitais fossem biscoitos, a Panasonic Lumix DMC-LX3 seria daquele tipo amanteigado que vêm nas latas cheias de frescuras. E como qualquer doce fino, a LX3 não é algo para ser devorado como batata frita e sim apreciado aos poucos e em todos os seus aspectos, já que se trata de uma câmera rica em detalhes e que oculta diversas surpresas que são uma festa para os entusiastas, em especial os adeptos da fotografia retrô.

Um pouco maior que um maço de cigarros (10,9 x 2,7 x 6,0 cm) e com 265 gramas de peso, a LX3 segue o padrão visual das Lumix de bolso com seu corpo delgado formado por linhas retas e cantos suaves. De fato, a LX3 pode ser facilmente confundida com os modelos mais simples da empresa, como a DMC-Zs3, se não fosse por alguns detalhes como uma empunhadura mais anatômica, a presença de uma sapata de flash e uma objetiva que fica parcialmente para fora do corpo da máquina mesmo quando recolhida. Isso faz com que a LX3 não entre facilmente em qualquer bolso de camisa, mas ainda é muito mais fácil de ser carregada do que modelos como as DMC-FZ35 que não entram num bolso nem com reza brava.

De um certo modo, até a chegadas das câmeras micro four thirds com lente intercambiável como a DMC-GF1, a LX3 passou o ano de 2008/2009 batendo de frente com outras compactas de luxo como a Nikon CoolPix P6000 e a Canon PowerShot G10 (recentemente substituida pela G11) pela conquista dos corações e mentes dos entusiastas.

Se de um lado a Nikon oferecia a tradição da marca e inovações como GPS embutido e porta Ethernet, a Canon investiu pesado no seu visual retrô, sensor de imagem de 14,7 MP e controles externos. Já a LX3 não é tão ligada na rede como a P6000 nem cheia de botõezinhos como a G10. Em vez disso a Panasonic resolveu armar sua LX3 com duas características que realmente saltam aos olhos — ou seja — na sua capacidade de capturar imagens em ambientes bem complicados.

Para começar ela vem equipada com uma lente Leica DC Vario Sumicron 5,1~12,8 ASPH/f2,0~2,8, uma combinação de óptica excepcionalmente luminosa (f 2.0) com uma grande angular de 24 mm (equiv. 35 mm). A desvantagem nesse caso é que seu modo “tele” ele chega a apenas 60 mm (equiv. 35 mm) enquanto que suas concorrentes chegam a 112 mm (nikon) e 140 mm (Canon).

Isso faz com que a LX3 seja uma câmera mais indicada para fotos de paisagens, grupos e principalmente em locais fechados onde onde as condições de iluminação nem sempre são favoráveis. Some se a isso a presença de um excelente sistema de estabilização de imagem (O.I.S) e um sensor de imagem com sensibilidade ISO ajustável até 3.200 ISO no modo normal ou até 3.200 ISO no chamado modo Hi-ISO e temos um excelente equipamento para trabalhar em ambientes precários sem usar um tripé muito menos um flash, bem ao gosto dos fotógrafos da década de 60/70 com seus filmes puxados e imagens granuladas (técnica conhecida como available light photography).

(24 mm – 1/30s – F2.0 – ISO 1600)

Zumo comenta: Para quem não sabe, a Panasonic mantém uma parceria tecnológica com a Leica Camera AG da Alemanha que, assim como a Minolta/Leitz ou a Kyocera/Zeiss no passado, os alemães fornecem a aura de excelência de seus projetos ópticos enquanto os japoneses entram com sua tecnologia de câmeras (algo como um carro Toyota com motor Mercedes). Assim, do mesmo modo que a Panasonic tem a LX3 com objetiva Leica, a empresa alemã tem uma câmera Leica com tecnologia Panasonic — a D-Lux 4 — mesma plataforma, mesma óptica e um firmware c0m tempero tipicamente alemão:

Outra curiosidade dessa câmera é o seu sensor de imagem que, ao contrário da LX2, volta a ser na proporção 4:3. O que o diagrama abaixo (criado por Bjorn Utpott) mostra é que a LX2 — ao contrário da concorrência — utilizava um sensor na proporção 16:9 o que permitia obter a maior imagem exatamente nesse formato. A desvantagem nesse caso é que as imagens em 4:2 e 3:2 ficavam ligeriamente menores com uma menor contagem de pixels.

Já a LX3 adota uma relacão de aspecto pouco convencional porém mais engenhosa que combina a largura do 16:9 com a altura do 4:3 (uia!)

A grande sacada no caso da LX3 é que ela consegue trabalhar com três padrões de formato (16:9, 3:2 e 4:3) obtendo assim imagens quase com a mesma contagem de pixels (algo entre entre 9,5 e 10 MP). Isso também mostra uma tendência dos mercados mais maduros que os dias da ditatura dos megapixels (quanto maior melhor) começa a ficar num segundo plano em favor de outras características como versatilidade e/ou qualidade de imagem.

Mas como a LX2, a tela LCD do LX3 mantém a tela LCD no formato wide de 3″ e 460 mil pixels, recurso ainda pouco comum nesse segmento de mercado:

Para se ter uma idéia da vantagem de dispor de uma lente de 24 mm — especialmente dentro de casa — usei como exemplo a sala de controle da Zumo-caverna. A foto abaixo foi feita com minha Canon G10 no modo grande angular mais amplo — 28 mm — relativamente comum entre os modelos para entusiastas.

Agora a mesma cena com a Lumix LX3 com sua lente em 24 mm. Note o ganho de imagem principalmente na lateral esquerda e no teto:

De fato, a Panasonic oferece um acessório opcional para a LX3 na forma de uma lente auxiliar de 0,75x que abre ainda mais a imagem — algo como 18 mm — sem distorcer muito a imagem. Falaremos mais sobre esse acessório em outra parte desse texto.

Como disse anteriormente, um dos preços a serem pago pelo excelente desempenho dessa lente no modo grande angular é modo tele relativamente modesto — apenas 60 mm — quase que um modo normal (~50 mm) um pouco ampliado. É curioso notar que a Panasonic ainda não oferece uma lente auxiliar para tele nem como opcional.

Digno de nota é o desempenho dessa lente no modo macro. Em grande angular (24 mm) sua distância mínima de foco é de 1 cm ou seja, cuidado para não esbarrar a lente no seu tema.

Recorte em 100%:

(clique para imagem real)

Desenho e recursos:

.

Se comparado com seus concorrente da Canon e Nikon, a LX3 é uma das menores e talvez a mais discreta do grupo o que pode ser vantajoso em algumas situações. Construída quase toda em metal, ela passa uma sensação de solidez e de ótimo acabamento, o que é esperado para uma câmera na sua faixa de preço.

Curioso notar que a lente se extende ao máximo no modo grande-angular fazendo com que a profunidade da câmera chegue a 7 cm. Seu motor de foco e de zoom são bastante silenciosos, o que ajuda na sua discrição.

O layout do seu painel traseiro segue o padrão do mercado com a maioria dos controles localizados no lado direito com suas teclas de navegação e de atalho, seleção do modo de fotografar/rever fotos, modo de tela (Display), apagar imagens, etc. Nada muito complicado e bastante intuitivo.

Talvez o comando mais exótico seja o Q.MENU, um botão direcional tipo joystick com opção de confirmação quando pressionado. De um certo modo ele faz o mesmo papel dos cinco botões de navegação (localizado abaixo à direita) e também serve para ajustes de velocidade e abertura.

A função Q.MENU (Quick Menu) dá acesso à um menu simplificado que acessa diversos ajustes da câmera como resolução, fotometragem, ajuste de ISO etc. No geral trata-se de uma interessante solução para economizar espaço, apesar de que pessoas com mãos grandes possam se sentir desconfortáveis em usar esse botão. Eu particularmente prefiro controles giratórios para ajustar de velocidade e abertura.

Uma das marcas registradas da LX2/LX3 é a presença de dois seletores montados ao redor da lente que controlam a escolha do formato (aspect ratio) da imagem a ser capturada e do sistema de foco o que proporciona uma maior agilidade no uso da câmera. Pessoas acostumadas com outras marcas podem estranhar um pouco esses recursos, já que eles são normalmente acessados por botões localizados no painel traseiro.

Assim é possível selecionar rapidamente entre a proporção 4:3 (TV de tubo e monitor de PC não wide) …

proporção 3:2 (a mesma dos fotogramas de filme 35 mm) …

e a proporção 16:9 (a mesma das atuais telas LCD e Plasma).

A parte de cima da LX3 também está bem ocupada pelo flash embutido, a sapata de acessórios/flash externo, disco de seleção de modos de operação, um espaçoso botão de disparo com anel de zoom, controle manual da zona de foco e o botão de liga/desliga. Note que a decisão de deixar a lente parcialmente exposta passa a impressão de que a LX3 é uma câmera bem menor do que realmente é. De um certo modo sua base ocupa tanto espaço quanto uma Canon G10.

Um pequeno detalhe muito legal do disco de seleção de modos é que ele fica ligeiramente afastado para fora do corpo, permitindo que o usuário possa operá-la só com o dedo polegar sem ter que tirar a câmera da mão.

Outra interessante solução de economia de espaço é o uso de um flash embutido que salta da câmera (com o auxílio de um mecanismo de mola) quando soltamos uma travinha (OPEN) localizada logo atrás da mesma, o que também coloca a fonte de luz numa posição mais alta e afastada da lente e ajuda a minimizar o problema de olhos vermelhos na fotos. Note que devido ao seu sistema de acionamento mecânico, ele não é automático de modo que a câmera simplesmente ignora a sua existência quando a mesma fica embutida e não adianta ficar pressionando o botão de flash no painel traseiro (fiz isso diversas vezes até me acostumar) :^P

Graças à sua parceria tecnológica com a Olympus, a LX3 pode utilizar os flashes dessa fabricante como a FL36 (embaixo) quanto as oferecidas pela própria Panasonic como a DMW-FL500 ou a DMW-FL360, que é o mesmo produto com um nome diferente. Pode parecer (e é) meio desajeitado, mas funciona e oferece recursos adicionais como mudar o ângulo da cabeça permitindo iluminar por meio de rebatimento.

Na sua base, vemos o compartimento da bateria e o ponto de fixação do tripé (rosca de 1/4″) à esquerda. Note que esse furo não fica alinhado com o eixo central da objetiva o que pode dificultar o seu uso em fotos panorâmicas. De qualquer modo eu vi uma vantagem nessa solução já que ela permite — em alguns casos — trocar a bateria e o cartão de memória sem ter que retirar a câmera do tripé (uia!).

Como é comum nas câmeras mais sofisticadas ou topo de linha, o modelo analisado ainda foi fabricado fabricado no Japão, o que conta alguns pontos a favor para alguns consumidores.

Como é comum nas câmeras compactas, a LX1 utiliza o mesmo compartimento da bateria para abrigar o slot para cartão de memória SD/SDHC. Apesar da LX3 já vir com uma memória interna de 50 MB, a Panasonic do Brasil está incluindo no pacote um cartão SD de 2 GB Classe 4 produzido pela própria empresa.

Sua bateria CGA-S500E utiliza tecnologia de íons de lítio (3,7 volts x 1.150 mAh). Segundo a empresa, sua autonomia estimada é de 380 fotos segundo o padrão CIPA. Ela é recarregada com o auxílio de um adaptador modelo DE-A41B (já incluso no pacote) com plug macho embutido o que permite usá-lo (por enquanto) diretamente na tomada da parede.

Finalmente, suas portas de entrada e saída de comunicação se concentram na lateral direita, protegida por uma pequena portinha. A partir da esquerda vemos a entrada do adaptador de rede elétrica, entrada combinada de Audio/Video + USB 2.0 e a saída de vídeo componente. Note que todas as interfaces utilizam conectores proprietários (boo!) o que pode ser um incômodo pela obrigação de carregar os cabos consigo durante viagens e um tormento ainda maior no caso de perda.

Incrementando a máquina:

.

Para termos uma experiência de uso ainda mais completa sobre da LX3, a Panasonic do Brasil gentilmente nos enviou amostras de quase todos os opcionais disponíveis para ela. Curiosamente, todos são produzidos no Japão e (infelizmente) muitos deles nem ainda estão disponíveis por aqui:

Na minha opinião a mais últil delas é o adaptador de lente DMW-LA4, uma espécie de tubo de metal que permite utilizar filtros de 46 mm e lentes auxiliares na LX3:

Para utilizá-lo, basta desrosquear um anel protetor que fica na lente da LX3…

… e rosquear o tubo no lugar:

A Panasonic oferece três tipos de filtro com marca própria (a partir da esquerda) o filtro de densidade neutra DMW-LND46, o filtro de proteção DMW-LMC46 e o filtro polarizador DMW-LPL46. Para quem não sabe o filtro ND funciona como uma espécie de “óculos escuros” para a objetiva e é normalmente usada em dias de sol muito forte para reduzir a quantidade de luz que incide na lente, permitindo assim aumentar o controle sobre a imagem com velocidades menores e aberturas maiores. Já o filtro polarizador ajuda a minimizar reflexos indesejados vindos de superfícies brilhantes (como vitrines) e que também permite efeitos muito interessantes sobre lâminas d’água e sobre o azul do céu.

Na minha opinião outra vantagem do uso do tubo é que ele ajuda a proteger a máquina de atividades mais intensivas — em especial da objetiva — oferecendo maiores chances de sobrevivência contra batidas laterais, quedas acidentais, empurra-empurra de manifestantes, corre-corre da polícia e até agressões de alguma personalidade/famoso (ou de seus seguranças) que não quer ser fotografado. Isso pode ser ainda maior com o uso do filtro de proteção o que ajuda a manter impurezas como poeria e respingos de líquidos longe da lente. Fora isso o tubo também oferece um novo lugar para segurar a câmera, tornando assim o seu uso ainda mais seguro e confortável.

E dependendo da posição do zoom o tubo também funcionaria como uma espécie de pára-sol, protegendo o elemento frontal da lente de reflexos indesejados:

Outro acessório que pode ser usado com esse tubo é a lente auxiliar DMW-LW46 um impressionante tolete de vidro formado por tes lentes em três grupos que abre ainda mais o ângulo de abertura da LX3 no modo grande angular de 24 mm para 18 mm e sem distorcer muito a imagem (vide exemplo acima) e sem vinhetar nos cantos. Algo impressionante para um acessório desse tipo.

O grande diâmetro frontal desse acessório (68 mm) permite uma grande entrada de luz, permindo assim que a lente interna não perca desempenho, continuando a trabalhar com abertura máxima de f/2.0. Observe porém que essa lente não possui rosca de filtro, fazendo com que o seu elemento frontal fique bastante exposto. Para evitar acidentes como um risco acidental, é aconselhável cobrir a mesma com sua tampa que já acompanha o acessório. Interessante notar que a LX3 possui uma configuração específica para trabalhar com essa lente o que desativa, por exemplo, o uso do seu flash interno.

Outro acessório que considero a cerejinha do bolo desse sistema é o DMW-VF1 um visor óptico externo calibrado para enquadrar no modo grande-angular de 24 mm.

Dono de um visual totalmente retrô ele se encaixa na sapata de flash da câmera e, na minha opinião, serve mais para impressionar as garotas e os amigos nerds. Obviamente ele também pode ser útil na hora de enquadrar imagens em locais onde o uso o LCD é mais complicado como sob o sol forte. E mesmo em locais que dependam do uso do flash o visor pode ser usado sem problemas já que ele não atrapalha no funcionamento do mesmo. Os fotógrafos tradicionais também podem curtir esse acessório, já que ele permite usar a câmera como nos modelos do passado com mais agilidade e desenvoltura.

Para mim a grande desvantagem desse acessório é que ele tem seu campo de visão fixo no modo grande angular, de modo que o seu uso em outras distâncias focais pode ser bem mais impreciso. Note também as linhas de correção de paralaxe para imagens focadas a menos de 50 de distância da lente.

Interessante notar que como no caso da lente auxiliar, a LX3 possui um modo específico para utilizar o visor externo. Nesse caso, ela desliga a tela LCD e apresenta apenas informações essenciais como confirmação de foco ou estado do flash numa posição bastante próxima do olho do fotógrafo:

Juntando todos os acessórios não podemos negar que a LX3 ganha um visual bem mais invocado e nada discreto, diga-se de passagem:

Em uso:

.

A preocupação com os detalhes já começa na LX3 quando ligamos a máquina. Caso sua tampinha da lente esteja na objetiva…

… ela bipa e pede educadamente que você …

Se o assunto é fotografar, a LX3 procura ser uma solução capaz de atender à toda família, desde a mãe ou a avó que só quer saber que botão que bate foto até aquele irmão/primo sabichão que manja tudo de computador:

.

Para aqueles que só querem bater fotos sem se preocupar com o resto o modo mais recomendado é o iA (intelligent Auto) onde a câmera ativa o estabilizador de imagem (OIS), e ajusta automaticamente o ajuste de ISO, programa de cena, deteção de face e exposição. Uma das únicas opções que ficam por conta do usuário é o acionamento do flash já que — como comentamos acima — só pode ser liberada manualmente (duh!). Mesmo  nesse modo, a LX3 oferece diversos modos de visualização da tela, porém com menos informações:

O menu de configurações também seguem a mesma filosofia …

… assim como sua tela de ajuste/manutenção do sistema:

Para aqueles que desejam um pouco mais de controle sobre suas fotos de maneira simples e prática, a pedida é o SCN (Scene), com programas de cena pré-configurados com alguns parâmetros da câmera, de acordo com a foto que deseja ser tirada.

A LX3 conta com os seguintes modos:

  1. Retrato
  2. Pele Suave
  3. Auto-retrato
  4. Cenário
  5. Desporto
  6. Retrato à Noite
  7. Nocturno
  8. Comida
  9. Festa
  10. Luz Velas
  11. Bebê 1
  12. Bebê 2
  13. Animais
  14. Pôr do Sol
  15. Sensibil. Alta
  16. Explosão Rápida (??!!)
  17. Arrebentamento Flash (???!!!)
  18. Céu Estrelado
  19. Fogo Artifíc.
  20. Praia
  21. Neve
  22. Foto Aérea
  23. Pin Hole
  24. Tempestade de Areia (????!!!!)

Pela lista apresentada a LX3 até que é bem conservadora no seus modos de cena não ofercendo modos mais exóticos (que beiram o bizarro) como fotografar peixinhos dentro do aquário ou gatos (com três opções de cores: branco, preto ou pardo). Ao invés disso, a diversão fica por conta do tradutor do firmware em português da Panasonic que criou termos no mínimo hilários como Explosão Rápida (Hi-Speed Burst = fotografia rápida em sequência), Arrebentamento Flash (Flash Burst – fotografia rápida em sequência com flash) e a Tempestade de Areia (Film Grain – efeito de filme granulado).


Zumo comenta: Falando em idiomas, para aqueles que pensam em comprar uma câmera digital numa loja do Japão, vale a pena lembrar que os modelos oferecidos no varejo nipônico costumam vir com sua interface só em  japonês (abaixo). Isso faz parte de uma estratégia da indústria de lá de inibir o mercado cinza ou de pelo menos desmotivar a ida de novos modelos para geografias onde eles não foram lançados oficialmente.

Nesse caso o ideal é não ficar empolgado com o “plecinho camalada” e conferir com o vendedor se a câmera que você está adquirindo na loja é voltada para exportação (o que às vezes pode sair um pouco mais caro). Outra opção é fazer suas compras no free shop do aeroporto.

Mas onde a LX3 realmente se destaca é nos seus modos avançados e manuais onde podemos contar com os tradicionais modos “P” (Programa) que ajusta a velocidade/abertura automaticamente de acordo com as condições de exposição, o “A” (Aperture priority) que calcula uma velocidade de acordo com uma abertura definida (o que permite controlar o efeito de profundidade de campo) e o “S”  (Speed priority) onde definimos uma velocidade do disparador e o programa define uma abertura adequada (muito usada quando queremos, por exemplo, ter certeza de poder congelar uma cena de ação).

Nesses casos a tela LCD oferece diversas opções de visualização tanto de cena quanto de informações:

A tela pode estar completamente livre de informações…

… com algumas informações…

… ou cheia de informações:

Ainda existe o modo “M”(Manual), cujo maior atrativo é a livre escolha da velocidade/abertura da foto, o que permite total controle sobre a imagem a ser tirada fiquem elas boas ou ruins.

Como nas câmeras manuais, isso pode ser conferido com o uso de um fotômetro digital que informa se a imagem esta exposta corretamente de acordo com a área de medição, que pode ser a tela inteira (average), área central (center weighted), ou ponto central (spot).

E para aqueles que querem realmente total controle sobre a imagem, a LX3 também oferece um modo de foco manual com o tradicional zoom da área central para verficar o foco…

… ou um modo na minha opinião bem mais interessante que é o uso da tela inteira para conferir o ponto de foco:

A LX3 foi uma das pioneiras entre os modelos de bolso a oferecer filmagem de vídeos em HD (1.280 x 720 pixels) a 24 qps, além dos modos de 848 x 480 (16:9) e 640×480 (4:3) pixels a 30 qps, todos no formato Quicktime/.MOV. A câmera mostra o tempo disponível de gravação, trabalha com foco manual e automático, faz ajuste de exposição mas não oferece controle de zoom (boo!). Como foi lançada bem antes do boom das câmeras digitais com porta HDMI, ela oferece conexão via cabo vídeo componente.

Em vez de trabalhar com ajustes de imagem baseados em parâmetros como contraste, saturação etc., a LX3 lida com um conceito mais retrô (provavelmente copiado nas Leicas digitais) que chama os seus ajustes de filmes, ou seja, como no passado os fotógrafos se acostumavam a associar nomes de filmes com suas características de captura de imagem (como Ektar 25 – filme negativo / grão finíssimo / cores saturadas, Velvia – filme para slide / grão finíssimo,  Sensia 100 – filme negativo ideal para fotografar tons de pele, etc…) a Panasonic faz o mesmo oferecendo pelo menos nove tipos de ajustes/filmes diferentes tanto em cores quanto em P&B. Note a ausência de efeitos mais “artísticos” como sépia.

Standard:

Dinâmico:

Natureza:

Suave:

Vibrante:

Nostálgico:

Preto e Branco Standard:

Preto e Branco Dinâmico:

Preto e Branco Suave:

E não é só isso, cada um desses ajustes pré-definidos podem ser customizados pelo usuário por meio de ajustes finos de contraste, nitidez, saturação, redução de ruído:

Agora, os profissionais e entusiastas mais hardcore podem também processar suas próprias imagens da LX3 diretamente em seus PCs já que a mesma conta com o recurso de RAW, ou seja, as informações coletadas pelo CCD não passam pelo seu  processador de imagem Venus Engine IV e a informação “crua” (= RAW) é gravada diretamente no cartão de memória.

O Modo de Reprodução (Play) reúne as diversas opções de apresentação e edição das imagens contidas na câmera. No modo de reprodução, nada que chame de fato a atenção:

Já o modo de edição dispomos de diversos modos de organização das imagens por datas, inserir datas e legendas, recortar e redimensionar imagens, proteger, inserir comentários de voz, copiar da memória interna para o cartão, proteger imagens etc.

Entre as funções mais avançadas senti falta de recursos como corretor de olhos vermelhos (como faz a Canon) entretanto, a LX3 dispõe de uma ferramenta muito legal chamada Nivelar que como o próprio nome sugere, rotaciona levemente a imagem para corrigir fotos levemente tortas:

Confira o antes…

… e o depois:

Nada mal, nada mal mesmo…

Nossas conclusões:

.

Como disse no início desse review, a Panasonic DMC-LX3 é uma câmera diferenciada voltada para um público diferenciado que aprecia muito mais a técnica de fazer uma foto, ou seja, ele estaria mais para um fuzil de atirador de elite do que para um míssil teleguiado. Ela tenta proporcionar todos os recursos possíveis para obter uma boa imagem — mas ainda é o usuário que manda na maneira como ela vai ser capturada e quando apertar o botão de disparo.

Na minha opinião, a beleza dessa Lumix está no seu sensor de imagem com alta sensibilidade em ISO, objetiva Leica com sua grande angular de 24mm/f2.0, estabilizador de imagem e o suporte para RAW — recursos que permitem essa câmera ir além da simples fotografia do dia a dia para explorar novos tons, texturas e expressões em especial na fotografia preto e branco, uma área pouco visitada pelo público em geral. Seu corpo na cor preta (também disponível em prata), além de pequeno é bem discreto, o que pode ser interessante em locais onde máquinas maiores e mais chamativas não sobreviveriam por muito tempo (como o centro de São Paulo à noite ou na orla do Rio de dia). De fato, repórteres de guerra, pesquisadores e até antropólogos costumam usar câmeras compactas durante seus contatos com o público por serem menos intimidadoras do que uma DSLR com uma zoom que mais parece um canhão.

Mas isso significa que a LX3 seja perfeita? Claro que não!  — Senão como é que eles vão lançar a LX5? (wink! wink!) — Por exemplo, não considero o seu ” joystick” um meio ágil para selecionar opções, principalmente se você tiver mãos grandes. O zoom de 2,5x (~ 60 mm) também limita o seu uso em qualquer situação, principalmente se levarmos em conta que concorrentes diretas oferecem zooms entre 100 até 140 mm. E com uma etiqueta de preço de R$ 2.700 é importante avaliar muito bem suas vantagens e desvantagens antes de sacar o cartão de crédito.

De qualquer modo, se você gostou do que viu e ela se encaixa nas suas pretensões fotográficas, vai fundo… ela é um baita de um brinquedo de marmanjo e muito mais em conta (e mais fácil de esconder da dona das panelas) do que uma Harley, carro esporte importado ou mesmo uma TV de plasma de 103″.

Resumo: Panasonic Lumix DMC-LX3K (corpo preto)
O que é isso? — Câmera de bolso topo de linha parfa usuários avançados e entusiastas.
O que é legal? — Óptica Leica/Leitz. Lente luminosa e excelente grande angular, tela LCD wide e rica em recursos, grava vídeos em HD.
O que é imoral? — Praticamente não tem modo tele (60 mm = argh!), alguns controles podem ser desconfortáveis para pessoas com mãos grandes, pouca (se nenhuma) oferta de acessórios no Brasil.
O que mais? — Excelente suporte para modos em cores e preto e branco, possui suporte para RAW e flash externo.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 2.699.
Onde encontrar: www.panasonic.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • constantino 18/01/2010, 00:27

    review fera!!! parabéns!!!
    A camera me parece muito versatil e com essa infindade de addons é realmente instigante compra-la… Mas por 2700 reais fica muito complicado, afinal com esse preço você consegue uma T1i/D5000 com lente extra já. Enfim, eu compraria como segunda camera facilmente.

  • Edu Lima 18/01/2010, 03:04

    Nagano, seu desktop esta cheio de ícones, você joga tudo lá, achando que vai preisar e acaba não usando. Deve chegar ao ponto de colocar muitos ícones dentro de pastas no desktop dizendo que vai organizar depois…. rsrs

    Você tem mesmo seis discos hotswap na sua maquina?

    Abçs

    • mnagano 18/01/2010, 09:19

      Oi Edu,

      Sorry, esse mau hábito de encher o desktop de abobrinha é vício meu da época do Windows 3.11. O wallpaper com a Lum já é coisa do Windows 2000.

      Mas a minha vida mudou (não muito, mas ficou mais organizada) desde que descobri Fences:

      http://www.stardock.com/products/fences/

  • @douglas_belmont 18/01/2010, 05:33

    Belo post ! Review profissional.

  • dflopes 18/01/2010, 15:27

    UAU… um mega ultra review.

    Pelo visto, Vc gosta de fotografia! Hein, Mr. Nagano.

    E vc consegue trabalhar naquele formigueiro de ícones?

  • Leandro 18/01/2010, 21:32

    Já pensaram em fazer quebra de página?

    • henriquem 19/01/2010, 00:39

      então… teria q. quebrar em vários posts (wordpress, esse safado!)

  • Fábio Siqueira 19/01/2010, 14:52

    Mário Naganom

    Sobrariam adjetivos. Vou ficar apenas no belíssimo trabalho que você apresentou sobre Panasonic Lumix DMC-LX3. Nem o fabricante chegaria a tanto.

  • marcos 20/01/2010, 02:39

    A câmera é espetacular para fotos sem flash. Tirei fotos no interior de igrejas, a noite e em nenhum momento precisou de flash!
    Quanto ao preço…
    Só aqui no Brasil mesmo…
    Cheguei hoje com a minha que comprei por 400,00 euros…

    • lucio 29/05/2010, 21:25

      Prezado,essas cameras que estão sendo vendidas na net,ou magazines,aqui no Brasil tem os mesmos valores,digo recursos?tem a mesma fabricação e/ou qualidade ?
      Tem LX3 lumix sendo vendida entre R$1300 a R$2100!! será que são fabricação chineza?sem desmerecer os produtos,ou generalizar.Vale a pena comprar ? mito grato.

      • lucio 29/05/2010, 21:28

        Aguardando.Acredito que minha pergunta vai ajudar muito(s)com a mesma dúvida.
        grato.

      • henriquem 30/05/2010, 00:34

        lucio, nao incentivamos a compra em sites desconhecidos ou leiloes com procedência duvidosa. tem uma lista oficial de revendas no site da panasonic http://www.panasonic.com.br/where/

        • lucio 29/05/2010, 21:44

          Muito grato amigo .Muito as vezes caimos em armadilhas, o que nos deixa muito indignado!
          Essa camera é realmente prodigia,conforme o comentario acima,detalhadamente.
          Vou recorrer a esse site. gratíssimo!!

        • luciop elias 17/06/2010, 23:26

          Boa noite! Estou muito satisfeito com a compra da LX3. Realmente prodigia! um espetaculo! conforme o amigo descreve com detalhes.Made in Japan,metal,tudo conforme ,comparado com as descrisões!manuais , e garantia internacional e nacional no Brasil.etc… .Estou surpreso em conseguir algo não "made in china" .
          Grato a todos.

          • mnagano 21/07/2010, 21:20

            Sim no Japão era comum os produtos topo de linha serem feitos localmente (para se dominar o processo de fabricação) e com o tempo transferir a produção para outras geografias.

            Por exemplo, minha primeira DSLR/lente da Olympus (uma E-1) eram todas made in Japan, já minha câmera atual (E-510) é made in China.

            A Panasonic é uma das poucas que iniciam e mantém suas linhas de fabricação de lentes e câmeras topo de linha só no Japão — e eles não escondem o orgulho disso.

  • Waldecir 24/01/2010, 21:56

    Parabens, nagano, excelente review.
    Sempre que posso, dou uma passadinha por aqui, para ler seus manuais..rsss
    Gracias, pela aula.

  • Alexandre 03/07/2010, 14:07

    Prezado Nagano, parabéns pela riqueza de detalhes de informações.
    Gostaria de aproveitar sua experiência e perguntar: estou buscando uma máquina que não seja "simples" como uma compacta, ou seja, que tenha recursos mais avançados, não tão pesada como uma reflex, que tenha funções intuitivas, rápida para captar imagens em movimento numa distância de até 5 metros, interessante também para captar imagens estáticas em viagens de turismo e que também filme.
    Sou leigo no assunto e acredito que a LX3 seja uma boa opção. Pesquisei um pouco mais e achei interessante a nikon coolpix L110 e a Canon Power Shot SX20 IS.
    Peço, por favor, sua opinião qual seria a máquina acima que mais atende minhas expectativas ou outras sugestões.

    Agradeço antecipadamente pela atenção.

    Att.
    Alexandre

  • mnagano 03/07/2010, 15:36

    A LX3 é uma câmera que encaixa bem no que vc precisa. Ela é compacta, não chama muito a atenção ostenta uma excelente objetiva com a legendária marca Leitz/Leica, filma em 720p e um monte de outros adjetivos. O seu grande problema — na minha opinião — é ser um pouco pequena para as pessoas com mãos grandes e não oferecer um modo de tele nem como opcional. Se você tira mais fotos de grupos e paisagens eu recomendo.

    Se fosse recomendar uma alternativa minha sugestão seriam duas Canons: a PoweShot G10/G11 ou a curiosa PowerShot S90.

  • eric 28/07/2010, 14:48

    Caro Nagano,
    fiquei com uma duvida. Se voce tirar uma foto com a lente grande angular e com o flash da maquina, a lente atrapalha o flash e cria alguma sombra? Estou em avaliação de uma maquina para tirar fotos de ambientes pequenos (quartos etc) para mercado imobiliario. Tenho 3 opçoes: a LX3, LX5, a GF1 todas da panasonic ou a PEN E-p1 da Olympus. Qual vc acha melhor?
    grato
    eric

    • Mário Nagano 29/07/2010, 10:41

      LX3 pq ele sua grande angular de 24 mm pega mais imagem q os concorrentes e com uma lente auxiliar relativamente barata ela pode chegar a 18 mm.

      Fora isso a LX3 tem sapata de flash caso vc precise de mais luz e começa a cair de preço com a chegada da LX5

  • Eric 19/08/2010, 14:56

    Caro Nagano,

    optei pela LX3, mas irei esperar o lançamento da LX5 em setembro.
    Agora a duvida é na lente grande angular LW46 (original), que tem fator de 0.75x. em lojas eletronicas de fotografia tambem tem um modelo de lente grande angular de 0.45x. Se utilizar na LX3, qual fica melhor, com 0.75x ou 0.45x?
    grato

    • mnagano 19/08/2010, 21:12

      Teria q ver essa lente de 0.45x para ter uma opinião formada sobre ela. O que posso dizer é que fiquei impressionado com a LW46 e seu baixo nível de distorção e não me importaria de pagar algo a mais por ela para ter um acessório desenhado pelas mesmas pessoas que projetaram a lente, que por sinal é uma Leica.

  • Robson da Silva 01/09/2010, 11:46

    Tenho uma LX3 que comprei dos EUA ano passado e o LCD trincou devido a um choque. Mandei para a assistência técnica autorizada aqui no Brasil e eles não tem peça de reposição dessa máquina pois me disseram que ela não foi lançada no Brasil. No entanto, no site da Panasonic do Brasil tem propaganda dela. Que assistência hein. Não sei o que fazer. Talvez jogar a náquina no lixo.

  • Paulo 07/09/2010, 19:00

    Olá!
    O review tá ótimo, parabéns!
    Acabei de comprar uma belezinha dessas em NY, só que estou me lascando todo com o manual, em inglês. Você sabe onde posso obter esse manual em português?
    Grande abraço.

    Paulo

  • Hellen 16/06/2011, 14:07

    Esse site é top, um dos melhores sites que já achei, sempre com bons reviews, completo com muita informação. Parabéns.

  • Hingryd Rauen 25/06/2016, 22:09

    Oi! Achei sensacional seu review. Tenho essa câmera tem algum tempo mas só agora em 2016 descobri de fato o potencial dela. Mas sou iniciante no mundo da fotografia então posso me equivocar com alguns termos, mas ali nos acessórios você não chegou a mencionar lente de zoom né? (É esse o termo?) Fico muito chateada de não conseguir tirar fotos de objetos no “infinito”, tipo a lua. Bem, se eu não estiver falando grandes besteiras ai, existe lente de zoom pra lx3? Obrigada!

    • Mario Nagano 28/06/2016, 11:35

      Oi Hingryd,

      A LX3 foi concebida para ser uma câmera de bolso para uso geral, ou seja, seu zoom de 3x foi feita para fotografar paisagens, grupos e até retratos de pessoas numa distância média. Fotografar objetos distantes, como aves, jogadores no campo e até mesmo objetos celestes como a lua exige o uso de teleobjetivas potentes (algo na faixa de 500mm) o que excede em muito a capacidade da sua câmera.

      O que poderia ser feito é acoplar sua câmera na ocular de um telescópio astronômico por meio de um adaptador especial. Mais detalhes aqui:

      https://www.flickr.com/groups/843626@N22/discuss/72157611952874822/